INTERNACIONAIS

 

COM A PALAVRA:

 

Vicenç Navarro

 

Catedrático de Ciências Políticas e Sociais, Universidade Pompeu Fabra (Barcelona, EspanhA)

Foi Catedrático de Economia Aplicada na Universidade de Barcelona. É também professor de Políticas Públicas na Universidade Johns Hopkins (Baltimore, EUA), onde exerceu docência durante 35 anos. Dirige o Programa em Políticas Públicas e Sociais patrocinado conjuntamente pela Universidade Pompeu Fabra e pela Universidade Johns Hopkins. Dirige também o Observatório Social de Espanha.

Que mercados financeiros?

 Na realidade, os mal denominados mercados têm muito pouco de mercado. São bancos com muito lucro e poucos riscos. Se os mercados financeiros fossem mercados de verdade, os bancos teriam de absorver as perdas em investimentos financeiros falidos

Na realidade, os mal denominados mercados têm muito pouco de mercado. São bancos com muito lucro e poucos riscos. Se os mercados financeiros fossem mercados de verdade, os bancos teriam de absorver as perdas em investimentos financeiros falidos.

Este artigo assinala que os mal denominados mercados financeiros não correspondem às características que definem os mercados, pois os seus agentes – os bancos – gozam dum grande proteccionismo fornecido pelos estados, assim como por instituições internacionais – como o Fundo Monetário Internacional – que garantem os seus exuberantes lucros à custa de enormes reduções dos gastos públicos e da protecção social das classes populares. O artigo mostra exemplos deste proteccionismo no caso dos EUA e na mal denominada “ajuda” do FMI-Euro aos países com elevados défices e dívida pública, como a Grécia, que é em realidade ajuda primordialmente para os bancos europeus.

A linguagem que se utiliza para explicar a crise é uma linguagem que aparenta ser neutra, meramente técnica, quando, na realidade, é profundamente política. Assim, dizem-nos que os “mercados financeiros” estão a forçar os países da União Europeia e, muito em especial, os países mediterrânicos – Grécia, Portugal e Espanha – e Irlanda, a seguir políticas de grande austeridade, reduzindo os seus défices e dívida públicos, com o objectivo de recuperar a confiança dos mercados, condição necessária para alcançar a recuperação económica. Como disse há uns dias Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu (BCE): “A condição para a recuperação económica é a disciplina fiscal, sem a qual os mercados financeiros não certificam a credibilidade dos estados” (Financial Times, 15-05-10).

A realidade, contudo, é muito diferente. Estas medidas de austeridade, promovidas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pela União Europeia (UE), estão a criar uma grande deterioração da qualidade de vida das classes populares, pois estão a afectar negativamente a sua protecção social e estão a destruir emprego, dificultando a sua recuperação económica. Assim aconteceu na Lituânia, onde o PIB diminuiu 17% e o desemprego alcançou 22% da população activa (veja-se o meu artigo Quién paga los costes del euro?). Uma situação semelhante ocorrerá nos países citados anteriormente.

Pareceria, pois, que são os mercados financeiros que estão a impor estas políticas aos governos. Ora bem, que quer dizer “os mercados financeiros”? Em teoria, na dogmática liberal que domina os establishments europeus (o Conselho Europeu, o BCE e a Comissão Europeu, assim como nos governos da maioria dos países da UE), os mercados são um processo de livre comércio entre agentes financeiros – os bancos – que obtêm benefícios para compensar os seus riscos, pois que se assume que existem riscos em tais mercados. Mas tal retórica não define a realidade, pois tais entidades – os bancos – operam em âmbitos e instituições enormemente proteccionistas dos seus interesses, nos quais o risco, em geral, brilha pela ausência. Na realidade, os mal denominados mercados têm muito pouco de mercado. São bancos com muito lucro e poucos riscos. E o que está a acontecer mostra a certeza deste diagnóstico.

Nos EUA, onde existe amplo consenso sobre o facto de que a crise financeira foi iniciada pelos comportamentos de Wall Street, a crise bancária foi resolvida com a entrega aos bancos de quase um bilião de dólares pagos pelo Estado, que beneficiou enormemente os banqueiros e os seus accionistas, conseguindo inclusive mais benefícios do que os que tinham antes da crise. A obscenidade de tais benefícios e as práticas desonestas e criminosas dos banqueiros (causadores da crise) explicam a sua enorme impopularidade e a de tais medidas, que não se repercutiram favoravelmente sobre a população, que viu como os seus padrões de vida diminuíram devido à crise provocada pelos bancos. Não foram os mercados, mas os bancos e os seus políticos no Congresso (com nomes e apelidos conhecidos) e nas administrações Clinton, Bush e Obama (também com nomes e apelidos conhecidos) que criaram a crise, salvaram os bancos e agora apelam à austeridade.

