|
INTERNACIONAIS

COM A
PALAVRA:
Vicenç Navarro
|
Catedrático de Ciências Políticas e Sociais, Universidade
Pompeu Fabra (Barcelona, EspanhA)
Foi Catedrático de Economia Aplicada na Universidade de
Barcelona. É também professor de Políticas Públicas na
Universidade Johns Hopkins (Baltimore, EUA), onde exerceu
docência durante 35 anos. Dirige o Programa em Políticas
Públicas e Sociais patrocinado conjuntamente pela
Universidade Pompeu Fabra e pela Universidade Johns Hopkins.
Dirige também o Observatório Social de Espanha. |
Que mercados financeiros?
Na
realidade, os mal denominados mercados têm muito pouco de
mercado. São bancos com muito lucro e poucos riscos. Se os
mercados financeiros fossem mercados de verdade, os bancos
teriam de absorver as perdas em investimentos financeiros
falidos

Na realidade, os mal denominados mercados têm muito pouco de
mercado. São bancos com muito lucro e poucos riscos. Se os
mercados financeiros fossem mercados de verdade, os bancos
teriam de absorver as perdas em investimentos financeiros
falidos.
Este artigo assinala que os mal denominados mercados financeiros
não correspondem às características que definem os mercados,
pois os seus agentes – os bancos – gozam dum grande
proteccionismo fornecido pelos estados, assim como por
instituições internacionais – como o Fundo Monetário
Internacional – que garantem os seus exuberantes lucros à custa
de enormes reduções dos gastos públicos e da protecção social
das classes populares. O artigo mostra exemplos deste
proteccionismo no caso dos EUA e na mal denominada “ajuda” do
FMI-Euro aos países com elevados défices e dívida pública, como
a Grécia, que é em realidade ajuda primordialmente para os
bancos europeus.
A linguagem que se utiliza para explicar a crise é uma linguagem
que aparenta ser neutra, meramente técnica, quando, na
realidade, é profundamente política. Assim, dizem-nos que os
“mercados financeiros” estão a forçar os países da União
Europeia e, muito em especial, os países mediterrânicos –
Grécia, Portugal e Espanha – e Irlanda, a seguir políticas de
grande austeridade, reduzindo os seus défices e dívida públicos,
com o objectivo de recuperar a confiança dos mercados, condição
necessária para alcançar a recuperação económica. Como disse há
uns dias Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central
Europeu (BCE): “A condição para a recuperação económica é a
disciplina fiscal, sem a qual os mercados financeiros não
certificam a credibilidade dos estados” (Financial Times,
15-05-10).
A realidade,
contudo, é muito diferente. Estas medidas de austeridade,
promovidas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pela União
Europeia (UE), estão a criar uma grande deterioração da
qualidade de vida das classes populares, pois estão a afectar
negativamente a sua protecção social e estão a destruir emprego,
dificultando a sua recuperação económica. Assim aconteceu na
Lituânia, onde o PIB diminuiu 17% e o desemprego alcançou 22% da
população activa (veja-se o meu artigo
Quién
paga los costes del euro?).
Uma situação semelhante ocorrerá nos países citados
anteriormente.
Pareceria, pois, que são os mercados financeiros
que estão a impor estas políticas aos governos. Ora bem, que
quer dizer “os mercados financeiros”? Em teoria, na dogmática
liberal que domina os establishments europeus (o Conselho
Europeu, o BCE e a Comissão Europeu, assim como nos governos da
maioria dos países da UE), os mercados são um processo de livre
comércio entre agentes financeiros – os bancos – que obtêm
benefícios para compensar os seus riscos, pois que se assume que
existem riscos em tais mercados. Mas tal retórica não define a
realidade, pois tais entidades – os bancos – operam em âmbitos e
instituições enormemente proteccionistas dos seus interesses,
nos quais o risco, em geral, brilha pela ausência. Na realidade,
os mal denominados mercados têm muito pouco de mercado. São
bancos com muito lucro e poucos riscos. E o que está a acontecer
mostra a certeza deste diagnóstico.
Nos EUA, onde existe amplo consenso sobre o facto de que a crise
financeira foi iniciada pelos comportamentos de Wall Street, a
crise bancária foi resolvida com a entrega aos bancos de quase
um bilião de dólares pagos pelo Estado, que beneficiou
enormemente os banqueiros e os seus accionistas, conseguindo
inclusive mais benefícios do que os que tinham antes da crise. A
obscenidade de tais benefícios e as práticas desonestas e
criminosas dos banqueiros (causadores da crise) explicam a sua
enorme impopularidade e a de tais medidas, que não se
repercutiram favoravelmente sobre a população, que viu como os
seus padrões de vida diminuíram devido à crise provocada pelos
bancos. Não foram os mercados, mas os bancos e os seus políticos
no Congresso (com nomes e apelidos conhecidos) e nas
administrações Clinton, Bush e Obama (também com nomes e
apelidos conhecidos) que criaram a crise, salvaram os bancos e
agora apelam à austeridade.
