Ivaldo Gomes
Pensando alto
Já passou da hora de termos Políticas
Públicas de Estado e não apenas de governos. Essa nossa
incipiente democracia - de mais discursos do que de prática
- têm nos mostrado que caminhamos mais em círculos que em
linhas evolutivas, helicodialmente falando. Veja o caso
emblemático da Paraíba, que apesar de estar renovando seus
dirigentes através do voto, termina por criar uma nova
geração de dirigentes, que pelo jeito que vai, vai terminar
em mais uma nova oligarquia. Serão os novos coronéis dos
tempos modernos. E pra lhes ser sincero acho muito pouco
tudo isso para tamanho esforço da sociedade. Democracia não
é de verdade uma coisa fácil de exercitar. Pois depende de
muita consciência (paciência), que só se consegue mesmo
estabelecer via educação. E que educação que temos?
Comecemos por ela, a educação. Temos que ter uma Política de
Estado para a Educação. E dirão os apressadinhos: mas já
temos. E temos. Só que no papel. Pois na prática a partitura
é outra. Apesar dos 25% constitucionais para as Prefeituras
e Governos dos Estados e 18% via Governo Federal, e apesar
da ineficiência dos Tribunais de Contas e da União, esses
recursos não são aplicados de forma coerente com o quê a
nossa população precisa em termos de educação pública. E
olhe educação não se restringe só a escola, a sala de aula.
O Estado precisa prever Políticas Públicas permanentes,
coerentes com nossas carências e necessidades. Chega de
improvisação com políticas públicas de governos.
Tente compreender a diferença entre Política Pública de
Estado e de governos. Se for de Estado é permanente,
objetiva, acompanhada, avaliada, redimensionada,
rediscutida, mais realizada para atender o objetivo de
Estado que é servir ao cidadão. O Estado deveria ser o
cidadão no coletivo (é o que se espera dele). Já as
políticas públicas de governos (o que estamos acostumados a
ver e sobreviver) são aquelas que têm nome, brasão,
discurso, reuniões públicas para gerar marketing,
inaugurações e placas vistosas, entrevistas e muita, muita
propaganda tentando nos convencer que ‘aquela’ política de
fulano de tal ou beltrano, ‘naquele’ governo, é a melhor e
mais competente e interessante para todos nós. E ainda:
quatro anos é pouco para fazer uma idéia maravilhosa dessas
acontecer. Pelo discurso dos governos o ideal é que eles
fiquem uns vinte anos no poder. Ai sim seremos todos
redimidos.
‘Ai meus amigos, minhas amigas’, os novos coronéis do
nordeste deitam e rolam. Até a impessoalidade passa a ser
pessoal. E tome brasão da administração até na etiqueta do
tênis escolar. E olhe que tinha gente que achava que devia
colocá-lo até no papel higiênico. Foi agindo assim que
apareceram aqueles ladrilhos nazistas no salão do Palácio da
Redenção e o digno, decente, honrado Governador Antônio
Mariz mandou retirar. Mandou colocar na lata do lixo da
história. Onde deve repousar toda e qualquer vontade
totalitarista. A unanimidade não é burra, mas exagera um
pouco. Portanto o tempo ruge e urge colocar na pauta do dia
o que temos mesmo de Política Públicas de Estado. Pois de
governos não têm passado de logomarcas que vão de vento em
polpa junto com o erário que deveria ser público.
Queremos discutir, eletronicamente, politicamente,
coerentemente, Políticas Públicas de Estado. Para a
educação, para a saúde e para a nossa segurança. Não só essa
‘segurança’ de polícia, presídio, repressão. Mas segurança
de salários decentes, distribuição de renda e oportunidades,
perspectivas de vida e vivências mais harmoniosas e mais
justas em nossa sociedade. Para não termos que ouvir
baboseiras de autoridades governamentais do tipo: ‘o pedido
de demissão de 37 médicos (de forma coletiva), do sistema de
saúde municipal não é uma coisa importante’. Isso também é
segurança sabia? É também saúde para quem não tem a quem
recorrer a não ser um hospital público, que deveria estar
ancorado numa Política Pública de Estado e não de governos
que governam como se fossem seu. Mas é fácil dá opiniões
sobre a saúde dos outros com o cartão da UNIMED no bolso.
Mas a maioria depende mesmo é do Hospital de Trauma. Do
Hospital Universitário. Mesmo que pra isso tenhamos que
ficar traumatizado com o atendimento. Temos mesmo?
Quando será mesmo que o Ministério Público – todos eles –
vão cobrar dos governos suas Políticas Públicas de Estado e
fiscalizá-las de verdade? E claro sem marketing político de
grupos que estão – temporariamente – no poder. Estamos
cansados de ver esse filme de qualidade duvidosa. Morremos
no fim. Lembro do digno, decente e honrado professor
Iveraldo Lucena - por coincidência o Secretário de Educação
escolhido do Governador Antônio Mariz – ele têm uma frase
que resume bem o papel dos governos hoje: “a única coisa que
tem continuidade nos governos atuais é a descontinuidade”.
Está vendo ai Ministério Público aonde chegamos ou ainda
para onde estaremos indo? A nossa sociedade vive hoje uma
conflagração meio esquizofrênica. Por um lado é demandada a
participar, mas por outro lado é alijada de todo o processo.
Só vota e paga impostos. Não participa. E quando é chamada
para participar, é escalada no papel de lagartixa. Balancem
a cabeça. Vocês ai batam palmas, levantem a mão e sorriam.
Pois o sorriso é a alma da propaganda.
Queremos sim POLÍTICAS PÚBLICAS DE ESTADO, para que não
fiquemos aqui construindo esfinges e pirâmides
personalistas. Não precisamos disso. Acredite. Confie. Eu
por exemplo nunca vou lhe pedir seu voto. Ms tem quem o faça
e até o compre-o. Como aconteceu nessas últimas eleições e
como têm acontecido em todas as outras eleições. NUNCA
tivemos eleições limpas e livres. Pois não possuímos
consciência social suficiente para esse tipo de atitude. Não
dá para espera muito de uma população semi-analfabeta
politicamente falando. É a realidade. Estão ai as pesquisas
do IBGE pra quem quiser ler e compreender. Vejam os nossos
‘desempenhos’ na educação, saúde, segurança, nível e
qualidade de vida, emprego, habitação, saneamento básico,
pontos de cultura, etc.etc.
