Elpídio Navarro
 
Professor aposentado da UFPB
  Diretor Teatral, Dramaturgo e Editor do eltheatro.com
  elnavarro2@eltheatro.com

PESQUISAS

No futebol costuma-se dizer que o resultado do jogo só deve ser comemorado quando o juiz apita apontando para o centro do gramado, encerrando a partida. Aí, então, pode comemorar sem risco de decepção. Antes disso existe o risco de um gol aos últimos minutos do tempo de acréscimo. Já vi isso acontecer.

Numa eleição ninguém está garantido até que o último voto seja apurado. Lembro do tempo que João Pessoa era maior, compreendia também Cabedelo, Conde e Pitimbú. E na eleição para prefeito tinha candidato que dependia dos votos dessas localidades e havia sempre quem argumentava: "Não cantem vitória antes do tempo! Ainda faltam as urnas das praia!..." E muitas vezes a contagem desses votos mudaram um resultado que imaginava-se garantido.

Lembro também de um fato que contava meu falecido camarada Raimundo Nonato Batista: era dada como certa a vitória de Rui Carneiro sobre João Agripino. As últimas urnas chegadas de avião particular e vindas do alto sertão, mudaram tudo e elegeram João Agripino. Rui Carneiro moveu ação junto ao Superior Tribunal Eleitoral da época, alegando irregularidades durante o transporte das urnas, precisamente a troca de votos. Acabou ganhando a questão. Com dois detalhes: ele já havia falecido e João Agripino já concluíra o mandato. Perguntado a Agripino o que achava do acontecido, respondeu: "Em política, feio é perder!"

Pois é: é preciso ter cuidado com comemorações antes do apito final ou do último voto apurado.

Vejo as pesquisas sobre a eleição para Presidente: Dilma dispara na frente em todas elas. E em especial na do IBOPE. 24 pontos de vantagem sobre o Zé Serra. Mas os asseclas do PSDB do vagabundo FHC, procuram criar um fato novo que venha prejudicar a candidatura que a essa altura já aparece como vitoriosa. Vejam essa história das funcionárias públicas que revelaram informações sigilosas se não é uma tentativa. Já já acusam Lula como envolvido no fato. Eles mesmos podem ter criado a situação.

Mas me surpreendeu o que disse o Presidente do IBOPE, Carlos Augusto Montenegro, há um ano: "O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não fará o sucessor, apesar da alta popularidade. Não conseguirá transferir seu prestígio pessoal para um poste”,  que era como tratava a ex-ministra Dilma Rousseff. Eu pensava diferente, mas o declarante era autoridade no assunto, tinha o IBOPE na mão.  Agora me surpreende mais ainda a sua nova fala: "O Brasil já tem uma presidente. É Dilma Rousseff" E complementa numa entrevista (LEIA): “Errei e peço desculpas. Na vida, às vezes, você se engana”.

Detalhes: Zé Serra já tentou de tudo para mudar a situação. Começou incluindo Lula na sua propaganda eleitoral. Não adiantou. Agora, por determinação dos caciques do PSDB, ataca o Governo, enquanto Dilma se limita a expor suas intenções como Presidente. Mais uma vez tudo indica que Zé Serra deu um golpe errado.

Apesar de acreditar, como eleitor, na vitória de Dilma, prefiro não contar com o ovo ainda no fiofó da galinha. Vou esperar o dia 4 de outubro para comemorar, ou não.

Aqui, na Paraíba, não parece ser diferente. À cada pesquisa divulgada aumenta a vantagem de Zé Maranhão. A última, do IBOPE, contratada pela TV Cabo Branco, apresenta 53% de Maranhão contra 31% de Ricardo.   E a coisa piorou para Ricardo Coutinho com um debate infeliz, onde a sua agressividade contra Maranhão foi explícita, além de colocar em dúvida o apoio e a amizade de Lula ao atual Governador. Foi um tiro no pé, pois logo em seguida, no Guia Eleitoral, aparece Lula declarando amizade e apoio a Zé Maranhão. Mas continuo achando que o grande erro de Ricardo foi se ombrear com Cássio Cunha Lima, político cassado por corrupção. Era preferível perder sozinho (e eu estaria votando nele e muita gente que eu conheço também) do que mal acompanhado. E repito o que já disse antes nesta página: só quem levou vantagem foi Cássio que tem os votos de Ricardo, em João Pessoa,  garantidos (e ainda com a Paraíba correndo o rico dele ser eleito, se o TSE não barrá-lo) enquanto a recíproca não é verdadeira, diante do resultado das pesquisas. Não seria nenhuma surpresa Ricardo perder as eleições até dentro de João Pessoa.

Mas tudo isso a gente só vai ter certeza no fatídico, para alguns, dia 4 de outubro. Até lá, muita água passará por baixo da velha ponte do Rio Sanhauá. (30-08-2010)

 

Propaganda eleitoral, presente!

Sabem? Eu até que achava que esse negócio de propaganda eleitoral fosse um saco. Mas não é não! É muito engraçado. Hilário muitas vezes. Outras vezes chega ao extremo do ridículo. Aqui e acolá nada deve aos programas humorísticos da TV e, muitas vezes, é bem melhor que o já ultrapassado "Zorra Total". Tem até candidato (Levy Fideles) fazendo propaganda da Parmalat!...

Começando com o vídeo em que Serra diz que come toda uma família, um dos mais acessados do YouTube (veja), vamos encontrar outro onde o comediante Tiririca aparece candidato a deputado federal e é a mais honesta de todas as propagandas que vi:

 

Umas, até bem boladas:

 

Mas descambando da política nacional para a paraibana, a graça não muda nada. Começo com um candidato que querendo mostrar seu conhecimento da língua portuguesa, resolveu usar o verbo abundar na sua propaganda no guia eleitoral, afirmando que " a graça  e a paz do nosso Deus ABUNDA nosso coração". Fico imaginando a cara daquele eleitor (maioria) pouco informado, com essa mistura de Deus com abunda... Outro candidato de nome Branco pede para  votar em Branco enquanto, querendo ser criativo, tem um que apela para o slogan "Antes PSOL do que mal acompanhado. Mas o campeão paraibano da falta de senso crítico é o candidato Lindolfo Pires com o seguinte vídeo:

Lá nos States houve um reboliço no túmulo de Michael Jackson e seus herdeiros já se preparam para cobrar direitos autorais, que não devem sair barato.

E o debate na TV?

Cansativo, repetitivo, sacal. Quatro candidatos contra dois. Quatro protagonistas de uma "Missão Impossível" e dois coadjuvantes de um "Sai de Baixo". E, como não podia ser diferente, o pau cantou na casa de Noca em riba de Zé Maranhão e Ricardo Coutinho. E só houve um perdedor: o telespectador.

Usando constantemente de repetição do que já haviam falado, os quatro representantes dos partidos ditos de esquerda, se revezavam com um único objetivo: atacar os candidatos, dito por eles, de direita. Ricardo Coutinho se defendia dos ataques da "esquerda" atacando Maranhão e, infantilmente, perguntando a ele se havia votado em Lula em 2002. Foi um golpe errado: Maranhão inseriu no Guia Eleitoral um pronunciamento de Lula dizendo-se seu amigo  desde a Constituinte e que sempre o apoiou e dele recebeu apoio. Foi um tiro no pé. Já  Maranhão, por sua vez e mal assessorado, deu importância à pergunta idiota e ao tentar expor suas metas de governo, quase sempre não concluía por falar com uma certa lentidão e nervosismo,  deixando o tempo esgotar-se.

Concluindo: uma droga de debate. Os candidatos de esquerda não chegam nem a vislumbrar a capacidade de argumentação de um Plínio de Arruda Sampaio ou Ivan Pinheiro. Já Maranhão e Ricardo, ficaram sem dispor de tempo para apresentar suas propostas e promessas. (23-08-2010)

PS: Posteriormente li uma reportagem que anuncia que esta pode ser uma campanha violenta, mesmo com os candidatos defendendo maiores providências de combate à violência: o coordenador da campanha de Ricardo Coutinho em Cajazeiras destruindo, com ares hitlerianos, a propaganda eleitoral do seu principal opositor, Zé Maranhão. VEJA

 

Maioridade

A totalidade das pesquisas feitas, pela mídia e organizações diversas, sobre a redução da maioridade do brasileiro para 16 anos, consegue a aprovação do povo para que se mude a legislação nesse sentido. Essa preferência é consequência da realidade em vivemos no Brasil: crimes hediondos são praticados por pessoas, no momento, menores de 18 anos, que mesmo tendo seus atos comprovados e presas, só vão permanecer dois anos ou menos tempo na prisão. Disso se aproveitam adultos criminosos, convocando-os para suas gangues e sem o menor receio, atirando-os para missões muitas vezes suicidas, como a velha prática do "boi de piranha".

Há quem defenda ser uma minoria os menores delinquentes. Deve ser mesmo porque, se não, estaríamos no mato sem cachorro: a maioria da juventude brasileira ser formada por bandidos. Há quem defenda que proteções que a legislação garante ao menor de idade estariam sendo perdidas: a maioria da juventude brasileira não necessita delas.

Os menores presos por ato criminoso, são protegidos e muito: nem suas caras são mostradas na mídia, como forma de proteção. Se, pelo menos, eles fossem mostrado à sociedade, esta saberia melhor se defender deles, reconhecendo-os.

Os legisladores brasileiros aprovaram a mudança da maioridade para que aos 16 anos o jovem seja eleitor. Correto, pois aos 16 anos a maioria deles é responsável, tem opinião própria gerada pela educação recebida, tem discernimento para uma escolha. Felizmente!  Mas, por outro lado, todos os deputados e senadores legislaram  em causa própria, aumentando a população votante, aumentando as possibilidades de cada um trabalhar a nova faixa etária, buscando ou comprando votos.

Faz pouco tempo que instituições diversas fizeram uma campanha para coletar assinaturas pedindo a aprovação da importante Lei da Ficha Limpa. E valeu. Lei aprovada e já valendo e  funcionando. Agora é preciso surgir uma corajosa instituição que faça o mesmo,  comprovando a vontade da população pela redução, que, certamente, assinará um milhão de vezes. Pode ser minha a primeira assinatura.

Não que o que é bom para os Estados Unidos da América é bom para o Brasil. Mas lá, considerada a maior democracia do mundo, menor de 18 anos cometeu um crime hediondo, vai para a cadeia igual a qualquer pessoa. Quando não entra no corredor da morte.

Em 2000, o Jornal do Comércio, de Recife, veio a publicar a matéria abaixo, mas, dez anos se passaram e nada foi feito para  iniciar um processo de concretização da tão desejada mudança legal.(16-08-2010).
 

MAIORIDADE EM DISCUSSÃO
Menores de 18 anos poderão ser punidos pelos crimes praticados

Para alguns procuradores federais, que realizaram um encontro nacional no Rio de Janeiro, a lei atualmente é considerada muito branda e deve ser modificada, a fim de que se torne mais subjetiva

RIO – Procuradores federais, reunidos num encontro da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público, no Rio, defenderam a mudança da lei que determina a maioridade penal, para que menores de 18 anos possam ser punidos por seus crimes.

