| CONTO 1
Quarto de Motel 129
de Fátima
Pessoa
Ouso contar para
quem interessar saber, a dor da saudade que me invade o
corpo. Sei tão pouco sobre Ele! E ainda assim tento
barganhar com a solidão suave e serena. Esse é o
sintoma de quem leva um fora ou é abandonada por um homem
que se alimenta do amor das mulheres sem nada dar em troca.
Homens que são crias de tempos de Aids, Net, sexo casual e
virtual,Viagras, silicones, homens metrosexuais -'experts'
na Arte da sedução. Sei que é demodê se sofrer hoje em dia
por assuntos de paixão; o sensato seria se continuar a
trajetória em busca de outro relacionamento.
Ás cinco e pouco, ele já esperava no local combinado - uma
rua deserta. Entrei no carro um tanto desajeitada e nervosa.
Naquele instante saí da própria vida e entrava em outra.
Misteriosa e secreta. Quase me convencendo que a decisão que
tomara seria um imenso erro... Entretanto, quando olhei para
a boca de sorriso largo e lindo... Desisti!
Beijou-me suavemente, num roçar de lábios que pareciam asas
de borboleta. Ali mesmo dentro do carro iniciou lindo
ritual...
A sua língua, começou a penetrar os meus
lábios que se derretiam debaixo dos
seus, e em segundos, já se entrelaçava na
minha, numa dança, ávida de intensos prazeres.
Foi assim que Ele chegou para mim assim como
chega o rei para sua amada Maria; cobri-lhe os sentidos com
meus beijos. Sem noção, louca de desejos, queimei-lhe a pele
deliciosamente com o meu tesão. Lembrei que seu olhar
tinha o brilho de mar calmo e sorriso de ‘quero-mais’.
O dia chegava
ao fim e essa seria a primeira vez que iríamos ficar juntos.
Tantas e tantas fantasias... Aquelas paredes daquele quarto
129 guardariam?
Ao abrir a porta, parei subitamente, ele como se adivinhasse
minha hesitação, me abraçou por trás e suas mãos procuraram
ávidas todos os recantos do meu corpo trêmulo. Maravilhoso
sentir seu corpo junto ao meu, o clima
sensual nos envolvendo; corpos suando levemente pelo
movimento e pela proximidade
do calor do outro. A textura da pele sentida através de
leves toques das mãos nas costas, dos rostos colados, das
mãos juntas. O cheiro dele me fazendo quase esquecer de onde
estava, suas pernas tocando, apertando, envolvendo. A sua
boca na minha, passando pelo meu pescoço. Suas mãos
segurando meus ombros com força, as minhas apertando seu
corpo, acariciando suas costas, minha boca em sua orelha,
beijando, mordendo, lambendo. Língua sugando os mamilos
túrgidos de
tesão. Estas são eternas
lembranças
intensas... Os toques dos lábios dele… A força daqueles
braços... A intensidade do desejo, mesmo antes
que roçasse minhas nádegas, mostrando a força do seu sexo.
Sinto-o dentro de mim, me penetrando firmemente…
Houve momento especial que não pude conter suspiros, gemidos
ao senti-lo passando a língua entre as pétalas de minha rosa
ardente e orvalhada...
Abriu-se mais, desejando que ele visse todos os detalhes das
reentrâncias íntimas... A glande intumescida surgiu
pulsante, avermelhada e queimando...
Tocando exatamente no ponto onde a pele era quente, sedosa e
úmida e quase me provocando um orgasmo. Logo depois senti a
espada entrar vagarosamente e a grutinha se apertar
faminta... Movi o quadril e centímetro a centímetro iniciar
a dança magistral e secular que homem e mulher realizam
deste o gênesis... E assim totalmente enfiados, eu e ele,
chegamos ao supremo gozo... E quedamos exaustos abraçadinhos
até o sono nos vencer.
Chamo, clamo, novamente, aquele homem para escrever em meu
corpo, a linguagem e a urgência do desejo, novamente tê-lo,
loucamente, num prazer mútuo alcançar, obedecendo, num
ritual carinhoso ao olhar devorador. Será tudo que
importa...
Que o mundo perceba, não importa, o corpo de fêmea
enlouquecida de tesão, eternizando em versos, um momento
único de entrega total, semelhante ao acontecido nas manhãs
chuvosas... Quando o desejo nasce mais intenso.

“Guardo
ainda o seu gosto e seu perfume e assim continuarei a
fazê-lo até os últimos dias da minha jornada. Refiz naquele
momento destino diferente. Ele tornou-se amado amante das
Mil e Uma Noites...
Na cama com lençóis de cetim imaginários ficaram
impregnados nossos suores perfumados de desejos, sons de
gemidos de prazer; e sem vergonha e sem receio pintamos
linda aquarela de horas de tesão.
Assim foi o acontecido em um quarto de motel 129”.

(Hoje, Sexta-feira
de tons cinza, tristeza na alma, sinto-me assim. Verdade tão
singular que seria incapaz de contar a alguém – gostaria de
ser eterna e plena, anseio pela liberdade, selvagem e única,
que transgride o cotidiano, de desejar sem ser satisfeita,
ter que calar, senão apedreja, este é mundo de homens lobos.
Onde objeto do amor sensual, desejado, move seu pensamento
desesperadamente, em tentativa de criar um espaço dentro de
dimensões ilimitadas e abstratas – num processo de
sensualidade, numa fragilidade de emoções, própria de quem
ama – forma de libertar das amarras - vitória dos
sentimentos mais íntimos - que um ser possa sentir por
outro).
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