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Ivaldo Gomes

 

Pensando alto

 

Já passou da hora de termos Políticas Públicas de Estado e não apenas de governos. Essa nossa incipiente democracia - de mais discursos do que de prática - têm nos mostrado que caminhamos mais em círculos que em linhas evolutivas, helicodialmente falando. Veja o caso emblemático da Paraíba, que apesar de estar renovando seus dirigentes através do voto, termina por criar uma nova geração de dirigentes, que pelo jeito que vai, vai terminar em mais uma nova oligarquia. Serão os novos coronéis dos tempos modernos. E pra lhes ser sincero acho muito pouco tudo isso para tamanho esforço da sociedade. Democracia não é de verdade uma coisa fácil de exercitar. Pois depende de muita consciência (paciência), que só se consegue mesmo estabelecer via educação. E que educação que temos?

Comecemos por ela, a educação. Temos que ter uma Política de Estado para a Educação. E dirão os apressadinhos: mas já temos. E temos. Só que no papel. Pois na prática a partitura é outra. Apesar dos 25% constitucionais para as Prefeituras e Governos dos Estados e 18% via Governo Federal, e apesar da ineficiência dos Tribunais de Contas e da União, esses recursos não são aplicados de forma coerente com o quê a nossa população precisa em termos de educação pública. E olhe educação não se restringe só a escola, a sala de aula. O Estado precisa prever Políticas Públicas permanentes, coerentes com nossas carências e necessidades. Chega de improvisação com políticas públicas de governos.

Tente compreender a diferença entre Política Pública de Estado e de governos. Se for de Estado é permanente, objetiva, acompanhada, avaliada, redimensionada, rediscutida, mais realizada para atender o objetivo de Estado que é servir ao cidadão. O Estado deveria ser o cidadão no coletivo (é o que se espera dele). Já as políticas públicas de governos (o que estamos acostumados a ver e sobreviver) são aquelas que têm nome, brasão, discurso, reuniões públicas para gerar marketing, inaugurações e placas vistosas, entrevistas e muita, muita propaganda tentando nos convencer que ‘aquela’ política de fulano de tal ou beltrano, ‘naquele’ governo, é a melhor e mais competente e interessante para todos nós. E ainda: quatro anos é pouco para fazer uma idéia maravilhosa dessas acontecer. Pelo discurso dos governos o ideal é que eles fiquem uns vinte anos no poder. Ai sim seremos todos redimidos.

‘Ai meus amigos, minhas amigas’, os novos coronéis do nordeste deitam e rolam. Até a impessoalidade passa a ser pessoal. E tome brasão da administração até na etiqueta do tênis escolar. E olhe que tinha gente que achava que devia colocá-lo até no papel higiênico. Foi agindo assim que apareceram aqueles ladrilhos nazistas no salão do Palácio da Redenção e o digno, decente, honrado Governador Antônio Mariz mandou retirar. Mandou colocar na lata do lixo da história. Onde deve repousar toda e qualquer vontade totalitarista. A unanimidade não é burra, mas exagera um pouco. Portanto o tempo ruge e urge colocar na pauta do dia o que temos mesmo de Política Públicas de Estado. Pois de governos não têm passado de logomarcas que vão de vento em polpa junto com o erário que deveria ser público.

Queremos discutir, eletronicamente, politicamente, coerentemente, Políticas Públicas de Estado. Para a educação, para a saúde e para a nossa segurança. Não só essa ‘segurança’ de polícia, presídio, repressão. Mas segurança de salários decentes, distribuição de renda e oportunidades, perspectivas de vida e vivências mais harmoniosas e mais justas em nossa sociedade. Para não termos que ouvir baboseiras de autoridades governamentais do tipo: ‘o pedido de demissão de 37 médicos (de forma coletiva), do sistema de saúde municipal não é uma coisa importante’. Isso também é segurança sabia? É também saúde para quem não tem a quem recorrer a não ser um hospital público, que deveria estar ancorado numa Política Pública de Estado e não de governos que governam como se fossem seu. Mas é fácil dá opiniões sobre a saúde dos outros com o cartão da UNIMED no bolso. Mas a maioria depende mesmo é do Hospital de Trauma. Do Hospital Universitário. Mesmo que pra isso tenhamos que ficar traumatizado com o atendimento. Temos mesmo?

Quando será mesmo que o Ministério Público – todos eles – vão cobrar dos governos suas Políticas Públicas de Estado e fiscalizá-las de verdade? E claro sem marketing político de grupos que estão – temporariamente – no poder. Estamos cansados de ver esse filme de qualidade duvidosa. Morremos no fim. Lembro do digno, decente e honrado professor Iveraldo Lucena - por coincidência o Secretário de Educação escolhido do Governador Antônio Mariz – ele têm uma frase que resume bem o papel dos governos hoje: “a única coisa que tem continuidade nos governos atuais é a descontinuidade”. Está vendo ai Ministério Público aonde chegamos ou ainda para onde estaremos indo? A nossa sociedade vive hoje uma conflagração meio esquizofrênica. Por um lado é demandada a participar, mas por outro lado é alijada de todo o processo. Só vota e paga impostos. Não participa. E quando é chamada para participar, é escalada no papel de lagartixa. Balancem a cabeça. Vocês ai batam palmas, levantem a mão e sorriam. Pois o sorriso é a alma da propaganda.

Queremos sim POLÍTICAS PÚBLICAS DE ESTADO, para que não fiquemos aqui construindo esfinges e pirâmides personalistas. Não precisamos disso. Acredite. Confie. Eu por exemplo nunca vou lhe pedir seu voto. Ms tem quem o faça e até o compre-o. Como aconteceu nessas últimas eleições e como têm acontecido em todas as outras eleições. NUNCA tivemos eleições limpas e livres. Pois não possuímos consciência social suficiente para esse tipo de atitude. Não dá para espera muito de uma população semi-analfabeta politicamente falando. É a realidade. Estão ai as pesquisas do IBGE pra quem quiser ler e compreender. Vejam os nossos ‘desempenhos’ na educação, saúde, segurança, nível e qualidade de vida, emprego, habitação, saneamento básico, pontos de cultura, etc.etc.

