"Ei-lo caído de bruços
Para o campo paramentado
Peitoral, perneira, gibão
Chapéu passado o barbicacho
Voou no rabo da rês
Mas só chão havia embaixo."
ROMANCE DO VAQUEIRO
VOADOR é um documentário de estrutura livre, que incorpora
diversos elementos ficcionais. Baseado no cordel de João
Bosco Bezerra Bonfim (fragmento acima) e fiel à sua
estrutura, o documentário deixa claro que narradores e
narrados têm uma mesma história comum. O filme especula
sobre quem seria um certo indivíduo que despenca do alto
de um andaime de um prédio durante a construção de
Brasília. Esse indivíduo é a representação alegórica e
mágica utilizada pelo autor do cordel para designar a
parcela desafortunada de migrantes nordestinos que para cá
vieram como operários da construção civil. Seduzidos pela
utopia da transferência da nova capital do país para o
centro oeste, esses migrantes encontraram aqui um destino
trágico. Eles são a contrafação do discurso utópico e
heróico dos construtores de Brasília.
O tratamento é ao
mesmo tempo lúdico, picaresco e trágico como nas páginas
de João Bosco e retoma, na forma de documentário, a
essência do texto original. No filme, um poeta
(interpretado por Luiz Carlos Vasconcelos) recita os
versos do poema romanceado de João Bosco Bezerra Bonfim e
é isso que constitui a espinha dorsal da obra
cinematográfica.
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EQUIPE & ELENCO |

Foto: Mila Petrilo
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No princípio era a
imagem cinematográfica do sertão e da cidade em
construção, e veio João, o poeta-escritor, e
transformou-a em livro. E deu-se depois que tomando o
texto nas mãos, Manfredo, o poeta-cineasta, fez com
que voltasse a ser cinema. Foi o milagre dialético da
criação desse bem aventurado Romance do Vaqueiro
Voador.
Vladimir Carvalho |
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Manfredo Caldas
Produtor, Roteirista e Diretor
Currículo |
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Sérgio Moriconi
Roteirista
Currículo |
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Joao Bosco Bezerra Bonfim
Autor do Poema
Currículo
"Romance do Vaqueiro Voador" |
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Marcio Curi
Produtor Executivo
Currículo |
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Waldir de Pina
Diretor de Fotografia
Currículo |
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Chico Bororo
Diretor de Som
Currículo |
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Ricardo Miranda
Montador
Currículo |
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Marcus Vinícius
Diretor Musical, Compositor da Música Original
Currículo |
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Abrahão Batista
“Legítimo” cordelista, gravurista, pintor e
paisagista brasileiro, de Juazeiro do Norte (CE),
nascido em 1935, tem 210 títulos publicados e mais de
1.500.000 exemplares vendidos.É autor de centenas de
gravuras temáticas, tanto as das capas de seus
folhetos, como outras, acessíveis ao público em seu
ateliê de Juazeiro ou nas feiras e eventos por onde
viaja. Abrahão aceitou, como bom improvisador, fazer
as pranchas para ilustrar o Romance do Vaqueiro
Voador, quando esteve em Brasília, participando da
Feira do Livro em 2001. |
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Luiz Carlos Vasconcelos
Ator protagonista (poeta)
Currículo
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Críticas
“Um ensaio poético a ser descoberto”.
Luiz Carlos Merten - crítico de cinema.
Estado de São Paulo, 29/04/2008
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“O que mais me impressiona no Romance do Vaqueiro Voador é
o arrojo da linguagem do documentarista Manfredo Caldas em
fundir a brutal beleza da cidade com o sacrifício humano
da sua fundação. Em cada alicerce podemos imaginar uma
gota de sangue. E essa sensação nos traz de volta os
grande monumentos, da muralha da China às pirâmides do
Egito e suas histórias jamais contadas.” Maurice
Capovilla – Cineasta
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“Nunca antes Manfredo foi tão obsessivo no encalço de sua
expressão. Diferente de seu primeiro filme de longa
duração, Uma Questão de Terra, como de seus outros filmes,
Romance do Vaqueiro Voador está longe de ser um registro
puramente documental, radicalmente fiel à tradição do
gênero que procurava no real a sua razão de ser e quando,
mais do que tudo, era ao chamado conteúdo que se dava mais
atenção. No caso em tela, não. É a busca obstinada de um
modo particular de “dizer”, de expressar-se na língua do
cinema que importa. E aqui ele faz a corte à forma como se
ela existisse por si só, e em si, separada do seu
conteúdo, como se dirigindo a uma musa difícil de
conquistar. Nesse sentido, o Vaqueiro Voador é um salto em
sua carreira, quase uma ruptura drástica.” Vladimir
Carvalho - Documentarista
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“O filme é uma metáfora tão forte e importante que
torna-se impossível dissociar o documento de sua
representação. Instigante e fundamental na construção de
uma nova linguagem para o cinema contemporâneo.” Silvio
Tendler – Documentarista
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“O filme de Manfredo Caldas descobre na atemporalidade
radical que domina suas imagens e seu discurso, a chave
para explicar porque o preço de construir uma utopia no
meio do Cerrado foi tão alto e tantas mortes foram
morridas anonimamente, sem explicação, missa ou velório.”
Carlos Augusto Brandão –
Pesquisador e crítico de cinema
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“Depois que vi este filme, não consigo mais ver a paisagem
do Congresso Nacional, em noite de lua cheia, sem me
lembrar do fantasma do Vaqueiro Voador. Este aboio
misterioso e dolorido, lembrando o sacrifício de todos os
candangos anônimos, vindos dos mais profundos brasis, é
quase um fogo que queima e que ilumina a Capital da
República. O filme inaugura assim uma mitologia do
assombro sobre a cidade, num vôo rasante sobre a nossa
imaginação.” Rosemberg Cariry –
Cineasta
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“Há algo de mágico, que extrapola a emoção, no mais
recente filme de Manfredo Caldas: Romance do Vaqueiro
Voador não é uma obra qualquer. Entre a poesia e o
documentário, entre a ficção e a realidade, o filme nos
atinge em vários níveis: ora pela poesia de suas imagens e
por seu aboio cantante, ora pela narrativa metalingüística
que o forma e o dimensiona enquanto discurso
cinematográfico, ora pela construção de um personagem
mitológico (magistralmente vivido por Luiz Carlos
Vasconcelos), ora pela crueza dos depoimentos daqueles que
sobreviveram à construção de Brasília.
Moacy Cirne – Poeta e professor
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“Romance do Vaqueiro Voador, o filme de Manfredo Caldas,
veio para engrossar o rio de memórias “candangas” da
construção de Brasília, no limiar de seus 50 anos.”
Dácia Ibiapina – Documentarista e professora de cinema da
UNB
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“Sob o signo do cinema o Romance do Vaqueiro Voador propõe
uma reflexão sobre a construção de Brasília a partir de
personagens fundamentais para a cidade: seus primeiros
trabalhadores. O filme nos propõe um novo olhar, um novo
vôo sobre esse drama, intenção revelada em sues planos de
abertura. Alternando denúncias sobre as duras condições de
trabalho enfrentadas por esses verdadeiros heróis anônimos
com a busca de um vaqueiro quase místico, Manfredo dá uma
nova dimensão à Brasília e aos seus pioneiros.”
Fernando Trevas Falcone – Jornalista e
crítico de cinema.
Leia os
textos na íntegra acessando:
www.vaqueirovoador.com.br