E talvez você esteja se perguntando: o que eu tenho haver
com isso? Tem tudo. Pois se você não exigir – do seu jeito –
que isso mude, vamos continuar nessa peleja de entra governo
e sai governo e a vida da gente não muda para melhor em
todos os aspectos. Pois tem isso também. Não adianta mudar
apenas uma coisa – até porque no conjunto não se muda apenas
uma coisa – mas têm que ser em todos os âmbitos sociais,
econômicos e políticos. Precisamos agir, sair dessa inércia,
desse esperar pra ver como é que fica e começar a fazer
discussões públicas, nas entidades, nos grupos, em casa. A
pergunta fundamental é: o que eu tenho haver com tudo isso?
O que eu posso fazer pra mudar as coisas de hoje para um
patamar melhor, mais civilizado, solidário, ético?
Nós temos tudo haver com isso. Pode acreditar. Queremos
Políticas Públicas de Estado. E não apenas políticas
públicas de marketing e brasões coroados. Não queremos novos
coronéis, novos donos, novas dinastias. Queremos o futuro
feito por nossas próprias mãos. Não queremos esmolas,
queremos nossos direitos de cidadania. E ponto. Nós SOMOS o
Estado e ele nos deve obediência. Pois o legitimamos e os
mantemos. Até um dia que achemos que também não vale a pena
carregá-lo nas costas. E ai é uma outra conversa. Temos que
partir de onde estamos. Compreendendo o que fomos, o que
somos e o que queremos ser. Aonde ir e como chegar lá. Chega
de conversa fiada e políticas públicas de governos. Vocês,
dos governos atuais, não estão conseguindo mais enganar todo
mundo. Muita gente já possui essa compreensão e ela se
expande. Pois é o novo.(10-11-2008)
É primavera no Cariri

O cariri
paraibano está em festa de cores e cheiros. É primavera no
cariri e ele se veste de flores de todos os tipos. Claro
que a vegetação própria dessa região possui flores
diferentes daquelas que estamos acostumados a ver. Acho
que a noção da gente em termos de flores são sempre as
flores que vieram de fora. Principalmente as européias. As
flores nativas, crioulas, típicas da região, quase sempre
não aparecem. Tive a maior dificuldade de selecionar essas
poucas que vocês estão vendo. Mas a diversidade é grande e
a singularidade das flores do semi-árido é única.
É fundamental explorar comercialmente
as flores do cariri paraibano. O SEBRAE vem desenvolvendo
um projeto na região, que se iniciou por Monteiro, que vai
dando fruto e se estendendo pelo cariri gerando empregos e
renda. Mas essa é apenas uma das formas de se criar
alternativas para o avanço comercial e tecnológico da
região. É preciso ser mais ousado, promovendo concursos
públicos de fotos de flores, vegetação exuberante e
paisagens do cariri. Elas precisam virar estampas,
designe, botões, cartões postais, lembranças, replicas e
adereços para a comercialização da marca ‘cariri
paraibano’.

Sei que no cariri se desenvolve um
mercado diversificado em couro, linhas, palha,
gastronomia, barro e expressões artísticas. Mas precisamos
ousar mais. Fazer mais, comunicar mais. Lembro de uma
experiência que acontece numa cidade mexicana onde existem
vários sítios arqueológicos (e que existe também no
cariri). As inscrições rupestres existentes nessa cidade
do México viraram marca e foi desenvolvido todo um
artesanato em pedra (o que existe em abundância no
cariri). Eles reproduzem essas imagens rupestres em pedras
e vendem aos visitantes. Veja só, lá no México se
transforma pedra em dinheiro. E por que nós não?

É preciso estabelecer de vez essa
mentalidade empreendedora – que já existe de forma latente
no povo caririzeiro – e colocá-lo a serviço do
desenvolvimento sustentável da região. Da minha passagem
como consultor do SEBRAE para a implantação do Programa
Empreendedor Cultural, coordenado na época pelo economista
e artista visual Martinho Campos, ficou a certeza que
trilhamos os caminhos da ousadia e do rompimento com o
paradigma de que ‘no cariri não se produz nada além de que
cabra, leite e mormaço’. Desenvolvemos lógicas que levaram
grupos de artistas a se desenvolverem e atingirem outros
patamares de desenvolvimento.

Hoje, grupos folclóricos de Zabelê,
Alcantil, Cabaceiras, Monteiro, Sumé, Gurjão, Camalaú,
Prata, São João do Cariri e Taperoá são conhecidos na
região e alguns já nacionalmente e internacionalmente como
é o caso do grupo Folclórico de Taperoá. Por tanto, faz-se
necessário implantar uma outra lógica e cair em campo para
fazer valer a qualidade do produto e da marca ‘cariri
paraibano’. Não dá mais para ficarmos de pires da mão
esperando o poder público entender que a cultura existente
no cariri pode e deve ser viabilizada como geradora de
dividendos para a região. Um pouco mais de ousadia faria a
maior diferença. Por todos os atores envolvidos com o
Cariri paraibano.
Mas é
primavera no cariri. Faça uma visita. Você vai se
surpreender. (03-11-2008)
Fonte:
http://www.tribunadocariri.com/
FÉ
Fé, palavra muito significativa na nossa
existência. Pois sem ela não estaríamos nem aqui. Eu não
estaria escrevendo esse texto e você não estaria lendo. Foi
à fé dos pais da gente que nos possibilitou isso. Sem fé não
vamos a lugar nenhum. Nem conseguiríamos chegar a Tambaú se
não acreditássemos que é àquele ônibus de fato que vai pra
lá. Sem fé não tem motivação. Das palavras que conheço na
língua portuguesa, fé é a menor e mais significativa. Também
a mais importante. Como se importante fosse uma palavra
sobre outra. Você é sua fé e suas circunstâncias, parodiando
o filósofo espanhol Ortega y Gasset que afirmou: ‘o homem é
ele e sua circunstância’. Pois como homem/mulher, somos de
fato aquilo que acreditamos que somos e o quê as pessoas
acham que somos. Nosso espelho sem fé não nos reflete, fica
opaco. Impossível de se ver. Viver então.
Mas como disse o apóstolo Paulo de Tarso: ‘a fé sem obras
não significam nada’. Logo precisamos construir um querer,
um acreditar. Precisamos nos pegar no tempo e no espaço, no
aqui e no agora e decidir em quê acreditar, apostar, torcer,
viver, experimentar, descobrir, sentir, retribuir,
compartilhar. Fé na vida. Já dizia a música. Fé nas
possibilidades das coisas boas. No auspicioso planeta Terra.