A diminuição da idade está sendo discutida pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Para os procuradores, a lei hoje é considerada muito branda e deve ser modificada a fim de que se torne mais subjetiva.

“Não faz sentido que um adolescente de 17,9 anos seja considerado irresponsável e, no dia seguinte, passe a ser capaz de responder por um crime”, afirmou o procurador Delmar Pacheco da Luz, do Rio Grande do Sul.

Na opinião dos membros do Ministério Público, é necessária uma séria discussão sobre o assunto. “Não se pode tratá-lo como dogma, como tabu”, disse.

Uma solução considerada razoável por ele é a instituição obrigatória de um exame psicológico do menor infrator que tenha entre 16 e 18 anos. Se ele cometesse o crime nessa faixa, seria submetido a um exame que o qualificaria como responsável ou não por seus atos. O grande problema criado com a inimputabilidade dos menores, segundo os procuradores, é o fato de igualar todas as infrações cometidas.

“Existem muitos assassinos nas instituições de menores, ainda que esses assassinos sejam meninos. E eles saem dali com 21 anos, mesmo que tenham cometido homicídios em série, com a ficha limpa”, disse o procurador Alexandre Cebrian, de São Paulo.

A maior medida sócio-educativa imposta a menores de idade é de três anos.

“No mínimo, é preciso ter mecanismos para discutir casos de aberrações”, ponderou o procurador José Fernandes Gonzales (RS), referindo-se a menores que cometem assassinatos, são internados, fogem e voltam a praticar crimes. “Ou se diminui a maioridade penal, ou se cria uma espécie de direito penal dentro do Estatuto da Criança e do Adolescente”, completou Gonzales.

Os procuradores se reuniram para discutir as propostas sobre a reforma do Código Penal a serem enviadas ao Congresso.

A principal crítica é com relação à modificação que, na opinião da associação, esvazia a Lei dos Crimes Hediondos. Pela reforma, os condenados por esses crimes terão direito à progressão de regime (de regime fechado para semi-aberto, e deste para aberto), o que antes era vedado, e poderão obter liberdade condicional em menos tempo: a partir do cumprimento de metade da pena – até agora, o benefício só era permitido com dois terços da pena cumprida.

 

Equilíbrio Social

Existe uma  preocupação, seja da sociedade ou do estado, que gira em torno da manutenção do “equilíbrio ecológico / ambiental” para a garantia da qualidade de vida, ou mesmo a nossa própria sobrevivência no futuro, é o que explica a ciência. Ouvi alguém perguntar: será que as leis do tráfego de drogas, principalmente aquela que dita matar quem não pagar, não é uma forma de proporcionar um equilíbrio social natural? E explica: sim, porque quanto mais matarem intermediários e consumidores de drogas, mais diminui a clientela dos traficantes e o negócio cada vez mais diminui. Poderá chegar ao ponto de deixar de ser um bom negócio para eles e os obrigarem a mudar de ramo.

Até pensei: faz sentido... Mas que nada! Aqui mesmo na Paraíba, era sempre notícia nova: "A vítima tinha envolvimento com o tráfego de drogas." Semana passada amanheceu o sábado com oito dessas vítimas fazendo notícia na mídia. Agora já passa a ser notícia corriqueira. A onda cresce...

Uma amiga minha contou uma tragédia acontecida dentro da sua família: um primo, de 23 anos, ficou viciado em craque (dizem que basta experimentar uma vez) e transformou-se num insuportável filho que obrigava a mãe, de forma violenta, a lhe fornecer dinheiro para a compra da droga. Uma dia a mãe reagiu e não mais facilitou o vício do filho. Apanhava, mas não o atendia. O rapaz, que já havia vendido, ou trocado pela droga, tudo que era de algum valor que existia dentro da sua casa, foi para a rua e, ajoelhado, implorou, pelo amor de Deus, que lhe dessem trinta reais para que ele não morresse. Não foi atendido e, desesperado, voltou para dentro de casa e, de lá, ficou gritando: "Mãe, venha ver o seu filho morrer..." Quando parou de chamar, a mãe entrou na casa e ele estava morto: enforcado. Diante do vício e da dívida de trinta reais ao narcotráfico, preferiu matar-se a ser morto.

Ouvi numa dessas reportagens uma mãe declarando: tentei internar meu filho para  ele se tratar, mas não consegui. Precisava ter dinheiro. Só pode fazer isso quem é rico.

Leio que "Um plano descoberto pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen), em conjunto com a Polícia Federal, formulado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), tinha o objetivo de matar dois juizes e dois promotores que combatem o crime organizado em Alagoas. O plano foi descoberto na sexta-feira através de gravações telefônicas entre detentos do presídio de Catanduvas, no Paraná."

Não seria a primeira vez de  crime executado com orientação e comando emanados de dentro dos presídios brasileiros. A Polícia sabe disso, a Justiça também e a mídia não evita divulgar. O que não descobrem é quem facilita a entrada de celulares nas prisões ou quem serve de arautos no envio dessas ordens. Aliás, saber devem saber, o que não conseguem é provar.

Ou as leis facilitadoras à tais práticas são mudadas ou que se use a simplória ideia do zelador de um condomínio onde morei: "um navio com um compartimento de fundo falso. Encher de bandido e no alto-mar abrir o piso do compartimento fazendo com que todos caiam na água. Aquele que conseguir  se salvar nadando até à praia, estará perdoado, porque foi milagre de Deus." (09-08-2010)

 

PIRRAÇA

 

Já declarei aqui, e onde sou desafiado a declarar, que o Governo de Lula foi para mim o melhor dos últimos 50 anos. Mas é que eu acho mesmo e nada tem com partidos ou ideologias. Assim, a sua indicação de Dilma Rousseff para substituí-lo recebe meu total apoio.

Por outro lado, qualquer nome ligado ao auto-denominado vagabundo  Fernando Henrique Cardoso (ele é aposentado), vejo com bastante asco e só me provoca vontade de vomitar. Olha a cara de Zé Serra, isso para não falar do seu comportamento ideológico pleno de falsidades. Isso tudo eu também já declarei aqui.

Comprovadamente não estou só nessa posição: quase 80% do povo brasileiro concorda comigo, segundo todas as últimas pesquisas feitas no País. Para não ir muito longe, ali, no vizinho Rio Grande do Norte, a oposição liderada pelo Senador José Agripino Maia (DEM), só falta mandar votar em Dilma e não ataca Lula, pois sabe que se o fizer é o mesmo que perder votos. Aqui, por sua vez, oposição não existe. Os principais candidatos, Maranhão do PMDB e Ricardo do PSB, aguardam ansiosos as presenças de Lula e Dilma nos seus palanques e nem querem ficar perto da passagem de Zé Serra.

Onde está a pirraça? Nas matérias, charges e fotos-montagem de conteúdo achincalhador,  tudo de autoria não declarada, que recebo de pessoas que conhecem a minha posição e para quem nunca enviei nada contrário às suas posições políticas. O que eu tenho feito é escrever minha opinião e assinar. Ninguém é obrigado a ler. Então só posso imaginar que seja pirraça comigo, mesmo porque as matérias assinadas dos nossos colabores no Eltheatro contrárias aos meus pontos de vista, são publicadas integralmente sem nunca terem sofrido censuras.

Faço um desafio a todos que se escondem no anonimato, que produzam seus achincalhes e tenham a coragem de assinar, que reservarei para eles um espaço neste site. E não me venham se escondendo em matérias assinadas por terceiros. Gozem com o seu próprio... (02-08-2010)

 

 

KALIANDRA

Evandro Nóbrega e W. J. Solha envolvidos com essa coisa de origem de nomes foram a fundo em pesquisas e me levaram, acho, a me meter no assunto.  Sem pesquisas e direto ao assunto, começo com meu próprio nome que a minha mãe tirou do Almanaque do Capivarol , folheto bem popular nas passadas décadas de 30 a 50, que trazia um calendário informando o santo do dia: dois de setembro Elpídio e ela sem dó nem piedade lascou em riba do recém-nascido.

Numa busca no Google consegui descobrir que existe na Itália uma cidade com meu nome: "Estigmatizado, Ufologo e Divulgador das Mensagens da Virgem Maria. Giorgio Bongiovanni é italiano, filho de operários humildes. Mora em Porto Santo Elpídio, um pequeno lugar da Itália banhado pelo mar Adriático."  Mais adiante surpreendo-me com a informação de que Elpídio é santo do mês de novembro e que estava errada a informação do Almanaque do Capivarol. Vá confiar! Eu podia ter nascido José. "Vige como tem Zé na Paraíba!"

A única vantagem que levei quando menino foi a de mostrar aos outros o meu nome impresso no tal almanaque. Recentemente uma pessoa (amiga!) confessou que achava meu nome lindo. Tá doida!

Já o Navarro é espanhol. De Navarra cuja capital é Toledo. Nascido eu na Espanha estaria hoje lutando pela independência da Região Basca e jogando bombas em Madri, acho, só pra contrariar. Está escrito que a família Navarro espalhou-se por todo o mundo e no Brasil existe em todos os Estados. Muitos paraibanos navarros mandaram-se para outras regiões do País e lá, certamente, foram encontrar outros navarros que já existiam. Conheci um "primo" (Jornalista Walter Navarro) que vem há muito colaborando com este site. E ele não tem qualquer ligação com a Paraíba. Ele é de Minas Gerais. Aliás, certa dia, morando em São Paulo por conta de participar de um curso na USP, peguei uma lista telefônica e fui procurar um Navarro: tinha mais de mil...

Mas chega do meu nome, aqui citado para enchimento de linguiça, para fazer crescer em tamanho o presente artigo. Meu negócio é com Kaliandra. Já conheci uma jovem que chamava-se Renelza (junção de Renato e Elza), pura ignorância de pais que não tiveram o discernimento para imaginar como seria um vexame para a criança quando virasse uma moça, uma mulher. Outros pais juntos dois nomes que não se combinam e botam nos filhos: Leandro Euzébio e Diego Renan, ambos jogadores de futebol. Mas eu conheci um Sebastião Eduardo e um Joaquim Vasco.  Pior, só colocar nomes de vultos históricos, principalmente os não bem vistos pela humanidade, tipo Hitler, Mussolini, Atila e Nero.

Mas como já disse, meu negócio é com Kaliandra, recém nascida e neta da minha secretária doméstica. De onde danado saiu esse nome? Kali é considerada deusa da morte e da sexualidade é uma das divindades mais cultuadas do Hinduísmo. De Andra, além de denominar algumas empresas, músicos e músicas, é o  Conselho Nacional de Controle - ANDRA, da Austrália, que identifica metas e estratégias.

Procurei saber de onde danado tiraram esse nome e tive como resposta que os pais achavam bonito. Será que a guria futuramente vai achar? Certo estava Ariano Suassuna quando registrou os filhos com nome como José e Maria. (26-07-2010)
 

Na foto ao lado, Altar celebrando a deusa Kali, que paira, como é tradicional, sobre o corpo dominado de Shiva.
 

