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Eilzo Matos

INVEJA, FRUSTRAÇÃO, COMPLEXO OU RECALQUE - O CASO HILTINHO, DINHO, JOÃO ALMEIDA E OS ESPÍRITOS IMUNDOS

Imaginem a dolorosa inveja, que a vitória eleitoral do negro Barack Obama, terá despertado em alguns fracos de caráter, co-rações cheios de cobiça, que talvez protestem hoje nos EUA, inconformados com a derrota!

Aconteceu aqui em João Pessoa. Lá uma hipótese, aqui uma realidade. Lá seriam os brancos; aqui, verdadeiramente, concre-tamente, são pessoas preconceituosas: os endinheirados e os que se julgam íntimos ou donos do poder (Hiltinho, Dinho e João Almeida). Estes assumem na Paraíba, o seu papel.

Como cristãos que somos no Brasil, em absoluta maioria, vale a penas recorrer a ensinamentos bíblicos para comentar este caso vergonhoso (e também criminoso), que explodiu em João Pessoa: a aventura diria funambulesca, dos jovens citados acima, derrotados nas últimas eleições municipais.

Tião Lucena no seu visitadíssimo blog, deixou claros os lances da perfídia: companheiros de partido político e também candidatos se mancomunaram. Subornaram pessoas humildes, forneceram transporte e alimentação, expondo-as às penas da lei, para formar prova contra um vereador eleito, anular a sua eleição proclamada pela Justiça Eleitoral, sem que fosse interposto for-malmente qualquer recurso jurídico legal.

Preferiram a chicana, a perfídia.

Bastava-lhes a denunciação caluniosa, a articulação de prá-ticas imorais de forjar situações, que conhecem bem, como de-monstraram. A sua força, o seu poder, alardearam, estavam na sua condição de filho de desembargador, amigo do prefeito eleito, etc. A imprensa paraibana, cumprindo o seu papel de informar, co-mentou o fato no rádio, na tv, nos jornais, na internet.

*     *

A inveja sempre foi um grave problema no relacionamento humano. Ela é definida como um sentimento de profundo pesar pelo sucesso alheio.

Muitos não se importam com a inveja de seus adversários e a ignoram por completo, enquanto outros se preocupam, e muito, com esse sentimento, porque sabem que, por trás dele, há forças malignas estimulando disputas. Realmente, a inveja parece ser quase inofensiva, mas seus frutos são cruéis a ponto de conduzir suas vítimas ao extremo.

A Bíblia fala sobre a inveja muito mais do que se imagina, quer direta ou indiretamente. O primeiro caso aconteceu logo no princípio da humanidade, entre os dois primeiros filhos de Adão e Eva: Caim e Abel. Mas o fato é que o texto mostra claramente, que há sempre um espírito imundo por trás da inveja, espírito este que induz a pessoa a tomar atitudes contra a pessoa invejada.

         A sabedoria de Deus revelada na Bíblia, ensina nos Provérbios que os maus não ficarão impunes; mas a descendência dos justos triunfará. É preciso que a Justiça e os seus organismos auxiliares, não se deixem intimidar. Assim espera a sociedade.  (10-11-2008)

 
 

CHEGOU A HORA DE DESMASCARAR RICARDO
(I)

Cometi os meus enganos e alguns erros ao longo de minha vida, que atravessa já setenta e quatro anos.

Tenho os meus defeitos, Quem não os tem? E também um ideal de justiça e liberdade. Vale, entretanto, lembrar o fulminante desafio de Jesus Cristo aos fariseus: “Quem não tiver culpa atire a primeira pedra!” É o caso de Ricardo Coutinho, que o consideram isento e puro. Nem Deus pode com ele, sustenta a mídia do jabá.

Mas quero deixar claro, que, as falcatruas praticadas por ele e pelos políticos que formaram o arco da “coligação cano de esgoto” que o consagrou eleitoralmente, que abarcou e serviu de escoadouro para os detritos morais da política paraibana, devem ser explicadas ao povo, perante a história. E o farei em breves comentários, que divulgarei a partir de hoje no meu blog eilzomatos.zip.net e autorizo a sua reprodução integral ou parcial.

              O caso de Ricardo Coutinho não é de erros eventuais que se praticam no dia a dia da administração ─ fatos inevitáveis e de fácil correção, quando o individuo submete-se democraticamente à discussão sobre a repercussão social de tal procedimento.

                Não é o caso dele, repito.

O seu caso é de transtorno da personalidade, patologia psicológica que o transforma numa ameaça à sociedade, no dragão do mal. (Pois não é um mal paparicar Manaira e jogar esgotos podres nas ruas pobres?) E ainda por cima, comprar aplausos com dinheiro público!

Existiram e existem como ele, personalidades escabrosas na história ocidental ─ para nos limitarmos ao mundo que nos diz respeito mais de perto ─, cujo caráter e conduta ele reproduz. Eram divinos, amados. Exemplifico: Nero, Hitler, Fujimori, entre centenas de tarados políticos, que torturaram milhões de cidadãos e cometeram crimes lesa pátria, condenando-os à miséria coletiva, à humilhação do Estado Nacional à sua desmoralização perante a história.

Mas escuto que a traiçoeira e subserviente classe média, apressa-se e grita, que Ricardo “ama João Pessoa” e lhe deu grandeza. (Previna-se “Mago”).

Duvido que alguém tenha amado a Alemanha mais do que Hitler, os peruanos mais do que Fujimori, os romanos mais do que Nero. A História assinala, entretanto, o terrível e doloroso desastre que consumou a ação de cada um como gestores pú-blicos. Vale a pena refletir sobre esta afirmação.

Afinal, o que faz João Pessoa, no cenário paraibano, grande e bela como nenhuma outra cidade? Comecemos a enquete, res-pondendo de imediato cada questão.

1 ─ O mar? A localização geográfica como mais adentrado ponto oriental do continente no oceano Atlântico? ─ Com certeza. Mas uma criação de Deus e da natureza.

2 ─ O destaque cantado nos “Diálogos das Grandezas do Brasil”?  ─ Certamente. Bandônio e Alviano celebraram a beleza e riqueza da fauna e da flora, dos costumes que destacaram a velha capitania entre as demais. O escrito de Ambrósio Fernandes Brandão, data de séculos.

3 ─ A Mata do Buraquinho?  ─ Certamente. Mas vem da criação do mundo. E a luta pela sua preservação, pude tes-temunhar, no Plenário da Assembléia Legislativa da Paraíba, na Década Setenta do século passado, em veementes pronuncia-mentos dos deputados Américo Maia, José Fernandes de Lima, Atêncio Wanderley, entre outros.