Uma situação quase idêntica está a acontecer na UE. Os comportamentos especulativos da banca europeia foram consequência de decisões políticas que desregularam a banca, decisões que se tomaram particularmente, não apenas em Wall Street, mas também nos centros financeiros, principalmente a City de Londres e Frankfurt, consequência da enorme influência da banca sobre os governos britânico e alemão. A mal denominada “ajuda” do FMI-EU (de 750.000 milhões de euros) aos países com dificuldades não é uma ajuda às populações daqueles países, mas sim aos bancos (e muito em especial aos alemães e franceses) para assegurar-lhes que os Estados lhes pagarão as dívidas com os juros confiscatórios que exigiram. Na realidade, se os mercados financeiros fossem mercados de verdade (e, portanto, houvesse competitividade e risco no seu comportamento), os bancos teriam de absorver as perdas em investimentos financeiros falidos. Se o Governo da Grécia, por exemplo, fosse à bancarrota, a banca alemã teria de absorver as perdas por ter tomado a decisão de comprar cupões do Estado grego.

Ora bem, isto não acontece nos mal denominados mercados financeiros devido a haver toda uma série de instituições que protege os bancos. E a mais importante é o FMI, que empresta dinheiro aos Estados para que o paguem aos bancos. Daí que, como nos EUA, os bancos nunca perdem. Quem perde são as classes populares, pois o FMI exige aos governos que extraiam o dinheiro dos serviços públicos das tais classes populares para pagar aos bancos. O que o FMI faz é a transferência de fundos das classes populares para os bancos. Isto é o que se chama “conseguir a credibilidade dos Estados face aos mercados".

Estas transferências, contudo, além de serem profundamente injustas, são enormemente ineficientes. O fracasso das políticas de austeridade propostas pelo FMI nos países em crise é bem conhecido, o que explica o descrédito de tal instituição. O FMI, desde a era Reagan, é a organização financeira que impôs mais sacrifícios às classes populares dos países que receberam a “sua ajuda”, com resultados económicos altamente negativos, tal como denunciou correctamente Joseph Stiglitz. Não são os mercados, mas os interesses bancários e seus aliados – entre os quais se destacam o FMI e o BCE – que estão a impor estes sacrifícios. Ao menos, chamemos os culpados pelo nome.

(Artigo publicado no diário PÚBLICO, 20 de Maio de 2010)

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Fidel Castro: “Cheguei a estar morto, mas ressuscitei”

Por Carmen Lira Saade para La Jornada

Em entrevista exclusiva ao jornal La Jornada (a primeira concedida a um veículo impresso desde que uma diverticulite obrigou seu afastamento da liderança do governo cubano), Fidel Castro fala sobre o que aconteceu, diz que esteve à beira da morte, mas ressuscitou.

E fala de seus planos para o futuro: "Não quero estar ausente nestes dias. O mundo está na fase mais interessante e perigosa de sua existência e eu estou bastante comprometido com o que está acontecendo. Ainda tenho muitas coisas para fazer".

Ele esteve quatro anos debatendo-se entre a vida e a morte. Um entra e sai da sala de cirurgia, entubado, recebendo alimentos através de veias e cateteres e com perdas frequentes de consciência. Minha enfermidade não é nenhum segredo de Estado, teria dito pouco antes que ela se tornasse crise e o obrigasse a fazer o que tinha que fazer: delegar suas funções como presidente do Conselho de Estado e, consequentemente, como comandante em chefe das forças armadas de Cuba. Não posso seguir mais, admitiu então - segundo revela nesta sua primeira entrevista a uma publicação impressa estrangeira desde então. Fez a transmissão do cargo e entregou-se aos médicos.

A comoção sacudiu a nação inteira, aos amigos de outras partes, despertou esperanças revanchistas em seus detratores e colocou em estado de alerta o poderoso vizinho do Norte. Era o dia 31 de julho de 2006 quando foi divulgada, de modo oficial, a carta de renúncia do líder máximo da Revolução Cubana. O que seu inimigo mais feroz (bloqueios, guerras, atentados) não conseguiu em 50 anos foi alcançado por uma enfermidade sobre a qual ninguém sabia nada e se especulava tudo. Uma enfermidade que para o regime, quisesse ou não, iria se converter em um segredo de Estado.

Penso em Raúl, no Raúl Castro daqueles momentos. Não era apenas o pacote que lhe tinham confiado há muito tempo; era a delicada saúde de sua companheira Vilma Espin – que pouco depois faleceria vítima de câncer – e a muito provável desaparição de seu irmão mais velho e chefe único nos âmbitos militar, político e familiar”.

Hoje faz 40 dias que Fidel Castro reapareceu em público de maneira definitiva, ao menos sem perigo aparente de recaída. Em um clima tranquilo e dando a entender que a tempestade passou, o homem mais importante da Revolução Cubana ressurge orgulhoso e com vitalidade, ainda que não domine totalmente os movimentos de suas pernas.