Ilha sonoramente poluída

Quando eu ainda estava professor da UFPB, um grupo de alunos me procurou para que eu opinasse sobre um problema que estava acontecendo numa disciplina de outro professor, que havia passado para os alunos um trabalho prático: gravar sons oriundos de pessoas, altas horas, nos seus quartos de dormir. Para isso teriam de usar as laterais das residências e tentar captar os ruídos junto ás janelas. Minha opinião: irei visitá-los na delegacia ou no velório.

Por outro lado tem gente descuidada: um casal inexperiente em lua de mel, hospedado numa casa à beira-mar numa determinada praia teria sido prato cheio para os alunos. A noiva gritava feito louca para o noivo parar com "aquilo" que ele havia prometido não fazer mais. Distante se ouvia. Outra, veraneando aqui perto da minha "ilha", gemia de uma forma que acordou a rua toda. E a molecada se divertia ouvindo a histeria da madame, sem precisar invadir residência de ninguém.

Mas esses episódios foram passageiros e não prejudicaram ninguém.

Agora, onde eu moro estou cercado de poluição sonora por todos os lados: no direito, pela manhã e em máximo volume um meninote ouve esses discos de hip hope insuportáveis. À tarde é a mãe (dele) que ouve música gospel e o pior, canta junto com a gravação e com um desafinada voz de taboca rachada, também em máximo volume. Na frente um pessoal acorda, come e dorme com música brega das bregas, com todo som que tem direito. Do lado esquerdo criam um cachorro que passa o tempo todo chorando uivos como se estivesse com fome ou doente e atrás é a caixa d'água esborrando com uma queda d'água causando estrondo.

Imaginem a tranquilidade que é para se escrever, para se ler e para se ouvir a Bachiana Nº 5!...

Sim, os alunos! Voltaram ao professor e disseram que só cumpririam a tarefa se ele os acompanhasse. O mestre mostrou que não era burro: não topou! (19-07-2010)

 

DESCULPAS

Nesse tempo as árvores plantadas pela Prefeitura nas calçadas das ruas de João Pessoa ainda eram um tanto jovens. Quase não cabiam as pessoas embaixo. Pois é, estudantes saindo de um curso noturno de um colégio, ao passar por elas as balançavam, fazendo com que a água de chuva recente contida na folhagem de cada uma, caísse molhando os companheiros agrupados.  Era um brincadeira divertida. Em dado momento um dos companheiros da "farra" não observou um casal encostado numa dessas árvores e a balançou dando um banho de pingos nos namorados. O cara era um pai d'égua forte prá burro e encarou o grupo. O balançador vendo aquele armário na sua frente aberturando-o, não teve outra saída a não ser balbuciar tremendo:
- Desculpe...
- Por causa de desculpe nunca mais dei uma mãozada no pé do pescoço de uma filho da puta... - Respondeu o brutamontes. Mas foi mesmo que ter dado, pois a brincadeira parou por ali.

A mídia, principalmente a paulista e notadamente a TV Bandeirantes, noticiou com certo estardalhaço o envolvimento do goleiro Bruno do Flamengo num crime de assassinato. Mas, vez enquanto, repetia que o Clube de Regatas Flamengo nada tinha a ver com o fato, nenhuma culpa em cartório.

Ledo engano! Tem culpa sim o Flamengo: em 2007 o goleiro Bruno quase bateu num repórter dentro do vestiário do clube, só porque lhe foi perguntado se ele teria alguma mensagem a sua mãe, uma vez que aquele era o "dia das mães". Ele havia sido abandonado pela genitora, fato que o repórter desconhecia.

Fora do gramado, vivia em farras inclusive nas favelas do Rio de Janeiro. Presente  no episódio do Morro da Chatuba, quando da confusão de Joana Machado com o jogador Adriano, chegando a discutir  asperamente com a moça. Piorou tudo na sua tentativa de defender o dito "Imperador": -"Qual de vocês que é casado que nunca brigou com a mulher? Que não discutiu, que até não saiu na mão com a mulher, né cara? Não tem jeito. Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher, xará."

Não foram poucas as vezes que apareceu nos noticiários policiais por agressões à mulheres, principalmente à prostitutas. Apelidado de "maluco" pelos companheiros de clube devido ao seu péssimo comportamento, que o levou até mesmo a agredir um companheiro, o jogador Petkovic.

A tudo o Flamengo o advertia e o obrigava a pedir desculpas. Foram tantas as desculpas que ele habituou-se com a pena. Deve ter pensado: "Faço o que bem entender e depois peço desculpas!" E foi fazendo. Até quando envolveu-se no assassinato de uma amante. Aí o Flamengo pulou fora. Tirou-lhe o advogado, dinheiro, apoio de  todo tipo e até sua imagem e nome de um painel comemorado a um campeonato ganho com a sua ajuda. Dessa vez nem precisou pedir desculpas.

Para mim a atitude do Flamengo só significa uma coisa: o clube sabe que ele é culpado e tenta fugir da parcela de responsabilidade que tem com o péssimo comportamento do atleta, quando achava que pedir desculpas era uma punição educativa. (12-07-2010)
 

CONVICÇÃO
 

Há algum tempo recebi uma mensagem (via Internet) com um artigo de alguém que não conheço, mas que muito bem escreve, de nome Júlio César, com o título de "Existe Vida Após a Morte?". Interessante, mesmo porque o autor não chega a qualquer resposta. Vale a pena ser lido exatamente por isso. LEIA

Fui criado em ambiente católico onde se aprendia que após a morte iríamos para o "céu" ou para o "inferno", com a possibilidade de um estágio numa temporária prisão denominada de "purgatório". Meus pais morreram assim pensando e nunca mandaram me dizer onde foram parar. Meus irmãos, os que morreram e os que ainda vivem, seguiram e seguem na mesma direção. O mesmo aconteceu comigo durante algum tempo, até quando, não sei bem o porquê, resolvi mudar de lado. Passei a ser convicto de que nada mais existe após a morte. O que é preconizado por religiões ou filosofias que defendem uma outra vida é, para mim, pura balela. Não lembro quando essa convicção nasceu, mas cada vez mais que se aproxima a minha morte ela fica mais patente.

No artigo acima citado, em dado momento é dito que "quando buscamos viver com consciência plena de nós mesmos e do mundo que nos cerca, podemos oferecer um mundo melhor para aqueles que virão depois, inclusive nossos filhos, que são a única certeza de que há vida após a morte." Concordo bem concordado. E desse jeito sim, procuro levar o resto de tempo que me foi dado para viver, considerando o que disse o nosso poeta Vinícius de Moraes:

"A vida é pra valer
E não se engane não, tem uma só
Duas mesmo que é bom
Ninguém vai me dizer que tem
Sem provar muito bem provado
Com certidão passada em cartório do céu
E assinado embaixo: Deus
E com firma reconhecida!"

Escrevi um texto teatral que denominei de "Esperando Great & Western". Está publicado neste site. Um dia desses um grupo de amigos pensaram em encená-lo e fui convidado a tirar algumas dúvidas sobre o meu escrito. Expliquei. Desistiram da encenação, pois pensavam que era uma peça espírita. Ou eu escrevo muito mal ou as pessoas mal entendem. No texto eu defendo que o que resta após a morte é o que fizemos ou fomos na memória dos que ficam vivos:
 

"... HOMEM II –Como tem gente! Ei! Tem uma janela vaga ali, no último vagão! 

HOMEM I (Descendo do banco) –É para mim. Estou indo... 

HOMEM II –E eu? Quando é?... 

HOMEM I –Seu trem não é esse ainda. Mais tarde, amanhã, ou daqui a algum tempo, sua vez de ir chegará. 

HOMEM II  (Também descendo do banco) -Ir para onde? 

HOMEM I –Guardar sua história, quando ela não estiver mais servindo  aos vivos. Até que alguém a recupere. Aí então... 

HOMEM II  (Com estranhamento). – Então?...

HOMEM I –Quando isso acontecer, você voltará à Estação da Great & Western, até quando, novamente, a sua história cair no esquecimento. Foi assim que meu pai me ensinou. É assim que está acontecendo comigo. Adeus, meu amigo!"

 

Mas, mesmo assim, com toda convicção que acho ter, aqui e acolá eu  me vejo pensando no desconhecido. (05-07-2010)

A força do futebol

Numa época de Copa do Mundo e num país fanático por futebol, este esporte consegue transformar-se numa espécie de velário, protegendo seus praticantes que usam da ilegalidade na execução dessa atividade e, até, na vida pessoal. Agora mesmo, alguns árbitros erraram seus julgamentos involuntariamente ou propositadamente, erros que beneficiaram uns e prejudicaram outros de forma irrecuperável. Um pais prepara-se anos para participar de evento importante como é a Copa e vê todos os seus esforças caírem de ladeira abaixo por conta de uma decisão equivocada e irreversível. E o que acontece com o cidadão que a praticou? Nada! No máximo não apita outra partida neste momento, mas possivelmente voltará dentro de quatro anos, como se nada houvesse ocorrido. A Fifa geralmente cala e procura, de uma certa forma, acobertar o erro.

Entendo que no futebol essa aberração de irreversibilidade das decisões dos árbitros é absurda. O que não ocorre na justiça constitucional dos países, onde vários condenados já tiveram suas penas anuladas por conta de erros de julgamento, como também declarados inocentes foram condenados pelo mesmo motivo.

Mas agora surpreende-me uma ponte entre o futebol, polícia e justiça, que vem tornando-se um hábito com jogadores do Clube de Regatas Flamengo. Seus atletas parecem ter o poder de tudo fazer sem responder pelos seus atos, mesmo comprovadamente criminosos. Começando com o jogador Adriano que envolveu-se com drogas, agressões e até financiamento de traficantes. Pena? Passear na Europa. Vem o tal de Wagner Love que foi visto com traficante e até fotografado. Esqueceram o fato. Aí aparece o goleiro Bruno, que já havia declarado que mulher era para ser tratada na porrada, como suspeito de assassinato da namorada com quem tinha um filho. As manchetes na mídia e as  testemunhas estão afirmando isso. A mulher está desaparecida há algumas semanas. Todos do Flamengo, clube que sempre procura minimizar os seus escândalos. Claro que não é só nele que fatos dessa natureza acontecem, mas é onde são mais frequentes.

O caso de goleiro Bruno, se a mulher Eliza Samudio não aparecer será mais um caso arquivado e caído no esquecimento.

No Portal Globo está escrito: "No Rio, a jovem, que morou com Eliza por quatro meses, conta que a modelo foi embora para São Paulo após a briga que teve como o goleiro durante o quinto mês de gravidez. Depois da confusão que terminou na delegacia, Eliza foi morar na capital paulista com outra amiga. Assim que a criança nasceu, Eliza voltou ao Rio de Janeiro para tentar negociar com Bruno um exame de paternidade e um dinheiro mensal para custeio do filho, chamado Bruninho. Segundo a amiga, a princípio, o goleiro do Flamengo negou fazer o teste."