Uma situação quase idêntica está a acontecer na UE. Os
comportamentos especulativos da banca europeia foram
consequência de decisões políticas que desregularam a banca,
decisões que se tomaram particularmente, não apenas em Wall
Street, mas também nos centros financeiros, principalmente a
City de Londres e Frankfurt, consequência da enorme influência
da banca sobre os governos britânico e alemão. A mal denominada
“ajuda” do FMI-EU (de 750.000 milhões de euros) aos países com
dificuldades não é uma ajuda às populações daqueles países, mas
sim aos bancos (e muito em especial aos alemães e franceses)
para assegurar-lhes que os Estados lhes pagarão as dívidas com
os juros confiscatórios que exigiram. Na realidade, se os
mercados financeiros fossem mercados de verdade (e, portanto,
houvesse competitividade e risco no seu comportamento), os
bancos teriam de absorver as perdas em investimentos financeiros
falidos. Se o Governo da Grécia, por exemplo, fosse à
bancarrota, a banca alemã teria de absorver as perdas por ter
tomado a decisão de comprar cupões do Estado grego.
Ora bem, isto não acontece nos mal denominados mercados
financeiros devido a haver toda uma série de instituições que
protege os bancos. E a mais importante é o FMI, que empresta
dinheiro aos Estados para que o paguem aos bancos. Daí que, como
nos EUA, os bancos nunca perdem. Quem perde são as classes
populares, pois o FMI exige aos governos que extraiam o dinheiro
dos serviços públicos das tais classes populares para pagar aos
bancos. O que o FMI faz é a transferência de fundos das classes
populares para os bancos. Isto é o que se chama “conseguir a
credibilidade dos Estados face aos mercados".
Estas transferências, contudo, além de serem profundamente
injustas, são enormemente ineficientes. O fracasso das políticas
de austeridade propostas pelo FMI nos países em crise é bem
conhecido, o que explica o descrédito de tal instituição. O FMI,
desde a era Reagan, é a organização financeira que impôs mais
sacrifícios às classes populares dos países que receberam a “sua
ajuda”, com resultados económicos altamente negativos, tal como
denunciou correctamente Joseph Stiglitz. Não são os mercados,
mas os interesses bancários e seus aliados – entre os quais se
destacam o FMI e o BCE – que estão a impor estes sacrifícios. Ao
menos, chamemos os culpados pelo nome.
(Artigo
publicado no diário PÚBLICO, 20 de Maio de 2010)
*****
Fidel
Castro: “Cheguei a estar morto, mas ressuscitei”
Por Carmen Lira Saade
para La Jornada
Em entrevista exclusiva ao jornal La Jornada (a primeira
concedida a um veículo impresso desde que uma diverticulite
obrigou seu afastamento da liderança do governo cubano), Fidel
Castro fala sobre o que aconteceu, diz que esteve à beira da
morte, mas ressuscitou.
E
fala de seus planos para o futuro: "Não quero estar ausente
nestes dias. O mundo está na fase mais interessante e perigosa
de sua existência e eu estou bastante comprometido com o que
está acontecendo. Ainda tenho muitas coisas para fazer".
Ele esteve quatro anos debatendo-se entre a vida e a morte. Um
entra e sai da sala de cirurgia, entubado, recebendo alimentos
através de veias e cateteres e com perdas frequentes de
consciência. Minha enfermidade não é nenhum segredo de Estado,
teria dito pouco antes que ela se tornasse crise e o obrigasse a
fazer o que tinha que fazer: delegar suas funções como
presidente do Conselho de Estado e, consequentemente, como
comandante em chefe das forças armadas de Cuba. Não posso seguir
mais, admitiu então - segundo revela nesta sua primeira
entrevista a uma publicação impressa estrangeira desde então.
Fez a transmissão do cargo e entregou-se aos médicos.
A comoção sacudiu a nação inteira, aos amigos de outras partes,
despertou esperanças revanchistas em seus detratores e colocou
em estado de alerta o poderoso vizinho do Norte. Era o dia 31 de
julho de 2006 quando foi divulgada, de modo oficial, a carta de
renúncia do líder máximo da Revolução Cubana. O que seu inimigo
mais feroz (bloqueios, guerras, atentados) não conseguiu em 50
anos foi alcançado por uma enfermidade sobre a qual ninguém
sabia nada e se especulava tudo. Uma enfermidade que para o
regime, quisesse ou não, iria se converter em um segredo de
Estado.
Penso em Raúl, no Raúl Castro daqueles momentos. Não era apenas
o pacote que lhe tinham confiado há muito tempo; era a delicada
saúde de sua companheira Vilma Espin – que pouco depois
faleceria vítima de câncer – e a muito provável desaparição de
seu irmão mais velho e chefe único nos âmbitos militar, político
e familiar”.
