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eltheatro.com
ANO V

 

Ha 40 anos morria o revolucionário socialista Ernesto Guevara, ou simplesmente “Che”. Para prestar-lhe uma homenagem, estou postando a gravura acima. Seu rosto, pintado com tinta vermelha, representa seu próprio sangue derramado na luta contra o imperialismo norte-americano. Mesmo que alguns tentem distorcer sua imagem, Che Guevara ainda representa o inconformismo, as injustiças deste mundo, independente de concepções políticas e ideológicas.

fonte - renatoartes.wordpress.com

Quarenta Anos do Assassinato do Che


“No momento em que for necessário, estarei disposto a entregar a minha vida pela liberdade de qualquer um dos países da América Latina, sem pedir nada a ninguém…”
Che Guevara

Não poderíamos deixar lembrar o grande revolucionário assassinado por bandidos da C.I.A. norte americana há quarenta anos, principalmente num momento em que o país responsável pela morte de milhões de seres humanos insinua-se contra o Brasil, com a pretensa desculpa de querer salvar a nossa Amazônia. "Um lado negro do líder revolucionário Ernesto Che Guevara está sendo exposto em novas biografias que, baseadas em depoimentos de pessoas que conviveram com ele, destoam das memórias enaltecedoras que marcam as comemorações dos 40 anos da morte do guerrilheiro." Autor de Che Guevara, uma vida revolucionária, o escritor americano Jon Lee Anderson retrata o guerrilheiro como um homem egocêntrico e arrogante. Só podia ser coisa da parte de imperialista americano. (E.N.)

Estátua de bronze marca 80 anos do nascimento de Che

Uma escultura de bronze de quatro metros de Che Guevara foi inaugurada neste sábado em Rosario, Argentina, cidade natal de Che, para marcar os 80 anos do nascimento do revolucionário.

Segundo o correspondente da BBC na Argentina Max Seitz, o monumento é a primeira estátua de corpo inteiro de Che instalada em um espaço público no país.

A estátua foi criada pelo artista plástico argentino Andrés Zerneri, que a idealizou como um projeto coletivo. Cerca de 15 mil pessoas de todo o país doaram chaves e pequenos objetos de bronze para a obra de três toneladas e meia.

A escultura mostra Che de pé, com uniforme e boina, e a cabeça levemente virada sobre o ombro direito, reproduzindo a expressão desafiadora retratada pelo fotógrafo cubano Alberto Korda.

Milhares de pessoas participaram da cerimônia.

Entre elas, a filha de Che, Aleida, que viajou de Cuba para participar do evento.

"Para mim, o mais importante são que os jovens estejam aqui. Transformar suas idéias em ações práticas todos os dias, isso faz com que meu pai siga vivendo entre nós", disse.

A inauguração da estátua foi o ponto culminante de três dias de celebrações na cidade pelos 80 anos do nascimento de Che.

Che Guevara nasceu em Rosario no dia 14 de junho de 1928, às 17h, como mostra a certidão de nascimento vista pela reportagem da BBC.

Mas ele viveu pouco tempo na cidade. Quando tinha pouco mais de um ano, sua família se mudou para Buenos Aires.

Che sempre disse que seu nascimento em Rosario foi por acaso, já que a família costumava se locomover de um lugar a outro do país a negócios.

No entanto, o revolucionário nunca abandonaria sua afeição pelo clube de futebol Rosario Central.

08 de outubro, 2007 - 11h25 GMT (08h25 Brasília)

Marcia Carmo
De Buenos Aires

 

Mídia argentina marca 40 anos de morte de Che

A mídia argentina deu grande destaque aos 40 anos da morte de um de seus mais ilustres filhos, o líder revolucionário Che Guevarra.

Cinqüenta e quatro anos depois que partiu de Buenos Aires para percorrer a América Latina, o Clarín reconstruiu a trajetória que Che fez com seu amigo de aventura Carlos “Calica” Ferrer, agora com 78 anos.

O jornal La Nación contou, por sua vez, que o mito é considerado santo – “San Ernesto” – no lugar onde ele morreu, entre La Higuera e Vallegrande, na Bolívia.

No mesmo jornal, o jornalista Pablo Mendelevich escreveu que Che Guevara ainda desperta “amor e ódio”, 40 anos depois. Já o jornal Pagina 12 lamentou, num artigo, que o ex-revolucionário, defensor dos mais pobres, esteja melhor retratado nas diferentes biografias do que nas telas do cinema.

“Até agora, a melhor tentativa foi Diários de Motocicleta”, escreveram em referência ao filme de Walter Moreira Salles. O filme conta a primeira viagem de Guevara, então acompanhado por seu amigo Alberto Granado. Dois anos depois, ele voltaria para a estrada com Calica, como reproduz o jornal Clarín.

