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Estado negociou com PCC, acusa o filme "Salve Geral"

Com estreia nacional programada para o dia 2 de outubro, “Salve Geral”, de Sergio Rezende, promete recolocar em discussão, de forma acalorada, os graves incidentes ocorridos em São Paulo, em maio de 2006. Ao longo de três dias, criminosos atacaram postos policiais na cidade, causando dezenas de mortes e espalhando pânico, enquanto rebeliões tiveram início em dezenas de presídios

Ação orquestrada pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) em resposta à remoção repentina de cerca de 800 presos da liderança do movimento para a penitenciária de segurança máxima Presidente Venceslau, os ataques de maio de 2006 causaram a morte de 46 agentes públicos, entre policiais civis, militares e agentes penitenciários.

 
Na recriação ficcional do “dia em que São Paulo parou”, uma atenção especial é dada à negociação, sempre negada pelo governo do Estado de São Paulo, que teria ocorrido entre integrantes da cúpula da Segurança e os líderes do PCC.

No filme, há duas posições divergentes sobre como enfrentar o PCC: de um lado, o diretor de um presídio, que é contra negociar com os presos; e de outro, um policial civil, que apoia a negociação, mas defende um endurecimento da resposta policial nas ruas. O superior destes dois homens manifesta preocupação com a repercussão dos ataques “em ano de eleição” e termina por concordar com a tese do policial.

Os três homens, então, rumam para o presídio de segurança máxima onde estão detidos os líderes do PCC – no filme sempre chamado de “Partido”. Os presos apresentam por escrito às autoridades as suas reivindicações para encerrar a rebelião nas ruas de São Paulo, e os representantes do governo dão a entender que concordam com elas.


Claudio Lembo (Governador), Saulo de Castro Abreu (Secretário da Segurança) e Nagashi Furukava (Adminstração Penitenciária)

A mais alta autoridade do governo na negociação exige que os ataques cessem “em uma hora”. Os líderes do PCC falam da dificuldade em contatar “200 mil pessoas” em uma hora, a não ser que tenham uma cadeia nacional de rádio e tevê à disposição. Na cena seguinte, os quatro presos são vistos numa sala, cada um falando a um telefone celular diferente, pedindo o fim da rebelião.

Numa cena posterior, o policial civil que defende a negociação com os presos e o endurecimento da ação policial nas ruas é visto em uma ronda com um colega na periferia. Ao se aproximarem de dois jovens, que fogem, ele atira e mata os dois. Diante do espanto do colega, ele afirma algo como: se fugiram é porque eram criminosos.

Segundo “O Estado de S.Paulo”, entre os dias 12 e 20 de maio de 2006, na sequência dos ataques do PCC, 493 pessoas foram mortas por armas de fogo; 109 eram criminosos ou suspeitos que a polícia afirma terem reagido à prisão; 89 foram mortos por pessoas não identificadas, com indícios de execução.

“Salve Geral” também mostra a corrupção dentro dos presídios, com agentes que facilitam a entrada de celulares para os presos em troca de benefícios. E, igualmente, descreve uma situação de corrupção que envolve um policial militar e agentes de saúdes, todos cúmplices no relaxamento da prisão de um criminoso.

Por outro lado, “Salve Geral” descreve o PCC com tintas igualmente fortes. Os líderes da organização criminosa são violentos, não hesitam em determinar a execução de integrantes do grupo e tramam uns contra os outros. O filme mostra uma série de atos de execução sumária cometidos por ordens da liderança.

À esquerda, a atriz Denise Weinberg, a "Ruiva", advogada do PCC no longa-metragem

O filme de Sergio Rezende também aborda o trabalho assistencialista do PCC, assim como a participação de mulheres no comando da organização. Uma advogada, chamada em “Salve Geral” de “Ruiva”, é uma das principais articuladoras das ações do grupo.

Na época dos ataques, o ex-vice-governador Claudio Lembo havia acabado de assumir o governo do Estado, em substituição a Geraldo Alckmin, que deixou o cargo para disputar as eleições presidenciais no final de 2006. O secretário de Segurança era o procurador de Justiça Saulo de Castro Abreu e o secretário da Administração Penitenciária era o juiz aposentado Nagashi Furukawa.

No período imediatamente posterior aos ataques, Abreu e Furukawa, que pediu demissão dias depois da crise, trocaram acusações sobre a conduta de ambos nos episódios. Em entrevista à “Folha de S.Paulo”, na ocasião, Castro comentou o pedido de demissão de Furukawa em termos duros: “Saiu porque não aguentou o tranco. Viu o monstrengo que criou no sistema prisional. Despirocou”. Furukawa respondeu dois depois, no mesmo jornal, afirmando: “Toda cúpula da Secretaria da Segurança queria que fizesse acordo (com o PCC). Não aceitei”.

A estréia de “Salve Geral” em 2 de outubro coincide com dois acontecimentos dramáticos. No próximo dia 1º tem início em São Paulo o julgamento de Marco Herbas Camacho, o Marcola, e Júlio César de Moraes, o Julinho Carambola, apontados como os principais líderes do PCC. Eles serão julgados como mandantes do assassinato do juiz-corregedor de presídios de Presidente Prudente, Antônio José Machado Dias, ocorrido em março de 2003.