E talvez você esteja se perguntando: o que eu tenho haver com isso? Tem tudo. Pois se você não exigir – do seu jeito – que isso mude, vamos continuar nessa peleja de entra governo e sai governo e a vida da gente não muda para melhor em todos os aspectos. Pois tem isso também. Não adianta mudar apenas uma coisa – até porque no conjunto não se muda apenas uma coisa – mas têm que ser em todos os âmbitos sociais, econômicos e políticos. Precisamos agir, sair dessa inércia, desse esperar pra ver como é que fica e começar a fazer discussões públicas, nas entidades, nos grupos, em casa. A pergunta fundamental é: o que eu tenho haver com tudo isso? O que eu posso fazer pra mudar as coisas de hoje para um patamar melhor, mais civilizado, solidário, ético?

Nós temos tudo haver com isso. Pode acreditar. Queremos Políticas Públicas de Estado. E não apenas políticas públicas de marketing e brasões coroados. Não queremos novos coronéis, novos donos, novas dinastias. Queremos o futuro feito por nossas próprias mãos. Não queremos esmolas, queremos nossos direitos de cidadania. E ponto. Nós SOMOS o Estado e ele nos deve obediência. Pois o legitimamos e os mantemos. Até um dia que achemos que também não vale a pena carregá-lo nas costas. E ai é uma outra conversa. Temos que partir de onde estamos. Compreendendo o que fomos, o que somos e o que queremos ser. Aonde ir e como chegar lá. Chega de conversa fiada e políticas públicas de governos. Vocês, dos governos atuais, não estão conseguindo mais enganar todo mundo. Muita gente já possui essa compreensão e ela se expande. Pois é o novo.(10-11-2008)

É primavera no Cariri

 

 

 

 

 

O cariri paraibano está em festa de cores e cheiros. É primavera no cariri e ele se veste de flores de todos os tipos. Claro que a vegetação própria dessa região possui flores diferentes daquelas que estamos acostumados a ver. Acho que a noção da gente em termos de flores são sempre as flores que vieram de fora. Principalmente as européias. As flores nativas, crioulas, típicas da região, quase sempre não aparecem. Tive a maior dificuldade de selecionar essas poucas que vocês estão vendo. Mas a diversidade é grande e a singularidade das flores do semi-árido é única.

 

 

 

                  

 É fundamental explorar comercialmente as flores do cariri paraibano. O SEBRAE vem desenvolvendo um projeto na região, que se iniciou por Monteiro, que vai dando fruto e se estendendo pelo cariri gerando empregos e renda. Mas essa é apenas uma das formas de se criar alternativas para o avanço comercial e tecnológico da região. É preciso ser mais ousado, promovendo concursos públicos de fotos de flores, vegetação exuberante e paisagens do cariri. Elas precisam virar estampas, designe, botões, cartões postais, lembranças, replicas e adereços para a comercialização da marca ‘cariri paraibano’.

 

 

           

Sei que no cariri se desenvolve um mercado diversificado em couro, linhas, palha, gastronomia, barro e expressões artísticas. Mas precisamos ousar mais. Fazer mais, comunicar mais. Lembro de uma experiência que acontece numa cidade mexicana onde existem vários sítios arqueológicos (e que existe também no cariri). As inscrições rupestres existentes nessa cidade do México viraram marca e foi desenvolvido todo um artesanato em pedra (o que existe em abundância no cariri). Eles reproduzem essas imagens rupestres em pedras e vendem aos visitantes. Veja só, lá no México se transforma pedra em dinheiro. E por que nós não?

 

 

É preciso estabelecer de vez essa mentalidade empreendedora – que já existe de forma latente no povo caririzeiro – e colocá-lo a serviço do desenvolvimento sustentável da região. Da minha passagem como consultor do SEBRAE para a implantação do Programa Empreendedor Cultural, coordenado na época pelo economista e artista visual Martinho Campos, ficou a certeza que trilhamos os caminhos da ousadia e do rompimento com o paradigma de que ‘no cariri não se produz nada além de que cabra, leite e mormaço’. Desenvolvemos lógicas que levaram grupos de artistas a se desenvolverem e atingirem outros patamares de desenvolvimento.

 

 

Hoje, grupos folclóricos de Zabelê, Alcantil, Cabaceiras, Monteiro, Sumé, Gurjão, Camalaú, Prata, São João do Cariri e Taperoá são conhecidos na região e alguns já nacionalmente e internacionalmente como é o caso do grupo Folclórico de Taperoá. Por tanto, faz-se necessário implantar uma outra lógica e cair em campo para fazer valer a qualidade do produto e da marca ‘cariri paraibano’. Não dá mais para ficarmos de pires da mão esperando o poder público entender que a cultura existente no cariri pode e deve ser viabilizada como geradora de dividendos para a região. Um pouco mais de ousadia faria a maior diferença. Por todos os atores envolvidos com o Cariri paraibano.

 

 

Mas é primavera no cariri. Faça uma visita. Você vai se surpreender. (03-11-2008)

Fonte: http://www.tribunadocariri.com/ 

 

Fé, palavra muito significativa na nossa existência. Pois sem ela não estaríamos nem aqui. Eu não estaria escrevendo esse texto e você não estaria lendo. Foi à fé dos pais da gente que nos possibilitou isso. Sem fé não vamos a lugar nenhum. Nem conseguiríamos chegar a Tambaú se não acreditássemos que é àquele ônibus de fato que vai pra lá. Sem fé não tem motivação. Das palavras que conheço na língua portuguesa, fé é a menor e mais significativa. Também a mais importante. Como se importante fosse uma palavra sobre outra. Você é sua fé e suas circunstâncias, parodiando o filósofo espanhol Ortega y Gasset que afirmou: ‘o homem é ele e sua circunstância’. Pois como homem/mulher, somos de fato aquilo que acreditamos que somos e o quê as pessoas acham que somos. Nosso espelho sem fé não nos reflete, fica opaco. Impossível de se ver. Viver então.

Mas como disse o apóstolo Paulo de Tarso: ‘a fé sem obras não significam nada’. Logo precisamos construir um querer, um acreditar. Precisamos nos pegar no tempo e no espaço, no aqui e no agora e decidir em quê acreditar, apostar, torcer, viver, experimentar, descobrir, sentir, retribuir, compartilhar. Fé na vida. Já dizia a música. Fé nas possibilidades das coisas boas. No auspicioso planeta Terra. Azul porque Deus é menino, pois se fosse menina seria rosa. Até nisso existe algum tipo de fé. Fé é o que nos move. É o que nos tira da cama. Hoje eu vou fazer isso! Amanhã aquilo. Depois tem mais isso e isso e aquilo de novo. Todos os dias um ato de fé. Fé no dia que nasce todo dia. Mesmo que eu não venha mais estar aqui. Mas é a fé que vai me garantir um passado. Pois existir, ou ter existido, foi e é um ato de pura fé.

