Eilzo Matos
INVEJA, FRUSTRAÇÃO, COMPLEXO OU RECALQUE - O CASO HILTINHO,
DINHO, JOÃO ALMEIDA E OS ESPÍRITOS IMUNDOS
Imaginem a dolorosa inveja, que a vitória
eleitoral do negro Barack Obama, terá despertado em alguns
fracos de caráter, co-rações cheios de cobiça, que talvez
protestem hoje nos EUA, inconformados com a derrota!
Aconteceu aqui em João Pessoa. Lá uma
hipótese, aqui uma realidade. Lá seriam os brancos; aqui,
verdadeiramente, concre-tamente, são pessoas
preconceituosas: os endinheirados e os que se julgam
íntimos ou donos do poder (Hiltinho, Dinho e João
Almeida). Estes assumem na Paraíba, o seu papel.
Como cristãos que somos no Brasil, em
absoluta maioria, vale a penas recorrer a ensinamentos
bíblicos para comentar este caso vergonhoso (e também
criminoso), que explodiu em João Pessoa: a aventura diria
funambulesca, dos jovens citados acima, derrotados nas
últimas eleições municipais.
Tião Lucena no seu visitadíssimo blog,
deixou claros os lances da perfídia: companheiros de
partido político e também candidatos se mancomunaram.
Subornaram pessoas humildes, forneceram transporte e
alimentação, expondo-as às penas da lei, para formar prova
contra um vereador eleito, anular a sua eleição proclamada
pela Justiça Eleitoral, sem que fosse interposto
for-malmente qualquer recurso jurídico legal.
Preferiram a chicana, a perfídia.
Bastava-lhes a denunciação caluniosa, a
articulação de prá-ticas imorais de forjar situações, que
conhecem bem, como de-monstraram. A sua força, o seu
poder, alardearam, estavam na sua condição de filho de
desembargador, amigo do prefeito eleito, etc. A imprensa
paraibana, cumprindo o seu papel de informar, co-mentou o
fato no rádio, na tv, nos jornais, na internet.
* *
A inveja sempre foi um grave problema no
relacionamento humano. Ela é definida como um sentimento
de profundo pesar pelo sucesso alheio.
Muitos não se importam com a inveja de seus
adversários e a ignoram por completo, enquanto outros se
preocupam, e muito, com esse sentimento, porque sabem que,
por trás dele, há forças malignas estimulando disputas.
Realmente, a inveja parece ser quase inofensiva, mas seus
frutos são cruéis a ponto de conduzir suas vítimas ao
extremo.
A Bíblia fala sobre a inveja muito mais do
que se imagina, quer direta ou indiretamente. O primeiro
caso aconteceu logo no princípio da humanidade, entre os
dois primeiros filhos de Adão e Eva: Caim e Abel. Mas o
fato é que o texto mostra claramente, que há sempre um
espírito imundo por trás da inveja, espírito este que
induz a pessoa a tomar atitudes contra a pessoa invejada.
A sabedoria de Deus revelada na
Bíblia, ensina nos Provérbios que os maus não ficarão
impunes; mas a descendência dos justos triunfará. É
preciso que a Justiça e os seus organismos auxiliares, não
se deixem intimidar. Assim espera a sociedade.
(10-11-2008)
CHEGOU A HORA DE
DESMASCARAR RICARDO
(I)
Cometi os meus enganos e
alguns erros ao longo de minha vida, que atravessa já
setenta e quatro anos.
Tenho os meus defeitos,
Quem não os tem? E também um ideal de justiça e liberdade.
Vale, entretanto, lembrar o fulminante desafio de Jesus
Cristo aos fariseus: “Quem não tiver culpa atire a primeira
pedra!” É o caso de Ricardo Coutinho, que o consideram
isento e puro. Nem Deus pode com ele, sustenta a mídia do
jabá.
Mas quero deixar claro,
que, as falcatruas praticadas por ele e pelos políticos que
formaram o arco da “coligação cano de esgoto” que o
consagrou eleitoralmente, que abarcou e serviu de escoadouro
para os detritos morais da política paraibana, devem ser
explicadas ao povo, perante a história. E o farei em breves
comentários, que divulgarei a partir de hoje no meu blog
eilzomatos.zip.net e autorizo a sua reprodução integral ou
parcial.
O caso de Ricardo Coutinho não é de erros eventuais que se
praticam no dia a dia da administração ─ fatos inevitáveis e
de fácil correção, quando o individuo submete-se
democraticamente à discussão sobre a repercussão social de
tal procedimento.
Não é o caso
dele, repito.
O seu caso é de transtorno
da personalidade, patologia psicológica que o transforma
numa ameaça à sociedade, no dragão do mal. (Pois não é um
mal paparicar Manaira e jogar esgotos podres nas ruas
pobres?) E ainda por cima, comprar aplausos com dinheiro
público!
Existiram e existem como
ele, personalidades escabrosas na história ocidental ─ para
nos limitarmos ao mundo que nos diz respeito mais de perto
─, cujo caráter e conduta ele reproduz. Eram divinos,
amados. Exemplifico: Nero, Hitler, Fujimori, entre centenas
de tarados políticos, que torturaram milhões de cidadãos e
cometeram crimes lesa pátria, condenando-os à miséria
coletiva, à humilhação do Estado Nacional à sua
desmoralização perante a história.
Mas escuto que a
traiçoeira e subserviente classe média, apressa-se e grita,
que Ricardo “ama João Pessoa” e lhe deu grandeza.
(Previna-se “Mago”).
Duvido que alguém tenha
amado a Alemanha mais do que Hitler, os peruanos mais do que
Fujimori, os romanos mais do que Nero. A História assinala,
entretanto, o terrível e doloroso desastre que consumou a
ação de cada um como gestores pú-blicos. Vale a pena
refletir sobre esta afirmação.
Afinal, o que faz João
Pessoa, no cenário paraibano, grande e bela como nenhuma
outra cidade? Comecemos a enquete, res-pondendo de imediato
cada questão.
1 ─ O mar? A localização
geográfica como mais adentrado ponto oriental do continente
no oceano Atlântico? ─ Com certeza. Mas uma criação de Deus
e da natureza.
2 ─ O destaque cantado nos
“Diálogos das Grandezas do Brasil”? ─ Certamente. Bandônio
e Alviano celebraram a beleza e riqueza da fauna e da flora,
dos costumes que destacaram a velha capitania entre as
demais. O escrito de Ambrósio Fernandes Brandão, data de
séculos.
3 ─ A Mata do Buraquinho?
─ Certamente. Mas vem da criação do mundo. E a luta pela sua
preservação, pude tes-temunhar, no Plenário da Assembléia
Legislativa da Paraíba, na Década Setenta do século passado,
em veementes pronuncia-mentos dos deputados Américo Maia,
José Fernandes de Lima, Atêncio Wanderley, entre outros.