Será a força da torcida do citado clube, considerada uma das mais perigosas do Rio de Janeiro, é tão temerosa assim que amedronte polícia e justiça? (28-06-2010)

Reino X República

 Vi neste sábado o jogo, para mim, mais interessante da atual Copa do Mundo: o Reino da Dinamarca contra a República de Camarões. Ganhou o reino de brancos, perdeu a república de negros. Poderia ter sido o contrário sem causar surpresa.

Foi então que comecei a questionar qual é a importância de um reino na conjuntura atual, onde crises e mais crises, de morais à econômicas, flutuam por todo canto, principalmente na Europa. Além da Dinamarca, tem a Espanha e a Inglaterra e outros.

Mas fiquemos com a mais conhecida e badalada realeza: a da Inglaterra, Reino Unido do Canadá, da Austrália, da Nova Zelândia e de outros doze países da Commonwealth. Os impostos pagos pelo povo sendo usados para sustentar uma cambada de desocupados, só por conta de tradição e turismo. De útil não sabemos o que fazem. Vez em quando tomamos conhecimento de algum escândalo por eles provocados: sem levantar a história dos antecessores dos atuais membros da família real inglesa, ainda não foi bem explicada a morte de Diana Frances Spencer, Princesa de Gales, casada com o, na época, possível herdeiro da Rainha Elizabeth, o tal de Charles, Príncipe de Gales. Atualmente a coroa de coroa rainha finca pé e não resolve passar o bastão. Tá caducando no trono. O príncipe que deixou a louraça bonita para casar com uma amante mais velha e feia, tem dois filhos: Harry, filho caçula ruivo de Diana e do herdeiro do trono, príncipe Charles, constrangeu a família real este ano, ao admitir em público que havia experimentado maconha e bebidas alcoólicas, enquanto seu irmão William herdou da mãe a aparência e o lado sensível.

Os dois pimpolhos herdeiros da realeza inglesa, foram à África do Sul  para assistir aos jogos da Copa. Claro que no maior luxo por conta das finanças reais. Encontraram-se com Beckham (jogador inglês) e riram. Ninguém sabe de que, um vez que a  seleção inglesa não anda bem das pernas.

No Brasil, com a Proclamação da República o núcleo da família imperial seguiu para o exílio na França, e depois de alguns anos, foram autorizados a regressarem ao País. Atualmente, conta com centenas de membros espalhados entre o Brasil e a Europa. A família imperial brasileira não manda no país há quase 120 anos. Mas mesmo assim, em um lugar do Brasil, eles têm privilégios: em Petrópolis, cidade a 60 quilômetros do Rio de Janeiro, os descendentes de d. João 6º recebem o laudêmio, uma taxa sobre a venda de todos os imóveis da região central da cidade histórica. Também vivem de impostos pagos pelo povo. (21-06-2010)

A incompetência alemã


Vi o jogo da Alemanha contra a Austrália na Copa 2010. O melhor time que apresentou-se até este domingo 13. Valeu a pena ver após tantos jogos mornos e quase sem gols. Uma Alemanha competente no futebol e que, se nada mudar, vai ser a dor de cabeça das outras seleções.

Recebi uma mensagem anexada com um vídeo de um programa humorístico de Israel onde procuram ridicularizar Lula. E ainda usam um viado judeu para imitar o Presidente Brasileiro, tudo por conta do acordo que desgostou os pústulas americanos, de quem os judeus são paus-mandado.

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A Alemanha cometeu uma das maiores atrocidades que a humanidade tem conhecimento, a morte de uma danação de judeus no falado holocausto. O que adiantou para a tão almejada nazista purificação da raça? Nada! Os judeus assimilaram muito bem  a crueldade sofrida e hoje a praticam contra o povo árabe.

Também teve um brasileiro que lutou para que os que escaparam tivessem um pedaço de chão para fincar raízes. Foi quem primeiro alimentou a necessidade judia de preparar sua vocação belicosa, que só existe por conta do favorecimento dos States. E como se acovardam diante da Alemanha, fazem aquele jogo de desconta noutro.

Aí, então, aparece a incompetência alemã na época. Não só de ter perdido a guerra, mas também de ter mostrado aos judeus como se comete um holocausto. E o pior: deixou alguns vivos para transmitir a lição e, esta, talvez tenha sido a sua maior incompetência. (14-06-2010)

Esquerda porra-louca!

Já fiz parte dela. Bobagem de juventude que sentindo prenúncios, antes de 1964, de uma tomada do poder pela direita, resolveu juntar balas para armas já obsoletas, conseguidas nos baús e sucatas familiares. Eu mesmo dispunha de uma pistola de dois canos  e dois tiros: um prá errar e outro prá bater catolé! E achava-me um trotskista de primeira linha sem, na verdade, saber o que era Trotskismo. Em reuniões secretas, nas madrugadas aventureiras,  ouvia falar numa tomada de poder através das armas. Que armas?! Alguns dos meus camaradas até foram mais adiante e se envolveram na luta campesina com resultados práticos nenhum e pondo em risco a própria vida. 

Quando tomei maior conhecimento da questão, estudando, lendo e ouvindo de outros companheiros migrei, com convicção, para o PCB e nele permaneci na clandestinidade e depois na legalidade, até que o "traíra" Roberto Freire o transformou nessa aberração política denominada PPS. Desiludido, não mais me envolvi com partidos políticos, embora tenha continuado sempre a votar em candidatos  reconhecidos ideologicamente como de esquerda ou centro esquerda. Hoje nutro uma certa simpatia pelo PC do B sem pensar em me filiar.

Vejo uma porção de pequenos partidos políticos que se auto-denominam de esquerda. Sei não! Na prática estes partidos o máximo que fazem é dividir a esquerda. Em várias eleições os vi apoiando, indiretamente, candidatos da direita, quando se voltavam contra candidatos de centro e sempre não elegem quase ninguém.

Faz uma semana que na UFPB houve uma eleição para o Diretório Central dos Estudantes que foi acabar nos noticiários de rádio e televisão: a extrema esquerda contra o centro esquerda, deixando a direita "DEMOcrática", a terceira facção concorrente, assistindo de camarote a briga entre as duas primeiras.

De volta a porra-louquice inconsequente. (07-06-2010)

 

Os 100 mais do Time

 Tem gente que não perde a oportunidade de tentar gozar com o pau dos outros. Pois é: "viúvas" da quartelada de 1964 ou dos governos do PSDB não conseguem raciocinar quando tentam desmerecer o Presidente brasileiro. Agora mesmo alardeiam o fato de Lula está na 43ª posição de uma lista das  100 personalidades mais importantes do mundo, escolhidas pelos gringos e publicada no Time.

Primeiro: trata-se de uma lista escolhida pelos povo e imprensa norte americana. Claro que puxariam brasa para suas próprias sardinhas. A lista é encabeçada pelo presidente deles e tendo no segundo lugar Lady Gaga, cantora em evidência e de sucesso.

Segundo: Lula mesmo em 43ª posição na lista, é um dos dois brasileiros presentes (o outro é o arquiteto Jaime Lerner - 67ª posição). Não tem Fernando Henrique Cardoso, Zé Serra, Cássio Cunha Lima nem Efraim Morais.

Terceiro: faltaram, por exemplo, Oscar Nyemaier,  Pelé e Marina Silva, nomes aclamados no mundo inteiro pelas suas participações na arquitetura,  nos esportes e na defesa ecológica, entre outros nomes merecedores.

Quarto: se fosse feita uma lista aqui no Brasil, em que posição ficaria Lula? Na última pesquisa IBOPE feita na Paraíba (semana passada), por uma emissora (TV Cabo Branco) considerada a serviço do PSDB, os resultados obtidos entre as classificações  de ótimo (53%), bom (37%) e regular (9%), leva a aprovação de Lula ao percentual de 90% ótima e boa. Não aprovam totalmente 9% dos entrevistados e meros 1% a consideram péssima, onde enquadram-se as nossas bestas quadradas que copiam opiniões dos outros.

Quinto: 25% dos relacionados pelos americanos obtiveram zero pontos, o que me leva a crer numa relação previamente preparada pelos promotores da pesquisa.

E para o leitor analisar a honestidade da lista, transcrevo-a abaixo:

Os 100 mais do Time
Barack Obama - 7,740,557
Lady Gaga - 6,697,752
Ashton Kutcher - 6,390,600
Taylor Swift - 5,608,398
Oprah Winfrey - 2,907,504
Robert Pattinson - 2,298,274
Ben Stiller - 1,735,285
Serena Williams - 1,681,207
Conan O'Brien - 1,352,195
Jet Li - 1,220,613
Damon Lindelof - 977,222
Carlton Cuse - 969,097
Sarah Palin - 884,145
Glenn Beck - 621,436
Neil Patrick Harris - 493,561
Sandra Bullock - 329,229
Marc Jacobs - 275,689
Banksy - 259,153
Sachin Tendulkar - 175,852
Simon Cowell - 171,726
Bill Clinton - 160,731
Lea Michele - 151,916
Scott Brown - 131,053
Didier Drogba - 97,611
Chetan Bhagat - 94,074
Mir-Hossein Mousavi - 77,455
James Cameron - 50,394
Kim Yu-Na - 49,493
Mike Krahulik - 41,305
Zaha Hadid - 33,242
Lee Kuan Yew - 27,859
Ricky Gervais - 27,422
Mike Mullen - 22,849
Zahra Rahnavard - 21,747
Elton John - 19,309
Nancy Pelosi - 19,123
Manmohan Singh - 17,977
Phil Mickelson - 14,922
Michael Pollan - 14,956
Sonia Sotomayor - 13,399
Jenny Beth Martin - 13,266
Annise Parker - 13,093
Luiz Inácio Lula da Silva - 12,371
Steve Jobs - 10,662
Temple Grandin - 8,898
Tim Westergren - 8,152
Christine Lagarde - 7,913
Sheik Khalifa bin Zayed al Nahyan - 6,598
Suzanne Collins - 5,960
Recep Tayyip Erdogan - 5,925
Elizabeth Warren - 5,875
Kathryn Bigelow - 5,326
Lisa Jackson - 4,746
Stanley McChrystal - 2,886
Jon Kyl - 2,696
Amartya Sen - 2,621
Yukio Hatoyama - 2,228
Malalai Joya - 1,874
Tidjane Thiam - 1,675
Jerry Holkins - 1,483
Valery Gergiev - 1,307
Graca Machel - 1,234
Atul Gawande - 1,190
Neill Blomkamp - 1,113
Deborah Gist - 1,022
Jaime Lerner - 905
Elon Musk - 780
Salam Fayyad - 574
Paul Volcker - 465
Dominique Strauss-Kahn - 431
Kathleen Merrigan - 356
Tristan Lecomte - 249
Matt Berg - 198
David Boies - 151
Nay Phone Latt - 122
Victor Pinchuk - 114
Theodore Olson - 40
Liya Kebede - 12
Kiran Mazumdar-Shaw - 3
Amy Smith - 0
Bo Xilai - 0
Chen Shu-chu - 0
David Chang - 0
Douglas Schwartzentruber - 0
P. Namperumalsamy - 0
Valentin Abe - 0
Edna Foa - 0
Han Han - 0
J.T. Wang - 0
Jaron Lanier - 0
Karls Paul-Noel - 0
Larry Kwak - 0
Mark Carney - 0
Michael Sherraden - 0
Prince - 0
Rahul Singh - 0
Reem Al Numery - 0
Robin Li - 0
Ron Bloom - 0
Sanjit "Bunker" Roy - 0
Tony Travis - 0
Sister Carol Keehan - 0
Tim White - 0
Will Allen - 0

(31-05-2010)

 

Demissão na Funesc

Recebi de Washington Rocha a mensagem que se segue:

"----- Original Message -----
Sent: Friday, May 21, 2010 3:43 PM
Subject: demissão inexplicada na funesc
 
Caríssimo Elpídio,
 
Depois de certa demora, volto a enviar um texto para publicação no mais importante portal cultural da Paraíba, o "eltheatro.com". É um pouco longo, 04 laudas. Se tiveres a pachorra de me ler, verás que o item 5 trata daquelas "Conversas na Biblioteca", no Fenart, para as quais foste convidado. Espero que a Funesc não ouse desconvidar.
 Muito cordialmente,
 Teu amigo, admirador e fã,
 Washington Rocha"

Se foi ousadia não sei, mas fui delicadamente desconvidado.  Para mim elementar, meu caro Washington: a idéia era sua. Cai o idealizador, cai a idealização.