Sem fé e sem fôlego, não vamos a lugar nenhum. É melhor sentar e pensar aonde você deixou sua fé. Pois fé também se perde. E quando se perde a fé, perde-se a capacidade de confiar. Só quem tem fé confia. É meio inexplicável a coisa da fé. As religiões dão explicações de acordo a sua cultura. Mas todas concordam num ponto: sem fé você não vai nem entender a religião que você está tentando compreender. Mas isso acontece também no mundo das ideologias, da política, da economia. Você não daria três reais num pacote de pão se não viesse com o pão dentro? A fé é de fato quem remove montanhas. Mesmo que você use uma retro escavadeira para começar tirando o pé da montanha. A fé faz você escovar os dentes pela manhã ou depois de comer principalmente açúcar, para que você possa ficar com seus dentes um pouco mais de tempo. É a fé na higiene que perpetua os dentes.

Todo mundo tem fé. O problema é que uns tem fé de menos e outros têm fé demais. Fé também tem um limite. O limite do suportável. Cada recipiente só cabe o seu tamanho. O importante é que você não perca a fé em acreditar nas coisas. Nas pessoas, nas possibilidades de superação. Seja o problema que seja. Tendo fé já é meio caminho andado. E como andando é a única forma de conhecer as redondezas, logo, caminhar com fé é preciso. Não conheço ninguém que entre num elevador que não tenha a certeza de que ele funciona. Tem horas que precisa se ter fé até no desconhecido. É aquele batente que você sabe que existe e você não o está vendo. Mas precisa descê-lo. Fé no escuro do desconhecido. Pois se você tem fé, você sabe se pode ou não.

Existir é um ato de fé dos nossos pais. Se seu pai não fez sexo com sua mãe, com certeza você não fará com ninguém. Mas a fé do seu pai e de sua mãe lhes salvou. Eles acreditaram que você, através da fé na vida deles, precisava vir pra cá. Pra ajudar em tudo isso aqui. Entendo nossa presença por aqui como ‘ajudante do criador’. Mas um ‘tomador de conta’ do jardim do éden chamado Terra do que ‘proprietário’. Estamos aqui pra ajudar as roseiras ficarem mais bonitas. O mar mais limpo. O vento mais fresco. O dia mais iluminado e o céu de estrelas mais brilhante ainda. A chuva, o calor, a enchente. O vento forte nos cabelos. A energia que formou todas as coisas - além de inteligente - sabia o que estava fazendo. A gente por não ter fé ou não compreender, ou compreender errado, é que confundimos caçarolinha de assar coelho com Carolina de Sá Coelho. Daí a desobediência e o caos. A natureza segue regras. Os homens e mulheres de hoje querem criá-las ao seu bel prazer.

Estamos quase perto de sermos expulsos do paraíso, por tratarmos o planeta com desarmonia, devastando, destruindo, desumanizando a vida. Quando os homens e as mulheres começam a se deixarem de lado, começam a admitir que uns sejam melhores que outros e que uns têm mais direitos que outros. Começamos a perder nossa fé na vida e começamos a criar em vida um calvário que a todos sucumbirá. Só a fé num mundo melhor, mais justo, mais compartilhado, com mais respeito ao outro, sem preconceito, ai sim a gente começa de fato a entender onde estamos, porque estamos e para onde queremos ir. Se somos todos finitos, por que não nos ajudarmos agora? Agora é a hora. MUDE-SE. Ai você muda o mundo. Pelo menos o seu mundo começa a mudar. Tenha fé que isso é possível. Comecemos por nós. Tenha fé em você e na vida. Que são os outros em você. (20-10-2008)

 

Democracia direta

A história da Republica no Brasil é uma tragédia. São mais de cem anos de falcatruas. Entra governo e sai governo e não tem um que não tenha sido acusado de algum descaminho. Mas esse tem sido o caminho trilhado pela construção do que queremos entender como uma possível democracia. Chegamos até aqui, republicanamente falando, com um saldo de que quem manda mesmo ainda e sempre são os ricos do país. Quem tem dinheiro tem voz, poder e mando. Quem não tem, leva grito, bate palmas e carrega o piano. O danado é saber até quando vamos carregá-lo nas costas. A democracia que acredito e defendo, garante a quem carrega o piano, o direito de tocar para e com todos.

Mas aqui chegamos e aqui estamos. Eleição de dois em dois anos e depuração lenta, gradual, quase parando. Até porque quem está se beneficiando dessa equação histórica, não quer nem saber da música de Lulu Santos: Como uma onda no mar. Pois aqui, querem e consegue que nada mude o tempo todo. É como se quisessem parar o tempo. Mas o tempo não tem parada! E andando, como tem que ser, vamos caminhando na incerteza de essa equação histórica, ideológica e de mercado – pois tudo parece um grande supermercado – tende a perpetuar a regra de que quem têm mais ganha mais e quem ganha menos fica sempre com menos. Mas é bom advertir que quando o menos fica pouco ele acaba. E daí só sobra o TODO dos outros. E que não são nem ‘tantos outros’ assim. São visíveis a olho nus. Não se esconde riquezas. Talvez o invisível hoje seja a pobreza da maioria do nosso povo.

Mas e as soluções? Dirão alguns. Pois argumentar vendo o óbvio é como dizer que hoje tem pôr-do-sol. E têm. Mas todo dia é diferente. E se é diferente o pôr-do-sol de todo dia, deve existir uma forma de isso aqui ser diferente disso que está ai. E quem faz de fato tudo isso que está ai? Eu, você, nós. Somos nós que estamos aqui. Nunca esqueça disso. À hora é agora. Não posso deixar os pratos na pia pra lavar amanhã. A roupa suja tem que ser lavada. Ah! O Chanel número 5? Que bastava algumas gotas para que Marilyn Moore se vestisse de cheiros para dormir? Mas os cheiros também passam. Melhor lavar a roupa. A realidade é sempre dura no ato de se comunicar. Água é água, terremoto é terremoto. As coisas mudam mesmo, pode ter certeza, como uma onda no mar, no ar. Toda hora. Agorinha mesmo. Ali no mar de Tambaú.