O jornal dominical Perfil distribuiu em DVD o documentário Os últimos dias de Che, exibido pelo History Channel e apresentado pelo jornalista argentino Jorge Lanata.

Personagem político

Numa pesquisa de opinião realizada mês passado no programa de televisão El Gen argentino do canal Telefê, Che foi eleito como o principal personagem político da Argentina no século 20.

Com 59,8% dos votos, ele superou até mesmo a também legendária Evita Perón, mulher do ex-presidente Juan Domingo Perón, criador do peronismo. O programa é assistido principalmente por espectadores jovens.

Os argentinos aproveitaram a data para discutir a 'nacionalidade' de Ernesto Che Guevara, que é visto como cubano pelos cubanos e como argentino pelos argentinos.

“Na esquerda argentina, preferem presentear Che a Cuba. Uma forma de coincidir com Fidel Castro do uso do Che como forma propaganda política”, disse o historiador e psicanalista argentino Pacho O'Donnell, autor de Vida por um mundo melhor, uma biografia do Che.

Já a direita argentina, interpretou, acha que o ex-guerrilheiro é um “inimigo” e politicamente “indigesto”. A biografia escrita por O'Donnell narra os 39 anos de vida do médico que saiu da Argentina, com pouco mais de 20 anos, para percorrer a América Latina.

O historiador é também autor do documentário que foi distribuído neste domingo pelo jornal Clarín. O diário ainda dedicou suplementos especiais sobre a “viagem em que Ernesto se transformou em Che”.

Amor e ódio

Na Argentina, onde nasceu, e no resto do mundo, Che Guevara simboliza a “ética” e o “ideal” e por isso seu rosto está nos cartazes das diferentes manifestações do planeta, observou o O'Donnell.

“As pessoas, principalmente os mais jovens, não aderem a Che Guevara por suas idéias políticas ou porque coincidam com seu marxismo ou sua idéia da luta armada como via de enfrentamento ao capitalismo. As pessoas aderem a Che Guevara porque ele representa o princípio da ética, da honestidade e a convicção de que se pode dar a vida por um ideal”, disse o especialista à BBC Brasil.

Para O'Donnell, a imagem de Che vem ganhando mais força, nos últimos tempos, à medida que a sociedade percebe que o ex-revolucionário simboliza “o oposto” da globalização, do pensamento único e da “permissão” a atitudes nem sempre idôneas de diferentes setores.

“E Che está nos cartazes de qualquer lugar do mundo, seja nos protestos por direitos humanos, por melhores salários ou por melhores condições de vida”, ressalta.

“Mas é preciso resgatá-lo como argentino”, sugeriu O'Donnell.

07 de outubro, 2007 - 09h54 GMT (06h54 Brasília)

Stephanie Holmes

 

Foto icônica de Che é usada para vender sorvete e cigarro

Ela talvez seja a imagem mais reproduzida, reciclada e copiada do século 20.

Che Guevara, os olhos emoldurados por grossas sobrancelhas, a boina com uma única estrela sobre o cabelo despenteado, o olhar desviado da foto com uma intensidade austera.

Já faz 40 anos que o rebelde argentino foi morto a tiros, logo qualquer jovem radical que tenha torcido por suas lutas revolucionárias em Cuba e na Bolívia já entrou na meia idade há tempos.

Mas a imagem foi repetida infinitas vezes - estampada em camisetas e pichada nas paredes, transformada em arte pop e usada para embrulhar sorvetes e vender cigarros - e seu apelo não desbotou.

"Não há outra imagem igual. Que outra imagem se sustentou dessa maneira?", pergunta Trisha Ziff, curadora de uma exibição itinerante sobre a iconografia de Che.

"Che Guevara virou uma marca. E o logotipo da marca é essa imagem, que representa mudança. Ela se tornou o ícone do pensamento independente, seja no nível que for - anti-guerra, pró-verde ou anti-globalização", diz ela.

Sua presença - que vai dos muros dos territórios palestinos às butiques parisienses - faz dela uma imagem que está "fora de controle", diz Ziff.

"Ela se transformou numa corporação, um império, a essa altura."

A proliferação da imagem - baseada em uma fotografia tirada por Alberto Korda em 1960 - aconteceu, em parte, devido a uma escolha política de Korda e outros de não cobrar pelo uso não-comercial da imagem.

Nascimento de um ícone

Jim Fitzpatrick, que produziu o onipresente desenho em contraste no fim dos anos 60, quando era um jovem artista gráfico, disse à BBC que ele queria que sua arte fosse disseminada.