 Muitos podem achar o contrário, que deixar de incluir Ricardo Coutinho na criação do mar, da Ponta do Cabo Branco, da Mata do Buraquinho, da tradição histórica paraibana, é puro despeito meu. Mas numa série de pequenos comentários que divulguei através da internet, e farei outra vez neste blog, afirmei e repito que o prefeito Ricardo Coutinho é uma monstruosa fraude aplicada na prática eleitoral da história da nossa Paraíba.

                Vai dar para conferir. Só peço a Deus que me dê vida e tempo livre pela frente.

Reitero o meu respeito aos paraibanos. Sem jabá.  ...............

............... Sertão. Confluência Peixe/Piranhas/Piancó. 31/10/2008

 

 

A  GLÂNDULA PINEAL DO URUBU   ─   VIAGEM PICARESCA DA MEMÓRIA ATRAVÉS DA ENCICLOPÉDIA BRITÂNICA  15ª Edição

                                                                                          

                   Tinha de dar no que deu. Conversa com gente, quase sempre é perda de tempo. Assim achava Evandro Nóbrega, e dialogava com os livros, solitário, como do seu feitio. Passei muito tempo sem saber de sua vida, e agora descubro-o autor de um livro. E que livro!

                   Evandro é militante da multimídia, do hardware, do software, em tempo integral. Discípulo dos Enciclopedistas (ainda mestres do pensamento), acredito; embora se diga cético, conduz-se conforme a razão. E nada mais racional nestes dias atuais, que a rapidez da informática, dos computadores.       

A “interatividade” é um aspecto da tensão dialética entre o conhecimento e o tempo. Os computadores, todavia, não inventam, não criam: descobrem e encaminham ra-ciocínios. A “realidade virtual” não “recria”. Responde e informa no circuito da mesma realidade. Não adianta recorrer a opções contrárias à racionalidade, que é o fluir natural do indivíduo na história, a “irrupção do infinito no finito” (Spinosa). Seria “improgramável” semelhante pro-cedimento. “A razão governa o mundo... e é somente na superfície que reina o jogo dos acasos irracionais... restabelece a ordem quando a história parece absurda e sem sentido” (Hegel).

                   Homem dado ao estudo, ao aprendizado de tudo o que disseram ou dizem,  pensaram ou pensam, ao longo dos tempos, até o “politicamente correto/incorreto” atual   -  que não exprime um valor social relevante, mas intuo que trata de compromissos e descompromissos salafrários dos jor-nais, revistas, tevês e congêneres  –, daí nasceu a sua tese enciclopedista-literária sobre o “terceiro olho”: o olho pi-neal, o olho metafórico, o terceiro olho necessário aos que têm dois e não querem enxergar.

                   E verdade que, em virtude dessa situação fronteiriça entre a fonte impura do jornalismo no “usar informação de amigo”,  não optar simplesmente por “mentir” e a literatura   –  para a desgraça desta, quantas vezes  –, nasceu o livro revelação-denúncia de Evandro Nóbrega, obedecendo, entretanto, a procedimentos e padrões da arte literária.

                   Afinal de contas as nossas raízes são ibéricas, se bem que portuguesas, com a inevitável vizinhança espanhola invadindo os nossos ouvidos. Destarte o aproveitamento de elementos típicos que encarnam o ardil, a astúcia, a vi-garice, nas nossas narrativas mais exemplares, recolhendo entre libertinos, jactanciosos, pícaros e estelionatários, mo-mentos vivos e propícios ao humorismo, filosóficos na sua essência. É a reação que se impõe ao temor em face da opressão, à contestação de idéias e conceitos impostos contra a equidade.

                   O “burgês fidalgo” admirou-se ao descobrir que falava em “prosa”, forma de expressão literária que certamente o destacaria entre os homens.  Do mesmo jeito os teorizadores recorreram aos declamadores ambulantes  da Grécia Antiga, para classificarem certas obras musicais de Tomaschek, Lizt, Brahms  como “rapsódias”, o que levou os estudiosos brasileiros a enquadrarem no modelo, por extensão, a genial narativa de Mário de Andrade  “Macunaíma”.

                   As regras, pois, existem. Que dizer de “A Pedra do Reino”, “O Nome da Rosa”, das “Aventuras de Pedro Malazartes” e sobre os inventores Mário, Eco, Ariano e José Vieira? Nesse time joga muito bem Evandro Nóbrega, com as suas memórias de repórter-aprendiz, elevando-se à massiva e compacta erudição da  “Encilopaedia Britanica 15ª Edição”.

                   Se tudo é genialidade ou velhacaria no livro, desde a ciência mais legítima aos personagens mais reais, a exemplo da “oquidade da terra” (certamente da matéria) admitida por cientistas do III Reich e pelo Conde Ale-xandre, que dizer de reencarnações através dos séculos, sem “elevação ou purificação”, ditando a mesma e incorrigível conduta do “veraz” Arnald Tavaritch; do “frenologista” Guedes Neonatus no aprofundamento de pesquisas sobre o Ponto G, determinante do maior prazer sexual entre as mulheres; do “potente” Satie Hernán , no seu poema “olhar de lince”, acompanhando o vôo de um “coragyps atratus foetens”, dos céus dos Patins-do-Majó-Migué até as pro-ximidades de Pombal!!

                   O húngaro Georg Lukács, com a inteligência dos ciganos, ensinou aos sabidos da literatura que  “toda obra de arte autêntica obedece e amplia ao mesmo tempo, as leis do seu próprio gênero.”

                   Acho que a partir de Cervantes até Evandro, tal regra mostra-se verdadeira. O Conde Alexandre, como o Quixote, como Quaderna e os seus séquitos, os desejos e as denuncias novelosas, são páginas da literatura, e como tal, reflexos estéticos da luta entre o novo e o velho. Acusa-a sabiamente o terceiro olho, hoje mais do que nunca necessá-rio, para esclarecer as nuanças (patifarias) libe-ralizantes, globalizantes no mundo governado pelo famoso predador G7 (grupo dos sete países mais ricos na sociedade internacional), do qual temos o mais venal de seus agentes no nosso país, o presidente Fernando Henrique Cardoso.

                   Desse ponto de vista, vê-se a desnecessidade de ajustamentos ao modelo novela/romance/reportagem, do de-licioso e auspicioso relato/narrativa/memória, enfim rapsódia, dos fatos do nosso povo nordestino, nas peripécias ro-cambolescas do Conde Alexandre e do Foca Aprendiz, conforme manda a literatura imaginativa na opinião de muitos, talvez de poucos.

                   Vale uma indagação para terminar: Evandro é mais Cervantes?  Evandro é mais do que outros famosos narra-dores pícaros, visto cada um isoladamente ou no conjunto de sua obra? Responderei:  Evandro, eu acho, é a plurali-dade na unidade: é cosmos, é construção.