Muitos podem achar o
contrário, que deixar de incluir Ricardo Coutinho na criação
do mar, da Ponta do Cabo Branco, da Mata do Buraquinho, da
tradição histórica paraibana, é puro despeito meu. Mas numa
série de pequenos comentários que divulguei através da
internet, e farei outra vez neste blog, afirmei e repito que
o prefeito Ricardo Coutinho é uma monstruosa fraude aplicada
na prática eleitoral da história da nossa Paraíba.
Vai dar para conferir. Só peço a Deus que me
dê vida e tempo livre pela frente.
Reitero o meu respeito aos
paraibanos. Sem jabá. ...............
............... Sertão.
Confluência Peixe/Piranhas/Piancó. 31/10/2008
A
GLÂNDULA PINEAL DO URUBU ─ VIAGEM PICARESCA DA MEMÓRIA
ATRAVÉS DA ENCICLOPÉDIA BRITÂNICA 15ª Edição
Tinha de dar no que deu. Conversa com gente, quase sempre é
perda de tempo. Assim achava Evandro Nóbrega, e dialogava
com os livros, solitário, como do seu feitio. Passei muito
tempo sem saber de sua vida, e agora descubro-o autor de um
livro. E que livro!
Evandro é militante da multimídia, do hardware, do software,
em tempo integral. Discípulo dos Enciclopedistas (ainda
mestres do pensamento), acredito; embora se diga cético,
conduz-se conforme a razão. E nada mais racional nestes dias
atuais, que a rapidez da informática, dos computadores.
A “interatividade”
é um aspecto da tensão dialética entre o conhecimento e o
tempo. Os computadores, todavia, não inventam, não criam:
descobrem e encaminham ra-ciocínios. A “realidade virtual”
não “recria”. Responde e informa no circuito da mesma
realidade. Não adianta recorrer a opções contrárias à
racionalidade, que é o fluir natural do indivíduo na
história, a “irrupção do infinito no finito” (Spinosa).
Seria “improgramável” semelhante pro-cedimento. “A razão
governa o mundo... e é somente na superfície que reina o
jogo dos acasos irracionais... restabelece a ordem quando a
história parece absurda e sem sentido” (Hegel).
Homem dado ao estudo, ao aprendizado de tudo o que disseram
ou dizem, pensaram ou pensam, ao longo dos tempos, até o
“politicamente correto/incorreto” atual - que não exprime
um valor social relevante, mas intuo que trata de
compromissos e descompromissos salafrários dos jor-nais,
revistas, tevês e congêneres –, daí nasceu a sua tese
enciclopedista-literária sobre o “terceiro olho”: o olho
pi-neal, o olho metafórico, o terceiro olho necessário aos
que têm dois e não querem enxergar.
E verdade que, em virtude dessa situação fronteiriça entre a
fonte impura do jornalismo no “usar informação de amigo”,
não optar simplesmente por “mentir” e a literatura – para
a desgraça desta, quantas vezes –, nasceu o livro
revelação-denúncia de Evandro Nóbrega, obedecendo,
entretanto, a procedimentos e padrões da arte literária.
Afinal de contas as nossas raízes são ibéricas, se bem que
portuguesas, com a inevitável vizinhança espanhola invadindo
os nossos ouvidos. Destarte o aproveitamento de elementos
típicos que encarnam o ardil, a astúcia, a vi-garice, nas
nossas narrativas mais exemplares, recolhendo entre
libertinos, jactanciosos, pícaros e estelionatários,
mo-mentos vivos e propícios ao humorismo, filosóficos na sua
essência. É a reação que se impõe ao temor em face da
opressão, à contestação de idéias e conceitos impostos
contra a equidade.
O “burgês fidalgo” admirou-se ao descobrir que falava em
“prosa”, forma de expressão literária que certamente o
destacaria entre os homens. Do mesmo jeito os teorizadores
recorreram aos declamadores ambulantes da Grécia Antiga,
para classificarem certas obras musicais de Tomaschek, Lizt,
Brahms como “rapsódias”, o que levou os estudiosos
brasileiros a enquadrarem no modelo, por extensão, a genial
narativa de Mário de Andrade “Macunaíma”.
As regras, pois, existem. Que dizer de “A Pedra do Reino”,
“O Nome da Rosa”, das “Aventuras de Pedro Malazartes” e
sobre os inventores Mário, Eco, Ariano e José Vieira? Nesse
time joga muito bem Evandro Nóbrega, com as suas memórias de
repórter-aprendiz, elevando-se à massiva e compacta erudição
da “Encilopaedia Britanica 15ª Edição”.
Se tudo é genialidade ou velhacaria no livro, desde a
ciência mais legítima aos personagens mais reais, a exemplo
da “oquidade da terra” (certamente da matéria) admitida por
cientistas do III Reich e pelo Conde Ale-xandre, que dizer
de reencarnações através dos séculos, sem “elevação ou
purificação”, ditando a mesma e incorrigível conduta do
“veraz” Arnald Tavaritch; do “frenologista” Guedes Neonatus
no aprofundamento de pesquisas sobre o Ponto G, determinante
do maior prazer sexual entre as mulheres; do “potente” Satie
Hernán , no seu poema “olhar de lince”, acompanhando o vôo
de um “coragyps atratus foetens”, dos céus dos
Patins-do-Majó-Migué até as pro-ximidades de Pombal!!
O húngaro Georg Lukács, com a inteligência dos ciganos,
ensinou aos sabidos da literatura que “toda obra de arte
autêntica obedece e amplia ao mesmo tempo, as leis do seu
próprio gênero.”
Acho que a partir de Cervantes até Evandro, tal regra
mostra-se verdadeira. O Conde Alexandre, como o Quixote,
como Quaderna e os seus séquitos, os desejos e as denuncias
novelosas, são páginas da literatura, e como tal, reflexos
estéticos da luta entre o novo e o velho. Acusa-a sabiamente
o terceiro olho, hoje mais do que nunca necessá-rio, para
esclarecer as nuanças (patifarias) libe-ralizantes,
globalizantes no mundo governado pelo famoso predador G7
(grupo dos sete países mais ricos na sociedade
internacional), do qual temos o mais venal de seus agentes
no nosso país, o presidente Fernando Henrique Cardoso.
Desse ponto de vista, vê-se a desnecessidade de ajustamentos
ao modelo novela/romance/reportagem, do de-licioso e
auspicioso relato/narrativa/memória, enfim rapsódia, dos
fatos do nosso povo nordestino, nas peripécias
ro-cambolescas do Conde Alexandre e do Foca Aprendiz,
conforme manda a literatura imaginativa na opinião de
muitos, talvez de poucos.
Vale uma indagação para terminar: Evandro é mais Cervantes?
Evandro é mais do que outros famosos narra-dores pícaros,
visto cada um isoladamente ou no conjunto de sua obra?
Responderei: Evandro, eu acho, é a plurali-dade na unidade:
é cosmos, é construção.