Precisamos ser mais organizados. Organizarmos-nos mais. Precisamos influir mais nos nossos destinos. Até porque só temos esse mesmo. E espero que seja auspicioso enquanto dure. Pois penso exatamente igual a baiano que diz que: ‘baiano não nasce, estréia’. A gente veio pra cá pra ser feliz. Foi-nos dado, concedido, propositalmente ou por acaso - não interessa nessa altura do campeonato - um paraíso com nome e tudo: Jardim do Éden (Terra e cia.). Parece até que estou vendo a placa em néon piscando: Jardim do Éden. Mas ai, uns engraçadinhos acharam de ficar com a melhor parte pra si. E tome mansão no alto da colina e ruas engarrafadas de carrões. E nós andando de ônibus lotado? Hei! Isso aqui foi feito pra mim também. Eu tenho os mesmos direitos e gostaria de ter os mesmos deveres.

Democracia direta. Governo eletrônico. Via internet. Decidido pelo voto não obrigatório. O que deve ‘nos obrigar’ é a nossa consciência de participação. Responsabilização. A nossa livre determinação em querer isso ou aquilo. Somos modernos. Temos tecnologia a nosso favor. Agora a fé de remover montanhas é mais fácil. Pois temos os meios e justificados fins. Precisamos avançar - democraticamente falando - precisamos construir outras formas de legitimação e representatividade. Temos que garantir o poder da decisão na mão da maioria. Com todo o respeito e as garantias necessárias a existência das minorias e seus interesses. Precisamos transformar o país num movimento plesbicitário em variadas questões. Proponha-se (sociedade civil, instituições e atuais governos) reformas políticas e sociais, e decidamos no debate público e no voto eletrônico. Definamos de vez um modelo de educação para o país. Uma política econômica voltada para os interesses da maioria da população. Exercitemos a democracia participativa, inclusiva, direta. Gerando acesso. Deixando o povo decidir.

Voltarei ao tema. Pois ainda vamos ouvir falar muito nessa questão. Democracia direta. Pense nisso. Pois o nosso futuro passa por ai. (06-10-2008)

Ave César!


Não tenho mais saco para discutir esse ‘nive’ de ‘política’ a que chegamos por aqui. Peço que tenha a paciência necessária para ouvir/ler minhas explicações. Afinal de contas sou um cidadão como outro qualquer. Tenho direito e deveres perante a sociedade e de viver em conjunto com tudo isso. E olhe, não sou candidato a nada. Nadinha de nada. Sou insignificante demais para querer ser mais alguma coisa do que já consegui ser. Meus sonhos são por coisas que o dinheiro e a vaidade não podem comprar. Logo estou liberado dessa ‘nóia’ de ser ou aparentar ser quem não sou, principalmente por vias materiais ou de imagens criadas para esses fins. Não almejo sair nas colunas sociais e nem tão pouco pertencer às academias da vida. Basta estar aqui. Pra mim é mais que suficiente.

Mas vejam bem o porquê de não mais querer me envolver, participar, desse jogo que se faz hoje em nome de uma ‘política’ que se traduzida ao pé da letra ficaria mais ou menos assim: a política que se faz hoje no Brasil é um tremendo embuste. É pura enganação. É o espetáculo mais deprimente que já assisti em toda minha vida. Pois o que se faz em nome da ‘política’ de hoje não está no gibi. Começa pela imposição das regras. Ao povo, o direito, o dever, a obrigação de pagar todo tipo de imposto – impostos a ferro e a fogo – e votar obrigatoriamente, naqueles candidatos que se faz chegar aos ouvidos e ao bolso do cidadão. Aqui pagamos tudo e não recebemos nenhuma garantia de que a coisa vai funcionar.

Obrigam-nos a votar de dois em dois anos, em candidatos que sempre dizem que vão mudar o mundo. E quando a gente vê o sujeito/a, encastelado no cargo, o encargo é sempre nosso. Pois lhes pagamos as contas do free shop, do motel, da amante. Participamos de uma eleição atrás da outra, onde o próprio TSE reconhece que somos o ‘patrão’ mas não nos apresenta o comprovante de idoneidade das urnas eletrônicas. Ficamos ao bel prazer de acreditar ou não. Não temos como fiscalizar as eleições. E ainda nos dizem que somos os únicos responsáveis por quem elegemos. E aqui também ficamos sem controle algum.

Um senador sabonete pode ficar lavando as mãos como Pilatos oito longos anos no Senado e nós, os eleitores, o ‘patrão’, teremos a única e imperdível oportunidade de mudá-lo numa próxima eleição. Depois de oito anos? Mas tudo isso é vendido nas escolas, nas ruas, nos meios de comunicação – principalmente pelos comentaristas ‘políticos’ - como a maior demonstração de democracia participativa do mundo. Votamos obrigados, não temos como comprovar a lisura do pleito, não controlamos os eleitos, mas pagamos à conta. Desculpe, mas o desempenho dos eleitos, tanto no executivo, quanto no legislativo, não justifica a despesa que temos para manter essas cortes todas. Confrarias de amigos, tal qual moscas em torno do pote de mel do erário que deveria ser público. Não tenho, sinceramente, que referendar tudo isso com minha participação.

Daí que resolvi poupar os meus possíveis leitores de falar de tudo isso que vocês já sabem - mas fingem que não sabe de nada - pois querer mudar isso que está ai vai criar uma série de problemas e isso é constrangedor nos dias de hoje. Pois ninguém quer ter problemas não é? Mas o problema dessa pseuda ‘política’ e de seus representantes continuam. E tal qual César eles desfilam em carros abertos, em festas populares, soltando beijinhos e dando a mão a todo mundo. Mãos que tão logo recolhidas ao que fazer público, privilegia o privado. E hoje existem muitas formas de se privilegiar o privado em detrimento do público. Imagine que eu posso, com a caneta de nomeação na mão, nomear toda a sua família e dar-lhe de quebra uma ‘acelerada social’ de fazer gosto. É aquele caso clássico de quem morava nos Bancários e de uma hora para outra aparece morando de frente para o mar na praia do Cabo Branco.