Durante as quase cinco horas que durou a entrevista ao La Jornada – incluindo o almoço – Fidel aborda os mais diversos temas, ainda que mostre uma obsessão por alguns em particular. Permite perguntas sobre tudo – ainda que quem mais interrogue seja ele – e repassa pela primeira vez e com dolorosa franqueza alguns momentos da crise de saúde que sofreu nos últimos quatro anos. Cheguei a estar morto, revela com uma tranqüilidade assombrosa. Não menciona pelo nome a diverticulite da qual padeceu nem se refere às hemorragias que levaram os especialistas de sua equipe médica a intervir em muitas ocasiões, sempre com risco de perder a vida. Mas no que ele se estende é no relato do sofrimento vivido. E não mostra inibição alguma em qualificar a dolorosa etapa como um calvário.

Eu já não aspirava a viver, nem muito menos...Perguntei-me várias vezes se essa gente (seus médicos) iriam deixar-me viver nestas condições ou iriam permitir que eu morresse. E sobrevivi, mas em condições físicas muito ruins. Cheguei a pesar cinquenta e poucos quilos. Sessenta e seis quilos, precisa Dália, sua inseparável companheira que assiste a conversa. Só ela, dois de seus médicos e dois de seus colaboradores mais próximos estão presentes.

- Imagine: um tipo da minha estatura pesando 66 quilos. Hoje já estou entre 85 e 86 quilos e esta manhã consegui dar 600 passos sozinho, sem muleta nem ajuda.

Quero dizer-te que estás diante de uma espécie de ressuscitado, afirma com certo orgulho. Sabe que, além da magnífica equipe médica que o assistiu durante todos estes anos, que pôs à prova a qualidade da medicina cubana, contou muito a sua vontade e essa disciplina de aço que se impõe sempre que se empenha em algo.

Não cometo nunca mais a mínima violação – assegura. Tornei-me médico com a cooperação dos médicos. Com eles discuto, pergunto (pergunta muito), aprendo (e obedece)... Conhece muito bem as razões de seus acidentes e quedas, ainda que insista que não necessariamente umas levem às outras. A primeira fez foi porque não fez o aquecimento devido, antes de jogar basquete. Depois veio o de Santa Clara: Fidel descia da estátua do Che, onde havia presidido uma homenagem, e caiu de cabeça. Aí influiu também, afirma, que aqueles que deveriam cuidar dele também estão ficando velhos, perdem habilidades e não conseguiram cuidar direito. A seguir veio a queda de Holguín. Todos esses acidentes ocorreram antes que a outra enfermidade se tornasse crítica e o deixasse por longo tempo no hospital.

- Estendido naquela cama, só olhava ao meu redor, ignorante de todos esses aparatos. Não sabia quanto tempo ia durar esse tormento e a única esperança que alimentava é que o mundo parasse para que eu não perdesse nada. Mas ressuscitei, disse satisfeito.

- E quando ressuscitou, comandante, o que encontrou? – perguntei

- Um mundo de loucos... Um mundo que aparece todos os dias na televisão, nos jornais, e que não há quem entenda, mas que eu não queria perder por nada deste mundo – sorri, divertido.

Com uma energia surpreendente em um ser humano que acabou de levantar-se da tumba, como ele mesmo diz, e com a mesmíssima curiosidade intelectual de antes, Fidel Castro vai se atualizando. Aqueles que o conhecem bem dizem que não há um projeto, colossal ou milimétrico, no qual ele não se empenhe com uma paixão encarniçada, em especial se em situação de adversidade, como era o caso. Nunca, então, parece de melhor humor. Alguém que pretende conhecê-lo bem resumiu: “as coisas devem andar muito mal, porque você está radiante”.

A tarefa de acúmulo informativo cotidiano deste sobrevivente começa desde que ele acorda. Com uma velocidade de leitura, cujo método ninguém conhece, devora livros, lê entre 200 e 300 notas informativas por dia, está debruçado sobre as novas tecnologias da comunicação, e fascina com o Wikileaks, a garganta profunda da internet, famosa pela revelação da existência de 90 mil documentos militares sobre o Afeganistão, nos quais esse novo internauta já está trabalhando.

Você se dá conta, companheira, do que isso significa? – pergunta-me. A Internet colocou em nossas mãos a possibilidade de nos comunicarmos com o mundo. Não contávamos com nada disso antes – comenta, ao mesmo tempo em que se deleita vendo e selecionando informes e textos baixados da rede, que tem sobre a mesa do escritório: um pequeno móvel, demasiado pequeno para o tamanho (mesmo que diminuído pela enfermidade) de seu ocupante.