"Eu deliberadamente o criei (o desenho) para que se reproduzisse como os coelhos", diz ele.

"A forma como o mataram, não haveria nenhum memorial, nenhum local de peregrinação, nada. Eu estava determinado que aquela imagem receberia a maior circulação possível", explica Fitzpatrick.

"A imagem dele nunca morrerá, seu nome nunca morrerá."

Para Ziff, o assassinato de Che Guevara também marca o início da imagem mítica.

"O nascimento da imagem acontece na morte de Che, em outubro de 1967", diz ela.

"Ele era bonito, ele era jovem, mas mais do que isso, ele morreu por seus ideais, então ele automaticamente se transforma num ícone."

História

Alberto Korda captou a famosa imagem no dia 5 de março de 1960, durante um funeral em massa em Havana.

Um dia antes, um navio de carga francês cheio de munição explodiu no porto da cidade matando cerca de 80 cubanos, num ato que Fidel Castro atribuiu aos americanos.

Korda, o fotógrafo oficial de Castro, descreve a expressão de Che na foto, que ele intitulou "Guerrilheiro Heróico", como "encabronado y dolente", ou zangado e triste.

Duas fotos foram tiradas naquele momento. A primeira incluía a folhagem de palmeiras e um homem virado para Che, ambos cortados na seqüência.

Sem ser publicada por um ano, a foto só era vista por aqueles que passavam pelo estúdio de Korda, onde ela ficava pendurada na parede.

Cartazes

O homem que levou a imagem de Che para a Europa foi o intelectual italiano Giangiacomo Feltrinelli, que distribuiu cartazes com a foto pela Itália em 1967.

Depois disso, a fotografia de Korda apareceu em diversas revistas. Foi numa publicação alemã que Fitzpatrick viu a imagem pela primeira vez.

Depois da morte de Che, o artista imprimiu cópias e cópias do desenho que havia criado e as enviou para grupo de ativistas políticos por toda Europa.

Com a passagem do tempo, o significado e o homem representados na imagem se perderam de seu contexto, diz Ziff.

O rosto de Che começou a ser usado como decoração de produtos, de lenços a lingerie. A Unilever até criou uma versão "Che" do picolé Magnum na Austrália, com sabor de cereja e goiaba.

"Há uma teoria de que a imagem só pode existir por um certo tempo até que o capitalismo se aproprie dela. Mas o capitalismo só quer se apropriar de imagens que guardem um certo senso de perigo", diz a curadora de arte.

Na América Latina, no entanto, o rosto de Che continua sendo símbolo da revolução armada, segundo Ziff.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, usa com freqüência uma camiseta com a imagem estampada e há relatos de que Evo Morales, da Bolívia, presenteia visitantes com uma versão da foto feita com folhas de coca.

Combinando capitalismo e comércio, religião e revolução, para Ziff, o ícone segue absoluto.

"Não há outra imagem que chegue perto de nos levar a lugares tão diferentes."

07 de outubro, 2007 - 09h56 GMT (06h56 Brasília)


'Me sinto orgulhosa de ser sua filha', diz Aleida Guevara

O lendário revolucionário Che Guevara costuma ser visto como um lutador social, mas pouco se sabe sobre sua vida familiar.

Durante uma visita a Cuba, em 2006, o repórter Fernán González, da BBC Mundo, conversou no Centro de Estudos Che Guevara, de Havana, com Aleida Guevara March, uma das filhas de Che.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

BBC - Como você se lembra de seu pai?

Aleida Guevara March - Tenho muito poucas lembranças. Realmente cuido delas, as protejo. O que acontece é que se alguém fica repetindo as coisas, é como se perdessem sua magia, essas coisas lindas que um dia quero contar aos meus netos, quando os tiver. E isso, para um filho, é importantíssimo.

O seu pai pode não estar presente na sua educação, sua formação como ser humano. No entanto, minha mãe, que nos amou extraordinariamente, fez com que o sentíssemos aqui, ao nosso lado, o tempo todo.

BBC - Como você viveu a ausência dele?

Aleida - Quando estávamos crescendo, quando já era adolescente, um dia me perguntei por que amo meu pai, já que o amor dos pais não é imposto - não é porque você é meu pai que vou gostar de você. Você precisa ganhar este afeto do filho, o respeito de seu filho.

Meu pai não teve tempo de fazê-lo pessoalmente. Então eu disse, "bom, por que gosto dele". Comecei a puxar pela memória. Comecei a buscar imagens que tinha de relações com papai e me dei conta de que esse homem havia me amado. Quando alguém recebe amor, devolve.

Depois, comecei a estudar papai, como era como ser humano, e todos os dias me sinto muito orgulhosa de ser sua filha.