Esse ano eu estou mais interessado em cultura, comunicação e educação popular, dessas feitas a partir da reflexão do dia a dia, sem necessariamente ajudar isso que está ai. A mudança hoje é interna. É de dentro pra fora. Quando formos capazes de ficarmos literalmente contra esse ‘status’ que querem nos impor mesmo com esse discurso de ‘democracia representativa’ ai a gente começa a mudar o jogo de forças. Enquanto não, fico fora disso! Deixa que a gente se representa. Estamos vivos e aqui e agora. Não preciso bater palmas para ‘político’ nenhum em carros de alegorias fajutas. ‘Não põe corda no meu bloco, nem vem com seu carro chefe, nem dê ordem ao pessoal, pois a gente não precisa que organizem nosso carnaval’. É só um sambinha do João Nogueira que passa nessa avenida. Nada contra a política, com ‘P’ maiúsculo. Mas essa que se diz ‘política’ que está ai é pura enganação. Fazer as coisas com o dinheiro público além de um dever é uma obrigação do gestor nomeado por nós. Mas como tem Césares a cobrar do povo uma saudação.

E olhe que lhes poupei de falar na corte desses Césares em outros poderes. Quanto mais poder nós lhes damos, mais eles querem. Nunca discutem a função do cargo, mas querem o cargo a todo custo. Parece Luiz XIV absolutistamente repetindo “O Estado sou eu”. O Estado - senhores e senhoras - somos todos nós que pagamos à conta e ‘escolhemos os eleitos’. Escolhemos? E o pior é que tão logo eleitos se esquecem de quem os elegeu. Pois até o que é da obrigação do gestor fazer, fica parecendo que uma concessão – estão ai as secretarias de comunicação que não me deixam mentir – o Rei é mesmo fulano de tal, diz a propaganda e os brasões da idade média. Até o pagamento dos funcionários é uma ‘obra’ meritória de sua excelência. É como dizia o filósofo Blanchur: ‘o ar que respiras, fui eu que autorizei’. Nem de cafuçu eu convenço ninguém a ser mais hilário. Portanto, não perderei meu tempo com essa ‘politicalha’ que está estabelecida e que parece – por um consenso muito estranho – que vai perdurar por mais algumas décadas. Até que um dia o povo, cansado de falcatruas e enrolações, diga alto, claro e bom som: não precisamos mais de vocês. Caiam fora.

Eu ando preocupado mesmo é com o vôo dos passarinhos que saem da mangueira daqui de casa para os jambeiros do outro lado da rua. Jambeiros esses que estão ameaçados pela ‘outorga onerosa’ de quem acha que o céu pode ser visto melhor da cobertura da minha torre de babel. Ou seria de papel? Ando preocupadíssimo com o não brotar de uma roseira rara que consegui plantar no jardim e as formigas teimam em comer suas folhas. Já fiz um ‘espanta inseto’ com fumo, sabão e pimenta, mas as formigas se apaixonaram pela roseira. Tenho preferido à natureza da natureza. Esses ‘políticos’ de hoje, com suas esfinges e seus enigmas acham que ficarão impunes. Mas a natureza se encarregará de fazer os arranjos necessários para que prevaleça o bem. Pois da maneira que vamos, parece que só a maldade, a esperteza, a ganância, inclusive política, prospera. Mas é sempre bom lembrar o que diz a filosofia taoísta: lembrem-se da lei das oitavas, tudo gira e volta ao seu ponto de mutação, o tempo todo. E tudo muda.

Bom, já que meus possíveis leitores já sabem o que penso sobre o que se faz em nome da política hoje, pouparei vocês desse reme-reme. Deixarei essa seara para àqueles que vivem preocupados em descobrir, cobrir, furar a notícia, explicando que é mais importante saber o porquê que o senador quer nomear fulano de tal em detrimento de sicrano, do que realmente explicar o quê fulano de tal vai mesmo fazer naquele cargo para servir o povo. Fica parecendo que o importante mesmo é o cargo ocupado e o correligionário satisfeito. O quê ele vai fazer no cargo não tem importância. Todas as despesas serão custeadas mesmo pelo contribuinte não é? Ou seria ‘obriguinte’? Obrigatoriamente contribuinte?

Ave César! To fora. (29-09-2008)

 

A Bigorna da Consciência

Até parece que somos todos uns desmiolados. Pois ficamos a assistir esse filme da realidade brasileira, paraibana e pessoense sem dá um pio. Entendendo tudo e calados. Percebemos as artimanhas dos políticos tramando eleições e acordos de todos os tipos. Os tais dos três poderes, de comum acordo, mantém a sua independência sobre o erário que deveria ser público. Parece até que os três poderes resolveram não só privatizar o erário, como também partidarizá-lo. E tome partido político metido nos poderes, com suas cortes, privilégios e salários astronômicos. Pois pagar salário de vinte mil reais a um juiz e pagar seiscentos reais a um professor é no mínimo injusto. Pra não dizer ilegal. Mas pode. Aqui tudo pode em nome do privilégio de alguns.

Elegemos toda essa gente. Demo-lhes poder pra mandar na gente. São nossos representantes e ainda tem a cara de pau de usar os recursos que mais uma vez deveria ser público, mas serve para fazer a propaganda enganosa dos seus governos, com os nossos impostos. É como dizer pra gente com o nosso dinheiro do quanto ele é imprescindível para nossa existência. Termina se transformando numa espécie de Deus na terra, que a tudo pode e a tudo é permitido. Inclusive acima da lei. Deixam de ser mortais para ser imortais com o dinheiro público. Aqui também e mais uma vez privado.

Compram o silêncio de muitos e quase todos. Pois, a maioria de rabo preso à mesa das migalhas do poder, fica fazendo de tudo e mais um pouco para não perder a boquinha. Pois a bocona, sabe como é, é daqueles de sempre. Os ungidos por nós pelo voto que lhe transferimos nossa cidadania, pois ele passa a ser o nosso representante. Mas também e ainda temos que lhes sustentar e ver, a todo instante, como eles agem em grupos e cada vez mais associados para que os recursos, aqueles dos nossos impostos, sejam cada vez menos explicados. Mesmo e apesar das ‘ouvidorias’ e ‘secretárias de transparência’ pública, onde na prática só se observa o privado. E ficamos privados de um monte de coisas.