Acabaram-se os segredo, ou ao menos parece isso. Estamos diante de um jornalismo de investigação de alta tecnologia, como o chama o New York Times, e ao alcance de todo o mundo. Estamos diante da arma mais poderosa que já existiu, que é a comunicação – resume. O poder da comunicação tem estado, e está, nas mãos do império e de ambiciosos grupos privados que fazem uso e abuso dele. Por isso os meios de comunicação fabricaram o poder que hoje ostentam.

Escuto-o e penso em Chomsky: qualquer das fraudes que o Império tente executar deve contar antes com o apoio dos meios de comunicação, principalmente jornais e televisão, e hoje, naturalmente, com todos os instrumentos que a Internet oferece. São os meios que, antes de qualquer ação, criam o consenso. Preparam a cama, diríamos... Formatam o teatro de operações. No entanto, diz Fidel, ainda que pretendessem manter intacto esse poder, não conseguiram. E estão perdendo-o dia a dia. Enquanto outros, muitos, muitíssimos, emergem a cada momento...

Faz-se necessário, então, um reconhecimento aos esforços de alguns sites e meios, além do Wikileaks: pelo lado latinoamericano, a Telesur da Venezuela, a televisão cultural da Argentina, o Canal Encontro, e todos aqueles meios, públicos ou privados, que enfrentam poderosos consórcios particulares da região e transnacionais da informação, da cultura e do entretenimento.

Informes sobre a manipulação dos grupos empresariais locais ou regionais poderosos, seus complôs para introduzir ou eliminar governos ou personagens da política, ou sobre a tirania que o império exerce, através das transnacionais, estão agora ao alcance de todos os mortais.

Mas não em Cuba, que dispõe apenas de uma entrada de Internet para todo o país, comparável a que o Hotel Hilton ou o Sheraton têm. Essa é a razão por que conectar-se em Cuba é desesperador. A navegação é como se fosse em câmara lenta.

Por que isso ocorre? - pergunto.

- Pela rotunda negativa dos Estados Unidos em nos dar acesso à Internet na ilha, através de um dos cabos submarinos de fibra ótica que passam próximo às costas. Cuba se vê obrigada, em troca, a baixar o sinal de um satélite, o que encarece muito mais o serviço do que o governo cubano pode pagar, e impede que se disponha de uma banda maior, que permita dar acesso a muito mais usuários e na velocidade que é normal em todo o mundo, com a banda larga.

Por essas razões o governo cubano dá prioridade para conectar-se não a quem pode pagar pelo custo do serviço, mas para quem mais necessita, como médicos, acadêmicos, jornalistas, professores, quadros do governo e clubes de internet de uso social. Não se pode fazer mais.

Penso nos descomunais esforços do site cubano Cubadebate para alimentar seu conteúdo e levar ao exterior a informação sobre o país, nas condições existentes. Mas, segundo Fidel, Cuba em breve poderá solucionar esta situação.

Ele se refere à conclusão das obras de cabo submarino que se estende do porto de La Guaira, na Venezuela, até as proximidades de Santiago de Cuba. Com estas obras, levadas adiante pelo governo Hugo Chávez, a ilha poderá dispor de banda larga e de possibilidades de conceder uma grande ampliação do serviço.

- Muitas vezes se acusa Cuba e em particular a você de manter uma posição antiestadunidense rigorosa; chegaram até a acusá-lo de ter ódio dessa nação - digo-lhe.

— Não é nada disso – esclarece: Por que odiar os Estados Unidos, se é apenas um produto da história?

Mas, com efeito, há uns 40 dias, apenas, quando ainda não tinha terminado de ressucitar, ocupou-se – para variar -, em suas novas Reflexiones, de seu poderoso vizinho.

“É que comecei a ver muito claramente os problemas da tirania mundial crescente – e se apresentou à luz de toda a informação que tinha, a iminência de um ataque nuclear que desataria a conflagração mundial".

Mas não podia sair a falar, a fazer o que está fazendo agora, indica-me. Apenas podia escrever com certa fluidez, pois não só teve que aprender a caminhar, mas também, em seus 84 anos, teve de voltar a aprender a escrever.

“Saí do hospital, fui para casa, mas caminhei, excedi-me. Depois tive de fazer reabilitação dos pés, para então conseguir começar a escrever de novo. O salto qualitativo se deu quando pude dominar todos os elementos que me permitiam tornar possível tudo o que estou fazendo agora. Mas posso e devo melhorar... Posso chegar a caminhar bem. Hoje, já te disse, caminhei 600 passos só, sem bengala, sem nada; e devo conciliar isso com o que subo e desço, com as horas que durmo, com o trabalho".

- O que há por trás desse frenesi no trabalho? O que mais que, depois de uma reabilitação, pode conduzi-lo a uma recaída?