Hoje faz 40 dias que Fidel Castro reapareceu em público de
maneira definitiva, ao menos sem perigo aparente de recaída. Em
um clima tranquilo e dando a entender que a tempestade passou, o
homem mais importante da Revolução Cubana ressurge orgulhoso e
com vitalidade, ainda que não domine totalmente os movimentos de
suas pernas.
Durante as quase cinco horas que durou a entrevista ao La
Jornada – incluindo o almoço – Fidel aborda os mais diversos
temas, ainda que mostre uma obsessão por alguns em particular.
Permite perguntas sobre tudo – ainda que quem mais interrogue
seja ele – e repassa pela primeira vez e com dolorosa franqueza
alguns momentos da crise de saúde que sofreu nos últimos quatro
anos. Cheguei a estar morto, revela com uma tranqüilidade
assombrosa. Não menciona pelo nome a diverticulite da qual
padeceu nem se refere às hemorragias que levaram os
especialistas de sua equipe médica a intervir em muitas
ocasiões, sempre com risco de perder a vida. Mas no que ele se
estende é no relato do sofrimento vivido. E não mostra inibição
alguma em qualificar a dolorosa etapa como um calvário.
Eu já não aspirava a viver, nem muito menos...Perguntei-me
várias vezes se essa gente (seus médicos) iriam deixar-me viver
nestas condições ou iriam permitir que eu morresse. E sobrevivi,
mas em condições físicas muito ruins. Cheguei a pesar cinquenta
e poucos quilos. Sessenta e seis quilos, precisa Dália, sua
inseparável companheira que assiste a conversa. Só ela, dois de
seus médicos e dois de seus colaboradores mais próximos estão
presentes.
- Imagine: um tipo da minha estatura pesando 66 quilos. Hoje já
estou entre 85 e 86 quilos e esta manhã consegui dar 600 passos
sozinho, sem muleta nem ajuda.
Quero dizer-te que estás diante de uma espécie de ressuscitado,
afirma com certo orgulho. Sabe que, além da magnífica equipe
médica que o assistiu durante todos estes anos, que pôs à prova
a qualidade da medicina cubana, contou muito a sua vontade e
essa disciplina de aço que se impõe sempre que se empenha em
algo.
Não cometo nunca mais a mínima violação – assegura. Tornei-me
médico com a cooperação dos médicos. Com eles discuto, pergunto
(pergunta muito), aprendo (e obedece)... Conhece muito bem as
razões de seus acidentes e quedas, ainda que insista que não
necessariamente umas levem às outras. A primeira fez foi porque
não fez o aquecimento devido, antes de jogar basquete. Depois
veio o de Santa Clara: Fidel descia da estátua do Che, onde
havia presidido uma homenagem, e caiu de cabeça. Aí influiu
também, afirma, que aqueles que deveriam cuidar dele também
estão ficando velhos, perdem habilidades e não conseguiram
cuidar direito. A seguir veio a queda de Holguín. Todos esses
acidentes ocorreram antes que a outra enfermidade se tornasse
crítica e o deixasse por longo tempo no hospital.
- Estendido naquela cama, só olhava ao meu redor, ignorante de
todos esses aparatos. Não sabia quanto tempo ia durar esse
tormento e a única esperança que alimentava é que o mundo
parasse para que eu não perdesse nada. Mas ressuscitei, disse
satisfeito.
- E quando ressuscitou, comandante, o que encontrou? – perguntei
- Um mundo de loucos... Um mundo que aparece todos os dias na
televisão, nos jornais, e que não há quem entenda, mas que eu
não queria perder por nada deste mundo – sorri, divertido.
Com uma energia surpreendente em um ser humano que acabou de
levantar-se da tumba, como ele mesmo diz, e com a mesmíssima
curiosidade intelectual de antes, Fidel Castro vai se
atualizando. Aqueles que o conhecem bem dizem que não há um
projeto, colossal ou milimétrico, no qual ele não se empenhe com
uma paixão encarniçada, em especial se em situação de
adversidade, como era o caso. Nunca, então, parece de melhor
humor. Alguém que pretende conhecê-lo bem resumiu: “as coisas
devem andar muito mal, porque você está radiante”.
A tarefa de acúmulo informativo cotidiano deste sobrevivente
começa desde que ele acorda. Com uma velocidade de leitura, cujo
método ninguém conhece, devora livros, lê entre 200 e 300 notas
informativas por dia, está debruçado sobre as novas tecnologias
da comunicação, e fascina com o Wikileaks, a garganta profunda
da internet, famosa pela revelação da existência de 90 mil
documentos militares sobre o Afeganistão, nos quais esse novo
internauta já está trabalhando.
Você se dá conta, companheira, do que isso significa? –
pergunta-me. A Internet colocou em nossas mãos a possibilidade
de nos comunicarmos com o mundo. Não contávamos com nada disso
antes – comenta, ao mesmo tempo em que se deleita vendo e
selecionando informes e textos baixados da rede, que tem sobre a
mesa do escritório: um pequeno móvel, demasiado pequeno para o
tamanho (mesmo que diminuído pela enfermidade) de seu ocupante.