A lógica instalada é aquela de sempre. Aquela centenária que diz: primeiro os meus, depois os que poderão ser meus e depois os outros. Essa lógica egocêntrica que gera e mantém todo esse quadro desolador de injustiça social que de tão secular passou a ser culturalmente aceito. Ora, os negros antes apanhavam, eram colocados a ferros. Forçados a trabalhar na vontade do capataz e no interesse do sinhozinho de plantão. Agora está bom demais. Nós nem batemos mais neles e nem eles são obrigados a trabalhar. Podem ficar com um salário mínimo desse. Ínfimo para quem já foi tão humilhado. E olhe, esse negócio de racismo é coisa que colocaram na cabeça dos negros. Parece até piada. Mais a verdade é que os negros, os índios, os diferentes, os discordantes, são sempre tratados com desdém e se possível devem ser eliminados. Os nazistas, os fascistas e todos esses ‘istas’ odientos nos prova historicamente tudo isso.

Sempre foi hora de dizer o que se acha de verdade. E dizer com todas as letras que não estamos satisfeitos com o andamento e o passeio da carruagem. Chega de alguns poucos na boleia e o resto limpando a estrada. Chega de enganação. De hipocrisia. De conivência com tudo isso. O certo é o certo e o errado é o errado. Isso serve para ontem, hoje a amanhã. Fica até parecendo que somos um bando de idiotas, dementes, que mesmo sabendo do nível de exploração a que estamos expostos, ficamos discutindo entre a gente, principalmente os explorados, como nos livrar da exploração sem querer enfrentar os exploradores. Que covardia é essa meu? Vamos acabar com isso. E vamos começar a dizer o que se acha disso tudo e exigir mudanças sob o controle da maioria de todos nós. Aliás, até como pobres somos maioria. Estamos com medo de quê? Do soldado, do oficial de justiça, do cobrador de impostos, dos jornalistas, dos médicos, dos advogados, dos professores que ensinam para o conformismo? Qual é o medo?

Com muita sinceridade temos que começar a rediscutir tudo isso. A discutir de novo. Repensar essa organização social que estamos enfiados até o pescoço. Nesse laço capitalista que cada dia que passa aperta mais. E o pescoço agüenta até quando? Pois bem, essa tem sido a pergunta que minha ‘consciência bigorna’ bate e rebate na minha cabeça todos os dias. Por que tem que ser assim? Sempre assim? E o pior, quando achamos que estamos encontrando uma saída, mesmo em grupo, percebemos que a cultura continua a mesma. Tem sempre alguém ou alguns levando vantagem. É a velha lógica do colonizador: eu preciso que você aceite que eu mande em você, para que você se sinta dependente de mim. Se não, eu não existo. Que vão as favas o colonizador ou sua consciência. Não precisamos de selas em nossas costas. Nem de andor pra santo de pés de barro. Não estamos interessados em construir mais uma corriola, grupo, grupelho, corte ou casta.

Estamos de costas pra nós mesmos. De frente pra quem nos oprime. E vamos baixar a cabeça até quando? Até quando não formos mais necessários? Mas porque então precisam do nosso voto e dos nossos impostos? Porque temos que apenas dá o poder e pagar a conta do café da manhã, do almoço, do jantar, da festa, dos cargos, das gratificações, das mordomias, dos mais iguais que a maioria de nós? Por quê? Responda-nos quem tem a resposta e as justificativas. Vamos ter que malhar a bigorna das nossas consciências e começar dar explicações públicas do por que só se vê um lado e não todos os lados. Se nem o vento sopra para um lado só, imaginemos nós que temos pernas, consciência e direção. Estamos cheios de placas e propaganda enganosa. De Out Door mentirosos que nos prometem o céu, mais nos entregam mesmo é a portaria do inferno. E a gente que se vire pra achar um lugar mais refrescante. Pois quem fica mesmo no ar condicionado são sempre aqueles mesmos senhores e senhoras de sempre.

Até quando? (22-09-2008)

 

Por que votar nulo nas próximas eleições?                                                                                                                         

    Estamos assistindo por esses dias o ‘massacre’ da propaganda eleitoral ‘gratuita’. Os espertinhos de sempre, travestidos de candidatos a tudo e qualquer coisa, tentam nos convencer que a nossa vida vai melhorar desde que a gente vote neles. Num país onde o analfabetismo bate a casa dos 40% da população e os analfabetos funcionais (aqueles que não entendem o que consegue ler) beira a casa dos 70%, ficamos com a certeza de que mais uma vez os ricos (quem tem dinheiro para se eleger) vão abocanhar os cargos eletivos e vamos, apenas isso, dá continuidade a pseudo democracia que achamos possuir.

    As eleições infelizmente não mudam nada. Muda apenas os inquilinos do poder, que ao assumirem logo são consumidos por facilidades, acesso ao erário público, benesses, mordomias, tudo pago à custa da nossa idiotice crônica, que acredita que alguém, algum super-herói ‘vai nos redimir a glória’ e que nossas vidas, enfim vai melhorar. Mas o que vemos mesmo é a melhora desses políticos profissionais da mentira, do engodo, da enganação. O sistema de ‘democracia representativa’ está falido. Não alimente essa farsa participando dela, dando seu voto, seu direito e sua cidadania para que ‘outros’ administrem a seu bel prazer os nossos destinos. Precisamos acreditar que temos um destino melhor que esse.

    Toda essa sacanagem eleitoral começa com a obrigatoriedade do seu voto. O ato de votar deve ser um direito do cidadão. Já a decisão de ir lá votar deve ser uma opção. Portanto não temos obrigação de ter que legitimar essa farsa, inclusive quando somos obrigados a ter que escolher entre o ruim e o pior. Ou o menos ruim como querem nos fazer crer os que se acham ‘politicamente corretos’. O correto, o certo, o honesto, o decente é o cidadão, cidadã, auto-organizar-se e tomar a unha sua cidadania. Não precisamos de representantes, nós nos representamos. Chega de intermediários. Chega de sermos enganados em nossa boa fé.