Os escritores, no caso, os
que relatam a vida, espantam-se frequentemente com achegas
críticas de qualquer natureza que visam a sua obra. O caso
é que a teoria nem sempre informa corretamente a prática.
Sensibilidade, posições políticas, filosó-ficas, resíduos
ideológicos procuram fazer valer as suas teses. De sorte
que a literatura imaginativa enfrenta o risco de chegar
aos “compêndios”, estranha aos seus autores.
Lagoa de Baixo, 1994.
CHEGOU A HORA DE AJUDAR
O PRESIDENTE LULA
O presidente Lula,
no início do seu governo, por mais de uma vez, falou da
necessidade de rever, para aperfeiçoar com urgência, a
legislação que criou as chamadas “agencias reguladoras” que
cuidam da atividade de poderosas organizações paraestatais.
Elas deveriam evitar os excessos, quer do Estado quer do
Mercado, nas suas imbricadas relações. Mas o que se vê é o
contrário.
A razão
estava do seu lado. Pena que não tenha realizado a
necessária intervenção. Esquecimento? Desinteresse de sua
base de apoio no Congresso? O cidadão, no caso os
consumidores de serviço, restam abandonados à própria sorte.
Mas ainda há tempo.
O
governador do Paraná, patrioticamente enfrentou a mídia.
Queria recuperar uma empresa estatal à beira da insolvência
(COPEL), evitar a sua privatização, porque representava o
alicerce para produzir lucros, oferecer suporte de serviços
indispensáveis ao desenvolvimento do Estado, do bem estar da
população. Em notável discurso na Assembléia Legislativa ele
afirmou:
“Nesses quatro anos, transformamos a Copel de uma empresa à
beira da quebra, deficitária, na terceira melhor empresa de
energia do mundo. E na principal empresa de energia das
Américas. De longe, a melhor empresa de energia do Brasil.
Os paranaenses pagam hoje, a menor tarifa de energia do
país; os nossos empresários têm oferta de energia barata e
abundante para o desenvolvimento de seus projetos; um milhão
de paranaenses de famílias mais pobres, recebem energia de
graça em suas casas”.
Poderíamos incluir a ENERGISA no padrão acima? Claro que
não.. Inúmeras e insistentes são as irregularidades por ela
praticadas, em prejuízo dos seus clientes. Daí a exigência
de criação e imediata instalação da “CPI da ENERGISA”, pela
nobre casa de representantes do povo paraibano.
Em
relação à atividade das empresas concessionárias da
distribuição de energia elétrica, premiadas na roleta da
privatização, aqui na Paraíba, a ENERGISA especializou-se na
prática do estelionato no relacionamento com os seus
clientes, na indisciplina quanto ao cumprimento dos seus
deveres, desde os mais simples, os menores – urbanidade, por
exemplo. Nos seus escritórios, cliente é tratado no grito.
Nas residências e nos estabelecimento privados, de
consumidores, a arrogância e a agressividade, marcam a
presença de seus prepostos. Fácil de provar em juízo.
Falo do
que sei e o povo sabe do que falo.
EMINENTES
PARLAMENTARES
Taqui um
homem que conhece a dormida dos carcarás. Proponho-me
colaborar com vossas excelências, para pegá-los no ninho,
para esclarecer o que se fizer necessário, em relação à
ENERGISA. Em todas as instâncias. Em defesa da cidadania.
Vamos falar sério. A ANEEL parece cuidar somente do
interesse dos empresários, sabemos muito bem, pois os
responsáveis pela sua gestão são figuras “batizadas”,
“carimbadas”, como dizem. Daí a preocupação de Lula. Que tal
uma leitura nos seus registros? Um ementário de suas
decisões? A verdade verdadeira é que lá não existem juízes,
mas agentes.
LEIAM COM
CUIDADO - FORA ENERGISA
Não sou jurista, esclareço, mas a pesquisa doutrinária,
legal, tornou-se fácil com a internet. E vai o começo.
Confiram por favor.Todo o Direito é relativo e dinâmico, e
por isto sempre questionável, polêmico. Mas o Direito das
Obrigações tem estas características ainda mais acentuadas.
Partindo da discussão do pacta sunt servanda, chegamos ao
rebus sic stantibus, porque trata das causas e dos efeitos
das relações jurídicas entre as pessoas, que estão em toda
parte, e as pessoas, claro, são imprevisíveis. E o Rebus Sic
Stantibus pode ser lido como "estando as coisas assim" ou
"enquanto as coisas estão assim". (domínio da arrogância, da
violência, da desobediência aos seus deveres, a prática
contumaz do estelionato, a rapinagem) da parte da ENERGISA,
a hora é chegada para revisão do contrato de concessão.
Esta é a
opinião do povo. Edmilson do Roger disse-o claramente na
audiência pública realizada na Assembléia Legislativa. Por
seu lado o agente da ANEEL limitou-se a declarar aberto
apoio á prática da ENERGISA, e a responsabilizar o Estado
pelo custo das contas pagas pelos usuários. Um desplante!
Uma vergonha!
Deriva da
fórmula contractus qui habent tractum sucessivum et
dependentium de futuro rebus sic stantibus intelliguntur.
Designa o princípio da imprevisão, segundo o qual a
ocorrência de fato imprevisto e imprevisível posterior à
celebração do contrato diferido ou de cumprimento sucessivo
implica alteração nas condições da sua execução.
(Transcrição http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=641).O
nosso lado é o lado do povo. O da Energisa é dos carcarás da
canção de João do Vale: “pega, mata, e come”.
Perguntarão. ─ E os nobres senhores deputados estão de que
lado?
Eu
respondo: ─ Do lado povo! Claro!...
........................................Sertão, Confluência
Peixe/Piranhas/Piancó16/10/2008
TIRADAS GENIAIS
O batente da
imprensa revela tiradas geniais e oportunas, dos perturbados
colunistas, repórteres, jornalistas enfim, acossados,
imprensados pela insuficiência dos seus rendimentos para
cobrir as faturas dos supermercados, e até a cobrança amiga
e individual do vendedor de frutas e verduras das feiras
populares. Deixo de lado os engravatados que “acontecem”
como dizia o saudoso Ibrahim dos anos cinqüenta, nos
coquetéis esnobes, nos restaurantes e barzinhos vips. Porque
ele existem, e sabemos que sim.
Falarei dos que freqüentam as
ruas, os fóruns e simpósios, as aglomerações populares, e na
fonte entrevistam pessoas, escutam o gemer desamparado do
povo. E eles e os seus dramas, representam nada mais nada
menos do que a constatação de Marx, assinalando que as
condições da vida material da sociedade é que determinam,
criam a sua consciência, produzem o conhecimento, influindo,
interagindo na cena diária da vida.