                               Os escritores, no caso, os que relatam a vida, espantam-se frequentemente com achegas críticas de qualquer natureza que visam a sua obra. O caso é que a teoria nem sempre informa corretamente a prática. Sensibilidade, posições políticas, filosó-ficas, resíduos ideológicos procuram fazer valer as suas teses. De sorte que a literatura imaginativa enfrenta o risco de chegar aos “compêndios”, estranha aos seus autores.

                                Lagoa de Baixo, 1994.

 

CHEGOU A HORA DE AJUDAR

O PRESIDENTE LULA

O presidente Lula, no início do seu governo, por mais de uma vez, falou da necessidade de rever, para aperfeiçoar com urgência, a legislação que criou as chamadas “agencias reguladoras” que cuidam da atividade de poderosas organizações paraestatais. Elas deveriam evitar os excessos, quer do Estado quer do Mercado, nas suas imbricadas relações. Mas o que se vê é o contrário.

          A razão estava do seu lado. Pena que não tenha realizado a necessária intervenção. Esquecimento? Desinteresse de sua base de apoio no Congresso? O cidadão, no caso os consumidores de serviço, restam abandonados à própria sorte. Mas ainda há tempo.

          O governador do Paraná, patrioticamente enfrentou a mídia. Queria recuperar uma empresa estatal à beira da insolvência (COPEL), evitar a sua privatização, porque representava o alicerce para produzir lucros, oferecer suporte de serviços indispensáveis ao desenvolvimento do Estado, do bem estar da população. Em notável discurso na Assembléia Legislativa ele afirmou:

          “Nesses quatro anos, transformamos a Copel de uma empresa à beira da quebra, deficitária, na terceira melhor empresa de energia do mundo. E na principal empresa de energia das Américas. De longe, a melhor empresa de energia do Brasil. Os paranaenses pagam hoje, a menor tarifa de energia do país; os nossos empresários têm oferta de energia barata e abundante para o desenvolvimento de seus projetos; um milhão de paranaenses de famílias mais pobres, recebem energia de graça em suas casas”.

          Poderíamos incluir a ENERGISA no padrão acima? Claro que não.. Inúmeras e insistentes são as irregularidades por ela praticadas, em prejuízo dos seus clientes. Daí a exigência de criação e imediata instalação da “CPI da ENERGISA”, pela nobre casa de representantes do povo paraibano.

          Em relação à atividade das empresas concessionárias da distribuição de energia elétrica, premiadas na roleta da privatização, aqui na Paraíba, a ENERGISA especializou-se na prática do estelionato no relacionamento com os seus clientes, na indisciplina quanto ao cumprimento dos seus deveres, desde os mais simples, os menores – urbanidade, por exemplo. Nos seus escritórios, cliente é tratado no grito. Nas residências e nos estabelecimento privados, de consumidores, a arrogância e a agressividade, marcam a presença de seus prepostos. Fácil de provar em juízo.

          Falo do que sei e o povo sabe do que falo.

          EMINENTES PARLAMENTARES

          Taqui um homem que conhece a dormida dos carcarás. Proponho-me colaborar com vossas excelências, para pegá-los no ninho, para esclarecer o que se fizer necessário, em relação à ENERGISA. Em todas as instâncias. Em defesa da cidadania. Vamos falar sério. A ANEEL parece cuidar somente do interesse dos empresários, sabemos muito bem, pois os responsáveis pela sua gestão são figuras “batizadas”, “carimbadas”, como dizem. Daí a preocupação de Lula. Que tal uma leitura nos seus registros? Um ementário de suas decisões? A verdade verdadeira é que lá não existem juízes, mas agentes.

          LEIAM COM CUIDADO - FORA ENERGISA

                  Não sou jurista, esclareço, mas a pesquisa doutrinária, legal, tornou-se fácil com a internet. E vai o começo. Confiram por favor.Todo o Direito é relativo e dinâmico, e por isto sempre questionável, polêmico. Mas o Direito das Obrigações tem estas características ainda mais acentuadas. Partindo da discussão do pacta sunt servanda, chegamos ao rebus sic stantibus, porque trata das causas e dos efeitos das relações jurídicas entre as pessoas, que estão em toda parte, e as pessoas, claro, são imprevisíveis. E o Rebus Sic Stantibus pode ser lido como "estando as coisas assim" ou "enquanto as coisas estão assim". (domínio da arrogância, da violência, da desobediência aos seus deveres, a prática contumaz do estelionato, a rapinagem) da parte da ENERGISA, a hora é chegada para revisão do contrato de concessão.

        Esta é a opinião do povo. Edmilson do Roger disse-o claramente na audiência pública realizada na Assembléia Legislativa. Por seu lado o agente da ANEEL limitou-se a declarar aberto apoio á prática da ENERGISA, e a responsabilizar o Estado pelo custo das contas pagas pelos usuários. Um desplante! Uma vergonha!

          Deriva da fórmula contractus qui habent tractum sucessivum et dependentium de futuro rebus sic stantibus intelliguntur. Designa o princípio da imprevisão, segundo o qual a ocorrência de fato imprevisto e imprevisível posterior à celebração do contrato diferido ou de cumprimento sucessivo implica alteração nas condições da sua execução. (Transcrição http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=641).O nosso lado é o lado do povo. O da Energisa é dos carcarás da canção de João do Vale: “pega, mata, e come”.

          Perguntarão.  ─ E os nobres senhores deputados estão de que lado? 

           Eu respondo:  ─ Do lado povo! Claro!...

........................................Sertão, Confluência Peixe/Piranhas/Piancó16/10/2008

 

 

TIRADAS GENIAIS

 

O batente da imprensa revela tiradas geniais e oportunas, dos perturbados colunistas, repórteres, jornalistas enfim, acossados, imprensados pela insuficiência dos seus rendimentos para cobrir as faturas dos supermercados, e até a cobrança amiga e individual do vendedor de frutas e verduras das feiras populares. Deixo de lado os engravatados que “acontecem” como dizia o saudoso Ibrahim dos anos cinqüenta, nos coquetéis esnobes, nos restaurantes e barzinhos vips. Porque ele existem, e sabemos que sim.

 

Falarei dos que freqüentam as ruas, os fóruns e simpósios, as aglomerações populares, e na fonte entrevistam pessoas, escutam o gemer desamparado do povo. E eles e os seus dramas, representam nada mais nada menos do que a constatação de Marx, assinalando que as condições da vida material da sociedade é que determinam, criam a sua consciência, produzem o conhecimento, influindo, interagindo na cena diária da vida.