Fidel se concentra, fecha os olhos como para começar a dormir, mas não... volta à carga: "não quero estar ausente nestes dias. O mundo está numa fase mais interessante e perigosa de sua existência e eu estou bastante comprometido com o que venha a acontecer. Tenho coisas a fazer, ainda".

- Como o quê?

– Como a conformação de todo um movimento antiguerra nuclear – é a o que vem se dedicando desde a sua reaparição.

Criar uma força de persuasão internacional, para evitar que essa ameaça global se concretize representa um rumo, e Fidel nunca pôde resistir aos rumos.

“No princípio pensei que o ataque nuclear iria se dar sobre a Coréia do Norte, mas logo retifiquei, porque a China vetaria isso no Conselho de Segurança [da ONU]...

Mas o do Irã ninguém o fará, porque não há veto nem chinês nem russo. Depois veio a resolução (das Nações Unidas), e embora Brasil, Turquia e Líbano tenham votado, o Líbano não o fez e então se tomou a decisão.

Fidel convoca cientistas, economistas, comunicadores, etc, a que dêem sua opinião sobre qual pode ser o mecanismo mediante o qual se vai desatar o horror, e a forma que se pode evitá-lo. Até a exercícios de ficção científica os conduziu.

“Pensem, pensem!”, anima as discussões. “Raciocinem, imaginem”, exclama o entusiasta professor em que se converteu, nestes dias.

Nem todo mundo compreendeu sua inquietude. Não são poucos os que viram catastrofismo e até delírio em sua nova campanha. A tudo isso tinha de acrescentar o temor que assaltava a muitos, de que sua saúde sofra uma recaída.

Fidel não pára, e ninguém é capaz de sequer freá-lo. Ele necessita, o mais rápido possível, CONVENCER, para assim DETER a conflagração nuclear que –insiste– ameaça com o desaparecimento de uma boa parte da humanidade. Teremos que mobilizar o mundo para persuadir Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, para que ele evite a guerra nuclear. Ele é o único que pode, ou não, impedir o botão de ser apertado.

Com os dados que ele já detém como um expert e os documentos que avalizam o que diz, Fidel questiona e faz uma exposição arrepiante:

– Tu sabes o poder nuclear que alguns países do mundo têm, na atualidade, em comparação com a época de Hiroshima e Nagazaki?

Quatrocentas e setenta mil vezes o poder explosivo que qualquer dessas bombas que os Estados Unidos jogou sobre essas duas cidades japonesas tinha. Quatrocentas e setenta mil vezes mais! Sublinha, escandalizado.

Essa é a potência de cada uma das mais de 20 mil armas nucleares que – se calcula – há hoje em dia no mundo.

Com muito menos do que essa potência – com tão só 100 – já se pode produzir um inverno nuclear que obscureça o mundo em sua totalidade.

Esta barbaridade pode se produzir em uma questão de dias; para sermos mais precisos, no próximo 9 de setembro, que é quando vencem os 90 dias concedidos pelo Conselho de Segurança da ONU para que se comece a inspeção dos barcos do Irã.

– Acredita que os iranianos vão retroceder? O que imagina? Homens valentes, religiosos que vêem na morte quase um prêmio...Bem, os iranianos não vão ceder, isso é certo. Vão ceder aos ianques? E o que ocorrerá se nem um nem outro ceder? E isto pode ocorrer no próximo 9 de setembro.

Um minuto depois da explosão, mais da metade dos seres humanos terão morrido, a poeira e a fumaça dos continentes em chamas derrotarão a luz solar e as trevas absolutas voltarão a reinar no mundo, escreveu Gabriel García Máquez por ocasião do 41 aniversário de Hiroshima. Um inverno de chuvas alaranjadas e furacões gelados inverterão o tempo dos oceanos e voltarão o curso dos rios, cujas espécies terão morrido de sede em águas ardentes...A era do rock e dos corações transplantados estará de volta a sua infância glacial...

Tradução: Katarina Peixoto

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A ingerência militar ianque na Costa Rica

Num ato inédito em toda a história nacional, o Congresso aprovou no último dia 29 de junho permitir a entrada de 46 navios armados das Forças Armadas dos Estados Unidos na costa costarriquense [1]. Com os navios calcula-se que chegaram ao país cerca de 7 mil soldados norte-americanos, juntamente com mais 200 aviões, helicópteros e diferentes tipos de aeronaves de combate.


Brayan Brenes

Num ato inédito em toda a história nacional, o Congresso aprovou no último dia 29 de junho permitir a entrada de 46 navios armados das Forças Armadas dos Estados Unidos na costa costarriquense [1]. Com os navios calcula-se que chegaram ao país cerca de 7 mil soldados norte-americanos, juntamente com mais 200 aviões, helicópteros e diferentes tipos de aeronaves de combate. Juntamente com a autorização de entrada dos navios, os legisladores autorizaram os militares norte-americanos a entrarem no território costarriquense sem qualquer restrição, desfrutando ainda da imunidade que têm em solo estadunidense, isto com o suposto objetivo de “cumprir com a sua missão” e “participarem em trabalhos de ajuda humanitária”.