Acabaram-se os segredo, ou ao menos parece isso. Estamos diante
de um jornalismo de investigação de alta tecnologia, como o
chama o New York Times, e ao alcance de todo o mundo. Estamos
diante da arma mais poderosa que já existiu, que é a comunicação
– resume. O poder da comunicação tem estado, e está, nas mãos do
império e de ambiciosos grupos privados que fazem uso e abuso
dele. Por isso os meios de comunicação fabricaram o poder que
hoje ostentam.
Escuto-o e penso em Chomsky: qualquer das fraudes que o Império
tente executar deve contar antes com o apoio dos meios de
comunicação, principalmente jornais e televisão, e hoje,
naturalmente, com todos os instrumentos que a Internet oferece.
São os meios que, antes de qualquer ação, criam o consenso.
Preparam a cama, diríamos... Formatam o teatro de operações. No
entanto, diz Fidel, ainda que pretendessem manter intacto esse
poder, não conseguiram. E estão perdendo-o dia a dia. Enquanto
outros, muitos, muitíssimos, emergem a cada momento...
Faz-se necessário, então, um reconhecimento aos esforços de
alguns sites e meios, além do Wikileaks: pelo lado
latinoamericano, a Telesur da Venezuela, a televisão cultural da
Argentina, o Canal Encontro, e todos aqueles meios, públicos ou
privados, que enfrentam poderosos consórcios particulares da
região e transnacionais da informação, da cultura e do
entretenimento.
Informes sobre a manipulação dos grupos empresariais locais ou
regionais poderosos, seus complôs para introduzir ou eliminar
governos ou personagens da política, ou sobre a tirania que o
império exerce, através das transnacionais, estão agora ao
alcance de todos os mortais.
Mas não em Cuba, que dispõe apenas de uma entrada de Internet
para todo o país, comparável a que o Hotel Hilton ou o Sheraton
têm. Essa é a razão por que conectar-se em Cuba é desesperador.
A navegação é como se fosse em câmara lenta.
Por que isso ocorre? - pergunto.
- Pela rotunda negativa dos Estados Unidos em nos dar acesso à
Internet na ilha, através de um dos cabos submarinos de fibra
ótica que passam próximo às costas. Cuba se vê obrigada, em
troca, a baixar o sinal de um satélite, o que encarece muito
mais o serviço do que o governo cubano pode pagar, e impede que
se disponha de uma banda maior, que permita dar acesso a muito
mais usuários e na velocidade que é normal em todo o mundo, com
a banda larga.
Por essas razões o governo cubano dá prioridade para conectar-se
não a quem pode pagar pelo custo do serviço, mas para quem mais
necessita, como médicos, acadêmicos, jornalistas, professores,
quadros do governo e clubes de internet de uso social. Não se
pode fazer mais.
Penso nos descomunais esforços do site cubano Cubadebate para
alimentar seu conteúdo e levar ao exterior a informação sobre o
país, nas condições existentes. Mas, segundo Fidel, Cuba em
breve poderá solucionar esta situação.
Ele se refere à conclusão das obras de cabo submarino que se
estende do porto de La Guaira, na Venezuela, até as proximidades
de Santiago de Cuba. Com estas obras, levadas adiante pelo
governo Hugo Chávez, a ilha poderá dispor de banda larga e de
possibilidades de conceder uma grande ampliação do serviço.
- Muitas vezes se acusa Cuba e em particular a você de manter
uma posição antiestadunidense rigorosa; chegaram até a acusá-lo
de ter ódio dessa nação - digo-lhe.
— Não é nada disso – esclarece: Por que odiar os Estados Unidos,
se é apenas um produto da história?
Mas, com efeito, há uns 40 dias, apenas, quando ainda não tinha
terminado de ressucitar, ocupou-se – para variar -, em suas
novas Reflexiones, de seu poderoso vizinho.
“É que comecei a ver muito claramente os problemas da tirania
mundial crescente – e se apresentou à luz de toda a informação
que tinha, a iminência de um ataque nuclear que desataria a
conflagração mundial".
Mas não podia sair a falar, a fazer o que está fazendo agora,
indica-me. Apenas podia escrever com certa fluidez, pois não só
teve que aprender a caminhar, mas também, em seus 84 anos, teve
de voltar a aprender a escrever.
“Saí do hospital, fui para casa, mas caminhei, excedi-me. Depois
tive de fazer reabilitação dos pés, para então conseguir começar
a escrever de novo. O salto qualitativo se deu quando pude
dominar todos os elementos que me permitiam tornar possível tudo
o que estou fazendo agora. Mas posso e devo melhorar... Posso
chegar a caminhar bem. Hoje, já te disse, caminhei 600 passos
só, sem bengala, sem nada; e devo conciliar isso com o que subo
e desço, com as horas que durmo, com o trabalho".
- O que há por trás desse frenesi no trabalho? O que mais que,
depois de uma reabilitação, pode conduzi-lo a uma recaída?