Azul porque Deus é menino, pois se fosse menina seria
rosa. Até nisso existe algum tipo de fé. Fé é o que nos
move. É o que nos tira da cama. Hoje eu vou fazer isso!
Amanhã aquilo. Depois tem mais isso e isso e aquilo de novo.
Todos os dias um ato de fé. Fé no dia que nasce todo dia.
Mesmo que eu não venha mais estar aqui. Mas é a fé que vai
me garantir um passado. Pois existir, ou ter existido, foi e
é um ato de pura fé.
Sem fé e sem fôlego, não vamos a lugar nenhum. É melhor
sentar e pensar aonde você deixou sua fé. Pois fé também se
perde. E quando se perde a fé, perde-se a capacidade de
confiar. Só quem tem fé confia. É meio inexplicável a coisa
da fé. As religiões dão explicações de acordo a sua cultura.
Mas todas concordam num ponto: sem fé você não vai nem
entender a religião que você está tentando compreender. Mas
isso acontece também no mundo das ideologias, da política,
da economia. Você não daria três reais num pacote de pão se
não viesse com o pão dentro? A fé é de fato quem remove
montanhas. Mesmo que você use uma retro escavadeira para
começar tirando o pé da montanha. A fé faz você escovar os
dentes pela manhã ou depois de comer principalmente açúcar,
para que você possa ficar com seus dentes um pouco mais de
tempo. É a fé na higiene que perpetua os dentes.
Todo mundo tem fé. O problema é que uns tem fé de menos
e outros têm fé demais. Fé também tem um limite. O
limite do suportável. Cada recipiente só cabe o seu tamanho.
O importante é que você não perca a fé em acreditar nas
coisas. Nas pessoas, nas possibilidades de superação. Seja o
problema que seja. Tendo fé já é meio caminho andado. E como
andando é a única forma de conhecer as redondezas, logo,
caminhar com fé é preciso. Não conheço ninguém que entre num
elevador que não tenha a certeza de que ele funciona. Tem
horas que precisa se ter fé até no desconhecido. É aquele
batente que você sabe que existe e você não o está vendo.
Mas precisa descê-lo. Fé no escuro do desconhecido. Pois se
você tem fé, você sabe se pode ou não.
Existir é um ato de fé dos nossos pais. Se seu pai não fez
sexo com sua mãe, com certeza você não fará com ninguém. Mas
a fé do seu pai e de sua mãe lhes salvou. Eles acreditaram
que você, através da fé na vida deles, precisava vir pra cá.
Pra ajudar em tudo isso aqui. Entendo nossa presença por
aqui como ‘ajudante do criador’. Mas um ‘tomador de conta’
do jardim do éden chamado Terra do que ‘proprietário’.
Estamos aqui pra ajudar as roseiras ficarem mais bonitas. O
mar mais limpo. O vento mais fresco. O dia mais iluminado e
o céu de estrelas mais brilhante ainda. A chuva, o calor, a
enchente. O vento forte nos cabelos. A energia que formou
todas as coisas - além de inteligente - sabia o que estava
fazendo. A gente por não ter fé ou não compreender, ou
compreender errado, é que confundimos caçarolinha de
assar coelho com Carolina de Sá Coelho. Daí a
desobediência e o caos. A natureza segue regras. Os homens e
mulheres de hoje querem criá-las ao seu bel prazer.
Estamos quase perto de sermos expulsos do paraíso, por
tratarmos o planeta com desarmonia, devastando, destruindo,
desumanizando a vida. Quando os homens e as mulheres começam
a se deixarem de lado, começam a admitir que uns sejam
melhores que outros e que uns têm mais direitos que outros.
Começamos a perder nossa fé na vida e começamos a criar em
vida um calvário que a todos sucumbirá. Só a fé num mundo
melhor, mais justo, mais compartilhado, com mais respeito ao
outro, sem preconceito, ai sim a gente começa de fato a
entender onde estamos, porque estamos e para onde queremos
ir. Se somos todos finitos, por que não nos ajudarmos agora?
Agora é a hora. MUDE-SE. Ai você muda o mundo. Pelo menos o
seu mundo começa a mudar. Tenha fé que isso é possível.
Comecemos por nós. Tenha fé em você e na vida. Que são os
outros em você. (20-10-2008)
Democracia direta
A história da Republica no Brasil é uma
tragédia. São mais de cem anos de falcatruas. Entra governo
e sai governo e não tem um que não tenha sido acusado de
algum descaminho. Mas esse tem sido o caminho trilhado pela
construção do que queremos entender como uma possível
democracia. Chegamos até aqui, republicanamente falando, com
um saldo de que quem manda mesmo ainda e sempre são os ricos
do país. Quem tem dinheiro tem voz, poder e mando. Quem não
tem, leva grito, bate palmas e carrega o piano. O danado é
saber até quando vamos carregá-lo nas costas. A democracia
que acredito e defendo, garante a quem carrega o piano, o
direito de tocar para e com todos.
Mas aqui chegamos e aqui estamos. Eleição de dois em dois
anos e depuração lenta, gradual, quase parando. Até porque
quem está se beneficiando dessa equação histórica, não quer
nem saber da música de Lulu Santos: Como uma onda no mar.
Pois aqui, querem e consegue que nada mude o tempo todo. É
como se quisessem parar o tempo. Mas o tempo não tem parada!
E andando, como tem que ser, vamos caminhando na incerteza
de essa equação histórica, ideológica e de mercado – pois
tudo parece um grande supermercado – tende a perpetuar a
regra de que quem têm mais ganha mais e quem ganha menos
fica sempre com menos. Mas é bom advertir que quando o menos
fica pouco ele acaba. E daí só sobra o TODO dos outros. E
que não são nem ‘tantos outros’ assim. São visíveis a olho
nus. Não se esconde riquezas. Talvez o invisível hoje seja a
pobreza da maioria do nosso povo.
Mas e as soluções? Dirão alguns. Pois argumentar vendo o
óbvio é como dizer que hoje tem pôr-do-sol. E têm. Mas todo
dia é diferente. E se é diferente o pôr-do-sol de todo dia,
deve existir uma forma de isso aqui ser diferente disso que
está ai. E quem faz de fato tudo isso que está ai? Eu, você,
nós. Somos nós que estamos aqui. Nunca esqueça disso. À hora
é agora. Não posso deixar os pratos na pia pra lavar amanhã.