No entanto, a realidade é que a entrada do exército de uma potência imperialista nos portos costarriquenses corresponde a uma ingerência militar clara, como se viu anteriormente. Nem sequer nas décadas de 1970 e 1980, quando radicais processos revolucionários agitavam a maior parte da América Central, o Exército norte-americano invadiu abertamente a costa costarriquense.

Pode dizer-se, sem margem para dúvidas, que um dos sonhos mais desejados de Laura Chincilla do passado se tornou realidade: é que apesar da presidente por volta de 2004 ter tentado meter esses mesmos navios de guerra ao mesmo tempo que a ILEA (Escola Internacional de Polícias para o Cumprimento da Lei) – no quadro da invasão norte-americana do Iraque – só seis anos depois é que estes barcos e os seus militares conseguiram entrar no país, além de que foi o Congresso e não o Poder Executivo que teve a última palavra para tão grave violação da soberania costarriquense. Então as pequenas, mas combativas mobilizações universitárias e sindicais, bem como a fragmentação no seio das fileiras burguesas, impediram que se aprovasse no Congresso a instalação não só dos navios, mas também de uma reciclada Escola das Américas que estava no Panamá, desta vez com o nome de ILEA.

Vamos ver se desta vez o movimento de massas repete a façanha, mas desta vez expulsando os ianques da costa costarriquense. No entanto, isto só pode alcançar-se com a mais ampla mobilização das massas, e a solidariedade internacionalista dos nossos irmãos trabalhadores e oprimidos da América Latina e do mundo.

Uma clara ingerência militar com fins geoestratégicos

Apesar da ocupação militar da Costa Rica ser inédita na história deste pequeno país, não acontece o mesmo com o restante dos países da América central e do Caribe; estes, ao contrário, têm sido vítimas da ocupação dos marines norte-americanos e da instalação de bases militares. É o caso do Caribe, desde Cuba com Guantánamo até ao Haiti com as reiteradas incursões militares dos Estados Unidos durante praticamente todo o século XX, ou à parte ístmica que abrange a Nicarágua, as Honduras, El Salvador, a Guatemala e, especialmente, o Panamá.

Os códigos geopolíticos que sustentaram a ocupação – essencialmente norte-americana – variaram de acordo com os diferentes momentos históricos: desde a rivalidade dos Estados Unidos com a Inglaterra, as fricções com a União Soviética, até à necessidade de travar a ascensão das massas e os processos revolucionários que sacudiram a América Central durante a década de 1970 e parte de 1980.

Em diferentes momentos os Estados Unidos defenderam a região da América Central e do Caribe como parte da sua zona de influência, não tanto pelo seu tamanho ou pelos seus recursos naturais, mas pela sua importância geoestratégica: é não só a região mais próxima para o abastecimento militar das tropas norte-americanas, mas também a que oferece vantagens como vias de comunicação interoceânicas como o Canal do Panamá ou a rota do rio San Juan, que atualmente serve de limite entre a Costa Rica e a Nicarágua. No caso do Canal, por aí circula uma elevada percentagem das mercadorias necessárias ao abastecimento do mercado estadunidense e uma boa parte dos países latino-americanos.


Ainda que ao longo da história centro-americana e do Caribe a tônica tenha sido a da ocupação, a verdade é que durante a administração Obama esta tem-se vindo a redefinir, paralelamente ao reforço militar noutras partes do mundo. Recordamos que depois do catastrófico terremoto de janeiro no Haiti, a Casa Branca ordenou o envio de mais 10 mil soldados para a ilha, não só como forma de conter as possíveis revoltas “da fome”, mas também para começar a reconfigurar um dispositivo estratégico de controle sobre a região do Caribe.

Ao mesmo tempo que a catástrofe e a ocupação se abatiam sobre o Haiti o imperialismo norte-americano instalava sete novas bases militares na Colômbia e, como se fosse pouco, mais quatro bases no Panamá, tudo sob a desculpa de fins “humanitários”, luta contra o narcotráfico e o “terrorismo”. O mais recente caso de militarização viveu-o a fronteira dos Estados Unidos com o México onde, sob a farsa do combate ao narcotráfico, o imperialismo norte-americano enviou milhares de soldados para “perseguir os campos da droga”.

A fortíssima ingerência militar nas águas costarriquenses de pelo menos 7 mil soldados norte-americanos desenvolve-se no quadro deste fortíssimo dispositivo militar, com o pano de fundo de uma luta aberta da administração Obama pela recuperação completa do controle do que considera o seu “pátio traseiro”, tudo isto ao mesmo tempo que prossegue a escalada das tensões da nação imperialista com as potências regionais no Médio Oriente, como o Irã.