Fidel se concentra, fecha os olhos como para começar a dormir,
mas não... volta à carga: "não quero estar ausente nestes dias.
O mundo está numa fase mais interessante e perigosa de sua
existência e eu estou bastante comprometido com o que venha a
acontecer. Tenho coisas a fazer, ainda".
- Como o quê?
– Como a conformação de todo um movimento antiguerra nuclear – é
a o que vem se dedicando desde a sua reaparição.
Criar uma força de persuasão internacional, para evitar que essa
ameaça global se concretize representa um rumo, e Fidel nunca
pôde resistir aos rumos.
“No princípio pensei que o ataque nuclear iria se dar sobre a
Coréia do Norte, mas logo retifiquei, porque a China vetaria
isso no Conselho de Segurança [da ONU]...
Mas o do Irã ninguém o fará, porque não há veto nem chinês nem
russo. Depois veio a resolução (das Nações Unidas), e embora
Brasil, Turquia e Líbano tenham votado, o Líbano não o fez e
então se tomou a decisão.
Fidel convoca cientistas, economistas, comunicadores, etc, a que
dêem sua opinião sobre qual pode ser o mecanismo mediante o qual
se vai desatar o horror, e a forma que se pode evitá-lo. Até a
exercícios de ficção científica os conduziu.
“Pensem, pensem!”, anima as discussões. “Raciocinem, imaginem”,
exclama o entusiasta professor em que se converteu, nestes dias.
Nem todo mundo compreendeu sua inquietude. Não são poucos os que
viram catastrofismo e até delírio em sua nova campanha. A tudo
isso tinha de acrescentar o temor que assaltava a muitos, de que
sua saúde sofra uma recaída.
Fidel não pára, e ninguém é capaz de sequer freá-lo. Ele
necessita, o mais rápido possível, CONVENCER, para assim DETER a
conflagração nuclear que –insiste– ameaça com o desaparecimento
de uma boa parte da humanidade. Teremos que mobilizar o mundo
para persuadir Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, para
que ele evite a guerra nuclear. Ele é o único que pode, ou não,
impedir o botão de ser apertado.
Com os dados que ele já detém como um expert e os documentos que
avalizam o que diz, Fidel questiona e faz uma exposição
arrepiante:
– Tu sabes o poder nuclear que alguns países do mundo têm, na
atualidade, em comparação com a época de Hiroshima e Nagazaki?
Quatrocentas e setenta mil vezes o poder explosivo que qualquer
dessas bombas que os Estados Unidos jogou sobre essas duas
cidades japonesas tinha. Quatrocentas e setenta mil vezes mais!
Sublinha, escandalizado.
Essa é a potência de cada uma das mais de 20 mil armas nucleares
que – se calcula – há hoje em dia no mundo.
Com muito menos do que essa potência – com tão só 100 – já se
pode produzir um inverno nuclear que obscureça o mundo em sua
totalidade.
Esta barbaridade pode se produzir em uma questão de dias; para
sermos mais precisos, no próximo 9 de setembro, que é quando
vencem os 90 dias concedidos pelo Conselho de Segurança da ONU
para que se comece a inspeção dos barcos do Irã.
– Acredita que os iranianos vão retroceder? O que imagina?
Homens valentes, religiosos que vêem na morte quase um
prêmio...Bem, os iranianos não vão ceder, isso é certo. Vão
ceder aos ianques? E o que ocorrerá se nem um nem outro ceder? E
isto pode ocorrer no próximo 9 de setembro.
Um minuto depois da explosão, mais da metade dos seres humanos
terão morrido, a poeira e a fumaça dos continentes em chamas
derrotarão a luz solar e as trevas absolutas voltarão a reinar
no mundo, escreveu Gabriel García Máquez por ocasião do 41
aniversário de Hiroshima. Um inverno de chuvas alaranjadas e
furacões gelados inverterão o tempo dos oceanos e voltarão o
curso dos rios, cujas espécies terão morrido de sede em águas
ardentes...A era do rock e dos corações transplantados estará de
volta a sua infância glacial...
Tradução: Katarina Peixoto
*****
A
ingerência militar ianque na Costa Rica

Num ato inédito em toda a história
nacional, o Congresso aprovou no último dia 29 de junho permitir
a entrada de 46 navios armados das Forças Armadas dos Estados
Unidos na costa costarriquense [1]. Com os navios calcula-se que
chegaram ao país cerca de 7 mil soldados norte-americanos,
juntamente com mais 200 aviões, helicópteros e diferentes tipos
de aeronaves de combate.
Brayan Brenes
Num ato inédito em
toda a história nacional, o Congresso aprovou no último dia 29
de junho permitir a entrada de 46 navios armados das Forças
Armadas dos Estados Unidos na costa costarriquense [1]. Com os
navios calcula-se que chegaram ao país cerca de 7 mil soldados
norte-americanos, juntamente com mais 200 aviões, helicópteros e
diferentes tipos de aeronaves de combate. Juntamente com a
autorização de entrada dos navios, os legisladores autorizaram
os militares norte-americanos a entrarem no território
costarriquense sem qualquer restrição, desfrutando ainda da
imunidade que têm em solo estadunidense, isto com o suposto
objetivo de “cumprir com a sua missão” e “participarem em
trabalhos de ajuda humanitária”.
