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Almandrade
Artista
Plástico, Poeta e Arquiteto
http://www.expoart.com.br/Almandrade
A OBRA DE ARTE
E SUA LEITURA
"Nós precisamos da arte para não
morrer de verdade"
Nietzsche
A independência da obra de arte
com relação ao repertório de um público, principalmente a partir
da modernidade, criou uma expectativa em torno de sua leitura.
Hoje em dia, o artista é solicitado a prestar esclarecimentos
sobre o significado de sua obra, como se fosse possível alguma
tradução verbal. Críticos e especialistas se apropriam de uma
bateria de teorias para formular regras e critérios que tornem
possível decifrar o jogo de signos utilizado pelo artista,
criando hipóteses de leitura para se aproximar da obra. Enfim,
criou-se um conjunto de discursos tautológicos que acompanha os
objetos de arte, para endereçá-los aos espectadores, aos
colecionadores, ao mercado e até mesmo às instituições
culturais, disfarçando o mito da incompreensibilidade.
O que significa o trabalho de um artista,
senão o próprio trabalho? As prováveis dificuldades de se
entender as experiências não-verbais mostram que não dominamos a
linguagem; ao contrário, somos dominados por um sistema de
signos. Os limites da compreensão da arte são determinados pela
linguagem com a qual o espectador/consumidor/ leitor tem acesso
a ela.
A apreensão da arte é múltipla. As várias
formas e parâmetros de olhar ou de relacionamento com o trabalho
de arte são formas de apropriação que não esgotam os seus
significados imagináveis. Existem códigos que fazem parte do
repertório do artista e códigos que pertencem ao repertório do
espectador que podem ser incorporados à obra, no momento de sua
leitura. Mas o fundamental é a compreensão de sua
incompreensibilidade (Adorno). O trabalho do olhar é um
investimento de significados ou pensamentos visuais que a obra
de arte é capaz de suportar.
A arte é objeto de estudo da teoria da
arte, da semiologia, da psicanálise, da política etc., portanto,
aberta a várias leituras, mas é irredutível a essas formas de
racionalidade. Existem modelos de leitura sujeitos à informação
e à pretensão do espectador ou do crítico. Em última instância,
os repertórios direcionam e administram leituras ambíguas.
A arte produz efeitos imprevisíveis e é
preciso entendê-la sem descrevê-la.(06-09-2010)
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