"O BEM AMADO"

 

Sinopse: O Bem Amado conta a história de Odorico Paraguaçu (Marco Nanini), prefeito corrupto de Sucupira, uma pequena cidade perdida no meio do nada. Seu grande projeto é a inauguração de um cemitério.

O problema é que ninguém morre na cidade. Com o auxílio de seu secretário Dirceu Borboleta (Matheus Nachtergaele), o prefeito arma diversos planos macabros para que alguém bata as botas, mas nenhum é bem-sucedido. Nem mesmo a chegada do matador Zeca Diabo (José Wilker) à Sucupira proporcionam a Odorico Paraguaçu a realização de seu sonho.


O texto original de Dias Gomes foi adaptado por Guel Arraes. Exibida em 1973, O Bem Amado é um dos marcos da televisão brasileira. Foi o primeiro folhetim a mostrar personagens e histórias genuinamente brasileiras, a primeira novela nacional em cores, a primeira produção da Globo exibida no exterior e o primeiro trabalho de Lima Duarte como ator da emissora. Em razão do grande sucesso, O Bem Amado deu origem a uma série homônima, que foi ao ar entre 1980 e 1984, com 220 episódios.

O FILME

        

O Bem Amado conta a história de Odorico Paraguaçu (Marco Nanini), prefeito corrupto de Sucupira, uma pequena cidade perdida no meio do nada. Seu grande projeto é a inauguração de um cemitério.O problema é que ninguém morre na cidade. Com o auxílio de seu secretário Dirceu Borboleta (Matheus Nachtergaele), o prefeito arma diversos planos macabros para que alguém bata as botas, mas nenhum é bem-sucedido. Nem mesmo a chegada do matador Zeca Diabo (José Wilker) à Sucupira proporcionam a Odorico Paraguaçu a realização de seu sonho.

Outra Sucupira

O roteiro de Guel Arraes e Cláudio Paiva tem diferenças em relação às versões da TV, feitas pelo Dias Gomes. A história se passa entre 1961 e 64, numa Sucupira não necessariamente nordestina, há personagens novos, e as beatas irmãs Cajazeiras (Andréa Beltrão, Drica Moraes e Zezé Polessa) viram peruas pioneiras.

No papel da mais velha, Dorotéia, vivida originalmente por Ida Gomes, está Zezé Polessa. Para interpretar Dulcinéia, eternizada por Dorinha Duval, foi escalada Andréa Beltrão. Já a caçula e afoita Jucinéia coube à Drica Moraes. “O seriado fez parte da minha infância, eu era fã”, lembra Drica. “Minha personagem era vivida pela extraordinária Dirce Miggliaccio, mas não tenho medo de ser comparada. Ao contrário de outros personagens, as Cajazeiras são conhecidas pelo conjunto.




Par Romântico

A mocinha (Maria Flor) é que faz Violeta, filha do prefeito de Sucupira. Com ela, Caio Blat  vive romance proibido. Uma história típica de “Romeu e Julieta”, mas que tem como cenário as belas praias alagoanas..

A trama envolvendo Violeta (Maria Flor) e Neco (Caio Blat) faz parte das inovações do roteiro, escrito por Guel e por Claudia Paiva (“A grande família”). Neco é comunista e trabalha como repórter no jornal do grande rival [Vladimir, interpretado por Tonico Pererira] de Odorico Paraguaçu. “A história do casal tem a simbologia da descrença política. Porque o Neco acredita na teoria comunista, mas é ingênuo. Com o tempo, ele vai percebendo os dois rivais vão ficando muito parecidos”, conta Paiva.

“Ele é um idealista, apaixonado. Quer mudar o mundo, mas não sabe bem como fazer isso. Acha que apenas acreditando por transformar algo. Depois, com o tempo, percebe que a política é um jogo sujo”.

O romance com Violeta encontrará justamente essa rivalidade política como empecilho. “Eles vivem um amor ingênuo, virgem. O Neco é provinciano, a Violeta chega da capital toda modernosa, ele fica um pouco assustado. Mas quando descobrem que o jornalista é oponente do pai da moça, a história ganha ares dramáticos. Ela quer que ele escolha entre ela ou a política, ele diz que não pode, e eles se separam. Ele fica mal, na fossa, enche a cara”.

A Direção


 

"O Bem Amado", que deve estrear no início de 2010, tem ingredientes comuns a outros projetos do atual cinema popular brasileiro. O orçamento é alto para os nossos padrões (R$ 9,8 milhões); a Globo Filmes e Paula Lavigne participam da produção; a direção é de Guel Arraes ("Auto da Compadecida", "Lisbela e o Prisioneiro") e a história já é conhecida do público por meio da TV Globo, canal em que a peça de Dias Gomes virou novela e seriado nos anos 70 e 80, respectivamente.

A receita costuma torcer narizes diversos. Guel Arraes defende a vereda popular com ênfase:

"Ela é fundamental para o cinema brasileiro continuar. Não se pode achar que esse é o único tipo de cinema que se deve ter, mas ter implicância com ele é um suicídio. Deveriam ter mais diretores e autores preocupados em fazer esse tipo de coisa, senão vai acabar. Não vai ficar fazendo 60 filmes por ano para dar menos do que uma peça de teatro cada um"

Ele aponta como positivo o fato de não haver mais só filmes infantis entre as maiores bilheterias nacionais. "Hoje, a gente tem um leque de cinema popular mais interessante. Houve um desenvolvimento pouco percebido pela crítica. A crítica trata os filmes populares como se eles fossem a mesma merda desde sempre. Enquanto, talvez, o desenvolvimento do cinema experimental brasileiro não tenha sido tão interessante como foi nos anos 60, 70."

Paula Lavigne almeja cerca de 2,5 milhões de espectadores para "O Bem Amado" e vê melhores condições para a existência de boas bilheterias nacionais. "Só espero que não venha nos reprimindo a neurose contra as pessoas que querem fazer filmes comerciais", diz.