Temos a mídia como Quinto
Poder, observamos de início, que manda e impera. Ela mesma
integrante do poderoso Mercado, que controla opiniões do
governo e do povão, como lhe apetece, impondo de saída, aos
seus empregados, a inexorável auto-censura. Mas os chamados
terroristas das páginas lidas ou impressas (esse tipo não
desaparece, não morre porque morreria a História), encontram
sempre a deixa e passam a sua verdade, vez por outra,
brechtianamente, como gosto de completar.
Sem aprofundar a reflexão,
falarei de dois respeitáveis e respeitados comentaristas da
informação diária: Agnaldo Almeida e Luiz Torres. Todos são
respeitáveis e ilustres, mas estes, nesta ocasião,
representarão a base desorganizada.
Começo com
Agnaldo, careca, adiantado na idade (desculpe a franqueza),
que em boa hora adverte, sobre “a desordem dos famélicos,
que lembram daqueles saques nas áreas de seca braba do
Nordeste inteiro”.
Pois os jovens não sabem,
sequer, que tal existiu no passado recente: a seca e os
movimentos insurrecionais dos famintos. Serviram tais
acontecimentos, de tema para romances e poemas dramáticos
como os escreveram Graciliano Ramos, Raquel de Queiroz, João
Cabral de Melo Neto, Orlando Tejo. Estereotiparam, então,
pessoas e ambientes. Daí a conclusão natural a que chegamos:
não existiu seca, jamais. Fome e desamparo, isto sim. Agora
é a vez dos cientistas sociais e até os do mundo natural
físico e orgânico, apostarem as suas fichas.
Por seu turno, voltando ao
jornalismo, Luiz Torres, navegando on-line na internet,
critica a hipocrisia dos que falam sobre a compra de votos
por determinado candidato, nas últimas eleições. Como se os
demais se tivessem abstido de tal procedimento. E afirma que
locais de compra de votos eram encontrados em toda parte
como “ponto de venda de CD Pirata”. E estranha a blindagem
que protege certas pessoas, incluídas nas denúncias
divulgadas na TV e na imprensa falada e escrita, excluídas
depois. Chegaremos lá. Aguardem.
Concordo com Agnaldo, Luiz
Torres e Manoel Raposo. A Bolsa dos pobres não tem altas nem
baixas. “Fica sempre naquela estabilidade do nada ter” como
eles esclarecem.
Eles nos remetem, na sua
comprova competência, para a indagação do momento: existiu
ou não compra de votos nas últimas eleições? É preciso
escrever um romance, ensaiar um poema para denunciar os
envolvidos ou escondidos. Acho o tema excelente e tentarei,
com nomes conhecidos, ligeiramente mudados. Exemplifico:
Ricardo Couto em vez de Ricardo Coutinho. Cidade Pedro
Pessoa em vez de João Pessoa.
É duro reconhecer, mas é
indispensável saber. O futuro está aí, já estão falando
nele, os que compraram, compram e vão comprar votos e dizem
que não compraram nem comprarão. As mesmas conhecidas
vestais. Vêm de longe, todavia, desmascaradas na maioria da
suas incursões. E um, explica os demais. Não gastarei muitas
palavras, muito papel.
Finalizo com uma alusão ao
cientista político na moda, Norberto Bobbio, com esta
tirada: “O liberal-socialismo é só uma fórmula –
sou o primeiro a reconhecê-lo – mas indica uma direção.”
Gonzaga e João Manoel, tenho
certeza, não concordarão com esta tese e replicarão:
conversa de quem está “em cima do muro”.
Vá lá que seja, como dizem
Chico Pinto e Tião Lucena.
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Sertão da Paraíba, confluência
do Piranhas/Peixe/Piancó. 12.10.2008
O POVO RECLAMA E AGUARDA A CPI
DA ENERGISA – CPI JÁ!
Esse Mercadante é
um farsante. Para ele, certamente, não existiu Mensalão nem
existem corrupção no PT e no governo Lula. Existe, isto sim,
sucesso absoluto e indiscutível em pesquisas de opinião,
sobre o seu desempenho. A ética que se dane! Neste diapasão
falou da tribuna do Senado, em defesa da privatização da
distribuição de energia elétrica no país. O mesmo pode-se
dizer sobre Ricardo Coutinho. É porque, vale muito para
eles, cadeiras boas para se sentar e mandar, restaurantes de
luxo para comer, midia do jabá a seu serviço, para
elogiá-los, defendê-los.
Agora apareceu
outro, desta vez na TV. Com ar de brutamontes, identifica-se
como Presidente da ENERGISA, acusa de ignorantes os que
protestam contra o aumento da tarifa, aplicado nas contas
dos consumidores de energia elétrica. Diz que não inventou
nada, existe a lei, a instituição ANEEL que autorizam fixam
os percentuais de aumento, culpa o governo pelo alto valor
das contas em razão de impostos, que investirá milhões no
Estado, etc. etc. Isto o que entendi.
A grande imprensa
tudo divulga à saciedade. Promulgam ex cathedra. Quanto ao
povo, restam alguns blogs incensuráveis, para divulgar as
suas penas, chorar suas mágoas. E o fazem.
“Queremos uma
comunicação de mão dupla, que interaja, que comunique a
diversidade de opiniões. Queremos uma comunicação que
favoreça a inclusão do maior número de cidadãos no debate
político. Hoje, apenas seis redes privadas controlam 667
veículos – emissoras de TV, de rádio e jornais diários –
atingindo 87 por cento dos domicílios, em 98 por cento dos
municípios brasileiros”. (R.Requião, Discurso AL Paraná).
E sobre o
procedimento para privatização das empresas públicas
paraibanas de distribuição de energia Saelpa e Celb, que
papel desempenhou a Grande Imprensa Nacional? Divulgar,
preferencialmente, como fez, as irritadas criticas dos
Mercadantes de plantão aos gestores que se opunham à
privatização de bens e serviços públicos, alegando que
estavam afugentando investimentos estrangeiros no
País.
Urge quebrar o
dogma do “Pacta sunt servanda”. Todos os contratos lesivos
ao interesse público podem e devem ser re-negociados. É o
entendimento da maioria dos brasileiros.
Não tenhamos
ilusões, não sejamos ingênuos, não esperemos muito da grande
mídia. Ela tem um lado, nós é que não aprendemos isso ainda
e ficamos insistindo em um diálogo de surdos, como afirma o
ilustre paranaense.
Acontece que o governador do Paraná,
patrioticamente enfrentou a mídia. Queria recuperar uma
empresa estatal à beira da insolvência (COPEL), evitar a sua
privatização porque representava o alicerce para produzir
lucros, oferecer suporte de serviços indispensáveis ao
desenvolvimento do Estado, do bem estar da população.
Em notável discurso na Assembléia Legislativa ele afirmou:
“Nesses quatro
anos, transformamos a Copel de uma empresa à beira da
quebra, deficitária, na terceira melhor empresa de energia
do mundo. E na principal empresa de energia das Américas. De
longe, a melhor empresa de energia do Brasil. Os paranaenses
pagam hoje, a menor tarifa de energia do país; os nossos
empresários têm oferta de energia barata e abundante para o
desenvolvimento de seus projetos; um milhão de paranaenses
de famílias mais pobres, recebem energia de graça em suas
casas”.