O dia 2 de outubro marca também a data do chamado “massacre do Carandiru”, ocorrido em 1992. Na ocasião, em resposta a uma rebelião de presos, a Policial Militar invadiu o presídio, causando a morte de 111 detento.

 

SINOPSE

No Dia das Mães de 2006, a cidade de São Paulo está sitiada. Ataques a delegacias de polícia, ônibus incendiados, ameaças a shoppings, metrô e aeroportos. Quem lidera a ação é o Comando, uma poderosa organização criminosa.

No meio do caos está a viúva Lucia, uma professora de piano, de classe média, que passa por dificuldades financeiras e tem uma missão: tirar o filho adolescente da cadeia. Rafael, 18 anos, está preso por ter se envolvido num incidente que terminou com a morte de uma jovem.

Nas visitas ao filho na penitenciária, Lúcia conhece Ruiva, advogada do Professor, líder do Comando. A empatia entre as duas é imediata e Ruiva começa a usar Lúcia em missões ligadas à sua organização. Lúcia precisa de dinheiro e por isso vai aceitando os desafios, no limite entre a legalidade e o crime.

Paralelamente, o Comando vive uma acirrada luta interna de poder e ao mesmo tempo enfrenta o inimigo comum: o sistema penitenciário. A crise entre prisioneiros e o sistema carcerário se agrava e, numa demonstração de força, o governo transfere de uma só vez centenas de presos de alta periculosidade para presídios de segurança máxima do interior de São Paulo. A reação é imediata. O Comando envia seu código: Salve Geral. E São Paulo vira um inferno.

Inspirado em fatos verídicos, ‘Salve Geral’ conta uma história de ficção das mulheres por trás do Comando e mostra que quando a lei e a ética são postas em questão o que impera é a força.


Andréa Beltrão no papel da professora Lúcia. Endividada e tentando proteger o filho, Rafael (Lee Thalor),
ela se envolve com uma organização criminosa e passa a agir no limite entre o crime e a legalidade.

 CRÍTICAS

“Salve Geral” está sendo acusado, antes mesmo de ter sido lançado nos cinemas, de criar um vínculo afetivo entre o público e os presidiários.

serginhoshm
Estou cansado de ver o cinema brasileiro retratar somente pornografia (principalmente em tempos anteriores - pornochanchadas), violência, presidiários, favelas. Sim, o Brasil é destas realidades também. Mas quem disse que DEVEMOS fazer filmes que somente retratem estas estórias que já estamos cansados de ver nos noticiários? Eu acredito que a violência exista em todos os lugar (e existe) mas o cinema, deve servir também como umz luz no fim do túnel, para que todos possamos ver novas estórias, pensar numa nova realidade, uma nova proposta. Alguns dos filmes produzidos nestes últimos tempos sobre os temas acima, parecem simplesmente uma releitura dos telejornais. Me pergunto, que parcela da população está realmente interessada nisto, pagar bilhetes de cinema para ver a "dura realidade" do dia-a-dia, novamente.
 
andreanovais
Sei que pra muita gente è melhor sonhar que vivemos nas maravilhas do país da Alice, em fevereiro tem carnaval, tem axè music, è tropical, mas se os brasileiros caissem na realidade descobririam que não têm alguma razão para festejar o carnaval.
Acorda Brasil aceitem o fato de que estamos em guerra, todos os dias morrem por causas de violencia no Brasil muito mais pessoas do que nos países que atualmente se sabe estão em guerra, muita gente inocente, que não fez nada de errado, mas que nasceu no bairro errado, onde por causa de uma imensa desigualdade social, alguns homens se rebelam e acabam virando perigosos bandidos, e entram nesta guerra com a policia onde pessoas inocentes, mas pobres, tambem são atingidas, este tipo de filme não tenta justificar a violência, mas explica-la.
O exemplo no nosso país deveria vir de cima, onde estão os verdadeiros culpados dessa baderna, que são verdadeiros assassinos, os verdadeiros bandidos, que constroem castelos, que beneficiam amigos e parentes, que sonegam impostos, que roubam, e ficam impunes, com exemplos como este fica fácil para pobres desesperados de periferias e favelas acharem que o crime è a única solução.
 

“Salve geral”: filme do Brasil no Oscar é homenagem aos tucanos de São Paulo

Paulo Henrique Amorim

O filme que vai representar o Brasil no Oscar vai ser sobre a ocupação de São Paulo pelo PCC.

(O PCC controla as cadeias de São Paulo. Dessa vez, em maio de 2006, o PCC controlou a cidade propriamente dita.)

Se ganhar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, quem deveria receber a estatueta seria Gilberto Alckmin (não confundir com Geraldo NunKassab), o governador tucano que anunciou o fim do PCC.

Para encerrar de vez a discussão sobre a falência política tucana, no maior Estado “por enquanto…” brasileiro – São Paulo -, vem aí outra bofetada nos paulistas e um alerta ao resto dos brasileiros.

O filme indicado pelo Brasil para concorrer ao Oscar 2010 é “Salve Geral – O Filme”, que mostra as mazelas de 16 anos de administração tucana, sendo que nestes 2 últimos anos se distancia da sociedade carente “periférica”.

E eu pertenço a ela.

Essa administração entrega de vez os jovens ao narcotráfico.

 

 "SALVE GERAL" tem estreia nacional na próxima sexta-feira (02 de outubro).

 

 

 

 

(FONTE: Pesquisa Google)