No entanto, a realidade é que a entrada do exército de uma
potência imperialista nos portos costarriquenses corresponde a
uma ingerência militar clara, como se viu anteriormente. Nem
sequer nas décadas de 1970 e 1980, quando radicais processos
revolucionários agitavam a maior parte da América Central, o
Exército norte-americano invadiu abertamente a costa
costarriquense.
Pode dizer-se, sem margem para dúvidas, que um dos sonhos mais
desejados de Laura Chincilla do passado se tornou realidade: é
que apesar da presidente por volta de 2004 ter tentado meter
esses mesmos navios de guerra ao mesmo tempo que a ILEA (Escola
Internacional de Polícias para o Cumprimento da Lei) – no quadro
da invasão norte-americana do Iraque – só seis anos depois é que
estes barcos e os seus militares conseguiram entrar no país,
além de que foi o Congresso e não o Poder Executivo que teve a
última palavra para tão grave violação da soberania
costarriquense. Então as pequenas, mas combativas mobilizações
universitárias e sindicais, bem como a fragmentação no seio das
fileiras burguesas, impediram que se aprovasse no Congresso a
instalação não só dos navios, mas também de uma reciclada Escola
das Américas que estava no Panamá, desta vez com o nome de ILEA.
Vamos ver se desta vez o movimento de massas repete a façanha,
mas desta vez expulsando os ianques da costa costarriquense. No
entanto, isto só pode alcançar-se com a mais ampla mobilização
das massas, e a solidariedade internacionalista dos nossos
irmãos trabalhadores e oprimidos da América Latina e do mundo.
Uma clara ingerência militar com fins geoestratégicos
Apesar da ocupação militar da Costa Rica ser inédita na história
deste pequeno país, não acontece o mesmo com o restante dos
países da América central e do Caribe; estes, ao contrário, têm
sido vítimas da ocupação dos marines norte-americanos e da
instalação de bases militares. É o caso do Caribe, desde Cuba
com Guantánamo até ao Haiti com as reiteradas incursões
militares dos Estados Unidos durante praticamente todo o século
XX, ou à parte ístmica que abrange a Nicarágua, as Honduras, El
Salvador, a Guatemala e, especialmente, o Panamá.
Os códigos geopolíticos que sustentaram a ocupação –
essencialmente norte-americana – variaram de acordo com os
diferentes momentos históricos: desde a rivalidade dos Estados
Unidos com a Inglaterra, as fricções com a União Soviética, até
à necessidade de travar a ascensão das massas e os processos
revolucionários que sacudiram a América Central durante a década
de 1970 e parte de 1980.
Em diferentes momentos os Estados Unidos defenderam a região da
América Central e do Caribe como parte da sua zona de
influência, não tanto pelo seu tamanho ou pelos seus recursos
naturais, mas pela sua importância geoestratégica: é não só a
região mais próxima para o abastecimento militar das tropas
norte-americanas, mas também a que oferece vantagens como vias
de comunicação interoceânicas como o Canal do Panamá ou a rota
do rio San Juan, que atualmente serve de limite entre a Costa
Rica e a Nicarágua. No caso do Canal, por aí circula uma elevada
percentagem das mercadorias necessárias ao abastecimento do
mercado estadunidense e uma boa parte dos países
latino-americanos.
Ainda que ao longo da história centro-americana e do Caribe a
tônica tenha sido a da ocupação, a verdade é que durante a
administração Obama esta tem-se vindo a redefinir, paralelamente
ao reforço militar noutras partes do mundo. Recordamos que
depois do catastrófico terremoto de janeiro no Haiti, a Casa
Branca ordenou o envio de mais 10 mil soldados para a ilha, não
só como forma de conter as possíveis revoltas “da fome”, mas
também para começar a reconfigurar um dispositivo estratégico de
controle sobre a região do Caribe.
Ao mesmo tempo que a catástrofe e a ocupação se abatiam sobre o
Haiti o imperialismo norte-americano instalava sete novas bases
militares na Colômbia e, como se fosse pouco, mais quatro bases
no Panamá, tudo sob a desculpa de fins “humanitários”, luta
contra o narcotráfico e o “terrorismo”. O mais recente caso de
militarização viveu-o a fronteira dos Estados Unidos com o
México onde, sob a farsa do combate ao narcotráfico, o
imperialismo norte-americano enviou milhares de soldados para
“perseguir os campos da droga”.
A fortíssima ingerência militar nas águas costarriquenses de
pelo menos 7 mil soldados norte-americanos desenvolve-se no
quadro deste fortíssimo dispositivo militar, com o pano de fundo
de uma luta aberta da administração Obama pela recuperação
completa do controle do que considera o seu “pátio traseiro”,
tudo isto ao mesmo tempo que prossegue a escalada das tensões da
nação imperialista com as potências regionais no Médio Oriente,
como o Irã.