Poderíamos incluir
a ENERGISA no padrão acima? Claro que não. Inúmeras e
insistentes são as irregularidades por ela praticadas, em
prejuízo dos seus clientes. Daí a exigência de criação e
imediata instalação da CPI da ENERGISA, pela nobre casa de
representantes do povo paraibano.
O nosso lado é o
lado do povo. O da Energisa é dos car–carás da canção de
João do Vale: “pega, mata, e come”.
Exemplares de jornais
enchem o disco do meu computador.. E falam da postura
bifronte dos comentaristas, da dubiedade de opinião dos seus
textos sobre o tema. Compromissos do grupo midiático,
impondo a efetiva censura aos seus servidores.
Tudo uma farsa. Nada
mais do que uma farsa. Como o grosseiro equívoco, no
procedimento da Justiça Eleitoral para lisura do último
pleito, como foi demonstrado em muitas das zonas eleitorais
existentes na Paraíba. Poderemos comentar mais adiante.
..................................................................................................
Sertão da Paraíba 07 /
10 / 2008.
ANARQUISTAS SÃO ELES – OS
NEOLIBERAIS. DIGO E SUSTENTO.
João Pedro Stédile e José Rainha querem a
Reforma Agrária. E lutam para torná-la realidade. Mesmo sem
imprensa. Não disseram outra coisa em nenhuma oportunidade
de sua luta, na sua vida. Foram silenciados pela mídia. Já
não metem medo. Chegamos ao fim da história, berram os
neoliberais.
Administrar recursos financeiros públicos,
todavia, para organizar assentamentos instalados, elaborar
projetos de viabilização econômica e social das áreas
ocupadas - não é tarefa deles - , é assunto para os órgãos
da administração federal, inclusive a PF e a ABIN. Elas que
dominam, quando querem, a técnica dos subterfúgios, mas não
localizaram os rombos e os arrombadores, que frustraram os
objetivos pretendidos e anunciados. Um fracasso o que se vê.
Por fim, a PF prendeu os líderes
impolutos, a Justiça processou-os. Falam alto. Resta-lhes,
entretanto – escravizdas a um destino inglório –, a
encenação de atos grotescos. Derrotadas, subjugadas porque
tentam salvar a própria pele. Como os trágicos personagens
dos dramas de Camus, todos identificados pelas insígnias que
usam ou deixam de usar.
Acontece que programas finórios e fajutos,
do governo Lula, que cuidam apenas de nichos: o dos
banqueiros, dos aloprados, etc, falam em economia familiar,
para impressionar, como se ninguém soubesse que existem um
país, uma nação, e o que é casa e feira. Desacreditados
apelam para a corrupção, disfarçada em “ajudas” quando negam
e escamoteiam direitos. Quem não vê? A PF e a ABIN não.
Adeus planejamento econômico, adeus justiça social.
Repetirei sempre, a dorida constatação de Celso Furtado, que
tal procedimento nos deixa cada dia mais distantes do país
que sonhamos.
Dois grupos militantes reúnem, atualmente,
as forças pró e contra a Reforma Agrária. De um lado os
socialistas, do outro o resto: governo, beneficiários e
apaniguados – os anarquistas identificados facilmente pelas
suas ações.
Assentamentos patrocinados pelo MST,
Pastoral da Terra e denominações outras, não contam pela sua
localização, pela orientação cívica e política que adotam.
Reforma Agrária nem falar. A terminologia nova, ensinada por
Ricardo Coutinho é o que vale.. Tornaram-se meros
beneficiários do “Proer dos Pobres” – exibindo o emblema da
organização –, para tanto recebem cestas básicas, acesso ao
micro-crédito bancário, malversando tais recursos,
dilapidando o eventual patrimônio que lhe chega às mãos.
Transformadas em verdadeiras Hidras, tais instituições
invadem, assaltam, agarram e se estabelecem na periferia das
cidades e povoações, distanciadas do campo, identificadas
pelo governo com a insígnia da bolsa família, fome zero,
etc. E haja pesquisa comprovando eficiência do modelo. Mas
reina intranqüilidade e insegurança na sociedade. Quem o
negará?
Aí reside a vitória de Stédile e Rainha. O
povo se agacha, arrasta-se, é traído, mas resiste de alguma
forma, não se entrega/ Protesta cada novo dia, reclama
renovação e ampliação de assistência pública diferenciada.
Denuncia fraudes e fraudadores.
Aproveitando a deixa, por ter falado em “Proer”,
acode-nos o pioneirismo do corrupto FHC, ao pagar com
dinheiro do contribuinte brasileiro, o furto praticado por
dirigentes de instituições financeiras nacionais e
internacionais. Talvez o menor dos seus crimes. Estão
lembrados da Vale do Rio Doce? Da telefonia? Da anulação de
uma Petrobrás nacional independente? Que Alísio Biondi
protestou porque ele vendera até a alma nacional?
Os bravos cidadãos norte-americanos, no
momento, são submetidos a procedimento semelhante. É o fruto
do sistema. A imprensa através da internet, informa que “o
governo prevê a autorização para que, o Tesouro dos EUA use
até US$ 700 bilhões para comprar títulos podres lastreados
em hipotecas e que estão na carteira dos bancos, seguradoras
e fundos de pensão”.
Título podre. A denominação corresponde a
moeda podre, recebida pelo governo FHC como pagamento, pela
venda do valioso patrimônio dos brasileiros, que sustentaria
o desenvolvimento de um país, soberano e independente.
Imagino a situação de folgados amigos que
tenho em Hartford e New Haven, alunos e professores de Yale,
protestando contra o assalto! Conduzidos pela mídia, como
aqui, é preciso convir.
Os anarquistas criam o cenário predatório,
controlam os atores. Gritam vitoriosos, lançam ameaças. O
mundo está em suas mãos. Quem duvidaria?
Novas crises no horizonte? Eles que as
criam, intuem o modo de solucioná-las. Nós que as sofremos,
entretanto, nos contrapomos. É uma regra inevitável.
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Confluência das bacias dos rios do
Peixe/Piranhas/Piancó. Sertão da Paraíba, 02 de outubro de
2008
A ENERGISA
AGRIDE E ESPOLIA A POPULAÇÃO SOB PROTEÇÃO DO GOVERNO
Falo do que sei e o povo sabe do que falo: a
Energisa extrapola no método de aplicação de estelionato na
prestação dos seus serviços, e no relacionamento com os
consumidores. Interrupções no fornecimento de energia sem
prévio aviso, agressões morais praticadas contra os seus
clientes, são fatos lamentáveis que registram o dia a dia
dos seus sofridos usuários.