 

Temos a mídia como Quinto Poder, observamos de início, que manda e impera. Ela mesma integrante do poderoso Mercado, que controla opiniões do governo e do povão, como lhe apetece, impondo de saída, aos seus empregados, a inexorável auto-censura. Mas os chamados terroristas das páginas lidas ou impressas (esse tipo não desaparece, não morre porque morreria a História), encontram sempre a deixa e passam a sua verdade, vez por outra, brechtianamente, como gosto de completar.

 

Sem aprofundar a reflexão, falarei de dois respeitáveis e respeitados comentaristas da informação diária: Agnaldo Almeida e Luiz Torres. Todos são respeitáveis e ilustres, mas estes, nesta ocasião, representarão a base desorganizada.

 

Começo com Agnaldo, careca, adiantado na idade (desculpe a franqueza), que em boa hora adverte, sobre “a desordem dos famélicos, que lembram daqueles saques nas áreas de seca braba do Nordeste inteiro”.

 

Pois os jovens não sabem, sequer, que tal existiu no passado recente: a seca e os movimentos insurrecionais dos famintos. Serviram tais acontecimentos, de tema para romances e poemas dramáticos como os escreveram Graciliano Ramos, Raquel de Queiroz, João Cabral de Melo Neto, Orlando Tejo. Estereotiparam, então, pessoas e ambientes. Daí a conclusão natural a que chegamos: não existiu seca, jamais. Fome e desamparo, isto sim. Agora é a vez dos cientistas sociais e até os do mundo natural físico e orgânico, apostarem as suas fichas.

 

Por seu turno, voltando ao jornalismo, Luiz Torres, navegando on-line na internet, critica a hipocrisia dos que falam sobre a compra de votos por determinado candidato, nas últimas eleições. Como se os demais se tivessem abstido de tal procedimento. E afirma que locais de compra de votos eram encontrados em toda parte como “ponto de venda de CD Pirata”. E estranha a blindagem que protege certas pessoas, incluídas nas denúncias divulgadas na TV e na imprensa falada e escrita, excluídas depois. Chegaremos lá. Aguardem.

 

Concordo com Agnaldo, Luiz Torres e Manoel Raposo. A Bolsa dos pobres não tem altas nem baixas. “Fica sempre naquela estabilidade do nada ter” como eles esclarecem.

 

Eles nos remetem, na sua comprova competência, para a indagação do momento: existiu ou não compra de votos nas últimas eleições? É preciso escrever um romance, ensaiar um poema para denunciar os envolvidos ou escondidos. Acho o tema excelente e tentarei, com nomes conhecidos, ligeiramente mudados. Exemplifico: Ricardo Couto em vez de Ricardo Coutinho. Cidade Pedro Pessoa em vez de João Pessoa.

 

É duro reconhecer, mas é indispensável saber. O futuro está aí, já estão falando nele, os que compraram, compram e vão comprar votos e dizem que não compraram nem comprarão. As mesmas conhecidas vestais. Vêm de longe, todavia, desmascaradas na maioria da suas incursões. E um, explica os demais. Não gastarei muitas palavras, muito papel.

 

Finalizo com uma alusão ao cientista político na moda, Norberto Bobbio, com esta tirada: “O liberal-socialismo é só uma fórmula – sou o primeiro a reconhecê-lo – mas indica uma direção.”

 

Gonzaga e João Manoel, tenho certeza, não concordarão com esta tese e replicarão: conversa de quem está “em cima do muro”.

 

Vá lá que seja, como dizem Chico Pinto e Tião Lucena.

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Sertão da Paraíba, confluência do Piranhas/Peixe/Piancó. 12.10.2008

 

O POVO RECLAMA E AGUARDA A CPI DA ENERGISA – CPI JÁ!

 

Esse Mercadante é um farsante. Para ele, certamente, não existiu Mensalão nem existem corrupção no PT e no governo Lula. Existe, isto sim, sucesso absoluto e indiscutível em pesquisas de opinião, sobre o seu desempenho. A ética que se dane! Neste diapasão falou da tribuna do Senado, em defesa da privatização da distribuição de energia elétrica no país. O mesmo pode-se dizer sobre Ricardo Coutinho. É porque, vale muito para eles, cadeiras boas para se sentar e mandar, restaurantes de luxo para comer, midia do jabá a seu serviço, para elogiá-los, defendê-los.

 

Agora apareceu outro, desta vez na TV. Com ar de brutamontes, identifica-se como Presidente da ENERGISA, acusa de ignorantes os que protestam contra o aumento da tarifa, aplicado nas contas dos consumidores de energia elétrica. Diz que não inventou nada, existe a lei, a instituição ANEEL que autorizam fixam os percentuais de aumento, culpa o governo pelo alto valor das contas em razão de impostos, que investirá milhões no Estado, etc. etc. Isto o que entendi.

 

A grande imprensa tudo divulga à saciedade. Promulgam ex cathedra. Quanto ao povo, restam alguns blogs incensuráveis, para divulgar as suas penas, chorar suas mágoas. E o fazem.

 

“Queremos uma comunicação de mão dupla, que interaja, que comunique a diversidade de opiniões. Queremos uma comunicação que favoreça a inclusão do maior número de cidadãos no debate político. Hoje, apenas seis redes privadas controlam 667 veículos – emissoras de TV, de rádio e jornais diários – atingindo 87 por cento dos domicílios, em 98 por cento dos municípios brasileiros”. (R.Requião, Discurso AL Paraná).

 

E sobre o procedimento para privatização das empresas públicas paraibanas de distribuição de energia Saelpa e Celb, que papel desempenhou a Grande Imprensa Nacional? Divulgar, preferencialmente, como fez, as irritadas criticas dos Mercadantes de plantão aos gestores que se opunham à privatização de bens e serviços públicos, alegando que estavam afugentando investimentos  estrangeiros no País.

 

Urge quebrar o dogma do “Pacta sunt servanda”. Todos os contratos lesivos ao interesse público podem e devem ser re-negociados. É o entendimento da maioria dos brasileiros.

 

Não tenhamos ilusões, não sejamos ingênuos, não esperemos muito da grande mídia. Ela tem um lado, nós é que não aprendemos isso ainda e ficamos insistindo em um diálogo de surdos, como afirma o ilustre paranaense.

 

Acontece que o governador do Paraná, patrioticamente enfrentou a mídia. Queria recuperar uma empresa estatal à beira da insolvência (COPEL), evitar a sua privatização porque representava o alicerce para produzir lucros, oferecer suporte de serviços indispensáveis ao desenvolvimento do Estado, do bem estar da população. Em notável discurso na Assembléia Legislativa ele afirmou:

 

“Nesses quatro anos, transformamos a Copel de uma empresa à beira da quebra, deficitária, na terceira melhor empresa de energia do mundo. E na principal empresa de energia das Américas. De longe, a melhor empresa de energia do Brasil. Os paranaenses pagam hoje, a menor tarifa de energia do país; os nossos empresários têm oferta de energia barata e abundante para o desenvolvimento de seus projetos; um milhão de paranaenses de famílias mais pobres, recebem energia de graça em suas casas”.