Tudo isto parece indicar que enquanto os Estados Unidos prosseguem a militarização da região da América Central e do Caribe e outras partes da América Latina, que apoia disfarçadamente golpes militares como o das Honduras em 2009 e cria um dispositivo militar para travar as aspirações de certos países de se converterem em potências regionais (caso do Brasil), prepara-se para eventuais guerras regionais noutras zonas do mundo. É isto que sugere não só a desproporcionada militarização regional, como a visão global de conjunto que guia a ação da potência imperialista mais preponderante do planeta [2].

O imperialismo norte-americano poderá inclinar-se a utilizar – como em anteriores períodos históricos – os seus pontos de apoio na América Central e no Caribe não apenas para agressões regionais a países latino-americanos, mas igualmente como plataforma para agudizar a sua política de agressão contra países “longínquos” como o Irã, com quem as tensões já dispararam.

Nesta perspectiva a escandalosa e desproporcionada ocupação militar norte-americana da costarriquenses não podem obedecer à luta contra o narcotráfico nem muito menos devido a causas humanitárias. No meio de tudo isto está o interesse da potência norte-americana em controlar apertadamente o conjunto da América Latina, e de utilizar como possível porta-aviões a região da América Central e do Caribe e as bases de países como a Colômbia, como sustentação da sua política externa noutras partes do planeta.

Os jogos Panamax 2010 e os exercícios militares da potência imperialista norte-americana

Esta política de cerco em volta do istmo centro-americano assume a sua expressão máxima nos jogos Panamax 2010, que se realizam há 7 anos, e em que, paulatinamente, se têm envolvido os exércitos de dezenas de países, não só latino-americanos como de outras regiões do mundo.

Sob a direção da “polícia” panamenha e do exército dos Estados Unidos, os jogos simulam um “ataque terrorista” ao canal do Panamá, que é defendido pela ação de vários exércitos latino-americanos e alguns europeus, como o da Holanda.

Estes jogos, que em 2009 geraram polêmica pela participação de uma Hondura polarizada à volta do golpe de Estado e das supostas “rivalidades” de Micheletti com Obama e Hillary Clinton, servem de exercício aos exércitos mais pró-imperialistas da região e, naturalmente, dos Estados Unidos na busca de assegurar os seus interesses geoestratégicos. Este ano calcula-se que participaram mais de 4 mil soldados, pouco mais de metade dos militares que atracaram nas costas costarriquenses.

A política da oposição burguesa costarriquense face à ocupação norte-americana

A autorização para a entrada dos barcos de guerra e dos soldados ianques foi aprovada pelo Congresso graças ao bloco formado pelo Partido de Libertação Nacional (PLN), o Movimento Libertário (ML) e o Partido da Renovação Costarriquense (RC). No outro lado estiveram a Frente Ampla (FA), alguns deputados do Partido Ação Cidadã (PAC) e o Partido da União Social Cristã
A FA, juntamente com Luis Fishman e o PAC, protagonizou a oposição à autorização de entrada dos navios de guerra, argumentando que tais veículos não faziam parte da “lista” dos acordos de patrulhamento conjunto entre os Estados Unidos e a Costa Rica, e que por isso mesmo a sua incursão era uma violação da soberania nacional. Noutras sessões, Fishman defendeu que o convênio que permite o patrulhamento conjunto já tinha expirado, pelo que não podiam entrar novos barcos em águas da Costa Rica.

Ainda que se oponham à entrada dos navios em águas nacionais, há que afirmar categoricamente que não é suficiente opor-se pelo “tamanho” dos barcos. É necessário deixar bem claro que as posições políticas centrais destes partidos de “oposição” – agora encabeçados pelo candidato presidencial “menos mau”, Luís Fishman – são ambíguas, timoratas e fizeram por diversas vezes o jogo do imperialismo.

Não só não recusam a ingerência imperialista e os acordos que facilitam a penetração militar dos Estados Unidos com a desculpa do combate ao narcotráfico, como até aprovaram no Congresso leis pró imperialistas como a Lei Antiterrorista (2008) que, no fim das contas, acabaram por os atar de pés e mãos, impedindo-os de enfrentar de forma consequente o aumento da ingerência imperialista em curso

A situação política nacional e a incursão militar

Se tivesse que definir a situação política nacional, teria que dizer que esta se caracteriza por estagnação a nível geral, mas com tendência para a recomposição, tanto da mobilização como da organização do movimento operário e popular.