    Portanto não esqueça: nas próximas eleições mande esses oportunistas irem trabalhar como faz a maioria dos cidadãos brasileiros. Não sustente parasita, nem tão pouco legitime esses corruptos com o seu voto. Se organize em sua rua, em seu bairro, em seu local de trabalho e mande esses ‘políticos’ as favas. Não participe dessa farsa que chamam de ‘democracia representativa’. Representativa de quem cara pálida? Vote Nulo! Digite 99 e confirme. Não seja conivente. Existe política além do voto. (01-09-2008)

 

 

 

Centro Cultural João Balula

  

 

Recebi semana passada dois e-mails onde os remetentes usavam a denominação de Centro Cultural João Balula, referindo-se ao antigo prédio onde funcionou a primeira escola pública da Paraíba denominada Thomaz Mindello. Recentemente com a minha rápida passagem como assessor da Subsecretaria de Cultura do Governo estadual, propus ao atual Subsecretario Sandoval Nóbrega para que fizesse gestão junto ao Secretário de Educação Neroaldo Pontes para que encaminhasse ao governador do Estado essa proposta. Denominando aquele local com o nome de João Balula. Que foi corpo e alma daquele espaço por mais de vinte anos. Não dá pra entrar naquele prédio e não lembrar de Balula com suas calças e idéias coloridas.

  

Ao ler os e-mails de Ednamay Cirilo e Felipe Santos, se referindo a aquele centro como sendo o Centro Cultural João Balula, fiquei satisfeito e contente em ver que a idéia de dá nome aquele centro cultural tinha fincados raízes em mentes e corações. Nada mais justo. Mas isso precisa se concretizar com os encaminhamentos necessários para tanto. Poderia aproveitar a oportunidade em que a Subsecretaria vai ter que lançar o edital para renovação dos contratos de cessão dos espaços físicos daquela localidade por parte das ONGs e na cessão de uso das próximas Ongs a ocupar aquele espaço, já poderia iniciar com a nova denominação. Basta um decreto do governador e uma placa de denominação. Nada que o Estado da Paraíba não possa fazer para honrar a memória de quem deu o sangue para manter aquele local funcionando.

 

Seria importante também que a Subsecretaria terminasse a recuperação do centro cultural, com a recuperação do Teatro Cilaio Ribeiro (projeto que ficou proposto pelas Ongs e foi feito pelo pessoal do Theatro Santa Roza). Como também desse ao palco externo a condição de haver apresentações e ensaios (proposta feita pela Comissão do Centro Histórico). É importante ressaltar que a recuperação do prédio foi feito na gestão de Cida Lobo, mas ficou incompleto. Precisando que os espaços ali existentes sejam municiados de condições mínimas para o seu funcionamento. O que o atual Subsecretário de Cultura Sandoval Nóbrega tem condições de concluir até o final da gestão atual. Faço votos que tudo ocorra da melhor forma e que o Centro Cultural João Balula possa ser uma caixa de ressonância cultural no centro da cidade. (04-08-2008)

 

 

Perspectivas hoje na Paraíba     (Parte VII)

 

    Mesmo assumindo – entre linhas – uma visão de prudência, realista, que para muitos pode parecer pessimista sobre as perspectivas de hoje em dia no Brasil e especificamente na Paraíba, reafirmo meu otimismo em dias melhores. Desde que tomemos as decisões corretas. O momento é de muita pressão para que as coisas sejam corrigidas numa perspectiva cidadã. Não estou interessado em governos que fazem dos serviços sociais suas correias de transmissão e atrelamento ao seu poder. Não gosto desse tipo de administração que faz da saúde, da educação, uma grife de fulano de tal ou do grupo tal. Foi no que terminou ficando o tal do ‘orçamento participativo’.

    Hoje está em moda e ‘é politicamente correto’ usar o termo república para tentar dizer que o interesse é público. Mas na maioria dos discursos, olhando bem direitinho, tirando as tintas do marketing, da propaganda, descascando a tinta nova na mão antiga, percebemos que o entendimento do conceito de republica fica muito a desejar. Mesmo daquela República de Platão. A res-pública (de responsabilidade de todos) é o espírito coletivo em pessoa. Em movimento. Onde a maioria decide em respeito às minorias existentes. Na república o público é o objetivo. O fim e o motivo da sua existência. Quando ela não funciona assim, pode ser tudo, menos republica. Pode ser ditadura da maioria comprada ou representação ‘democrática’ com práticas totalitárias. Onde as oligarquias mandam e desmandam no país e no estado. E olhe, não estamos falando apenas das oligarquias familiares. Vejam também as oligarquias da tecnologia, de mercado, de capital, etc. e tal.

    Todas as nossas perspectivas passam pelas opções que temos, tomamos e tomaremos todos os nossos dias. Temos que nos colocar situações aonde as coisas chegam ao limite. Não tem como não mais resolver. É agora, porque é de verdade. Veja um exemplo ‘clássico’ da nossa situação atual: um apenado hoje na Paraíba custa aos cofres públicos à importância de R$ 1.600,00 reais por mês. Um professor pró-tempore (substituto) um salário mínimo (que chamo de ínfimo). Um professor concursado de nível superior pouco mais de R$ 600,00 reais. Esse exemplo singelo deixa claro que nossas opções estão erradas. Precisamos ter a coragem de admitir que temos problemas sérios para se resolver. E não dá mais para aceitarmos tanta passividade dos governos com os problemas muitos deles centenários.

    Sou otimista sim sobre todos esses desmandos que os governos estabeleceram. E olhe que eles têm se esforçado há anos para que as coisas chegassem aonde chegou. Pois da forma que vai, vamos nos transformar num grande aglomerado urbano e alguns rurais, onde cada um cuida de si e viva a lei de murici: onde cada um pega pra si. E perceba que sem educação, sem saúde e sem segurança, não tem emprego que se sustente. Não tem comercio de verdade que progrida. Vida decente que resista. Pois as coisas vão se ‘degringolando’ e assim, esse quadro que pode advir dessa desorganização toda será um quadro péssimo. Pois exemplos de barbáries já assistimos todos os dias na televisão. A última que ouvi foi sobre uma chacina de quinze pessoas num bar em Duque de Caxias - RJ.

    Já ouvi comentários de pessoas dizendo que estão deixando de assistir os jornais televisivos ou mesmo de ler jornais impressos. Não agüentam mais as ‘más notícias’. Mais é a realidade que se espelha nas páginas dos jornais e nos noticiários televisivos. Não dá pra esconder uma realidade dessas. Por mais que os jornalistas não queiram contar essa história, eles não podem faltar com a verdade. E que bom seria se eles, os jornalistas, começassem também a se rebelar contra ditadura da pauta do dono ou das empresas que pagam o comercial. Nunca é demais lembrar que ‘estava cumprindo ordens superiores’ tem também seus limites éticos. Ninguém é realmente pago para fazer coisas erradas. A cumplicidade é sempre latente.