Tudo isto parece indicar que enquanto os Estados Unidos
prosseguem a militarização da região da América Central e do
Caribe e outras partes da América Latina, que apoia
disfarçadamente golpes militares como o das Honduras em 2009 e
cria um dispositivo militar para travar as aspirações de certos
países de se converterem em potências regionais (caso do
Brasil), prepara-se para eventuais guerras regionais noutras
zonas do mundo. É isto que sugere não só a desproporcionada
militarização regional, como a visão global de conjunto que guia
a ação da potência imperialista mais preponderante do planeta
[2].
O imperialismo norte-americano poderá inclinar-se a utilizar –
como em anteriores períodos históricos – os seus pontos de apoio
na América Central e no Caribe não apenas para agressões
regionais a países latino-americanos, mas igualmente como
plataforma para agudizar a sua política de agressão contra
países “longínquos” como o Irã, com quem as tensões já
dispararam.
Nesta perspectiva a escandalosa e desproporcionada ocupação
militar norte-americana da costarriquenses não podem obedecer à
luta contra o narcotráfico nem muito menos devido a causas
humanitárias. No meio de tudo isto está o interesse da potência
norte-americana em controlar apertadamente o conjunto da América
Latina, e de utilizar como possível porta-aviões a região da
América Central e do Caribe e as bases de países como a
Colômbia, como sustentação da sua política externa noutras
partes do planeta.
Os jogos Panamax 2010 e os exercícios militares da potência
imperialista norte-americana
Esta política de cerco em volta do istmo centro-americano assume
a sua expressão máxima nos jogos Panamax 2010, que se realizam
há 7 anos, e em que, paulatinamente, se têm envolvido os
exércitos de dezenas de países, não só latino-americanos como de
outras regiões do mundo.
Sob a direção da “polícia” panamenha e do exército dos Estados
Unidos, os jogos simulam um “ataque terrorista” ao canal do
Panamá, que é defendido pela ação de vários exércitos
latino-americanos e alguns europeus, como o da Holanda.
Estes jogos, que em 2009 geraram polêmica pela participação de
uma Hondura polarizada à volta do golpe de Estado e das supostas
“rivalidades” de Micheletti com Obama e Hillary Clinton, servem
de exercício aos exércitos mais pró-imperialistas da região e,
naturalmente, dos Estados Unidos na busca de assegurar os seus
interesses geoestratégicos. Este ano calcula-se que participaram
mais de 4 mil soldados, pouco mais de metade dos militares que
atracaram nas costas costarriquenses.
A política da oposição burguesa costarriquense face à ocupação
norte-americana
A autorização para a entrada dos barcos de guerra e dos soldados
ianques foi aprovada pelo Congresso graças ao bloco formado pelo
Partido de Libertação Nacional (PLN), o Movimento Libertário (ML)
e o Partido da Renovação Costarriquense (RC). No outro lado
estiveram a Frente Ampla (FA), alguns deputados do Partido Ação
Cidadã (PAC) e o Partido da União Social Cristã
A FA, juntamente com Luis Fishman e o PAC, protagonizou a
oposição à autorização de entrada dos navios de guerra,
argumentando que tais veículos não faziam parte da “lista” dos
acordos de patrulhamento conjunto entre os Estados Unidos e a
Costa Rica, e que por isso mesmo a sua incursão era uma violação
da soberania nacional. Noutras sessões, Fishman defendeu que o
convênio que permite o patrulhamento conjunto já tinha expirado,
pelo que não podiam entrar novos barcos em águas da Costa Rica.
Ainda que se oponham à entrada dos navios em águas nacionais, há
que afirmar categoricamente que não é suficiente opor-se pelo
“tamanho” dos barcos. É necessário deixar bem claro que as
posições políticas centrais destes partidos de “oposição” –
agora encabeçados pelo candidato presidencial “menos mau”, Luís
Fishman – são ambíguas, timoratas e fizeram por diversas vezes o
jogo do imperialismo.
Não só não recusam a ingerência imperialista e os acordos que
facilitam a penetração militar dos Estados Unidos com a desculpa
do combate ao narcotráfico, como até aprovaram no Congresso leis
pró imperialistas como a Lei Antiterrorista (2008) que, no fim
das contas, acabaram por os atar de pés e mãos, impedindo-os de
enfrentar de forma consequente o aumento da ingerência
imperialista em curso
A situação política nacional e a incursão militar
Se tivesse que definir a situação política nacional, teria que
dizer que esta se caracteriza por estagnação a nível geral, mas
com tendência para a recomposição, tanto da mobilização como da
organização do movimento operário e popular.
