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É doce morrer no mar
nas ondas verdes do mar...

Dorival Caymmi
(Salvador,
30 de abril de
1914 —
Rio de Janeiro,
16 de agosto de
2008) foi um
cantor,
compositor,
pintor e
ator
brasileiro. Compôs sobre os
hábitos, costumes e as tradições do povo baiano[1].
Tendo como forte influência a música negra, desenvolveu um
estilo pessoal de compor e cantar, demonstrando
espontaneidade nos
versos, sensualidade e riqueza
melódica. Morreu em 16 de agosto de 2008, aos 94 anos, em
casa, às seis horas da manhã, por conta de
insuficiência renal e falência
múltipla dos orgãos em consequência de um câncer renal que
possuia há 9 anos.[2].
Permanecia em internação domiciliar desde
dezembro de 2007.
Poeta
popular, compôs obras como Marina, Modinha para Gabriela,
Maracangalha, Saudade de Itapuã, O Dengo que a Nega Tem,
Rosa Morena. Filho de Durval Henrique Caymmi e Aurelina
Soares Caymmi, era casado com Adelaide Tostes, a cantora
Stella Maris. Todos os seus três filhos são também cantores:
Dori Caymmi,
Danilo Caymmi e
Nana Caymmi[1].

"Caymmi pode ser considerado um orixá, deixou
muita sabedoria", disse o compositor João Bosco, um dos
músicos presentes ao enterro, ao lado de Gilberto Gil,
Ronaldo Bastos, Jards Macalé, Marcos Valle, Jorge Mautner e
Fagner. "Acho que ninguém cantará a Bahia tão bem quanto
Dorival. Ele a cantou com maestria em sua essência",
comentou Gil, ex-ministro da Cultura. Caymmi foi enterrado
em local próximo ao jazigo de Carmem Miranda, que tornou
famosa sua canção O que que a baiana tem?
O corpo do compositor Dorival Caymmi havia
deixado a Câmara Municipal do Rio de Janeiro por volta das
14h45 deste domingo, 17. Ele foi aplaudido enquanto o caixão
era transportado por filhos e amigos na descida da escada da
Câmara. Caymmi morreu no sábado, 16, aos 94 anos, em sua
casa, em razão de complicações de um câncer renal descoberto
em 1999. Nesse mesmo ano, ele teve um rim retirado. Na
segunda-feira, seu estado de saúde piorou.
Colocado no alto de um carro do Corpo de
Bombeiros, com coroas de flores, o caixão foi coberto com as
bandeiras do Brasil, da Mangueira, do Flamengo e da Bahia.
Enquanto aguardava a saída do carro com o corpo do pai, a
cantora Nana Caymmi chorou e depois cantou baixinho, do alto
da escadaria, a música Adeus, que Dorival compôs quando
tinha 18 anos. Ela estava amparada pelo governador do Rio de
Janeiro, Sérgio Cabral, com quem conversou. Ao lado de Nana
estava também o governador da Bahia, Jacques Wagner. Cabral
contou que era amigo da família e que lembrava de Dorival
dizendo que o conheceu "no estojo", ou seja, na barriga da
mãe dele. "Era uma pessoa muito suave, como nas músicas
dele".
"Caymmi foi sem dúvida um dos maiores compositores do mundo
e do Brasil, do time de Noel Rosa e Ary Barroso", disse
Cabral. De acordo com ele, Caymmi foi o precursor de uma
integração das culturas da Bahia e do Rio, de artistas
baianos que escolheram o Rio para morar, como Caetano
Veloso, Gilberto Gil e João Gilberto. Para o governador, que
decretou luto de três dias no Rio pela morte de Caymmi, o
compositor será objeto de muitas homenagens ainda no Brasil.
O pai do governador, o jornalista e crítico
de música Sérgio Cabral, exaltou a originalidade de Caymmi e
registrou que ele preferia a qualidade à quantidade na
produção musical. "Mas ele foi tão importante que foi além
da música. Foi um grande brasileiro", afirmou.
O filho mais velho de Dorival, Dori Caymmi,
também exaltou o pai como "um dos melhores brasileiros" que
conheceu. Ele se declarou "completamente arrasado" e lembrou
que sua mãe está internada em unidade de terapia intensiva
(UTI) hospitalar em um desabafo emocionado à imprensa sobre
Caymmi e ao mesmo tempo crítico à corrupção no Brasil.
"Ter sido educado por essa coisa tão despojada de ambição,
tão cheia de amor, tão mulherengo, tão criativo, tão
acreditando que este país é o país, sem até tempo para se
decepcionar com as grandes falcatruas que acontecem... Ter
sido educado por este homem me fez tão bem, me faz tão mal",
disse Dori. "Mas eu dentro da minha incapacidade de ser tão
grande, queria que ele me levasse em vez de eu levar ele",
afirmou. Para Dori, "este País não podia perder Caymmi,
Jorge Amado, Ary Barroso, Guimarães Rosa".
?

Como bom baiano, Caymmi não morreu. Foi tirar uma soneca...
(Com Talita Figueiredo, de O Estado de S.
Paulo)
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