BBC - Que idade você tinha quando seu pai foi lutar na Bolívia?

Aleida - Ele foi primeiro ao Congo. Eu tinha quatro anos e meio. Nunca mais voltamos a vê-lo como era. Ele voltou clandestinamente a Cuba. Pediu autorização a Fidel, já que já havia se despedido publicamente do povo cubano. Fidel permitiu tudo.

BBC - Você o viu quando ele voltou?

Aleida - Eu o vi já transformado. Ele voltou. Aqui passou por um sério trabalho de transformação para poder entrar depois na Bolívia. Quando ele estava pronto para sair, então fomos comer com um amigo de meu pai. Foi fantástico, foi um encontro lindíssimo.

Essa noite, desgraçadamente, caí, bati com a cabeça, nós tínhamos acabado de jantar. Meu pai me pegou nos braços, me tocou de uma maneira muito especial a ponto de eu dizer para minha mãe imediatamente: "Acho que este homem está apaixonado por mim".

Eu tinha cinco anos nesta época. Esse homem me protegeu de maneira muito especial. Na época negaram que ele fosse meu pai, então, só me restava acreditar que ele estava apaixonado por mim. E foi lindo, muito emocionante porque, talvez, ele quisesse expressar como me amava.

BBC - Depois veio o momento difícil em que você foi informada sobre a morte dele, na Bolívia. Como foi isso para você?

Aleida - Nunca me deram a notícia assim, "seu pai morreu". Nunca me lembro disso. Lembro de minha mãe chorando e lendo a carta de despedida e aí entendi que nunca mais ia ter meu pai. É um sentimento muito difícil para uma criança pequena aceitar esta realidade.

Depois senti falta dele. Senti falta de meu pai porque na escola as meninas contavam coisas de seus pais, das relações com seus pais, e eu não podia. Então, busquei outra figura para substituí-lo, e ao pobre Fidel coube o trabalho.

BBC - Seu pai se converteu em um dos ícones deste tempo. O que você sente quando vê um jovem norueguês, espanhol ou turco com a imagem de Che Guevara?

Aleida - Às vezes me dá vontade de rir. Penso nele. Um dia ele estava em casa - isso me contou uma amiga de minha mãe - e havia muitos jovens que tinham vindo de uma zona rural do país e estudavam com bolsas. Eles sabiam que meu pai passaria por ali e quando iam almoçar ou comer, diziam: "Faca, colher, que viva Che Guevara" (que, em espanhol, rima).

Meu pai, quando ouvia, morria de rir, dizia "que bobagem". Era uma coisa engraçada para ele. Penso o mesmo quando vejo uma imagem de papai reproduzida em milhares e milhares de camisetas usadas por jovens. Penso o que diria este homem ao ver-se assim.

BBC - E o que você pensa da globalização de sua imagem?

Aleida - Meu pai é de origem argentina, lutou no Congo, se desenvolveu em Cuba, morreu na Bolívia. E na Índia, um lugar tão longe, no Japão, há um respeito e uma admiração extraordinária por sua figura.

Então você diz, esses são os homens que demonstram que a morte não é determinante, não é absoluta quando se consegue fazer bem a obra da vida, como dizia Martí.

Quando você fez o melhor como ser humano, continua assim, relacionado a essa gente. A gente não gosta quando vê a imagem de meu pai em um jeans, nas nádegas, no bumbum de uma pessoa.

Mas a gente gosta de vê-la quando está em combate, em ação, no peito de jovens que as vezes não sabem nem quem era esse homem mas, de alguma maneira, poderão ir buscando informações e se perguntar "por que o usamos?". Isso será positivo. Simplesmente responder essas perguntas será positivo.

BBC - No entanto há aqueles que dizem que é incongruente o ideário de Che com o mercantilismo de sua imagem.

Aleida - Nós, por exemplo, quando o vimos em uma ótica alemã, em Berlim, numa propaganda de óculos... é uma falta de respeito total a sua figura, a sua ideologia. Quando um estilista de origem brasileira que mora em Nova York organiza um desfile de roupa íntima com a imagem de meu pai (referência a um biquíni criado pela Cia. Marítima), para a gente parece uma falta de respeito absoluta.

Infelizmente, no mundo capitalista em que vivemos sempre vai haver um vivaldino que vai se aproveitar deste amor, deste culto, deste respeito, para explorar as pessoas e arrancar dinheiro. É assim.

Quando esta imagem se explora do ponto de vista social, quando vai para uma causa justa, a gente não se importa. Ao contrário, nos parece muito bom, mas quando está nas mãos desses senhores capitalistas que somente buscam enriquecer, explorando uma figura como a dele, não vamos estar de acordo.

FONTE: BBC Brasil.com