A roupa suja tem que ser lavada. Ah! O Chanel número 5? Que
bastava algumas gotas para que Marilyn Moore se vestisse de
cheiros para dormir? Mas os cheiros também passam. Melhor
lavar a roupa. A realidade é sempre dura no ato de se
comunicar. Água é água, terremoto é terremoto. As coisas
mudam mesmo, pode ter certeza, como uma onda no mar, no ar.
Toda hora. Agorinha mesmo. Ali no mar de Tambaú.
Precisamos ser mais organizados. Organizarmos-nos mais.
Precisamos influir mais nos nossos destinos. Até porque só
temos esse mesmo. E espero que seja auspicioso enquanto
dure. Pois penso exatamente igual a baiano que diz que:
‘baiano não nasce, estréia’. A gente veio pra cá pra ser
feliz. Foi-nos dado, concedido, propositalmente ou por acaso
- não interessa nessa altura do campeonato - um paraíso com
nome e tudo: Jardim do Éden (Terra e cia.). Parece até que
estou vendo a placa em néon piscando: Jardim do Éden. Mas
ai, uns engraçadinhos acharam de ficar com a melhor parte
pra si. E tome mansão no alto da colina e ruas engarrafadas
de carrões. E nós andando de ônibus lotado? Hei! Isso aqui
foi feito pra mim também. Eu tenho os mesmos direitos e
gostaria de ter os mesmos deveres.
Democracia direta. Governo eletrônico. Via internet.
Decidido pelo voto não obrigatório. O que deve ‘nos obrigar’
é a nossa consciência de participação. Responsabilização. A
nossa livre determinação em querer isso ou aquilo. Somos
modernos. Temos tecnologia a nosso favor. Agora a fé de
remover montanhas é mais fácil. Pois temos os meios e
justificados fins. Precisamos avançar - democraticamente
falando - precisamos construir outras formas de legitimação
e representatividade. Temos que garantir o poder da decisão
na mão da maioria. Com todo o respeito e as garantias
necessárias a existência das minorias e seus interesses.
Precisamos transformar o país num movimento plesbicitário em
variadas questões. Proponha-se (sociedade civil,
instituições e atuais governos) reformas políticas e
sociais, e decidamos no debate público e no voto eletrônico.
Definamos de vez um modelo de educação para o país. Uma
política econômica voltada para os interesses da maioria da
população. Exercitemos a democracia participativa,
inclusiva, direta. Gerando acesso. Deixando o povo decidir.
Voltarei ao tema. Pois ainda vamos ouvir falar muito nessa
questão. Democracia direta. Pense nisso. Pois o nosso futuro
passa por ai. (06-10-2008)
Ave César!
Não tenho mais saco para discutir esse ‘nive’
de ‘política’ a que chegamos por aqui. Peço que tenha a
paciência necessária para ouvir/ler minhas explicações.
Afinal de contas sou um cidadão como outro qualquer. Tenho
direito e deveres perante a sociedade e de viver em conjunto
com tudo isso. E olhe, não sou candidato a nada. Nadinha de
nada. Sou insignificante demais para querer ser mais alguma
coisa do que já consegui ser. Meus sonhos são por coisas que
o dinheiro e a vaidade não podem comprar. Logo estou
liberado dessa ‘nóia’ de ser ou aparentar ser quem não sou,
principalmente por vias materiais ou de imagens criadas para
esses fins. Não almejo sair nas colunas sociais e nem tão
pouco pertencer às academias da vida. Basta estar aqui. Pra
mim é mais que suficiente.
Mas vejam bem o porquê de não mais querer me envolver,
participar, desse jogo que se faz hoje em nome de uma
‘política’ que se traduzida ao pé da letra ficaria mais ou
menos assim: a política que se faz hoje no Brasil é um
tremendo embuste. É pura enganação. É o espetáculo mais
deprimente que já assisti em toda minha vida. Pois o que se
faz em nome da ‘política’ de hoje não está no gibi. Começa
pela imposição das regras. Ao povo, o direito, o dever, a
obrigação de pagar todo tipo de imposto – impostos a ferro e
a fogo – e votar obrigatoriamente, naqueles candidatos que
se faz chegar aos ouvidos e ao bolso do cidadão. Aqui
pagamos tudo e não recebemos nenhuma garantia de que a coisa
vai funcionar.
Obrigam-nos a votar de dois em dois anos, em candidatos que
sempre dizem que vão mudar o mundo. E quando a gente vê o
sujeito/a, encastelado no cargo, o encargo é sempre nosso.
Pois lhes pagamos as contas do free shop, do motel, da
amante. Participamos de uma eleição atrás da outra, onde o
próprio TSE reconhece que somos o ‘patrão’ mas não nos
apresenta o comprovante de idoneidade das urnas eletrônicas.
Ficamos ao bel prazer de acreditar ou não. Não temos como
fiscalizar as eleições. E ainda nos dizem que somos os
únicos responsáveis por quem elegemos. E aqui também ficamos
sem controle algum.
Um senador sabonete pode ficar lavando as mãos como Pilatos
oito longos anos no Senado e nós, os eleitores, o ‘patrão’,
teremos a única e imperdível oportunidade de mudá-lo numa
próxima eleição. Depois de oito anos? Mas tudo isso é
vendido nas escolas, nas ruas, nos meios de comunicação –
principalmente pelos comentaristas ‘políticos’ - como a
maior demonstração de democracia participativa do mundo.
Votamos obrigados, não temos como comprovar a lisura do
pleito, não controlamos os eleitos, mas pagamos à conta.
Desculpe, mas o desempenho dos eleitos, tanto no executivo,
quanto no legislativo, não justifica a despesa que temos
para manter essas cortes todas. Confrarias de amigos, tal
qual moscas em torno do pote de mel do erário que deveria
ser público. Não tenho, sinceramente, que referendar tudo
isso com minha participação.
Daí que resolvi poupar os meus possíveis leitores de falar
de tudo isso que vocês já sabem - mas fingem que não sabe de
nada - pois querer mudar isso que está ai vai criar uma
série de problemas e isso é constrangedor nos dias de hoje.
Pois ninguém quer ter problemas não é? Mas o problema dessa
pseuda ‘política’ e de seus representantes continuam. E tal
qual César eles desfilam em carros abertos, em festas
populares, soltando beijinhos e dando a mão a todo mundo.