    Não sei qual é a estratégia que está por traz desse quadro todo. Mas ela existe de forma direcionada, dá sinais de que está perdendo o controle sobre determinadas áreas e ações. Veja o caso dos bolsões de pobreza nas periferias das cidades grandes. Agora mesmo em João Pessoa o jogo de classes está sendo jogado entre o Bairro São José (antiga favela Beira Rio) e o Bairro de Manaira, um dos metros quadrados mais caros de João Pessoa. Já ouvi discursos desse tipo: ‘vamos remover o Bairro São José. É a solução do problema. São apenas cinco mil famílias. Vamos levá-los para a periferia da cidade. Lá é o lugar delas. E não aqui perto da gente. Roubando nossas casas, tomando nossas bicicletas, celulares, vendendo droga aos nossos filhos’. Aparthaid?

    Já vimos esse filme antes. São de propostas assim que se cristaliza o preconceito. E a partir dele, as justificativas para o abandono, o desprezo, a insensatez, o descaso, a desigualdade justificando mais desigualdade. E ai aparece às cotas, a bolsa família, o vale cidadania: compensações. E nas compensações embutimos os pré-conceitos de novo e velho. Mais desigual, mesmo quando justo. Pois existe uma diferença muito grande entre o justo e o ético (correto). É justo cobrar da sociedade uma reparação contra a prática de racismo – escravidão - que foi vítima e são vítimas os descendentes do povo africano no Brasil? Claro que sim. Mas mesmo justo não é ético se criar privilégios baseados em cor, religiosidade, filosofias, gêneros, números, jazz, reggaes e música clássica. Pois todo privilégio é nefasto. A luta é por igualdade de direitos e oportunidades de verdade e não de estatística.

    Com o pré-conceito e seus conceitos advindos, não vamos a lugar nenhum. A proposta, como perspectiva para a mudança, é jogar fora os preconceitos e harmonizar-se com a natureza das coisas. Respeitar o diferente - por ser diferente da gente – mas que possui o mesmo direito de existir como eu, você, o tatu, o urubu. Viver e deixar viver deveria ser o lema desse terceiro milênio para ver se a gente chega ao quarto. Ai tudo vai ficar melhor. Finalmente no quarto milênio com vistas para o mar. Mas se continuarmos a desmatar literalmente o planeta, vai faltar alguns elementos para conjugar o verbo existir num presente próximo. Talvez no início do quarto milênio sejamos uma comunidade aquática. Pois só nos restou à água para sobreviver. Não vamos dá uma de ficcionista, pois esse não é o propósito. O propósito é dizer, deixar claro, que temos que tomar posições e agirmos com nossa consciência cidadã. Pois o tempo ruge e a cada desmatamento, cada degradação da vida e da sua existência, cometida em cada passo dado nesse caminho destrutivo, só nos levará a morte junto com o planeta, junto com o que restar da natureza.

    Nos dias de hoje negligenciar a cidadania é coisa muito séria. É típico de quem não teve oportunidade de estudar. Ter uma formação. Uma visão de mundo como dizia o professor, mestre, exemplo de bondade, Paulo Freire. O mundo pra você é o que você pensa. Mais nem sempre coincide com o que você pensa. Daí perceber outros ângulos é importante na compreensão do campo em estudo. De um ponto amplo na arquibancada dá pra ver o jogo em todas as suas emoções. Preocupa-me ver pessoas preocupadas apenas com o dia de hoje. Eu sei que todo mundo tem uma vida particular pra tocar. Compromissos inadiáveis. Mas os problemas particulares existem dentro dos coletivos. Esses que andam na rua cobrando uma passagem pensada para favorecer apenas o dono da empresa. O ônibus é novo, a fotografia é bonita. Mas ele passa e eu não consigo estar nele. Ou vou a pé ou não lancho na hora do almoço. Esse negócio de supermercados repletos de alimentos e eu sem dinheiro pra comprar só dá raiva. E raiva mata muita gente.

    Mas falemos da vida, das perspectivas que temos doravante desses 2008 D.C. É bom ‘amarrar’ o tempo. O tempo todo. Pois dependemos dele. Vivemos sob seu ritmo. Todo mundo dorme alguma hora do dia. Uma característica humana. Somos iguais nas necessidades e constituição. Temos os mesmos direitos. Só não temos é a segurança desses direitos assegurados. Apesar de todos os impostos - imposto a ferro e a fogo - numa carga tributária injusta frente aos serviços públicos oferecidos. Precisamos começar mudar por algum lugar. Pessoalmente escolhi como campo de debate público e de ação cidadã, dois assuntos prioritários, paradigmáticos de cidadania nos dias de hoje:
o voto – repasse do meu direito de representação a outra pessoa – e o pagamento dos impostos. Precisamos analisar bem direitinho para que têm nos servido até agora.

    Concluo afirmando que a saída para reestruturar o país, o estado e o município, é colocar na agenda de discussão de todos nós essas duas questões básicas para começar o debate da verdadeira mudança:
Para que têm servido nosso voto e nosso imposto? Como controlar os eleitos? Como fiscalizar a aplicação dos impostos? Como priorizar sua aplicação? Como punir os corruptos? Tanto na política quanto na economia? Sem uma discussão séria sobre essa duas chaves de cidadania: Voto e imposto. Uma porque constitui a autoridade pela via da representação social e a outra porque assegura os recursos para serem aplicados na melhoria da vida de todos. Pelo menos é o que deveria ser feito com o dinheiro público.

    Essa história – histórica – ‘de que sempre foi assim e que assim sempre será’ pode e deve mudar. Pois o Estado de Direito só existe quando o direito de TODOS está garantido na prática e não apenas na letra da lei. Tem que está presente na vida e no dia a dia do cidadão. De todos nós. Tem que existir de verdade como direito. No Brasil de hoje parece até que a gente só tem obrigações. E esse papel de figurante e pagador de contas é muito pouco pro povo daqui. E ai meu coração não se conforma. (07-07-2008)

 

 

Ivaldo Gomes é Professor, com formação em Educação Física. Especialista em Educação Popular pelo PPGE-UFPB - Militante no campo da educação, meio ambiente e cultura. ivaldogomes@jpa.neoline.com.br