O sapato é uma peça
do vestuário que tem por finalidade proteger os pés das
pessoas. Em inglês a palavra
shoe deriva de
uma outra palavra do inglês arcaico,
sckh que, por
sua vez, provém do latim obscuro, vindo a significar
oculto, ocultar, guardar os pés.
Os egípcios dominavam a arte de curtir o couro e eram
eram hábeis confeccionadores de calçados. Seus escravos
faziam sandálias de couro, palha, papiro ou de outra
fibra qualquer de palmeira. No entanto, no antigo Egito,
era bastante comum as pessoas andarem descalças
carregando as sandálias penduradas ao pescoço. Usavam-se
calçados apenas quando absolutamente necessário. Os
nobres, entretanto estavam sempre calçados com sandálias
coloridas. Até o grande Faraó Tutancamon usava sandálias
e sapatos de couro de porco, cravejados de enfeites de
ouro. Evidências, entretanto mostram, que os sapatos
foram inventados, no final do Período Paleolítico.
Na Mesopotâmia eram comuns os sapatos e sandálias de
couro cru, amarrados aos pés por tiras do mesmo
material. Os coturnos eram entrançados nas pernas e
representavam o símbolo da alta posição social do dono
dos pés que os usavam.
Na Grécia Antiga, chegaram a lançar moda, como a de
modelos diferentes para cada pé, direito e esquerdo. A
maledicência entretanto afirma que um administrador da
cidade de Atenas, meio sobre o détraqué, estando de
pileque calçou inadvertidamente os pés trocados. Daí a
tão propalada moda.
Na Roma Antiga, o calçado indicava a classe social. Os
cônsules usavam sapatos brancos, os senadores sapatos
marrons, presos por quatro fitinhas pretas de couro
atadas a dois nós, e o calçado tradicional das legiões
de César era a bota de cano curto que evidenciava os
dedos.
Na Idade Média, tanto homens como mulheres costumavam
usar sapatos de couro curtido, fétidos, porém abertos,
de cores berrantes e que tinham a forma semelhante ao
das sapatilhas de balé.
Nas regiões frias do planeta, o mocassim, criação dos
indígenas norte-americanos, e as botas russas de cano
longo, são até hoje confeccionados para a devida
proteção dos pés. Nos países mais quentes a sandália,
bem como o chinelo, são evidentemente os mais usados. Na
Holanda, ainda é comum o uso do popular tamanco de
madeira feito em uma só peça.
Na Europa do século XIV, a moda ditava calçados de bico
tão fino e longo, alguns com até 50 cm de comprimento,
que para conseguir caminhar, era preciso prendê-los, com
um cordão de seda, à coxa ou à cintura. Haja Deus! De
certa forma esse tipo de sapato deve ter inspirado
nossos atuais designers que fizeram renascer algo
parecido com o tal bico fino, ótimo para matar baratas,
encurralando-as nos cantos da parede. Já na França de
Henrique IV, os sapatos eram tão estreitos que, para
conseguir calçá-los, os elegantes da época tinham que
ficar pelo menos duas horas com os pés mergulhados em
salmoura gelada para que encolhessem.
Nas cortes venezianas, a moda eram os calçados
perpetrados em cima de plataformas altíssimas. Tão altas
que se tornava praticamente impossível caminhar com eles
nos pés, a não ser com a ajuda de criados que seguravam
as dondocas pelos sovacos e assim as arrastavam pelos
insondáveis caminhos e salões da cidade.
Mas o cúmulo dos cúmulos eram os microscópicos sapatos
usados pelas mulheres chinesas, até recentemente.
Medindo cerca de 15 cm, eles obrigavam as coitadas a
reduzir drasticamente o comprimento do pé. Uma tortura.
Vá que se goste, que nem eu, de pés pequenos, mas aí já
é exagero. Para o sucesso da empreitada, as chinesas,
desde o nascimento, tinham os pés amassados sobre um
cilindro de metal e, então, firmemente enfaixados até
quando Deus dispusesse.
Nas Filipinas, a ex primeira-dama Imelda Marcos, viúva
do ditador Ferdinando Marcos está lançando sua própria
grife. Ela sempre foi conhecida pela imensa coleção de
sapatos, estimada em mais de 3.000 pares variados.
Enquanto colecionava sapatos, o marido governava o país
dominado pela pobreza. O ditador foi defenestrado e no
exílio Imelda comeu do pão que o diabo amassou. Agora de
volta às Filipinas, com essa grife, ela pretende vender
as peças da sua coleção particular por preços que variam
entre US$ 20 e US $100, valores bem modestos mas que
poderá ajudar a ex primeira-dama a colocar na mesa o
leite das crianças.
Todos nós temos na vida, um caso a ser contado e
relembrado, sobre sapatos. Às vezes histórias
fantásticas povoam o nosso imaginário. Às vezes simples
e doces lembranças. Quando completei quinze anos, o meu
pai me presenteou com o mais recôndito sonho de consumo
que povoava a minha jovem mente. Um sapato Fox. Pretinho
retinto, bem confeccionado, confortável, dava ao pé uma
elegância ímpar. Ótimo para dançar nos inúmeros
"assustados" da época. Brilhava ao sol e às luzes da
noite. Jamais esqueci o velho companheiro de guerra.
Veio o ditoso mimo tomar o lugar de um horroroso sapato
TANK, com chapas de metal no solado, que usávamos para
irmos às lides escolares. Ainda hoje relembro com
saudade o meu Fox. Era pau pra toda obra. Combinava com
qualquer roupa e era "chic" usá-lo. Nunca que eu sofri
de aberrações tais como calos e joanetes. Era o mesmo
que pisar nas nuvens. Companheiro de todas as horas,
espécie de conselheiro, não permitindo jamais que as
minhas pobres canelas tremessem em situações
constrangedoras.
Lé com lé, cré com cré, um sapato em cada pé, assim
cantava o menestrel!
Nos dias de hoje, o calçado transcendeu sua finalidade
inicial que é de proteção aos pés e passou a servir como
adorno, acessório de moda, e bem mais recentemente lá
pelas bandas de Bagdá, transformou-se em arma usada, nos
momentos de ira, contra presidentes outrora poderosos,
em visitas surpresas a paises que acabaram de destruir.
Deve ser reconfortante quando o alvo é atingido.
Sapatadas em presidentes! Se a moda pega pelas bandas de
cá não sei, mas bem que eu gostaria! (22-12-2008)