Mãos que tão logo recolhidas ao que fazer público,
privilegia o privado. E hoje existem muitas formas de se
privilegiar o privado em detrimento do público. Imagine que
eu posso, com a caneta de nomeação na mão, nomear toda a sua
família e dar-lhe de quebra uma ‘acelerada social’ de fazer
gosto. É aquele caso clássico de quem morava nos Bancários e
de uma hora para outra aparece morando de frente para o mar
na praia do Cabo Branco.
Esse ano eu estou mais interessado em cultura, comunicação e
educação popular, dessas feitas a partir da reflexão do dia
a dia, sem necessariamente ajudar isso que está ai. A
mudança hoje é interna. É de dentro pra fora. Quando formos
capazes de ficarmos literalmente contra esse ‘status’ que
querem nos impor mesmo com esse discurso de ‘democracia
representativa’ ai a gente começa a mudar o jogo de forças.
Enquanto não, fico fora disso! Deixa que a gente se
representa. Estamos vivos e aqui e agora. Não preciso bater
palmas para ‘político’ nenhum em carros de alegorias
fajutas. ‘Não põe corda no meu bloco, nem vem com seu carro
chefe, nem dê ordem ao pessoal, pois a gente não precisa que
organizem nosso carnaval’. É só um sambinha do João Nogueira
que passa nessa avenida. Nada contra a política, com ‘P’
maiúsculo. Mas essa que se diz ‘política’ que está ai é pura
enganação. Fazer as coisas com o dinheiro público além de um
dever é uma obrigação do gestor nomeado por nós. Mas como
tem Césares a cobrar do povo uma saudação.
E olhe que lhes poupei de falar na corte desses Césares em
outros poderes. Quanto mais poder nós lhes damos, mais eles
querem. Nunca discutem a função do cargo, mas querem o cargo
a todo custo. Parece Luiz XIV absolutistamente repetindo “O
Estado sou eu”. O Estado - senhores e senhoras - somos todos
nós que pagamos à conta e ‘escolhemos os eleitos’.
Escolhemos? E o pior é que tão logo eleitos se esquecem de
quem os elegeu. Pois até o que é da obrigação do gestor
fazer, fica parecendo que uma concessão – estão ai as
secretarias de comunicação que não me deixam mentir – o Rei
é mesmo fulano de tal, diz a propaganda e os brasões da
idade média. Até o pagamento dos funcionários é uma ‘obra’
meritória de sua excelência. É como dizia o filósofo
Blanchur: ‘o ar que respiras, fui eu que autorizei’. Nem de
cafuçu eu convenço ninguém a ser mais hilário. Portanto, não
perderei meu tempo com essa ‘politicalha’ que está
estabelecida e que parece – por um consenso muito estranho –
que vai perdurar por mais algumas décadas. Até que um dia o
povo, cansado de falcatruas e enrolações, diga alto, claro e
bom som: não precisamos mais de vocês. Caiam fora.
Eu ando preocupado mesmo é com o vôo dos passarinhos que
saem da mangueira daqui de casa para os jambeiros do outro
lado da rua. Jambeiros esses que estão ameaçados pela
‘outorga onerosa’ de quem acha que o céu pode ser visto
melhor da cobertura da minha torre de babel. Ou seria de
papel? Ando preocupadíssimo com o não brotar de uma roseira
rara que consegui plantar no jardim e as formigas teimam em
comer suas folhas. Já fiz um ‘espanta inseto’ com fumo,
sabão e pimenta, mas as formigas se apaixonaram pela
roseira. Tenho preferido à natureza da natureza. Esses
‘políticos’ de hoje, com suas esfinges e seus enigmas acham
que ficarão impunes. Mas a natureza se encarregará de fazer
os arranjos necessários para que prevaleça o bem. Pois da
maneira que vamos, parece que só a maldade, a esperteza, a
ganância, inclusive política, prospera. Mas é sempre bom
lembrar o que diz a filosofia taoísta: lembrem-se da lei das
oitavas, tudo gira e volta ao seu ponto de mutação, o tempo
todo. E tudo muda.
Bom, já que meus possíveis leitores já sabem o que penso
sobre o que se faz em nome da política hoje, pouparei vocês
desse reme-reme. Deixarei essa seara para àqueles que vivem
preocupados em descobrir, cobrir, furar a notícia,
explicando que é mais importante saber o porquê que o
senador quer nomear fulano de tal em detrimento de sicrano,
do que realmente explicar o quê fulano de tal vai mesmo
fazer naquele cargo para servir o povo. Fica parecendo que o
importante mesmo é o cargo ocupado e o correligionário
satisfeito. O quê ele vai fazer no cargo não tem
importância. Todas as despesas serão custeadas mesmo pelo
contribuinte não é? Ou seria ‘obriguinte’? Obrigatoriamente
contribuinte?
Ave César! To fora. (29-09-2008)
A Bigorna da Consciência
Até parece que somos todos uns desmiolados.
Pois ficamos a assistir esse filme da realidade brasileira,
paraibana e pessoense sem dá um pio. Entendendo tudo e
calados. Percebemos as artimanhas dos políticos tramando
eleições e acordos de todos os tipos. Os tais dos três
poderes, de comum acordo, mantém a sua independência sobre o
erário que deveria ser público. Parece até que os três
poderes resolveram não só privatizar o erário, como também
partidarizá-lo. E tome partido político metido nos poderes,
com suas cortes, privilégios e salários astronômicos. Pois
pagar salário de vinte mil reais a um juiz e pagar
seiscentos reais a um professor é no mínimo injusto. Pra não
dizer ilegal. Mas pode. Aqui tudo pode em nome do privilégio
de alguns.
Elegemos toda essa gente. Demo-lhes poder pra mandar na
gente. São nossos representantes e ainda tem a cara de pau
de usar os recursos que mais uma vez deveria ser público,
mas serve para fazer a propaganda enganosa dos seus
governos, com os nossos impostos. É como dizer pra gente com
o nosso dinheiro do quanto ele é imprescindível para nossa
existência. Termina se transformando numa espécie de Deus na
terra, que a tudo pode e a tudo é permitido. Inclusive acima
da lei. Deixam de ser mortais para ser imortais com o
dinheiro público. Aqui também e mais uma vez privado.