 

Poderíamos incluir a ENERGISA no padrão acima? Claro que não. Inúmeras e insistentes são as irregularidades por ela praticadas, em prejuízo dos seus clientes. Daí a exigência de criação e imediata instalação da CPI da ENERGISA, pela nobre casa de representantes do povo paraibano.

 

O nosso lado é o lado do povo. O da Energisa é dos car–carás da canção de João do Vale: “pega, mata, e come”.

 

Exemplares de jornais enchem o disco do meu computador.. E falam da postura bifronte dos comentaristas, da dubiedade de opinião dos seus textos sobre o tema. Compromissos do grupo midiático, impondo a efetiva censura aos seus servidores.

 

Tudo uma farsa. Nada mais do que uma farsa. Como o grosseiro equívoco, no procedimento da Justiça Eleitoral para lisura do último pleito, como foi demonstrado em muitas das zonas eleitorais existentes na Paraíba. Poderemos comentar mais adiante.

 

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Sertão da Paraíba 07 / 10 / 2008.

 

ANARQUISTAS SÃO ELES – OS NEOLIBERAIS. DIGO E SUSTENTO.

            João Pedro Stédile e José Rainha querem a Reforma Agrária. E lutam para torná-la realidade. Mesmo sem imprensa. Não disseram outra coisa em nenhuma oportunidade de sua luta, na sua vida. Foram silenciados pela mídia. Já não metem medo. Chegamos ao fim da história, berram os neoliberais.

Administrar recursos financeiros públicos, todavia, para organizar assentamentos instalados, elaborar projetos de viabilização econômica e social das áreas ocupadas - não é tarefa deles - , é assunto para os órgãos da administração federal, inclusive a PF e a ABIN. Elas que dominam, quando querem, a técnica dos subterfúgios, mas não localizaram os rombos e os arrombadores, que frustraram os objetivos pretendidos e anunciados. Um fracasso o que se vê.

Por fim, a PF prendeu os líderes impolutos, a Justiça processou-os. Falam alto. Resta-lhes, entretanto – escravizdas a um destino inglório –, a encenação de atos grotescos. Derrotadas, subjugadas porque tentam salvar a própria pele. Como os trágicos personagens dos dramas de Camus, todos identificados pelas insígnias que usam ou deixam de usar.

Acontece que programas finórios e fajutos, do governo Lula, que cuidam apenas de nichos: o dos banqueiros, dos aloprados, etc, falam em economia familiar, para impressionar, como se ninguém soubesse que existem um país, uma nação, e o que é casa e feira. Desacreditados apelam para a corrupção, disfarçada em “ajudas” quando negam e escamoteiam direitos. Quem não vê? A PF e a ABIN não. Adeus planejamento econômico, adeus justiça social. Repetirei sempre, a dorida constatação de Celso Furtado, que tal procedimento nos deixa cada dia mais distantes do país que sonhamos.

Dois grupos militantes reúnem, atualmente, as forças pró e contra a Reforma Agrária. De um lado os socialistas, do outro o resto: governo, beneficiários e apaniguados – os anarquistas identificados facilmente pelas suas ações.

Assentamentos patrocinados pelo MST, Pastoral da Terra e denominações outras, não contam pela sua localização, pela orientação cívica e política que adotam. Reforma Agrária nem falar. A terminologia nova, ensinada por Ricardo Coutinho é o que vale.. Tornaram-se meros beneficiários do “Proer dos Pobres” – exibindo o emblema da organização –, para tanto recebem cestas básicas, acesso ao micro-crédito bancário, malversando tais recursos, dilapidando o eventual patrimônio que lhe chega às mãos. Transformadas em verdadeiras Hidras, tais instituições invadem, assaltam, agarram e se estabelecem na periferia das cidades e povoações, distanciadas do campo, identificadas pelo governo com a insígnia da bolsa família, fome zero, etc. E haja pesquisa comprovando eficiência do modelo. Mas reina intranqüilidade e insegurança na sociedade. Quem o negará?

Aí reside a vitória de Stédile e Rainha. O povo se agacha, arrasta-se, é traído, mas resiste de alguma forma, não se entrega/ Protesta cada novo dia, reclama renovação e ampliação de assistência pública diferenciada. Denuncia fraudes e fraudadores.

Aproveitando a deixa, por ter falado em “Proer”, acode-nos o pioneirismo do corrupto FHC, ao pagar com dinheiro do contribuinte brasileiro, o furto praticado por dirigentes de instituições financeiras nacionais e internacionais. Talvez o menor dos seus crimes. Estão lembrados da Vale do Rio Doce? Da telefonia? Da anulação de uma Petrobrás nacional independente? Que Alísio Biondi protestou porque ele vendera até a alma nacional?

Os bravos cidadãos norte-americanos, no momento, são submetidos a procedimento semelhante. É o fruto do sistema. A imprensa através da internet, informa que “o governo prevê a autorização para que, o Tesouro dos EUA use até US$ 700 bilhões para comprar títulos podres lastreados em hipotecas e que estão na carteira dos bancos, seguradoras e fundos de pensão”.

Título podre. A denominação corresponde a moeda podre, recebida pelo governo FHC como pagamento, pela venda do valioso patrimônio dos brasileiros, que sustentaria o desenvolvimento de um país, soberano e independente.

Imagino a situação de folgados amigos que tenho em Hartford e New Haven, alunos e professores de Yale, protestando contra o assalto! Conduzidos pela mídia, como aqui, é preciso convir.

Os anarquistas criam o cenário predatório, controlam os atores. Gritam vitoriosos, lançam ameaças. O mundo está em suas mãos. Quem duvidaria?

Novas crises no horizonte? Eles que as criam, intuem o modo de solucioná-las. Nós que as sofremos, entretanto, nos contrapomos. É uma regra inevitável.

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Confluência das bacias dos rios do Peixe/Piranhas/Piancó. Sertão da Paraíba, 02 de outubro de 2008

 

A ENERGISA AGRIDE E ESPOLIA A POPULAÇÃO SOB  PROTEÇÃO DO GOVERNO

         Falo do que sei e o povo sabe do que falo: a Energisa extrapola no método de aplicação de estelionato na prestação dos seus serviços, e no relacionamento com os consumidores. Interrupções no fornecimento de energia sem prévio aviso, agressões morais praticadas contra os seus clientes, são fatos lamentáveis que registram o dia a dia dos seus sofridos usuários.