Depois da invasão do campus universitário da Universidade da
Costa Rica (UCR), o movimento de massas tem vindo lentamente a
recompor-se, experimentando desde então momentos de retrocesso,
mas também picos de mobilização. Os portuários entraram em cena
protagonizando intensas jornadas de luta (SINTRAJAP), também os
docentes (APSE, os trabalhadores municipais, do sector elétrico
(ICE), os camponeses pobres e, naturalmente, os estudantes (UCR).
Ao que parece o PLN e a Presidente Chincilla decidiram
aproveitar a conjuntura de amolecimento para avançar ainda mais
no seu ambicioso plano de militarizar a Costa Rica. É que não é
esta a primeira medida que tomam este partido e a presidente,
pois já acordaram em Abril integrar a Comissão de Segurança
Centro-Americana, em conjunto com a burguesia golpista
hondurenha. Esta comissão não outro objetivo que não seja o
“centro-americanizar” a Costa Rica até aos níveis de
militarização e repressão que prevalecem noutros países da
região.
Ainda que não se descarte uma intervenção dos marines na vida
política nacional – o que seria complicado –, a verdade é que a
ocupação está mais relacionada com fins geoestratégicos que com
a situação de um pequeno país da América Central que são a sua
maquinaria “democrática” e a sua polícia, até ao momento, parece
ter demonstrado ser capaz de conter e limitar a luta de classes.
Notas
[1] A pesar de, desde 1999, se ter aprovado um acordo de
vigilância com os EUA – com o suposto fim de combater o
narcotráfico – a verdade é que nunca tinha havido uma incursão
militar tão agressiva como a que denunciamos neste escrito.
Algumas fragatas norte-americanas tinham bordejado a costa do
Pacífico e algumas lanchas guarda-costas tinham navegado em
águas territoriais, mas a penetração clara nunca tinha
acontecido. Neste escrito denunciamos não só a entrada de 46
navios de guerra, como o próprio acordo que permite a ingerência
do imperialismo norte-americano na Costa Rica.
[2] Vale a recordar que países como as Honduras e El Salvador
prestaram notáveis serviços para a política de “guerra contra o
terrorismo” de Bush, nos primeiros anos da invasão imperialista
do Iraque. Estes serviços iam da participação de tropas do
Exército salvadorenho e hondurenho nas operações militares em
território iraquiano, até ao recrutamento de “contratados” em
toda a América Central, como foi o caso por exemplo da empresa
Triple Cannopy dirigida por George Nayor (ligado ao
narcotráfico), que a partir de El Salvador enviava mercenários
da América Central para o Iraque.
(Este
texto foi publicado originalmente em www.lahaiane.org e
traduzido por José Paulo Gascão para
www.odiario.info)
*****
Obama
prorroga por mais um ano as sanções do bloqueio
O presidente dos EUA
Barack Obama anunciou, nesta sexta-feira (3) a prorrogação até
setembro de 2011 das sanções aplicadas pela lei do "Comércio com
o Inimigo", o que, na prática, significa a continuidade do
bloqueio a Cuba.
Segundo informa um
comunicado de governo, Obama enviou um memorando à secretária de
Estado Hillay Clinton e ao titular do Tesouro Timothy Geithner,
em que afirma que "a continuidade, por mais um ano, destas
medidas referentes a Cuba são convenientes aos interesses
nacionais do Estados Unidos".
A renovação desta lei, que proíbe as empresas norte-americanas
de fazer negócios com a ilha, já é uma rotina entre os
mandatários da Casa Branca, que sempre a prorrogam anualmente.
O objetivo de tal ato, desde que esta lei entrou em vigor por
imposição há mais de meio século, é forçar uma mudança política
do regime socialista cubano, buscando submeter a população de
Cuba à fome e às doenças.
A lei contra o "Comércio com o Inimigo" data de 1917 e foi
aprovada quando os EUA entraram na Primeira Guerra Mundial.
Hoje, porém, Cuba é o único país do mundo sujeito às tais
sanções, depois que, em 2008, o então presidente George W. Bush
decidiu não renovar a lei em relação à Coreia do Norte.
A renovação da ordem é mais do mesmo, pois os presidentes
anteriores já tinham feito a anul prorrogação sem cerimônias,
assim Obama prossegue, sem mudanças, na mesma linha.
A última extensão expirava no dia 14 de setembro, mas agora o
prazo para a "data final" do bloqueio foi postergada para o
mesmo dia em 2011, ato repetitivo das últimas administrações.
Esta lei foi usada pelo governo de John Kennedy para impor uma
guerra econômica contra Cuba que perdura até hoje.
Durante o encerramento da sessão ordinária da Assembleia
Nacional do Poder Popular, em 1.º de agosto, o presidente cubano
Raúl Castro advertiu que 'é certo que existe menos retórica e se
celebram, ocasionalmente, conversações bilaterais sobre temas
específicos e limitados com os EUA'.
'Mas, na realidade, o bloqueio continua sendo aplicado fielmente
e nós seguiremos agindo com serenidade e paciência, que
aprendemos em mais de meio século", observou o dirigente.
Da
redação, com informações de Cuba Debate
*****
DESCONTRAÇÃO:

|