Compram o silêncio de muitos e quase todos. Pois, a maioria
de rabo preso à mesa das migalhas do poder, fica fazendo de
tudo e mais um pouco para não perder a boquinha. Pois a
bocona, sabe como é, é daqueles de sempre. Os ungidos por
nós pelo voto que lhe transferimos nossa cidadania, pois ele
passa a ser o nosso representante. Mas também e ainda temos
que lhes sustentar e ver, a todo instante, como eles agem em
grupos e cada vez mais associados para que os recursos,
aqueles dos nossos impostos, sejam cada vez menos
explicados. Mesmo e apesar das ‘ouvidorias’ e ‘secretárias
de transparência’ pública, onde na prática só se observa o
privado. E ficamos privados de um monte de coisas.
A lógica instalada é aquela de sempre. Aquela centenária que
diz: primeiro os meus, depois os que poderão ser meus e
depois os outros. Essa lógica egocêntrica que gera e mantém
todo esse quadro desolador de injustiça social que de tão
secular passou a ser culturalmente aceito. Ora, os negros
antes apanhavam, eram colocados a ferros. Forçados a
trabalhar na vontade do capataz e no interesse do sinhozinho
de plantão. Agora está bom demais. Nós nem batemos mais
neles e nem eles são obrigados a trabalhar. Podem ficar com
um salário mínimo desse. Ínfimo para quem já foi tão
humilhado. E olhe, esse negócio de racismo é coisa que
colocaram na cabeça dos negros. Parece até piada. Mais a
verdade é que os negros, os índios, os diferentes, os
discordantes, são sempre tratados com desdém e se possível
devem ser eliminados. Os nazistas, os fascistas e todos
esses ‘istas’ odientos nos prova historicamente tudo isso.
Sempre foi hora de dizer o que se acha de verdade. E dizer
com todas as letras que não estamos satisfeitos com o
andamento e o passeio da carruagem. Chega de alguns poucos
na boleia e o resto limpando a estrada. Chega de enganação.
De hipocrisia. De conivência com tudo isso. O certo é o
certo e o errado é o errado. Isso serve para ontem, hoje a
amanhã. Fica até parecendo que somos um bando de idiotas,
dementes, que mesmo sabendo do nível de exploração a que
estamos expostos, ficamos discutindo entre a gente,
principalmente os explorados, como nos livrar da exploração
sem querer enfrentar os exploradores. Que covardia é essa
meu? Vamos acabar com isso. E vamos começar a dizer o que se
acha disso tudo e exigir mudanças sob o controle da maioria
de todos nós. Aliás, até como pobres somos maioria. Estamos
com medo de quê? Do soldado, do oficial de justiça, do
cobrador de impostos, dos jornalistas, dos médicos, dos
advogados, dos professores que ensinam para o conformismo?
Qual é o medo?
Com muita sinceridade temos que começar a rediscutir tudo
isso. A discutir de novo. Repensar essa organização social
que estamos enfiados até o pescoço. Nesse laço capitalista
que cada dia que passa aperta mais. E o pescoço agüenta até
quando? Pois bem, essa tem sido a pergunta que minha
‘consciência bigorna’ bate e rebate na minha cabeça todos os
dias. Por que tem que ser assim? Sempre assim? E o pior,
quando achamos que estamos encontrando uma saída, mesmo em
grupo, percebemos que a cultura continua a mesma. Tem sempre
alguém ou alguns levando vantagem. É a velha lógica do
colonizador: eu preciso que você aceite que eu mande em
você, para que você se sinta dependente de mim. Se não, eu
não existo. Que vão as favas o colonizador ou sua
consciência. Não precisamos de selas em nossas costas. Nem
de andor pra santo de pés de barro. Não estamos interessados
em construir mais uma corriola, grupo, grupelho, corte ou
casta.
Estamos de costas pra nós mesmos. De frente pra quem nos
oprime. E vamos baixar a cabeça até quando? Até quando não
formos mais necessários? Mas porque então precisam do nosso
voto e dos nossos impostos? Porque temos que apenas dá o
poder e pagar a conta do café da manhã, do almoço, do
jantar, da festa, dos cargos, das gratificações, das
mordomias, dos mais iguais que a maioria de nós? Por quê?
Responda-nos quem tem a resposta e as justificativas. Vamos
ter que malhar a bigorna das nossas consciências e começar
dar explicações públicas do por que só se vê um lado e não
todos os lados. Se nem o vento sopra para um lado só,
imaginemos nós que temos pernas, consciência e direção.
Estamos cheios de placas e propaganda enganosa. De Out Door
mentirosos que nos prometem o céu, mais nos entregam mesmo é
a portaria do inferno. E a gente que se vire pra achar um
lugar mais refrescante. Pois quem fica mesmo no ar
condicionado são sempre aqueles mesmos senhores e senhoras
de sempre.
Até quando? (22-09-2008)
Por que
votar nulo nas próximas eleições?
Estamos
assistindo por esses dias o ‘massacre’ da propaganda
eleitoral ‘gratuita’. Os espertinhos de sempre, travestidos
de candidatos a tudo e qualquer coisa, tentam nos convencer
que a nossa vida vai melhorar desde que a gente vote neles.
Num país onde o analfabetismo bate a casa dos 40% da
população e os analfabetos funcionais (aqueles que não
entendem o que consegue ler) beira a casa dos 70%, ficamos
com a certeza de que mais uma vez os ricos (quem tem
dinheiro para se eleger) vão abocanhar os cargos eletivos e
vamos, apenas isso, dá continuidade a pseudo democracia que
achamos possuir.
As eleições infelizmente não mudam nada. Muda apenas os
inquilinos do poder, que ao assumirem logo são consumidos
por facilidades, acesso ao erário público, benesses,
mordomias, tudo pago à custa da nossa idiotice crônica, que
acredita que alguém, algum super-herói ‘vai nos redimir a
glória’ e que nossas vidas, enfim vai melhorar. Mas o que
vemos mesmo é a melhora desses políticos profissionais da
mentira, do engodo, da enganação. O sistema de ‘democracia
representativa’ está falido. Não alimente essa farsa
participando dela, dando seu voto, seu direito e sua
cidadania para que ‘outros’ administrem a seu bel prazer os
nossos destinos. Precisamos acreditar que temos um destino
melhor que esse.
Toda essa sacanagem eleitoral começa com a
obrigatoriedade do seu voto. O ato de votar deve ser um
direito do cidadão. Já a decisão de ir lá votar deve ser uma
opção. Portanto não temos obrigação de ter que legitimar
essa farsa, inclusive quando somos obrigados a ter que
escolher entre o ruim e o pior. Ou o menos ruim como querem
nos fazer crer os que se acham ‘politicamente corretos’. O
correto, o certo, o honesto, o decente é o cidadão, cidadã,
auto-organizar-se e tomar a unha sua cidadania. Não
precisamos de representantes, nós nos representamos. Chega
de intermediários. Chega de sermos enganados em nossa boa
fé.