Apesar de se tratar de termo técnico-jurídico, o
popular “Dicionário Aurélio” socorre o cidadão – que tem o
direito de saber sobre o negócio escuso –, troca em miúdos o
sentido vernáculo, verdadeiro da expressão. Vejamos se a
definição se ajusta bem ao procedimento da empresa
estelionatária:
“S. m. Ato
de obter, para si ou para outrem, vantagem patrimonial
ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo em erro
alguém mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio
fraudulento.”
Como diz o povão: – Tá na cara!
Reclamar a
quem? Resta o lamento sofrido de cada um. A ANEEL cuida do
interesse dos empresários, pois os representantes do governo
na sua direção são figuras “batizadas”.
Dirão que existe um código que lhe impõe
deveres, pode aplicar penalidades. Respondo que, todavia,
não existem lá juízes para tal.
O povo está entregue à própria sorte.
E já vem de muito tempo tal comportamento
criminoso. Começou no processo de privatização das
concessionárias SAELPA-CELB, deixando a marca da vergonhosa
corrupção que mancha a história administrativa da Paraíba.
Exemplifico, com os meios ao alcance do entendimento de
todos, e da minha região: o sertão.
Na feira, um sertanejo tem para vender uma boiada e
uma certa quantidade de milho. Procura o melhor preço,
naturalmente. Se a arroba do boi está por 80, ele não
venderá por 60 reais; se o milho chega a 5 a cuia, ele não
aceitará oferta de 2 reais. Pois foi o que aconteceu na
venda das nossas concessionárias na distribuição de energia,
passando o patrimônio dos paraibanos a pertencer a grupo
financeiro alienígena. Tudo vendido por baixo, a preço de
banana.
Alguém pode dizer, para justificar, que existem os
tempos de crise, e se insinuam as figuras espertas dos
enroladores, conhecidos como “tapias”, que ajeitam o
negócio. Quanto ao nosso caso, esclareço: inexistia crise no
setor. Em relação aos “corretores-enrrolões” não é difícil
encontrá-los.
Quero deixar
claro que, se não foi difícil para a Energisa, cooptar os
poderes do Estado e a imprensa militante, para decidir o
nosso triste destino, difícil será corromper o povão. Este
não se vende.
Nem tudo, entretanto está perdido para o
país, pois existe ainda patriotas como o governador do
Paraná, Roberto Requião. Ele não priva-tizou a distribuição
de energia elétrica, nem o Porto de Paranaguá, nem os
pedágios no seu Estado. Os serviços de distribuição de
energia e de aten-dimento rodoviário e marítimo-portuário,
em compensação têm a menor tarifa e a elevada e comprovada
eficiência, deixando para trás os demais estados.
A população percebe a crise em que
mergulhamos, com a crise dentro de sua casa. E começa a
protestar. Faço a minha parte. Estou disposto a tudo. Depois
dos setenta, nem a morte nos faz medo.
Expliquem-se
Energisa e governo. Venham quente que eu estou fervendo!
E não falei ainda da arrogância dos seus
dirigentes, do péssimo atendimento nos escritórios, aos que
os procuram para reclamação. (Sertão, 19 /9 /2008)
A CRÔNICA QUE NÃO FOI LIDA – PREFÁCIO
Tenho em mãos, os originais em dois volumes
de um trabalho elaborado por Evilásio Marques Pinto, que
trata do resgate literário de aspecto interessante da
memória sócio-cultural da nossa cidade de Sousa: o
jornalismo de uma época.
Meticuloso e cuidadoso como fazia o seu
falecido pai, o emérito Professor Virgílio Pinto de
Aragão, em relação à vida de sua cidade, narrada e
descrita em textos e documentos, Evilásio assume a herança
intelectual, elabora o seu livro. O título da obra “A
Crônica Que Não Foi Lida”, alude a fatos destacados pela
sua reconhecida importância, quando aconteceram, reais,
dominando, certamente, o painel das idéias da nossa urbe,
da nossa gente, e supostamente guardados.
Não se tendo tornado os fatos,
convencionalmente públicos, isto é, através do seu Serviço
de Alto-Falante Voz da Mocidade – modo e meio competente
na época –, sabiam os interessados, que tais lembranças
desapareceriam com a memória pessoal de cada um. Para
sorte de todos, porém, Evilásio quer salvá-los, levá-los
mais longe no tempo, reduzindo-os à forma escrita e
impressa. Pois aqui está o livro, revelando as “crônicas
não lidas”, este veraz e delicioso saltério sousense.
Farta é a documentação reunida em textos
autênticos colhidos pelo serviço de alto-falantes, que
tratam do cotidiano de uma comunidade como outras: da
administração pública, das atividades empresariais urbanas
e rurais, da educação, da cultura, da saúde, do urbanismo,
do esporte, do lazer, da política, enfim. Oportuno o
esforço, melhor o resultado. Inclusive a reprodução
fac-similar de jornais do passado, e a Portaria 65 do
Serviço de Censura e Diversões Públicas, autorizando o
funcionamento da “Voz da Mocidade”, com estatuto publicado
no Diário Oficial, devidamente apresentado no Cartório do
Registro de Títulos, tudo com data e chancela. Como não?
Posso afirmá-lo como sousense, contemporâneo das vivas
ocorrências, e está no livro, para conhecimento geral.
O autor goza entre os seus conterrâneos o
prestígio de iniciativas e realizações no ambiente da
cultura, criando um cadastro de dados acessível à
população, podemos dizer. A sua vocação para o jornalismo
nos presenteou com o “Serviço de Alto-Falante Voz da
Mocidade”, de que tratamos, e a revista literária “Fatos”,
que durante largo espaço de tempo existiram e serviram de
meio e apoio na divulgação de notícias e debates,
desempenharam relevante trabalho no campo da Comunicação
Social no nosso meio.
Ali reencontro o rapaz Nozinho de Aldo
falando dos seus amores, da saudade de Sousa, exilado,
longe no estudo, mais tarde juiz de direito, fundador e
diretor da Faculdade de Direito de Sousa, jornalista,
intelectual consagrado com o seu nome próprio Firmo
Justino de Oliveira. Cola-borador erudito, Edísio Justino
cultivava grandes temas, ao lado do sisudo Otávio Mariz e
do espirituoso e irônico Zú Silva contando as suas
histórias. E mais Sylvio Timótheo e Gastão Medeiros
evocando datas, pessoas, Eládio Melo, e Professor
Senhorzinho discutindo os costumes, os vultos venerandos
da pátria. Romeu Gonçalves e Nias Gadelha, em discussões
veementes sobre a política partidária local, secundados
por Luiz O. Maia o mais terno, trágico e mavioso entre os
poetas de Sousa ou que aqui viveram, outros e outros,
inumeráveis, tratando de intimidades, opinião pública,
cidadania.