Aliás, quando recebi o desconvite, através de um delicado telefone de uma funcionária, nem lembrava mais que havia sido convidado. Nem lembrava também mais da Funesc nem do Fenart. Por sinal, noto agora que nenhum release, notícia, convite, pedido de divulgação para o Fenart me foi enviado, cuja realização deve estar próxima, pois noto que a televisão vem anunciando. Talvez as pessoas de lá considerem sem qualquer importância o eltheatro.com, como também a minha participação na vida cultural paraibana, fato já normal para mim, que não vive bajulando governos nem pessoas detentoras de algum passageiro poder.

Agora, mantendo a tradição da liberdade de expressão deste site, atendo o teu pedido de publicação;

Demissão inexplicada na FUNESC

Por Washington Rocha

Trabalhei no Espaço Cultural José Lins do Rego, como Chefe do Centro de Documentação e Pesquisa Musical José Siqueira, de junho de 2009 a abril de 2010, quando fui demitido pela Presidência da FUNESC. Considero tal demissão injusta no mérito e precária na forma. A questão do mérito é discutível, mas não foi discutida; eu não fui ouvido. A precariedade da forma é flagrante, porquanto a portaria da demissão inicia com um "Dispensar, a pedido, etc...", quando eu, seguramente, não pedi para ser demitido. Pelo artifício da portaria, jaz inexplicada a demissão. Eu, aliás, sentia-me muito bem no exercício das minhas funções. Ouso afirmar que neste pouco tempo realizamos, eu e minha equipe – as competentes, laboriosas, brilhantes Clélia Burity, Aldeíres Veras e Conceição Medeiros –, um trabalho notável. Devo ainda reconhecer que os expressivos resultados alcançados pelo Centro José Siqueira durante nossa Chefia se inserem no contexto de uma gestão extraordinária da FUNESC, que, presidida por Maurício Navarro Burity, vem alcançando resultados superiores às expectativas mais otimistas, logrando recuperar em um ano o que foi destruído nos seis anos anteriores.

Como veem, não guardo mágoas nem rancores, de forma que a injustiça que julgo ter sido praticada contra mim não me faz desmerecer as importantes realizações da atual administração da FUNESC.

Não pretendo detalhar as circunstâncias da minha demissão; no entanto, se for preciso, se for instado a isso, o farei. Quero apenas registrar o que foi feito pelo Centro Musical José Siqueira durante o tempo em que o chefiei.

1) Em agosto de 2009 o Centro Musical José Siqueira promoveu, no Auditório Verde do Espaço Cultural, Sessão de Homenagem "In Memoriam" ao grande intelectual e musicista Domingos de Azevedo Ribeiro, autor de uma vasta obra lítero-musical, fundador da Academia Paraibana de Música e por muito tempo Chefe do Centro Musical José Siqueira. Esta Homenagem contou com apresentação da pianista Isa Y Plá. A família do homenageado fez-se presente – o filho, advogado Helmano Ribeiro, usou da palavra; o genro, acadêmico Edval Varandas, executou ao piano lindas peças musicais . O presidente Maurício Burity usou da palavra. O público lotou o Auditório. Todos ficaram comovidos.

2) Em setembro de 2009 o Centro Musical José Siqueira realizou, no Teatro Paulo Pontes, o magnífico show "À Setembrina Primavera", escrito e dirigido por José Bezerra Filho. O show encantou a todos com a bela voz da soprano Ana Gouveia, a combinação erudito-popular do Quinteto Uirapuru, a viola afinada de Oliveira de Panelas, o violão boêmio de Elpídio Ferreira, a Roda de Samba contagiante de Gengen e a apresentação verdadeiramente primaveril de Amanda Melo. Tendo objetivos também beneficentes, o evento angariou mais de 500 quilos de alimentos que foram doados às creches da Amem e ao Hospital Padre Zé. Coisa rara, o Teatro Paulo Pontes ficou lotado. Foi tal o sucesso que a FUNESC pretende colocar "À Setembrina Primavera" no calendário turístico de João Pessoa. Com melhoramentos, alguns dos quais eu vinha discutindo com o autor: uma poda razoável no falatório inicial, que muitos consideraram excessivo, e um possível acréscimo de recitações poéticas, especialmente de autores paraibanos, sobre os temas da Primavera e da cidade João Pessoa. Cabe lembrar que tão esplendoroso evento deu-se com a chegada da Primavera no Hemisfério Sul, Primavera Austral, que tem início no Equinócio de Setembro e término no Solstício de Verão (Dezembro). Assim deverá permanecer no calendário turístico da primaveril Cidade das Acácias.

3) O Centro Musical José Siqueira, depois de muitas idas e vindas, tendo de enfrentar feroz pressão e ações de boicote de setores obscurantistas e intolerantes dentro da FUNESC, deu início ao "Projeto Debates no Espaço". Foi tão forte a campanha obscurantista contra este projeto que o primeiro debate, "A Paixão Segundo Solha", realizado "no peito e na raça", foi constrangido a uma semi-clandestinidade (outro episódio cujas circunstâncias não pretendo detalhar, mas que o farei se for preciso). Já o segundo debate, "Nova Ágora – Liberdade de Expressão", teve o apoio da Presidência da FUNESC. Destes debates participaram jornalistas, estudantes, professores, ativistas dos Direitos Humanos, artistas e intelectuais os mais representativos, que tiveram a oportunidade de exercer plenamente o direito de livre expressão, em uma polêmica acesa e enriquecedora. Novos debates foram programados, sendo o próximo sobre o tema "Democracia e Direitos Humanos". Para dar início a estes debates coloquei minha cabeça em risco. Espero que com a minha ausência os setores obscurantistas, que enfrentei e venci, não se animem a uma nova investida e abortem um projeto democrático e libertário.

4) Desde o início do exercício administrativo de 2010, o Centro Musical José Siqueira trabalhou com denodo para reabrir, em dependências do Espaço Cultural, a Academia Paraibana de Música, que estava acéfala e dispersa desde que lhe faltara, por motivos de saúde e depois óbito, o comando do seu fundador e Presidente Domingos de Azevedo Ribeiro. Esta nossa iniciativa, que veio a contar com o apoio e entusiasmo da Presidência da FUNESC, foi coroada do maior êxito. Logramos reagrupar a maioria dos acadêmicos dispersos (registramos que, para isso, foi decisivo o empenho do intelectual e insigne educador Professor Itapuan Bôtto Targino). Após várias reuniões no Centro José Siqueira, das quais participaram os acadêmicos Itapuan Bôtto Targino, Ricardo Anísio, Edval Varandas, Tica Porto, Marilda Eduardo, Ana Gouveia e Nereuza Nery, foi eleita a nova diretoria da APM, sendo a acadêmica Nereuza Nery escolhida Presidente (ou Presidenta, como preferem as feministas). Para celebrar esta conquista do maior significado artístico-cultural, o Centro José Siqueira promoveu, no Teatro Paulo Pontes, o show "Som de Estrelas", produzido por Ricardo Anísio, nome de referência nacional dentre os intelectuais ligados à música, sendo assistente de produção a competente promoter Ivna Lessa, que também apresentou o show. Novamente o Teatro Paulo Pontes ficou lotado, novamente foram arrecadados mais de quinhentos quilos de alimentos, desta vez doados às instituições beneficentes Vila Vicentina (dedicada a idosos carentes) e Vila Feliz (dedicada a crianças carentes). O título do show (idéia de Ricardo Anísio, que derrubou minha sugestão de título: "Prata da Casa") não poderia ser mais apropriado. Vejam a plêiade: a magnífica soprano, a "Diva" Ana Gouveia, acompanhada de Orquestra de Violões regida pelo maestro Gladson Carvalho; a refinada pianista Isa Y Plá; Oliveira de Panelas, maior repentista do Brasil; Jessier Quirino, a maior revelação no mundo dentre os contadores de "causos" e anedotas; Diana Miranda, cantora solar e vulcânica; José Bezerra Filho, na surpreendente faceta de tenor; Elpídio Ferreira, com voz marcante e violão arrebatador; o exótico e exuberante Grupo Pérola Negra de Capoeira, Música e Dança Afro. Este evento teve grande repercussão, inclusive no mais importante portal de cultura da Paraíba, o "elheatro.com", em excelente artigo do brilhante intelectual e compositor Romeu de Carvalho.

5) Em fins de 2009, por solicitação inicial da Presidência da FUNESC e entendimentos posteriores com a Diretoria de Arte e Cultura - DDAC, o Centro José Siqueira iniciou a organização de uma série de Mesas-Redondas que, durante o XIII FENART, marcariam a reinauguração da Biblioteca Juarez da Gama Batista. Esta importante biblioteca do Espaço Cultural havia sido abandonada e, por fim, fechada no governo anterior (uma barbaridade), sendo sua reabertura, depois de reformada e equipada, um feito magnífico. A equipe do Centro José Siqueira denominou a referida série de "Conversas na Biblioteca", trabalhou exaustivamente (inclusive para vencer uma burocracia exasperante) e montou três Mesas que consideramos da maior relevância, como se pode ver pela composição das mesmas. Mesa 1 – Sobre Filosofia: Iremar Bronzeado, Mestre em Filosofia, Professor da UFPB, articulista renomado, intrépido militante da Liberdade; Edmilson Alves de Azevedo, Coordenador do Mestrado de Filosofia da UFPB; Severino Celestino, Doutor em Ciências da Religião, Professor do Mestrado de Ciências da Religião da UFPB, erudito e especialista em hebraico com publicações da maior relevância na área da espiritualidade, importante líder espírita; Ricardo León, Doutor em Filosofia, conferencista dos mais requisitados no circuito acadêmico. Mesa 2 – Sobre Literatura: W. J. Solha, intelectual e artista incomparável (quer dizer, pode-se comparar Solha a Da Vinci); Valéria Rezende, escritora consagrada; Sandro Novaes, poeta, membro da Academia de Letras e Artes do Nordeste; Romeu de Carvalho, professor da UFPB, expoente do romance regionalista; Hildeberto Barbosa, poeta, professor da UFPB e um dos maiores críticos literários do Brasil; José Bezerra Filho, romancista premiado e consagrado; Heriberto Coelho, intelectual militante e empresário que, através do Sebo Cultural, tem prestado enormes serviços à cultura paraibana. Mesa 3 – Sobre Comunicação na Internet: Elpídio Navarro, editor do portal "eltheatro.com"; Janildo Silva, editor do portal "Clickpb"; Cláudia Carvalho, editora do portal "Parlamentopb"; Ivaldo Gomes, do "Grupo Livrepensar"; Socorro Xavier, do portal "usinadeletras" e designada Consul de Poetas Del Mundo pela extensa divulgação na internet de poetas paraibanos. A montagem destas Mesas ficou pronta e acabada. Todavia, depois da minha demissão, fui informado pela Presidência da FUNESC que "Conversas na Biblioteca" não mais ocorreria na data programada, sendo alegado o motivo do adiamento da reabertura da Biblioteca Juarez da Gama Batista para depois do FENART. Entendi que nesta adiada reinauguração as Mesas referidas serão realizadas. Espero que tal expectativa se confirme, caso contrário seria uma grave quebra de compromisso, uma inadmissível desconsideração aos ilustres convidados.