Depois da invasão do campus universitário da Universidade da Costa Rica (UCR), o movimento de massas tem vindo lentamente a recompor-se, experimentando desde então momentos de retrocesso, mas também picos de mobilização. Os portuários entraram em cena protagonizando intensas jornadas de luta (SINTRAJAP), também os docentes (APSE, os trabalhadores municipais, do sector elétrico (ICE), os camponeses pobres e, naturalmente, os estudantes (UCR).

Ao que parece o PLN e a Presidente Chincilla decidiram aproveitar a conjuntura de amolecimento para avançar ainda mais no seu ambicioso plano de militarizar a Costa Rica. É que não é esta a primeira medida que tomam este partido e a presidente, pois já acordaram em Abril integrar a Comissão de Segurança Centro-Americana, em conjunto com a burguesia golpista hondurenha. Esta comissão não outro objetivo que não seja o “centro-americanizar” a Costa Rica até aos níveis de militarização e repressão que prevalecem noutros países da região.

Ainda que não se descarte uma intervenção dos marines na vida política nacional – o que seria complicado –, a verdade é que a ocupação está mais relacionada com fins geoestratégicos que com a situação de um pequeno país da América Central que são a sua maquinaria “democrática” e a sua polícia, até ao momento, parece ter demonstrado ser capaz de conter e limitar a luta de classes.

Notas
[1] A pesar de, desde 1999, se ter aprovado um acordo de vigilância com os EUA – com o suposto fim de combater o narcotráfico – a verdade é que nunca tinha havido uma incursão militar tão agressiva como a que denunciamos neste escrito. Algumas fragatas norte-americanas tinham bordejado a costa do Pacífico e algumas lanchas guarda-costas tinham navegado em águas territoriais, mas a penetração clara nunca tinha acontecido. Neste escrito denunciamos não só a entrada de 46 navios de guerra, como o próprio acordo que permite a ingerência do imperialismo norte-americano na Costa Rica.

[2] Vale a recordar que países como as Honduras e El Salvador prestaram notáveis serviços para a política de “guerra contra o terrorismo” de Bush, nos primeiros anos da invasão imperialista do Iraque. Estes serviços iam da participação de tropas do Exército salvadorenho e hondurenho nas operações militares em território iraquiano, até ao recrutamento de “contratados” em toda a América Central, como foi o caso por exemplo da empresa Triple Cannopy dirigida por George Nayor (ligado ao narcotráfico), que a partir de El Salvador enviava mercenários da América Central para o Iraque.

(Este texto foi publicado originalmente em www.lahaiane.org e traduzido por José Paulo Gascão para www.odiario.info)

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Obama prorroga por mais um ano as sanções do bloqueio

O presidente dos EUA Barack Obama anunciou, nesta sexta-feira (3) a prorrogação até setembro de 2011 das sanções aplicadas pela lei do "Comércio com o Inimigo", o que, na prática, significa a continuidade do bloqueio a Cuba.

Segundo informa um comunicado de governo, Obama enviou um memorando à secretária de Estado Hillay Clinton e ao titular do Tesouro Timothy Geithner, em que afirma que "a continuidade, por mais um ano, destas medidas referentes a Cuba são convenientes aos interesses nacionais do Estados Unidos".

A renovação desta lei, que proíbe as empresas norte-americanas de fazer negócios com a ilha, já é uma rotina entre os mandatários da Casa Branca, que sempre a prorrogam anualmente.

O objetivo de tal ato, desde que esta lei entrou em vigor por imposição há mais de meio século, é forçar uma mudança política do regime socialista cubano, buscando submeter a população de Cuba à fome e às doenças.

A lei contra o "Comércio com o Inimigo" data de 1917 e foi aprovada quando os EUA entraram na Primeira Guerra Mundial. Hoje, porém, Cuba é o único país do mundo sujeito às tais sanções, depois que, em 2008, o então presidente George W. Bush decidiu não renovar a lei em relação à Coreia do Norte.

A renovação da ordem é mais do mesmo, pois os presidentes anteriores já tinham feito a anul prorrogação sem cerimônias, assim Obama prossegue, sem mudanças, na mesma linha.

A última extensão expirava no dia 14 de setembro, mas agora o prazo para a "data final" do bloqueio foi postergada para o mesmo dia em 2011, ato repetitivo das últimas administrações.

Esta lei foi usada pelo governo de John Kennedy para impor uma guerra econômica contra Cuba que perdura até hoje.

Durante o encerramento da sessão ordinária da Assembleia Nacional do Poder Popular, em 1.º de agosto, o presidente cubano Raúl Castro advertiu que 'é certo que existe menos retórica e se celebram, ocasionalmente, conversações bilaterais sobre temas específicos e limitados com os EUA'.

'Mas, na realidade, o bloqueio continua sendo aplicado fielmente e nós seguiremos agindo com serenidade e paciência, que aprendemos em mais de meio século", observou o dirigente.

Da redação, com informações de Cuba Debate

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