E pasmem! Coisas nacionais e
internacionais, universalizando o nosso métier. O Sputnik,
o inverno, a seca, o comércio, os bancos, a indústria, os
costumes, estão ali no livro. E os severos e cáusticos
comentadores e críticos alônimos como “Marcelo”, “Zé da
Boa Vista”, e o famosíssimo na época “Léo–Dênis”, que
provocou censura e intervenção policial na programação da
“Voz da Mocidade”. Duvidam? Comprem o livro. A portaria
famigerada será editada em fac-símile.
Chamo a atenção dos leitores para a
importância dessas realizações, na atividade hoje
denominada mídia, criadas por Evilásio, numa época que não
existiam estações de televisão, e a rádio-difusão somente
funcionava nas capitais dos Estados, nas grandes cidades.
Localidades do interior, Sousa entre elas, viviam o seu
próprio universo humano e social em movimento, mas
isolada, ausente do noticiário que falava do hoje, do
moderno do que estava por vir.
Entre outras denominações e títulos dados
aos programas, tão sugestivos, também este do gosto local,
que assegurava audiência e popularidade à sua “Voz da
Mocidade”. Ele sabia que era importante despertar
curiosidade, provocar suspense para se tornar
irresistível, daí a denominação do programa e o título do
livro: “A Crônica Que Não Foi Lida”. Intuiu que todos
fariam indagações, se entregariam à conjecturas. O que não
foi lido? Algo importante, com certeza, envolvendo
interesses reservados da sociedade local, que não deveriam
ser divulgado na época. E todos desejariam saber. Evilásio
fez muito bem em decidir publicar em livro o que foi lido
e caminhava para o esquecimento. Está na trilha certa,
coberto de razão. O seu livro será lido como as suas
notícias eram escutadas e comentadas. Faziam a vida da
cidade. E lhe somos gratos. Quantas lembranças renasceram
na minha memória cansada, que não se encorajava em
buscá-las, não sabia onde procurá-las.
Considero suaves, estimulantes e ternas
tais lembranças. Afinal de contas muitas ali elas estão
renascidas, para nova fruição. Por que não?. (22-09-2008)
Reencontro com
velhos amigos.
Pessoas estranhas os
poetas. Cada um com o seu comportamento e estilo esquisitos.
Ontem cumprimentei alguns, até em demorado papo com os mais
chegados a mim: Jomar Souto, por exemplo, e Flávio Satyro,
meus colegas de curso na Faculdade de Direito do Recife. Até
Agassiz, que se apresenta como sociólogo e historiador,
poeta também o é, faz jus á cominação. O jeito e a prosa não
negam, mostrados na cabeleira revolta, nos gestos, na
postura apolínea cangaceira, desafiante, caririzeira.. Temos
os homens!
Surpreendeu-me Jomar,
em pleno decorrer da solenidade, ao mover o braço com
rapidez, gemer baixo, poeticamente, puxar a manga do paletó,
olhar para o relógio e disparar: “ás nove tenho
compromisso”. E os ponteiros (como diz o locutor esportivo)
marcavam exatamente nove horas!
Descuidei-me, ele
esgueirou-se e desapareceu sem eu perceber. Uma mulher? Um
disco voador? Jomar é assim desde que o conheço. Em João
Pessoa é visto espremendo-se contra as paredes, dobrando
esquinas, marchando discreto para passar despercebido.
Talvez para observar melhor, detalhes da paisagem
inarredável de árvores e prédios, e a circulante agitação de
homens angustiados e veículos nas encruzilhadas das ruas, da
vida, enfim, os aviões roncando sobre suas cabeças, para
extrair-lhes, quem sabe, a essência poética.
.E Flávio Sátiro, ar
sorumbático, com o olhar passeando pelo auditório, o
pensamento certamente nos “Patins do Majó Migué” - que
ladeava Ronaldo Cunha Lima e o polígrafo conterrâneo e amigo
Paulo Gadelha - mostrou-se animado com a fartura do
coquetel. Tudo era poesia, era feito para os poetas. A
começar pela Cadeira Número Um, cujo patrono é Augusto dos
Anjos e foi ocupada pelo meu dileto e inesquecível amigo
Waldemar Duarte, bibliófilo e poeta. Damião Cavalcanti
brilhou no texto declamado por outro poeta, Neumanne. ”Se os
momentos são bem vividos,/ Viverei eternidades./ Cada um em
cada uma / Com início, mas sem fim” Razão tem Aristóteles
quando diz na Estética, que a poesia é mais filosófica do
que a história.
E tinha muita gente
mais: romancistas, políticos que cumprimentei, num papo bem
administrado pelo amigo Manezim Gaudêncio, assistido por
Roberto Cavalcanti com o seu ar provecto. Por sinal, gostei
da sua presença na tribuna do Congresso, pela freqüência e
também pelos temas dos pronunciamentos, particularmente
sobre o petróleo de Sousa, que acompanhei na fazenda, pela
TV Senado. Foi o que vi levado pelas mãos de Amável e Zé
Otávio. Inclusive o meu ex-capelão cônego Eurivaldo
Tavares, e o primo João Gualberto, médico, chegado do Rio,
ao lado de Raulino Maracajá casado com a minha prima Vânia.
Ah! Quantos conhecidos de “trasonteontem”, como dizem em
Piancó e Cajazeiras, sobre tempos recuados.
Encontro-me em João
Pessoa, para rápida visita aos filhos que cursam a
universidade. Voltei para breve permanência, para a posse de
Neumanne na Academia Paraibana de Letras, não para ficar.
Mas, quanta gente abracei!
Comecei com o primo
Ascendino (como o sertanejo gosta de falar em relações de
parentesco!). Depois Juarez, Osvaldo Trigueiro, Carlos
Romero, Humberto Cavalcanti, Luiz Nunes, Evandro Nóbrega,
Hildeberto Barbosa, Sérgio de Castro Pinto, Welligton
Aguiar, Ronaldo Cunha Lima, Zélio Neves, José Jackson,
Joaquim Carneiro e tantos mais portando medalhas, que me
fogem os nomes. Não vi Carlos Aranha, mas soube que ele
estava lá. Para outros acenei com efusão.
Não comentarei os
discursos de Neumanne e Ronaldo. Fica para depois. Porque eu
dizia a Jomar, nos intervalos da litúrgica cerimônia, que, o
que caracteriza a literatura de ficção, no caso a poesia e a
prosa, para mim, não é a reflexão, mas a marca da
desrealização da linguagem, como observa Merquior.
Não cabe no momento
aprofundar a discussão. Sabemos da literatura jurídica,
contábil, etc. Existem, todavia, é bom assinalar,
características constitutivas, que identificam linguagem e
estilo, que verificamos em Augusto dos Anjos e Castro Alves,
evitando-se, evidentemente, a técnica de “dissecação” léxica
e sintática do período, da oração e dos seus termos.
Também em Jomar, que
Virgínius da Gama e Melo considerava o melhor entre os novos
poetas paraibanos (gosto de todos – vale o trabalho!), no
verso sonoro, harmonioso de “Poema”, em “Pedra de Espera”:
“Assim viajo o poema,/ e antecedido ao alígero aéreo-áureo
armilar,/ anteponho as alvas asas, acomodadas ao alvo,/ às
aranhas e ao luar”, as silabas constroem uma cadência, um
ritmo natural á mensagem poética.