         Apesar de se tratar de termo técnico-jurídico, o popular “Dicionário Aurélio” socorre o cidadão – que tem o direito de saber sobre o negócio escuso –, troca em miúdos o sentido vernáculo, verdadeiro da expressão. Vejamos se a definição se ajusta bem ao procedimento da empresa estelionatária:

“S. m. Ato de obter, para si ou para outrem, vantagem patrimonial ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo em erro alguém mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento.” 

         Como diz o povão: – Tá na cara!

Reclamar a quem? Resta o lamento sofrido de cada um. A ANEEL cuida do interesse dos empresários, pois os representantes do governo na sua direção são figuras “batizadas”.

Dirão que existe um código que lhe impõe deveres, pode aplicar penalidades.  Respondo que, todavia,  não existem lá juízes para tal.

O povo está entregue à própria sorte.

         E já vem de muito tempo tal comportamento criminoso. Começou no processo de privatização das concessionárias SAELPA-CELB, deixando a marca da vergonhosa corrupção que mancha a história administrativa da Paraíba. Exemplifico, com os meios ao alcance do entendimento de todos, e da minha região: o sertão.   

         Na feira, um sertanejo tem para vender uma boiada e uma certa quantidade de milho. Procura o melhor preço, naturalmente. Se a arroba do boi está por 80, ele não venderá por 60 reais; se o milho chega a 5 a cuia, ele não aceitará oferta de 2 reais. Pois foi o que aconteceu na venda das nossas concessionárias na distribuição de energia, passando o patrimônio dos paraibanos a pertencer a grupo financeiro alienígena. Tudo vendido por baixo, a preço de banana.

         Alguém pode dizer, para justificar, que existem os tempos de crise, e se insinuam as figuras espertas dos enroladores, conhecidos como “tapias”, que ajeitam o negócio. Quanto ao nosso caso, esclareço: inexistia crise no setor. Em relação aos “corretores-enrrolões” não é difícil encontrá-los.

Quero deixar claro que, se não foi difícil para a Energisa, cooptar os poderes do Estado e a imprensa militante, para decidir o nosso triste destino, difícil será corromper o povão. Este não se vende.

Nem tudo, entretanto está perdido para o país, pois existe ainda patriotas como o governador do Paraná, Roberto Requião. Ele não priva-tizou a distribuição de energia elétrica, nem o Porto de Paranaguá, nem os pedágios no seu Estado. Os serviços de distribuição de energia e de aten-dimento rodoviário e marítimo-portuário, em compensação têm a menor tarifa e a elevada e comprovada eficiência, deixando para trás os demais estados.

A população percebe a crise em que mergulhamos, com a crise dentro de sua casa. E começa a protestar. Faço a minha parte. Estou disposto a tudo. Depois dos setenta, nem a morte nos faz medo.

Expliquem-se Energisa e governo. Venham quente que eu estou fervendo!

E não falei ainda da arrogância dos seus dirigentes, do péssimo atendimento nos escritórios, aos que os procuram para reclamação. (Sertão, 19 /9 /2008)

A CRÔNICA QUE NÃO FOI LIDA – PREFÁCIO

Tenho em mãos, os originais em dois volumes de um trabalho elaborado por Evilásio Marques Pinto, que trata do resgate literário de aspecto interessante da memória sócio-cultural da nossa cidade de Sousa: o jornalismo de uma época.

Meticuloso e cuidadoso como fazia o seu falecido pai, o emérito Professor Virgílio Pinto de Aragão, em relação à vida de sua cidade, narrada e descrita em textos e documentos, Evilásio assume a herança intelectual, elabora o seu livro. O título da obra “A Crônica Que Não Foi Lida”, alude a fatos destacados pela sua reconhecida importância, quando aconteceram, reais, dominando, certamente, o painel das idéias da nossa urbe, da nossa gente, e supostamente guardados.

Não se tendo tornado os fatos, convencionalmente públicos, isto é, através do seu Serviço de Alto-Falante Voz da Mocidade – modo e meio competente na época –, sabiam os interessados, que tais lembranças desapareceriam com a memória pessoal de cada um. Para sorte de todos, porém, Evilásio quer salvá-los, levá-los mais longe no tempo, reduzindo-os à forma escrita e impressa. Pois aqui está o livro, revelando as “crônicas não lidas”, este veraz e delicioso saltério sousense.

Farta é a documentação reunida em textos autênticos colhidos pelo serviço de alto-falantes, que tratam do cotidiano de uma comunidade como outras: da administração pública, das atividades empresariais urbanas e rurais, da educação, da cultura, da saúde, do urbanismo, do esporte, do lazer, da política, enfim. Oportuno o esforço, melhor o resultado. Inclusive a reprodução fac-similar de jornais do passado, e a Portaria 65 do Serviço de Censura e Diversões Públicas, autorizando o funcionamento da “Voz da Mocidade”, com estatuto publicado no Diário Oficial, devidamente apresentado no Cartório do Registro de Títulos, tudo com data e chancela. Como não? Posso afirmá-lo como sousense, contemporâneo das vivas ocorrências, e está no livro, para conhecimento geral. 

O autor goza entre os seus conterrâneos o prestígio de iniciativas e realizações no ambiente da cultura, criando um cadastro de dados acessível à população, podemos dizer. A sua vocação para o jornalismo nos presenteou com o “Serviço de Alto-Falante Voz da Mocidade”, de que tratamos, e a revista literária “Fatos”, que durante largo espaço de tempo existiram e serviram de meio e apoio na divulgação de notícias e debates, desempenharam relevante trabalho no campo da Comunicação Social no nosso meio.

Ali reencontro o rapaz Nozinho de Aldo falando dos seus amores, da saudade de Sousa, exilado, longe no estudo, mais tarde juiz de direito, fundador e diretor da Faculdade de Direito de Sousa, jornalista, intelectual consagrado com o seu nome próprio Firmo Justino de Oliveira. Cola-borador erudito, Edísio Justino cultivava grandes temas, ao lado do sisudo Otávio Mariz e do espirituoso e irônico Zú Silva contando as suas histórias. E mais Sylvio Timótheo e Gastão Medeiros evocando datas, pessoas, Eládio Melo, e Professor Senhorzinho discutindo os costumes, os vultos venerandos da pátria. Romeu Gonçalves e Nias Gadelha, em discussões veementes sobre a política partidária local, secundados por Luiz O. Maia o mais terno, trágico e mavioso entre os poetas de Sousa ou que aqui viveram, outros e outros, inumeráveis, tratando de intimidades, opinião pública, cidadania.

