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13 de Fevereiro
de 2012
Pesquisa: 67% da
população vêem Judiciário como pouco honesto
Ao comparar a
confiança no Judiciário com outras instituições a pesquisa,
realizada pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, mostra esse
Poder atrás das Forças Armadas, da Igreja Católica, do Ministério
Público, das grandes empresas e da imprensa escrita. Na sexta
colocação, o Judiciário aparece como instituição mais confiável do
que a polícia, o governo federal, as emissoras de TV, o Congresso
Nacional e os partidos políticos.
Duas em cada três pessoas
consideram o Judiciário pouco ou nada honesto e sem independência.
Mais da metade da população (55%) questiona a competência desse
Poder. A má avaliação do Judiciário como prestador de serviço
piorou ainda mais ao longo dos últimos três anos, segundo pesquisa
realizada pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo.
A principal motivação do uso do Judiciário pelos entrevistados
está relacionada às questões envolvendo direito do consumidor
(cobrança indevida, cartão de crédito, produtos com defeito), aos
conflitos derivados das relações trabalhistas (demissão,
indenização, pagamento de horas extra), seguida e direito de
família (divórcio, pensão, guarda de menores, inventário).
A pesquisa da FGV indica que a maior parte dos brasileiros confia
na sua família, tendo em vista que 87% deles responderam que
confiam ou confiam muito em seus familiares. Em segundo lugar,
aparecem os amigos, seguidos pelos colegas de trabalho e, depois,
pelos vizinhos. E apenas poucas pessoas (19%) afirmaram que
confiam ou confiam muito nas pessoas em geral.
Justiça lenta
De acordo com levantamento da Escola de Direito da FGV, coordenado
pela professora Luciana Gross Cunha, 89% da população considera o
Judiciário moroso. Além disso, 88% disseram que os custos para
acessar o Poder são altos e 70% dos entrevistados acreditam que o
Judiciário é difícil ou muito difícil para utilizar.
Desde 2009, quando a pesquisa sobre o Índice de Confiança no
Judiciário começou a ser feita, a percepção da população sobre a
Justiça só piorou. No primeiro levantamento, feito no segundo
trimestre de 2009, o índice era de 6,5, em uma escala de zero a
dez. Na pesquisa mais recente, do quatro trimestre do ano passado,
caiu para 5,3 - índice um pouco melhor do que foi registrado no
último trimestre de 2010, 4,2.
A coordenadora da pesquisa explicou que a avaliação geral da
população "sempre foi ruim" em relação ao Judiciário, mas piorou
por conta de problemas ligados a custos e morosidade. Para Luciana
Gross Cunha, isso coloca em xeque a credibilidade do Judiciário.
"Leva a essa maior descrença", comenta a professora da FGV.
Fonte: Valor
Econômico |