Portanto não esqueça: nas próximas eleições mande esses
oportunistas irem trabalhar como faz a maioria dos cidadãos
brasileiros. Não sustente parasita, nem tão pouco legitime
esses corruptos com o seu voto. Se organize em sua rua, em
seu bairro, em seu local de trabalho e mande esses
‘políticos’ as favas. Não participe dessa farsa que chamam
de ‘democracia representativa’. Representativa de quem cara
pálida? Vote Nulo! Digite 99 e confirme. Não seja conivente.
Existe política além do voto. (01-09-2008)
Centro Cultural João Balula
Recebi semana passada dois
e-mails onde os remetentes usavam a denominação de Centro
Cultural João Balula, referindo-se ao antigo prédio onde
funcionou a primeira escola pública da Paraíba denominada
Thomaz Mindello. Recentemente com a minha rápida passagem
como assessor da Subsecretaria de Cultura do Governo
estadual, propus ao atual Subsecretario Sandoval Nóbrega
para que fizesse gestão junto ao Secretário de Educação
Neroaldo Pontes para que encaminhasse ao governador do
Estado essa proposta. Denominando aquele local com o nome de
João Balula. Que foi corpo e alma daquele espaço por mais de
vinte anos. Não dá pra entrar naquele prédio e não lembrar
de Balula com suas calças e idéias coloridas.
Ao ler os e-mails de Ednamay
Cirilo e Felipe Santos, se referindo a aquele centro como
sendo o Centro Cultural João Balula, fiquei satisfeito e
contente em ver que a idéia de dá nome aquele centro
cultural tinha fincados raízes em mentes e corações. Nada
mais justo. Mas isso precisa se concretizar com os
encaminhamentos necessários para tanto. Poderia aproveitar a
oportunidade em que a Subsecretaria vai ter que lançar o
edital para renovação dos contratos de cessão dos espaços
físicos daquela localidade por parte das ONGs e na cessão de
uso das próximas Ongs a ocupar aquele espaço, já poderia
iniciar com a nova denominação. Basta um decreto do
governador e uma placa de denominação. Nada que o Estado da
Paraíba não possa fazer para honrar a memória de quem deu o
sangue para manter aquele local funcionando.
Seria importante também que
a Subsecretaria terminasse a recuperação do centro cultural,
com a recuperação do Teatro Cilaio Ribeiro (projeto que
ficou proposto pelas Ongs e foi feito pelo pessoal do
Theatro Santa Roza). Como também desse ao palco externo a
condição de haver apresentações e ensaios (proposta feita
pela Comissão do Centro Histórico). É importante ressaltar
que a recuperação do prédio foi feito na gestão de Cida
Lobo, mas ficou incompleto. Precisando que os espaços ali
existentes sejam municiados de condições mínimas para o seu
funcionamento. O que o atual Subsecretário de Cultura
Sandoval Nóbrega tem condições de concluir até o final da
gestão atual. Faço votos que tudo ocorra da melhor forma e
que o Centro Cultural João Balula possa ser uma caixa de
ressonância cultural no centro da cidade. (04-08-2008)
Perspectivas hoje na Paraíba
(Parte
VII)
Mesmo assumindo – entre linhas – uma visão de prudência,
realista, que para muitos pode parecer pessimista sobre as
perspectivas de hoje em dia no Brasil e especificamente na
Paraíba, reafirmo meu otimismo em dias melhores. Desde que
tomemos as decisões corretas. O momento é de muita pressão
para que as coisas sejam corrigidas numa perspectiva cidadã.
Não estou interessado em governos que fazem dos serviços
sociais suas correias de transmissão e atrelamento ao seu
poder. Não gosto desse tipo de administração que faz da
saúde, da educação, uma grife de fulano de tal ou do grupo
tal. Foi no que terminou ficando o tal do ‘orçamento
participativo’.
Hoje está em moda e ‘é politicamente correto’ usar o
termo república para tentar dizer que o interesse é público.
Mas na maioria dos discursos, olhando bem direitinho,
tirando as tintas do marketing, da propaganda, descascando a
tinta nova na mão antiga, percebemos que o entendimento do
conceito de republica fica muito a desejar. Mesmo daquela
República de Platão. A res-pública (de responsabilidade de
todos) é o espírito coletivo em pessoa. Em movimento. Onde a
maioria decide em respeito às minorias existentes. Na
república o público é o objetivo. O fim e o motivo da sua
existência. Quando ela não funciona assim, pode ser tudo,
menos republica. Pode ser ditadura da maioria comprada ou
representação ‘democrática’ com práticas totalitárias. Onde
as oligarquias mandam e desmandam no país e no estado. E
olhe, não estamos falando apenas das oligarquias familiares.
Vejam também as oligarquias da tecnologia, de mercado, de
capital, etc. e tal.
Todas as nossas perspectivas passam pelas opções que
temos, tomamos e tomaremos todos os nossos dias. Temos que
nos colocar situações aonde as coisas chegam ao limite. Não
tem como não mais resolver. É agora, porque é de verdade.
Veja um exemplo ‘clássico’ da nossa situação atual: um
apenado hoje na Paraíba custa aos cofres públicos à
importância de R$ 1.600,00 reais por mês. Um professor
pró-tempore (substituto) um salário mínimo (que chamo de
ínfimo). Um professor concursado de nível superior pouco
mais de R$ 600,00 reais. Esse exemplo singelo deixa claro
que nossas opções estão erradas. Precisamos ter a coragem de
admitir que temos problemas sérios para se resolver. E não
dá mais para aceitarmos tanta passividade dos governos com
os problemas muitos deles centenários.
Sou otimista sim sobre todos esses desmandos que os
governos estabeleceram. E olhe que eles têm se esforçado há
anos para que as coisas chegassem aonde chegou. Pois da
forma que vai, vamos nos transformar num grande aglomerado
urbano e alguns rurais, onde cada um cuida de si e viva a
lei de murici: onde cada um pega pra si. E perceba que sem
educação, sem saúde e sem segurança, não tem emprego que se
sustente. Não tem comercio de verdade que progrida. Vida
decente que resista. Pois as coisas vão se ‘degringolando’
e assim, esse quadro que pode advir dessa desorganização
toda será um quadro péssimo. Pois exemplos de barbáries já
assistimos todos os dias na televisão. A última que ouvi foi
sobre uma chacina de quinze pessoas num bar em Duque de
Caxias - RJ.