6) A generosidade da minha equipe tomou a si o trabalho e, conseqüentemente, elencou como realização oficial do Centro José Siqueira um evento que pensei realizar a titulo pessoal, embora em dependências da FUNESC, qual seja, o lançamento dos livros "Também eu sou da raça dos deuses", de minha autoria, e "Filosofia para Mim", de autoria da jovem filósofa Catarina Rochamonte.

7) Finalmente, exponho o pensamento que norteou minha ação enquanto Chefe do Centro Musical José Siqueira: ajudar a abrir no Espaço Cultural espaço para a expressão plural da inteligência, privilegiando os artistas e intelectuais da Paraíba; porque são nossos, porque são abundantes e porque estão dentre os melhores do Brasil e do mundo. A Paraíba tem mais artista e intelectual do que flor em jardim, do que nuvem no céu, do que urubu voando. As mais das vezes são nossos artistas e intelectuais depreciados pelas instituições culturais das administrações públicas da Paraíba. Em detrimento dos nossos esplêndidos urubus-rei, buscam-se urubus de outros ares, aos quais são ofertados gordos cachês, enquanto os nossos ficam com migalhas ou com nada. Não vêem os gestores estaduais e municipais da cultura paraibana que a nossa "Prata da Casa" é "Ouro Puro".

Muito cordialmente,

Washington Alves da Rocha.

João Pessoa, 20 de Maio de 2010

 

De cinema, coisa e loisa

Era o normal se ver o cinema em preto e branco, lembro bem. Quando o filme era colorido, destacava-se o aviso como forma de propaganda para atrair um maior público. Participei do elenco de dois filmes: "Menino de Engenho" em preto e branco, que eu nunca soube ao certo se pelo alto custo da película colorida ou se porque a imagem em preto e branco condizia mais com a época do romance, como era explicado, e "Fogo Morto", a cores, do mesmo espaço e tempo de "Menino de Engenho, onde, naturalmente, as imagens dos canaviais e das fazendas e usinas eram mais bonitas ao espectador. A verdade é que "Menino de Engenho" teve uma repercussão até internacional, o mesmo não acontecendo com "Fogo Morto".

Na época da feitura desses citados filmes já havia passado o sensacionalismo do e do , o primeiro numa tela panorâmica e o segundo nunca soube o porquê. Também já havia passado a onda dos filmes em 3D (terceira dimensão). Lembro que cheguei ao abestalhamento de viajar ao Recife para ver um desses filmes antes deles chegarem a João Pessoa. Voltei contando as maiores vantagens e portando o óculos que era distribuído (ou vendido) na porta do cinema, como se fosse um troféu, para fazer fita diante dos amigos mais próximos. Grande merda! Não contei para os amigos que havia saído do cinema com os olhos coçando e lacrimejando, por conta, naturalmente, daquele óculos de armação de papelão, com duas "lentes" de baquelita , uma verde e outra magenta, acho que essas eram as cores. E a terceira dimensão teve vida curta.

Hoje, talvez com melhor tecnologia, há uma tentativa de novamente vender a terceira dimensão no cinema  à uma nova geração sedenta de novidade e modismo.  E já falam até na televisão em 3D. No cinema os óculos não são descartáveis: o espectador recebe na entrada e devolve na saída. Dizem que serão esterilizados para que sirvam a outras pessoas. Sei não! Quando alguém ou alguns contraírem conjuntivite é bom lembrar se assistiram a esses filmes.

Mas que venham essas novidades emolduradas por eficazes promoções, que no velho aqui não bate a passarinha. Prefiro muito mais ainda, rever o genial Charlie Chaplin. (17-05-2010)

 

 

E se o inesperado acontece?

Estava pensando com meus botões quando a minha já vaga lembrança, não sei porque, levou-me à uma piada antiga conhecida: "reunidos, secretamente, um grupo de generais brasileiros, diante das dificuldades que passava o País, estava discutindo detalhes de uma declaração de guerra aos Estados Unidos da América do Norte. Após a certa vitória dos americanos, o Brasil passaria a pertencer aos gringos que, como novo dono, melhoraria as situações econômicas de todos, tendo o dólar como moeda  corrente, como também um exército moderno e bem aparelhado, etc, etc... Nisso, um general que o tempo estivera calado, levanta o braço e pergunta - E se nós ganharmos a guerra?"  Uma coisa leva à outra e lembrei-me do filme "Um Rato Que Ruge", de Jack Arnoldm, tendo Peter Sellers no principal papel. Conta a história de um pequeno país, em grave situação financeira, que resolve declarar guerra e invadir os Estados Unidos. Na certa perderiam e todos os problemas estariam resolvidos, pois os norte-americanos assumiriam o poder do ducado falido e o reconstruiriam. O inesperado é que os americanos se rendem! E os invasores ficam com uma batata quente na mão...

O Presidente Lula e seu partido, optaram pela candidatura de Dilma Rousseff. Sem o que chamam de densidade eleitoral, a candidata presidencial corre o risco de um insucesso. Assim, dentro de quatro anos teríamos Lula outra vez disputando e, provavelmente, voltando ao comando do País nos braços do povo, após um desastroso governo de Zé Serra. E se o inesperado acontece? Dilma vence a eleição e certamente, fazendo um bom governo, tem tudo para reeleger-se. E após oito anos fora do poder, como diz ele mesmo, Lula não terá a condição hoje existente. Dilma vence a eleição e faz um ruim governo. Vai sobrar negativamente para Lula, caso venha ser candidato em 2014. Concluo: o bom para Lula e péssimo para o Brasil, é Zé Serra ganhar a eleição.

Chegando à Paraíba, a situação é parecida: a quem interessa uma vitória de Ricardo Coutinho? Só a ele mesmo e seus mais chegados partidários. Nunca a Cássio Cunha Lima e seu grupo. Preferem uma vitória de Zé Maranhão, que não poderá mais pleitear uma reeleição, ao contrário de Ricardo Coutinho que terá assegurada uma imediata disputa, estando no poder. Então por que Cássio apóia Ricardo? Preparando o futuro. Quer o apoio de Ricardo em 2014, quando deseja ardentemente voltar ao governo da Paraíba. Sabe que Ricardo aliado a Maranhão não teria a chance dessa volta, pois seria a vez de Ricardo apoiado por Maranhão. Para não correr riscos, divide o partido traindo Cícero Lucena, que também se fosse candidato e eleito poderia reeleger-se. Então, o embuste do apoio está funcionando na Capital do Estado, de onde Cássio espera receber os votos para senador dos eleitores de Ricardo, razão maior de toda a trama. Nas outras regiões a coisa vai sendo levada, vão levando a passos de cágado. Diante de tudo isso, fica a pergunta: e se o inesperado acontece? E se Ricardo ganhar a eleição? (10-05-2010)

 

Viuvez Não Bem Resolvida

Tenho pena das inconsoláveis viúvas de dois maridos: a quartelada de 1964 e da venalidade de Fernando Henrique Cardoso. Elas. que estão loucas para atirar nos próprios pés, têm como característica principal a de gozar com o pênis  dos outros.

Explico: existem os asseclas, os que são pagos para gritar histericamente contra o Governo Lula. Esses estão enchendo o rabo porque vendem caro o seu "amor" pela causa neo-liberal. Não são os piores porque se sabe das suas capacidades de mentir escrito ou falado. Mentem. mas assinam em baixo da mentira.

Existem os que combatem o Governo Lula por convicção, por crença no que escrevem, por equívoco ideológico, geralmente. Às vezes até por falta de uma maior idade, que tivesse lhes dado a vivência de um estado de terror como a ditadura de 64, ou de um estado de corrupção como o governado pelo aposentado vagabundo Fernando Henrique Cardoso. Mas estes escrevem e assumem o que escreveram.

Existem, em outro nível e pior, as viúvas. Elas não escrevem nem falam: copiam. Copiam e acham bacana soltar puns na Internet sem nunca expelir seus próprios excrementos. Na maior parte das vezes copiam por não ter adquirido o saber e sim usado da cola no curso de suas vidas. Outras vezes copiam por medo de assumirem suas plagiadas posições: "quem sabe as voltas que o mundo dá!"

Encontra-se no Congresso um projeto de lei que regulamenta o uso da Internet. Nele é previsto que mesmo sem ter a autoria de uma acusação leviana ou não, ao copiá-la  e transcrevê-la,  o internauta assume também a autoria da dita cuja, ficando igualmente responsável por seus desdobramentos.

Portanto, viúvas, plagiadoras e medrosas, a brecha usada por vocês pode ser fechada. Melhor começar logo a dizer: eu acho, eu acredito, eu acuso, eu denuncio... Assim você poderá pagar pelo que fez. Quer um exemplo? Então lá vai: Eu voto contra Zé Serra porque não quero ver os bens do meu país vendidos por cem reis ao capital estrangeiro, como foi feito no corrupto governo de FHC. (03-05-2010) 

 

O negro e as almas no velho cinema americano

Uma das coisas que me incomodava no velho cinema americano era a forma de participação do negro como ator. Sempre papeis secundários que variavam de empregado doméstico a bandido. As atrizes, também em papeis de escravas ou cozinheiras. Elas falavam de uma forma caricata, como se estivesse cantando e, da mesma forma foram dubladas para o português. A maioria gorduchas. Exemplo clássico o de Hattie McDaniel, no papel de Mammy: muito boa atriz mas prejudicada pela forma de falar, naturalmente imposta pela direção do filme.

Mas numa dessas tardes livres (da feitura deste site) deparo-me com a primeira versão de "As Minas do Rei Salomão", com Deborah Kerr e Stewart Granger, num desses canais de cinema da TV fechada. Aguçada a curiosidade, resolvi assistir ao filme, que estreou nos Estados Unidos em 1950.