E João Cabral de Melo Neto, tais
caracteristicas completa, por sua vez, na cortante e
perfurante linguagem, de métrica duríssima-pétrea do verso,
em “Uma educação pela pedra: por lições; / para aprender da
pedra, freqüentá-la;/ ..... lições de pedra (de fora para
dentro,/ cartilha muda), para quem soletrá-la”. A
pedra nos remete à aridez humana e geográfica do Nordeste e
é símbolo constante na obra do autor, fazendo confluir a
temática social (linguagem-objeto) com a reflexão sobre o
fazer poético no próprio texto artístico (metalinguagem),
como assinala o crítico e comentarista.
É bom parar por aqui. Basta de transcrições e
repetições, na tentativa de sustentação de minha tese.
A HORA É
CHEGADA
Outra vez recorro a velhas lembranças. Não
posso evitar. Vejam que morreram nos últimos dias, meus
coetâneos Lauro Nobre Mariz, em Sousa, e Waldick Soriano, no
Rio de Janeiro. Sobre o último a atriz Patrícia Pilar
elogiou suas qualidades pessoais de caráter, de artista
enfim. Ah! Como lhes devo momentos da mais intensa emoção,
possível de imaginar, que vivi nos bares e cabarés baratos
do sertão, nas reuniões galantes da minha cidade!
De Waldick: “Amigo, por favor, rasgue
esta carta e diga aquela ingrata... Eu não sou
cachorro não pra viver tão humilhado... Fuscão preto, você é
feito de aço...” Como o meu coração, direi.
Foram canções cantadas pela minha geração
de bar. Certamente Celso Novais, Abelardinho, Robertohe Sá,
Zé João Torres freqüentariam outras praias, cantariam
Vinícius e Tom, Nara e Wanderléia. Não sei se Biu entraria
neste time, ou no meu. E melhor parar. Sofro demais.
Sobre o desaparecido de Sousa, Lauro Nobre
Mariz, nele tudo era digno, íntegro, humano. E como cantava
e encantava! como dizem os animadores de festas e de
auditório. A sua voz (volto pra traz de novo) semelhava a do
divino Tito Schippa nas décadas 40 / 50 do século passado
quando declamava em gorjeios paradisíacos (gostaram?) “Santa
Lucia”, “Torna Surrento”, que desfrutei no romantismo
globetrotter dos usineiros de Pernambuco, cujas festas
freqüentei como penetra – um hábito dos estudantes do Recife
do meu tempo.
Quando Lauro cantava “Salão Grenat”, “Por
Ti” – desbancava Carlos Galhardo e Orlando Silva. Ninguém
cantava com mais beleza do que ele, a voz saindo do coração:
“Num salão grená paira pelo ar nota esmaecida... Por ti
serei capaz de todas as loucuras...”
Lauro era sobrinho de Celso Mariz e primo
de Antonio Mariz, mas deixou de lado as letras e a política.
Dedicou-se mesmo ao esforço pessoal de cuidar de sua
família, do bem comum, noutra esfera: das ações sociais
voltadas para a ética, à assistência aos menos favorecidos
pela sorte (não somente a pobreza material). Era maçom de
elevado grau filosófico, creio que o famoso Grau 33.
Desconheço inimigos que ele tenha deixado.
Mas sei dos milhares e milhares de amigos que choram o seu
desaparecimento. Eu sou um deles.
Devo eximir-me de falar sobre o
nosso relacionamento que vem do tempo de rapazes,
em
Sousa. Levaria muito tempo. Mas falo da
conversa na sala, quando trocávamos visitas (no tempo em que
tal se praticava), do cafezinho que as nossas mães serviam,
e comentávamos sobre a cidade, as nossas namoradas,
marcávamos serenatas, quando a sua voz encantava a todos.
Naquele tempo o motor da luz era desligado às dez horas da
noite, e varejávamos as ruas com Lauro cantando, acompanhado
ao violão à luz da lua. Tempo que se foi.
Lauro, viúvo, morava sozinho para
não incomodar nem os filhos, mas era assistido por eles que
o amavam, e por uma velha doméstica, do tempo de sua esposa
Francisca, que o visitava regularmente para cuidar da casa.
Tinha de morrer como morreu, dormindo, sozinho, para não
provocar vexame em qualquer um. Ignoro alguém, que um dia,
tenha sido incomodado por ele. E quantas vezes o procuramos
para um favor pessoal, um pedido – um agradável papo, pelo
menos.
Lauro
foi feliz até na hora do passamento final. Morreu como quis,
evitando a cena que desaba neste momento, desesperadora para
os outros, que nada podem fazer.
Sertão da Paraíba, 05 de
setembro de 2008
O POETA CASTRO ALVES E OS
TRAIDORES DA PÁTRIA
A poesia de Castro
Alves, me infundiu a crença nos valores da pátria e do povo.
Desde os dez anos de idade, quando a conheci nos livros do
meu pai. Há sessenta e quatro anos, portanto, cultivo a
apoteose que glorifica o seu nome e os seus versos, que soam
como brados coléricos de patriotas contra os traidores e
vendilhões da pátria. Eles existem, e estão aí, no governo
Lula, na prefeitura de João Pessoa, pelo menos, para falar
do que sei. Não se trata de mera referência retórica. Quem
tem olhos vê, quem tem ouvidos escuta. E o nosso grande Zé
Américo, já dizia que o pior cego é o que não quer ver. É
preciso dar raízes nacionais, locais, populares à discussão,
sem argumentos especiosos.
Como os ditadores,
Ricardo e Lula têm muitas caras – assim comprova a sua
conduta de homens públicos, e mostra gloriosamente a TV.
Quem não vê? Salvo a “claque de barrigas-cheias” de Ricardo,
os “alo-prados” do PT, e os “comilões” da base de
sustentação do governo, no Congresso. Tudo está nos versos
do poeta dos escravos, que cunhou a legenda: “a praça
é do povo, como o céu é do condor...” e ecoa, mutantis
mutandis, como o ranger de dentes, a frustração dos
objetivos populares, para a construção da glória nacional,
que todos almejamos. Leiam, vejam, meditem. Como no teatro:
“ ‘Stamos em
pleno mar... / tinir de ferros, estalar do açoite, / Legião
de homens negros como a noite, / Horrendos a dançar. / No
entanto o capitão manda a manobra / Diz do fumo entre os
densos nevoeiros: / Vibrai rijo o chicote marinheiros! /
Fazei-os mais dançar...”
.........................................................................
“Senhor Deus dos
desgraçados! / Dizei-me vós, Senhor Deus, / Se eu deliro...
ou se é verdade / Tanto horror perante os céus...”
....................................................................
“E existe um
povo que a bandeira emp |