E pasmem! Coisas nacionais e internacionais, universalizando o nosso métier. O Sputnik, o inverno, a seca, o comércio, os bancos, a indústria, os costumes, estão ali no livro. E os severos e cáusticos comentadores e críticos alônimos como “Marcelo”, “Zé da Boa Vista”, e o famosíssimo na época “Léo–Dênis”, que provocou censura e intervenção policial na programação da “Voz da Mocidade”. Duvidam? Comprem o livro. A portaria famigerada será editada em fac-símile.

Chamo a atenção dos leitores para a importância dessas realizações, na atividade hoje denominada mídia, criadas por Evilásio, numa época que não existiam estações de televisão, e a rádio-difusão somente funcionava nas capitais dos Estados, nas grandes cidades.  Localidades do interior, Sousa entre elas, viviam o seu próprio universo humano e social em movimento, mas isolada, ausente do noticiário que falava do hoje, do moderno do que estava por vir.

Entre outras denominações e títulos dados aos programas, tão sugestivos, também este do gosto local, que assegurava audiência e popularidade à sua “Voz da Mocidade”. Ele sabia que era importante despertar curiosidade, provocar suspense para se tornar irresistível, daí a denominação do programa e o título do livro: “A Crônica Que Não Foi Lida”. Intuiu que todos fariam indagações, se entregariam à conjecturas. O que não foi lido? Algo importante, com certeza, envolvendo interesses reservados da sociedade local, que não deveriam ser divulgado na época. E todos desejariam saber. Evilásio fez muito bem em decidir publicar em livro o que foi lido e caminhava para o esquecimento. Está na trilha certa, coberto de razão. O seu livro será lido como as suas notícias eram escutadas e comentadas. Faziam a vida da cidade. E lhe somos gratos. Quantas lembranças renasceram na minha memória cansada, que não se encorajava em buscá-las, não sabia onde procurá-las.

Considero suaves, estimulantes e ternas tais lembranças. Afinal de contas muitas ali elas estão renascidas, para nova fruição. Por que não?. (22-09-2008)

 

Reencontro com
       velhos amigos.

Pessoas estranhas os poetas. Cada um com o seu comportamento e estilo esquisitos. Ontem cumprimentei alguns, até em demorado papo com os mais chegados a mim: Jomar Souto, por exemplo, e Flávio Satyro, meus colegas de curso na Faculdade de Direito do Recife. Até Agassiz, que se apresenta como sociólogo e historiador, poeta também o é, faz jus á cominação. O jeito e a prosa não negam, mostrados na cabeleira revolta, nos gestos, na postura apolínea cangaceira, desafiante, caririzeira.. Temos os homens!

Surpreendeu-me Jomar, em pleno decorrer da solenidade, ao mover o braço com rapidez, gemer baixo, poeticamente, puxar a manga do paletó, olhar para o relógio e disparar: “ás nove tenho compromisso”. E os ponteiros (como diz o locutor esportivo) marcavam exatamente nove horas!

Descuidei-me, ele esgueirou-se e desapareceu sem eu perceber. Uma mulher? Um disco voador? Jomar é assim desde que o conheço. Em João Pessoa é visto espremendo-se contra as paredes, dobrando esquinas, marchando discreto para passar despercebido. Talvez para observar melhor, detalhes da paisagem inarredável de árvores e prédios, e a circulante agitação de homens angustiados e veículos nas encruzilhadas das ruas, da vida, enfim, os aviões roncando sobre suas cabeças, para extrair-lhes, quem sabe, a essência poética.

.E Flávio Sátiro, ar sorumbático, com o olhar passeando pelo auditório, o pensamento certamente nos “Patins do Majó Migué” - que ladeava Ronaldo Cunha Lima e o polígrafo conterrâneo e amigo Paulo Gadelha -  mostrou-se animado com a fartura do coquetel.  Tudo era poesia, era feito para os poetas. A começar pela Cadeira Número Um, cujo patrono é Augusto dos Anjos e foi ocupada pelo meu dileto e inesquecível amigo Waldemar Duarte, bibliófilo  e poeta. Damião Cavalcanti brilhou no texto declamado por outro poeta, Neumanne. ”Se os momentos são bem vividos,/ Viverei eternidades./ Cada um em cada uma / Com início, mas sem fim” Razão tem Aristóteles quando diz na Estética, que a poesia é mais filosófica do que a história.

E tinha muita gente mais: romancistas, políticos que cumprimentei, num papo bem administrado pelo amigo Manezim Gaudêncio, assistido por Roberto Cavalcanti com o seu ar provecto. Por sinal, gostei da sua presença na tribuna do Congresso, pela freqüência e também pelos temas dos pronunciamentos, particularmente sobre o petróleo de Sousa, que acompanhei na fazenda, pela TV Senado. Foi o que vi levado pelas mãos de Amável e Zé Otávio.  Inclusive o meu ex-capelão cônego Eurivaldo Tavares, e o primo João Gualberto, médico, chegado do Rio, ao lado de Raulino Maracajá casado com a minha prima Vânia. Ah! Quantos conhecidos de “trasonteontem”, como dizem em Piancó e Cajazeiras, sobre tempos recuados.

Encontro-me em João Pessoa, para rápida visita aos filhos que cursam a universidade. Voltei para breve permanência, para a posse de Neumanne na Academia Paraibana de Letras, não para ficar. Mas, quanta gente abracei!

Comecei com o primo Ascendino (como o sertanejo gosta de falar em relações de parentesco!). Depois Juarez, Osvaldo Trigueiro, Carlos Romero, Humberto Cavalcanti, Luiz Nunes, Evandro Nóbrega, Hildeberto Barbosa, Sérgio de Castro Pinto, Welligton Aguiar, Ronaldo Cunha Lima, Zélio Neves, José Jackson, Joaquim Carneiro e tantos mais portando medalhas, que me fogem os nomes. Não vi Carlos Aranha, mas soube que ele estava lá. Para outros acenei com efusão.

Não comentarei os discursos de Neumanne e Ronaldo. Fica para depois. Porque eu dizia a Jomar, nos intervalos da litúrgica cerimônia, que, o que caracteriza a literatura de ficção, no caso a poesia e a prosa, para mim, não é a reflexão, mas a marca da desrealização da linguagem,  como observa Merquior.

Não cabe no momento aprofundar a discussão. Sabemos da literatura jurídica, contábil, etc. Existem, todavia, é bom assinalar, características constitutivas, que identificam linguagem e estilo, que verificamos em Augusto dos Anjos e Castro Alves, evitando-se, evidentemente, a técnica de “dissecação” léxica e sintática do período, da oração e dos seus termos.