Elizabeth Curtis (Deborah Kerr) contrata Allan Quartermain (Stewart Granger), um guia branco, para ajudá-la a achar o marido, que desapareceu quando tentava localizar as lendárias minas do Rei Salomão. Com o auxílio de John Goode (Richard Carlson), o irmão dela, partem os três em um safári para tentar localizar o explorador desaparecido.

E lá se foram três brancos e uns 40 negros, selva afora, sujeitos à chuvas e trovoadas. Antes de chegar às tais minas, todos os negros já haviam morrido, se acovardado ou fugido. E os três brancos ali de pé, aguentando firme! Entre os brancos e segundo a história, o mocinho já era bastante acostumado com a vida da selva, mas os outros dois, uma dondoca inglesa e seu irmão, nunca tinha colocado os pés na África. E os negros, coitados, já acostumados com aquela vida, fracassaram. Os brancos foram vitoriosos... Haja preconceito racial.

Mas nessas minhas andanças pelo velho cinema americano, encontro um filme curioso: "Purgatório".

"Recém aceito na gangue do famoso Blackjack, o jovem e ingênuo Sonny, durante uma fuga com o bando, vai parar numa estranha cidade chamada Refúgio. Lá, o xerife não usa mais armas, e mesmo sendo duramente hostilizados pela gangue, os cidadãos não esboçam nenhuma reação. Sonny descobre que se trata de um lugar onde famosos ex bandidos tem que ficar durante dez anos sem cometer nenhum ato de violência, para que sejam perdoados e possam ir para o Céu. Porém, a gangue está sedenta por sangue, e se os moradores não reagirem serão mortos. Se reagirem vão para o Inferno!"

Porra! Esse filme é de 1999. Quase ontem! Como é que beirando o século XXI os caras inventam uma besteira dessa? Será que tem algum teledramaturgo da TV Globo envolvido nele? Porque essa gente são os maiores criadores de personagens fantasmas da TV brasileira. Basta assistir aos capítulos de uma tal "Escrito nas estrelas". Já mostrou pai, mãe e filha, juntos no Céu, e um neto ainda na anti-sala de espera, sempre com o seu anjo da guarda (um negro!), aguardando a hora de se juntar ao resto da família. E enquanto essa hora não chega, dá umas escapulidazinhas até ao Rio de Janeiro, para ajudar a mocinha. O Céu agora mostrado é um trigal e um chão de nuvens. Do Inferno ainda não falaram. Mas como tem tanto vilão na trama, acho que vai aparecer com Satanás e tudo. Arre égua! (26-04-2010)

O Ser Juiz

Quando a gente se entendia de gente, percebia que na sociedade dos homens existiam funções e responsabilidades importantes e menos importantes. Um juiz era diferente de um bicheiro, mesmo que o bicheiro tivesse mais posses, mas não tinha o mesmo valor, o mesmo respeito de seus semelhantes. Isso era. Tive dois parentes próximos juízes. De um deles privava até uma certa intimidade, mas limitada, não só pelo grau de parentesco que me obrigava a tomar-lhe a bênção, mas também, e principalmente, pelo fato de tratar-se de um Juiz de Direito. Mas isso foi!

O que vemos hoje, pelo que é divulgado pela mídia, é uma Justiça Estadual, Eleitoral e Federal, sendo acusada de irresponsável, venal e corrupta. Soltaram um preso, assassino e maníaco sexual, e ele assassinou e estuprou mais seis  jovens em São Paulo. Soltaram o ex governador de Brasília e mais seis ladrões do erário público. Falam que a culpa é da legislação. A mesma legislação que não beneficia uma pobre mulher que roubou um pacote de margarina num supermercado. Aqui, em João Pessoa, crimes acontecem tendo presidiários, com penas abrandadas, como os criminosos. Outro dia foi noticiado que um preso foi passar a Semana Santa com os familiares e aproveitou para cometer mais um crime. E quem libera essa gente da cadeia? Juízes! O povo, se perguntado, a maioria vai responder que não acredita na Justiça Brasileira.

Mas mudando de pau pra cacete e ficando no mesmo assunto, esperei baixar a poeira e esfriar a cabeça para falar de outro tipo de juiz: o  juiz de futebol. Não é novidade que nessa categoria a corrupção já campeou. Já teve juiz preso, banido do futebol, suspenso e repreendido. Mas sempre fica por isso mesmo: a lei diz que o que um juiz apitar não pode ser modificado. Os times de futebol, principalmente os menos ricos, são os mais prejudicados.

No fim de semana passado, no jogo entre Vasco X Flamengo, o juiz foi acusado de ter errado, prejudicando o primeiro e favorecendo o segundo. Os erros aconteceram nos pênaltis marcados e em outros momentos. Os narradores de televisão foram unânimes em afirmar e mostrar muitas vezes os erros do Juiz. Os torcedores do Vasco ficaram inconformados. Eu como não havia assistido os lances irregulares atribuídos ao juiz, até imaginei ser coisa de quem perdeu o jogo.

Entretanto, lendo uma imediata declaração do Presidente da Comissão de Arbitragem do Estado do Rio de Janeiro, Sr. Jorge Rabello, defendendo o juiz João Batista de Arruda, achei que foi muito apressado o seu socorro ao seu comandado. Sua atitude ficou suspeita, uma vez que ele nunca havia tomado essa iniciativa assim, tão depressa. Por outro lado, outra notícia informa que o Clube de Regatas Flamengo é o campeão brasileiro em pênaltis, a seu favor, naturalmente. Diz a notícia: "Foram 24 penalidades máximas em 85 jogos, contando Campeonato Carioca (2009 e 2010), Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro e Libertadores. Destes, dez foram duvidosos." Quase metade, contestados! O que a notícia não diz é quantos deixaram de ser marcados contra o Flamengo.

O que está por trás disso tudo ninguém sabe mas imagina. Os juízes, quero dizer árbitros como agora preferem ser chamados (não se sabe se por conta do juiz lalau lá de São Paulo ou se os juízes de direito fizeram mudar essa denominação), continuam sendo aclamados pelas torcidas de ladrões e tendo suas mães sempre homenageadas.

Agora, matando a cobra e mostrando o pau:

 

PS 1- Quinta-feira (15-04) o Portal Globo publica: "Quatro dias depois de reclamar muito do juiz no clássico diante do Flamengo, o Vasco foi novamente vítima de uma falha de arbitragem nesta quarta-feira. Mas apesar de ter um gol mal anulado, a equipe carioca obteve uma importante vitória na luta pelo título inédito da Copa do Brasil." 

PS 2- Também o Globo Esporte diz para o Flamengo tirar uma estrelinha da sua camisa.  Parecer da CBF é contundente: 'O Flamengo não foi campeão em 1987' Documento de três páginas garante título ao Sport do Recife.

PS 3- No Chile, contra o Universidad Católica, o Flamengo não teve pênalti a seu favor. Em compensação perdeu o jogo. (19-04-2010)

PS 4- Mas o Flamengo foi vítima do seu próprio veneno: perdeu o campeonato levando dois gols de pênalti e ainda arranjou um, que perdeu, batido pelo seu principal jogador. Castigo! (19-04-2010)

 

DO RIO E SÃO PAULO À CABEDELO:

A mídia que faz média

Para não dizer merda e dizendo. Comandada pela multinacional Organização Globo, parte da mídia procura agora tratar a catástrofe provocada pelas chuvas no Rio de Janeiro, como causada pelo Governo Lula, numa vergonhosa campanha eleitoral pro candidatura de Zé Serra que, quando São Paulo passou por terríveis problemas com o excesso de chuvas, disse, segundo a Folha Online: "O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), culpou a natureza pelo caos ocorrido em São Paulo nesta terça-feira (8) em decorrência das chuvas. "Foi uma chuva inusitada. Mesmo que estivesse tudo impecável seria inevitável haver problemas graves. [...] Temos que rezar para que isso não se repita", disse o governador."  E deixou o abacaxi para outro...

Ele disse "mesmo que estivesse tudo impecável" ! Então quer dizer que não estava. E de quem é a culpa de não estar? Do Governo Lula? Ou das administrações demo-tucanas que vêm se sucedendo há muitos anos? São Paulo ainda hoje encontra-se em estado de alerta e o povo pobre dos alagados paulistas com medo até de dormir. Alguns até rezando, como sugeriu o candidato apoiado pelo Demo.

Todo mundo está besta de saber que a culpa de tudo vem de longe, de administrações municipais que sempre fecharam os olhos para a ocupação indevida de encostas, barreiras, barrancos de rios e morros com a construção de barracos. E os conjuntos habitacionais construídos sem infra-estrutura de esgotos e saneamentos?  Impedir a formação dessas comunidades pode representar a perda de votos, fechar os olhos à irregularidade pode representar o sucesso numa eleição, tanto quanto as tragédias que no momento acontecem. E o déficit habitacional existente em todo o País bem que poderia ser muito menor ou ter acabado, se o dinheiro roubado em superfaturamentos  e outras falcatruas, tivesse sido usado para a construção de seguras e dignas casas para a população mais carente.

Agora vem a história de que um Ministério deu mais dinheiro para a Bahia que para o Rio de Janeiro. E daí? No governo de FHC as Organizações Globo e São Paulo recebiam mais dinheiro que todo o Nordeste junto. É sujo falando de mau lavado!

E não pensem que a briga fica só nos estados grandes e ricos. Aqui, em Cabedelo-PB, uma lingueta de terra, segundo cópia de documento oficial que recebi, o prefeito, José Francisco Regis, terá de devolver aos cofres públicos a bagatela de cerca de  751.000 reais por determinação do Tribunal de Contas do Estado, devido a despesas não comprovadas com a aquisição de bens; abastecimento indevido de veículos; excesso de consumo de combustíveis; adiantamentos concedidos sem a devida prestação de contas e superfaturamentos na locação de carros de som.   Isso só referente ao exercício de 2008 (durante a sua primeira gestão). E em Cabedelo também tem enchentes alagando ruas e moradias. E o prefeito também é do Demo...

Mas voltando à Cidade de São Paulo e para avivar a memória da Globo:




Quantas pessoas morreram nessas enchentes? A Globo já esqueceu? (12-04-2010)

 

Tudo passa, tudo passará...

- Pai, que quer dizer quaresma?
- Quarenta dias... Jejuando, rezando, sem beber, sem comer carne, até chegar a Sexta-feira Santa...
- Deus me livre dessa quaresma!

Hoje, com o preço da carne à beira da morte, sai mais em conta comer peixe, mesmo assim recaindo a escolha nos de qualidade inferior. Nesta época uma cioba congelada há um bom tempo vale mais que os olhos da cara. Quanto à carne, fica para um dia especial, quem sabe, na Sexta-feira Santa! A Igreja liberou e a carne preferida pelo povo é a do frango de granja, porque uma boa galinha de capoeira não é fácil: preço também alto e  autenticidade duvidosa (já existe galinha de capoeira falsificada, criada em galpões de granja). Carnes de bode e de carneiro estão com o mesmo preço da do boi.

