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"Nome
Próprio"
O filme onde Leandra Leal,
o "biscoito fino" de "Ciranda de Pedra"
fica nua, ganha o prêmio de Melhor Filme do Festival de
Cinema de Gramado - 2008
Bem menos glamourosa e mais ousada que a
mocinha dos anos 50, outra personagem de Leandra promete
virar assunto em breve. É Camila, a protagonista do filme
‘Nome Próprio’, com roteiro baseado em livros e textos
publicados na Internet pela gaúcha Clarah Averbuck, e que
tem estréia marcada para dia 18.
Aspirante a escritora, a jovem mantém um blog,
onde despeja seus anseios e angústias, entre doses de álcool
perigosamente combinadas com remédios para emagrecer,
crises existenciais e muito sexo sem proteção. Apaixonada
pelo papel e confi ando no bom gosto do diretor Murilo
Salles, a atriz não hesitou em ficar nua no set. Ela própria
contabiliza: passa 80% do longa completamente nua ou só de
calcinha, ‘sem grilo’.
“Foi tranqüilo, não é nada gratuito. Também não é uma nudez
gatinha, é real. Meu corpo não é o mais perfeito do mundo,
mas estou ali pela personagem. Costumo dizer que estou nua o
tempo todo, a roupa é uma conseqüência”, define Leandra, que
hoje está ainda mais bem resolvida com seu corpo. Por uma
questão de saúde, como ressalta, malha três vezes por semana
desde outubro do ano passado, quando se submeteu a uma
cirurgia no joelho direito.

“Estava ensaiando uma peça (‘Simpatia’,
encenada em São Paulo) e machuquei esse joelho, que já tinha
operado aos 15 anos, depois de cair do cavalo. Tive que
fazer uma recuperação de atleta, com musculação e
fisioterapia todo dia. Aí deu um negócio em mim e eu falei:
‘ bicho’, meu corpo é meu instrumento de trabalho. Vou me
cuidar, quero ficar saudável. Foi uma coisa bem louca”,
lembra.
Quanto à alimentação, Leandra, que sempre foi natureba (ela
nunca comeu carne vermelha), adotou novos hábitos. “Sofri
anos com o efeito sanfona, então vivo de dieta. Mas qual é a
mulher que come doce todo dia? Todo mundo está se cuidando,
né?”, questiona. Como a Camila de ‘Nome Próprio’, ela também
já apelou para pílulas. “Não é a forma mais legal para
emagrecer, mas funcionou naquele momento”, conta. E revela:
“Aprendi a comer de três em três horas. Também tirei a
manteiga da minha vida e troquei a Coca-Cola pelo mate”.
Essa última atitude, no entanto, não é apenas preocupação
com a silhueta, mas com o aquecimento global.
“A Coca utiliza muito mais gás carbônico. O
Pólo Norte vai acabar, gente, está tudo derretendo. Agora só
penso nisso. Vou colocar energia solar lá em casa. Acho que
todo mundo com condições deveria fazer o mesmo”, dispara. É
esse tipo de assunto que Leandra volta e meia aborda em seu
blog, ‘Alice me Persegue’. Apesar da aversão à exposição de
sua vida íntima (“Se uma separação minha sai numa capa de
revista, eu morro”), ali ela também fala um pouco de seu
dia-a-dia, das viagens com o marido, o músico Lirinha, da
banda Cordel do Fogo Encantado, às impressões sobre o mundo.
Na época da novela ‘Páginas da Vida’, em que
interpretava Sabrina, fez um ‘post’ criticando a carga
horária das gravações e até os cílios superalongados da
colega de elenco Danielle Winits. O texto foi parar nos
jornais e Leandra levou um susto. “ Não tinha muita noção de
que pudesse ter repercussão. Não sou ingênua, aprendi a usar
isso a meu favor. Não vou deixar de dar opinião”, avisa. E
com a mesma sinceridade, confirma que dar entrevistas não é
sua atividade preferida.

“A relação do artista com a imprensa pode ser
saudável, você pode divulgar seu trabalho. Mas não sou boa
nisso, falo palavrão, não tenho frase de efeito. Não sei dar
a manchete. E sempre que leio entrevistas minhas penso ‘ai,
como sou idiota’.” Tomara que nesta fase mais linda e loura,
com a auto-estima nas alturas, a história seja diferente.

Texto de
Rubia Mazzini
O Dia
– Terra |