Também em Jomar, que Virgínius da Gama e Melo considerava o melhor entre os novos poetas paraibanos (gosto de todos – vale o trabalho!), no verso sonoro, harmonioso de “Poema”, em “Pedra de Espera”: “Assim viajo o poema,/ e antecedido ao alígero aéreo-áureo armilar,/ anteponho as alvas asas, acomodadas ao alvo,/ às aranhas e ao luar”, as silabas constroem uma cadência, um ritmo natural á mensagem poética.

E João Cabral de Melo Neto, tais caracteristicas completa, por sua vez, na cortante e perfurante linguagem, de métrica duríssima-pétrea do verso, em “Uma educação pela pedra: por lições; / para aprender da pedra, freqüentá-la;/ ..... lições de pedra (de fora para dentro,/ cartilha muda), para quem soletrá-la”. A pedra nos remete à aridez humana e geográfica do Nordeste e é símbolo constante na obra do autor, fazendo confluir a temática social (linguagem-objeto) com a reflexão sobre o fazer poético no próprio texto artístico (metalinguagem), como assinala o crítico e comentarista.

É bom parar por aqui. Basta de transcrições e repetições, na tentativa de sustentação de minha tese.

 

A HORA É CHEGADA

 

Outra vez recorro a velhas lembranças. Não posso evitar. Vejam que morreram nos últimos dias, meus coetâneos Lauro Nobre Mariz, em Sousa, e Waldick Soriano, no Rio de Janeiro. Sobre o último a atriz Patrícia Pilar elogiou suas qualidades pessoais de caráter, de artista enfim. Ah! Como lhes devo momentos da mais intensa emoção, possível de imaginar, que vivi nos bares e cabarés baratos do sertão, nas reuniões galantes da minha cidade!

 De Waldick: “Amigo, por favor, rasgue esta carta e diga aquela ingrata...  Eu não sou cachorro não pra viver tão humilhado... Fuscão preto, você é feito de aço...”  Como o meu coração, direi.

Foram canções cantadas pela minha geração de bar. Certamente Celso Novais, Abelardinho, Robertohe Sá, Zé João Torres freqüentariam outras praias, cantariam Vinícius e Tom, Nara e Wanderléia. Não sei se Biu entraria neste time, ou no meu. E melhor parar. Sofro demais.

Sobre o desaparecido de Sousa, Lauro Nobre Mariz, nele tudo era digno, íntegro, humano. E como cantava e encantava! como dizem os animadores de festas e de auditório. A sua voz (volto pra traz de novo) semelhava a do divino Tito Schippa nas décadas 40 / 50 do século passado quando declamava em gorjeios paradisíacos (gostaram?) “Santa Lucia”, “Torna Surrento”, que desfrutei no romantismo globetrotter dos usineiros de Pernambuco, cujas festas freqüentei como penetra – um hábito dos estudantes do Recife do meu tempo.

Quando Lauro cantava “Salão Grenat”, “Por Ti” – desbancava Carlos Galhardo e Orlando Silva. Ninguém cantava com mais beleza do que ele, a voz saindo do coração: “Num salão grená paira pelo ar nota esmaecida...  Por ti serei capaz de todas as loucuras...”

Lauro era sobrinho de Celso Mariz e primo de Antonio Mariz, mas deixou de lado as letras e a política. Dedicou-se mesmo ao esforço pessoal de cuidar de sua família, do bem comum, noutra esfera: das ações sociais voltadas para a ética, à assistência aos menos favorecidos pela sorte (não somente a pobreza material). Era maçom de elevado grau filosófico, creio que o famoso Grau 33.

Desconheço inimigos que ele tenha deixado. Mas sei dos milhares e milhares de amigos que choram o seu desaparecimento. Eu sou um deles.

         Devo eximir-me de falar sobre o nosso relacionamento que vem do tempo de rapazes, em Sousa. Levaria muito tempo. Mas falo da conversa na sala, quando trocávamos visitas (no tempo em que tal se praticava), do cafezinho que as nossas mães serviam, e comentávamos sobre a cidade, as nossas namoradas, marcávamos serenatas, quando a sua voz encantava a todos. Naquele tempo o motor da luz era desligado às dez horas da noite, e varejávamos as ruas com Lauro cantando, acompanhado ao violão à luz da lua. Tempo que se foi.

         Lauro, viúvo, morava sozinho para não incomodar nem os filhos, mas era assistido por eles que o amavam, e por uma velha doméstica, do tempo de sua esposa Francisca, que o visitava regularmente para cuidar da casa. Tinha de morrer como morreu, dormindo, sozinho, para não provocar vexame em qualquer um. Ignoro alguém, que um dia, tenha sido incomodado por ele. E quantas vezes o procuramos para um favor pessoal, um pedido – um agradável papo, pelo menos.

         Lauro foi feliz até na hora do passamento final. Morreu como quis, evitando a cena que desaba neste momento, desesperadora para os outros, que nada podem fazer. 

Sertão da Paraíba, 05 de setembro de 2008

 

O POETA CASTRO ALVES E OS TRAIDORES DA PÁTRIA

A poesia de Castro Alves, me infundiu a crença nos valores da pátria e do povo. Desde os dez anos de idade, quando a conheci nos livros do meu pai. Há sessenta e quatro anos, portanto, cultivo a apoteose que glorifica o seu nome e os seus versos, que soam como brados coléricos de patriotas contra os traidores e vendilhões da pátria. Eles existem, e estão aí, no governo Lula, na prefeitura de João Pessoa, pelo menos, para falar do que sei.  Não se trata de mera referência retórica. Quem tem olhos vê, quem tem ouvidos escuta. E o nosso grande Zé Américo, já dizia que o pior cego é o que não quer ver. É preciso dar raízes nacionais, locais, populares à discussão, sem argumentos especiosos.

 Como os ditadores, Ricardo e Lula têm muitas caras – assim comprova a sua conduta de homens públicos, e mostra gloriosamente a TV. Quem não vê? Salvo a “claque de barrigas-cheias” de Ricardo, os “alo-prados” do PT, e os “comilões” da base de sustentação do governo, no Congresso. Tudo está nos versos do poeta dos escravos, que cunhou a legenda: “a praça é do povo, como o céu é do condor...” e ecoa, mutantis mutandis, como o ranger de dentes, a frustração dos objetivos populares, para a construção da glória nacional, que todos almejamos. Leiam, vejam, meditem. Como no teatro:

“ ‘Stamos em pleno mar... /  tinir de ferros, estalar do açoite, / Legião de homens negros como a noite, / Horrendos a dançar. /  No entanto o capitão manda a manobra / Diz do fumo entre os densos nevoeiros: / Vibrai rijo o chicote marinheiros! / Fazei-os mais dançar...”

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“Senhor Deus dos desgraçados! / Dizei-me vós, Senhor Deus, /  Se eu deliro... ou se é verdade / Tanto horror perante os céus...”

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“E existe um povo que a bandeira emp