E o bacalhau? O quebra-galho do pobre de antigamente. Hoje pobre só olha!

Meu pai era Despachante Aduaneiro de uma importadora de bacalhau de origem norueguesa. Quando uma barrica caía durante o desembarque do navio, ia para a avaria e ficava por conta do seguro, Como era mercadoria perecível à seguradora não interessava devolver à origem nem armazenar a mercadoria avariada. Então o bacalhau norueguês era distribuído com o pessoal que participava da operação. Muitos recusavam pois já não aguentavam comer tanto bacalhau! Na minha casa se comia uma vez por semana e algumas peças eram dadas aos parentes, vizinhos e de esmola ao pedinte que aparecesse. Lembro-me perfeitamente de um mendigo recusando uma grossa peça e perguntando se não tinha outra coisa.

E o famoso cheiro do bacalhau armazenado na dispensa e a nossa cozinheiro reclamando dele! Do cheiro e dele mesmo,  que ela não comia um pedacinho sequer. Hoje sinto saudade daquele cheiro...

Setenta paus, quero dizer, setenta reais o quilo de um bom bacalhau. Ganha da lagosta e do camarão!

Teve uma época que o velho amigo Guilhermão  (Guilherme Rabay), inventou o tubalhau (bacalhau feito do tubarão). Mas a idéia não foi pra frente. Talvez por preconceito com a nossa fera do mar. Parodiando Rabay, cheguei a inventar o bacalusa: bacalhau a partir do filé de merluza, peixe barato, que servi aos amigos visitantes numa das passadas Semanas Santas, dizendo ser um importado da Noruega.  Foi um sucesso até eu confessar a minha invenção...

Naquela época, o bacalhau da Noruega (direita) era mais aceito que o de Portugal (esquerda). Acho que pelo tamanho. Dizem que para ver a cabeça do bacalhau só indo na Noruega ou Portugal. Estou quebrando essa regra. Aqui estão em primeira mão Cabeças do Bacalhau.

Mas deixando o bacalhau de lado e indo para os camarões: tem muita gente sofrendo mutação e tendo a sua cabeça transformada numa igual à cabeça do citado crustáceo, ou seja: um depósito de merda!

Propagar a candidatura de Serra é uma das defecações, mas um direito de qualquer pessoa num País onde existe a livre expressão de pensamento, agora. Sim, porque eu gostaria de ter lido dessas pessoas declarações contra os generais da ditadura militar, muitos deles na época travestidos de esquerdistas. Atacar Lula hoje é fácil.  Existe essa liberdade. E nos governos de Collor e Fernando Henrique? Alguém atacava de frente esses dois? Mentira se disser que isso fazia.

Conheci um ator do Teatro do Estudante da Paraíba, Fernando Macedo, comunista todo quando isso era moda. Veio o golpe de 64 e ele logo cuidou de virar espiritualista. Chegou até a dizer em pleno Ponto de Cem Reis que era ele a reencarnação de Cristo. Depois alguns seguiram o mesmo caminho: de comunista a comuni$to e adotando um espiritualismo sem convicção, próprio de quem teme a morte de forma exagerada e acredita que o espiritualismo lhe garante uma passagem para o céu.  Melhor é procurar uma dessas casas mortuárias que oferecem em módicas prestações um velório decente. Tem cremação também para quem teme arder no fogo do inferno. He,he,he,he,he,he... (risada do outro mundo).

E o concurso continua. Até agora ninguém respondeu à pergunta:

 Quem é (dica: um político) que está por trás do jornal:

 

SENSACIONALISMO

 

Gente, eu, um velho vagabundo aposentado, que dedica o seu muito tempo ocioso (alguns dizem) à feitura deste site, fiquei uma parte dos últimos dias tentando encontrar no noticiário das TVs aberta e paga, algumas boas notícias como: FHC teve um infarto fulminante por conta de um alto grau de inveja de Lula  e foi salvo pelo filho bastardo que teve com a jornalista da Globo; ou: Serra escorregou e caiu de cara num bueiro de uma rua alagada  e foi salvo por um professor que fugia de um ataque de policiais aos grevistas de São Paulo; ou ainda: finalmente Ronaldo Cunha Lima será julgado pela tentativa de assassinato de Tarcísio Burity. Não seria maravilhoso? É pena que elas sejam apenas imaginárias. Mas, como disse um poeta,  "o homem sem sonhos não vive..."

Mas que nada. Nada de sonhos. Durante a semana só deu o caso do casal  Nardoni e seu julgamento. Principalmente na Bandeirantes e Record. Sabem, por incrível que pareça, a Globo, nesse assunto, tem sido a mais moderada, só informando nos seus noticiários normais. Mas não se animem: a Globo não tem espaço para dedicar todo o seu tempo nobre de transmissão ao julgamento em questão. Tem compromissos com a grade da sua programação e seus respectivos patrocinadores. As outras parecem-me que não, pois dedicam quase todo o tempo a entrevistar juristas, advogados e ex-jurados que esbanjam seus depoimentos com se fossem as notícias mais importantes da Terra. Mas a Globo bem que gostaria de também estar transmitindo uma programação sensacionalista e pegando uma fatia da audiência que vêm conseguindo as outras emissoras.

Existem também  disputas entre técnicos criminalistas, juristas e advogados, todos na telinha querendo demonstrar suas convicções, que em nada ajudarão no tal julgamento nem até na formação de uma opinião pública sobre o já famoso assassinato da menina Isabella, uma vez que há muito a maior parte da população de São Paulo e também do País, já consideram o casal Nardoni culpado.

Então a mídia segue na sua constante luta por audiência, dando a oportunidade a um montão de entendidos do assunto, tão ávidos por aparecer na TV e vender seu peixe, que pouco lhes importa se estão sendo contra ou a favor da opinião pública e se estão convictos do que declaram. O negócio é ser destaque na telinha, ser notado, pois a propaganda é a alma do negócio.

Sim, no início todos eram pela condenação. Aí apareceu um sabido que pensou: Vou ser pela inocência. Serei mais notados que os outros... A idéia cresceu e a coisa ficou equilibrada, tendo ainda aparecido aquele tipo que diz: "Não sou contra nem a favor, muito pelo contrário..." 

PS - Finalmente o casal foi condenado. Com direito a euforia, fogos de artifícios e ovação (sem ovos) do povo na rua, tudo na madrugada do último sábado. Uma festança paulista daquelas! Não muito longe do Tribunal, a polícia, por ordem de Zé Serra, havia sentado o pau nos professores grevistas por melhores salários, com o uso de tiros e tudo. Muitos foram parar no hospital.  (29-03-2010)

 

É preciso ter peito:
grande ou pequeno?

Peito em mulher, é claro! Tenho um amigo que sempre disse preferir mulher de peito pequeno. Conheço outro que prefere as de grandes tetas. Esse deve ter parte com americano. Para mim, nem tanto nem quanto. Como bom brasileiro, o que me seduz na mulher é o bumbum e estamos conversado.

Leio duas notícias na Internet:

"A modelo Florencia Tesouro foi surpreendida nesta semana, quando a prótese de silicone de seu seio esquerdo estourou. A participante da quinta edição do Gran Hermano (versão argentina do reality show Big Brother) foi operada às pressas."

 

"A recepcionista Lydia Carranza estava no trabalho quando um homem armado com uma pistola semiautomática entrou no consultório e atirou contra ela. A bala acertou o peito da vítima, mas não chegou próximo de seu coração por conta do implante de silicone nos seios. Foi salva da morte por causa de seu implante."

Uma conversa dessa há 30 anos, era impossível se ter com mulheres de qualquer idade. Tratava-se de um assunto desrespeitoso. Nem pensar com adolescentes.

Agora, um papo de garotas de colégio, na calçada do prédio que resido que é sombreada por uma frondosa árvore, versava sobre o implante ou não de silicone nos seios. Umas aprovavam, outras não, todas nos seus 14 ou 15 anos de idade.

"- Vai depender... Quando eu ficar de maior vou resolver. Se eu achar que vão ficar pequenos..."

Presenciando e ouvindo tudo que elas, sem qualquer constrangimento pela minha presença, falavam,   resolvi contar do problema de Florência e da sorte de Lydia, assumindo uma posição de conselheiro, educador, sei lá o que!

"- Olhe aí! Foi a salvação dela!"

"- É, mas a outra se lascou!"

"- Lascou nada! O médico conserta. Agora, tiro no coração não tem conserto!..."

" - É mesmo, não é neguinha?"

Porra! Que besteira que eu fiz! Agora, para essas gurias,  implante de silicone  passa a ser proteção contra a violência! (22-03-2010)

Quero morrer comendo camarão com vitamina C

Outro dia recebi uma mensagem dizendo que folha da planta da graviola prevenia e curava câncer. Fiquei preocupado com a possibilidade de uma invasão para levar as folhas de uma dessa planta que tem aqui no quintal. O povo, na sua santa ignorância, vez em quando emprenha pelo ouvido. Até um amigo meu, médico, acreditou nessa bobagem.

Se na Internet muita coisa séria é colocada, também seu espaço é usado por quem não tem o que fazer para inserir mentiras e invencionices descabidas: "A Microsoft está dando dinheiro para quem enviar e-mails"; "A Nokia vai lhe dar um celular de graça"; "Se não mandar esta prece para 10 pessoas, você vai se prejudicar"; "Dieta de Chico Xavier pra emagrecer"; "Veja o que fizeram com suas fotos no Orkut"; "Ericssom distribui Notebooks" e entre outras, uma que poderá prejudicar os crédulos e até matá-los, pois ensina de forma errada como se comportar quando vítima de uma sequestro relâmpago, informando que se o sequestrado colocar a senha do seu cartão de crédito ao contrário, isso provocará um alarme à polícia.

Hoje mesmo recebi uma mensagem de ananerydel@hotmail.com recomendando uma dessas correntes onde você envia R$1,00 e futuramente terá um retorno de mais de R$ 2.000.000,00. Não sei se existe a citada remetente ou se já é alguma incauta internauta repassando. Antigamente se dizia: "quem quer muito traz de casa..."

Os antigos mais que eu, diziam que tomar café quente e botar a cabeça na janela causava morte. As piadas à essa "sabedoria" chegaram juntas: Morreu porque tomou café quente e botou a cabeça na janela do ônibus.  Veio um outro ônibus e arrancou a cabeça. A causa mortis? O café quente! Tomar café quente e banho frio em seguida era risco de morte. Por conta disso eu peguei muita gente com outra piada: "Não sabe Maria, a empregada lá de casa? Pois bem, tomou café quente e foi tomar banho depois. Não chegou nem a terminar de pentear o cabelo!" E a pergunta era fatal: "Morreu?" Eu respondia: "Não. Quebrou o pente!..."

Agora surge a recomendação: "Camarão e vitamina C: mistura mortal? Você pode se envenenar acidentalmente com arsênico."

Que beleza! Acreditem! É pura verdade! Não comprem mais camarão e laranja. Isso fará  baixarem os preços e eu poderei, com meu salário de professor, morrer comendo camarão e tomando vitamina C! (15-03-2010)