Já ouvi comentários de pessoas dizendo que estão
deixando de assistir os jornais televisivos ou mesmo de ler
jornais impressos. Não agüentam mais as ‘más notícias’. Mais
é a realidade que se espelha nas páginas dos jornais e nos
noticiários televisivos. Não dá pra esconder uma realidade
dessas. Por mais que os jornalistas não queiram contar essa
história, eles não podem faltar com a verdade. E que bom
seria se eles, os jornalistas, começassem também a se
rebelar contra ditadura da pauta do dono ou das empresas que
pagam o comercial. Nunca é demais lembrar que ‘estava
cumprindo ordens superiores’ tem também seus limites éticos.
Ninguém é realmente pago para fazer coisas erradas. A
cumplicidade é sempre latente.
Não sei qual é a estratégia que está por traz desse
quadro todo. Mas ela existe de forma direcionada, dá sinais
de que está perdendo o controle sobre determinadas áreas e
ações. Veja o caso dos bolsões de pobreza nas periferias das
cidades grandes. Agora mesmo em João Pessoa o jogo de
classes está sendo jogado entre o Bairro São José (antiga
favela Beira Rio) e o Bairro de Manaira, um dos metros
quadrados mais caros de João Pessoa. Já ouvi discursos desse
tipo: ‘vamos remover o Bairro São José. É a solução do
problema. São apenas cinco mil famílias. Vamos levá-los para
a periferia da cidade. Lá é o lugar delas. E não aqui perto
da gente. Roubando nossas casas, tomando nossas bicicletas,
celulares, vendendo droga aos nossos filhos’. Aparthaid?
Já vimos esse filme antes. São de propostas assim que se
cristaliza o preconceito. E a partir dele, as justificativas
para o abandono, o desprezo, a insensatez, o descaso, a
desigualdade justificando mais desigualdade. E ai aparece às
cotas, a bolsa família, o vale cidadania: compensações. E
nas compensações embutimos os pré-conceitos de novo e velho.
Mais desigual, mesmo quando justo. Pois existe uma diferença
muito grande entre o justo e o ético (correto). É justo
cobrar da sociedade uma reparação contra a prática de
racismo – escravidão - que foi vítima e são vítimas os
descendentes do povo africano no Brasil? Claro que sim. Mas
mesmo justo não é ético se criar privilégios baseados em
cor, religiosidade, filosofias, gêneros, números, jazz,
reggaes e música clássica. Pois todo privilégio é nefasto. A
luta é por igualdade de direitos e oportunidades de verdade
e não de estatística.
Com o pré-conceito e seus conceitos advindos, não vamos
a lugar nenhum. A proposta, como perspectiva para a mudança,
é jogar fora os preconceitos e harmonizar-se com a natureza
das coisas. Respeitar o diferente - por ser diferente da
gente – mas que possui o mesmo direito de existir como eu,
você, o tatu, o urubu. Viver e deixar viver deveria
ser o lema desse terceiro milênio para ver se a gente chega
ao quarto. Ai tudo vai ficar melhor. Finalmente no quarto
milênio com vistas para o mar. Mas se continuarmos a
desmatar literalmente o planeta, vai faltar alguns elementos
para conjugar o verbo existir num presente próximo.
Talvez no início do quarto milênio sejamos uma comunidade
aquática. Pois só nos restou à água para sobreviver. Não
vamos dá uma de ficcionista, pois esse não é o propósito. O
propósito é dizer, deixar claro, que temos que tomar
posições e agirmos com nossa consciência cidadã. Pois o
tempo ruge e a cada desmatamento, cada degradação da vida e
da sua existência, cometida em cada passo dado nesse caminho
destrutivo, só nos levará a morte junto com o planeta, junto
com o que restar da natureza.
Nos dias de hoje negligenciar a cidadania é coisa muito
séria. É típico de quem não teve oportunidade de estudar.
Ter uma formação. Uma visão de mundo como dizia o professor,
mestre, exemplo de bondade, Paulo Freire. O mundo pra você é
o que você pensa. Mais nem sempre coincide com o que você
pensa. Daí perceber outros ângulos é importante na
compreensão do campo em estudo. De um ponto amplo na
arquibancada dá pra ver o jogo em todas as suas emoções.
Preocupa-me ver pessoas preocupadas apenas com o dia de
hoje. Eu sei que todo mundo tem uma vida particular pra
tocar. Compromissos inadiáveis. Mas os problemas
particulares existem dentro dos coletivos. Esses que andam
na rua cobrando uma passagem pensada para favorecer apenas o
dono da empresa. O ônibus é novo, a fotografia é bonita. Mas
ele passa e eu não consigo estar nele. Ou vou a pé ou não
lancho na hora do almoço. Esse negócio de supermercados
repletos de alimentos e eu sem dinheiro pra comprar só dá
raiva. E raiva mata muita gente.
Mas falemos da vida, das perspectivas que temos
doravante desses 2008 D.C. É bom ‘amarrar’ o tempo. O tempo
todo. Pois dependemos dele. Vivemos sob seu ritmo. Todo
mundo dorme alguma hora do dia. Uma característica humana.
Somos iguais nas necessidades e constituição. Temos os
mesmos direitos. Só não temos é a segurança desses direitos
assegurados. Apesar de todos os impostos - imposto a ferro e
a fogo - numa carga tributária injusta frente aos serviços
públicos oferecidos. Precisamos começar mudar por algum
lugar. Pessoalmente escolhi como campo de debate público e
de ação cidadã, dois assuntos prioritários, paradigmáticos
de cidadania nos dias de hoje: o voto –
repasse do meu direito de representação a outra pessoa – e o
pagamento dos impostos. Precisamos
analisar bem direitinho para que têm nos servido até agora.
Concluo afirmando que a saída para reestruturar o país,
o estado e o município, é colocar na agenda de discussão de
todos nós essas duas questões básicas para começar o debate
da verdadeira mudança: Para que têm servido nosso
voto e nosso imposto? Como controlar os eleitos? Como
fiscalizar a aplicação dos impostos? Como priorizar sua
aplicação? Como punir os corruptos? Tanto na política quanto
na economia? Sem uma discussão séria sobre essa
duas chaves de cidadania: Voto e imposto.
Uma porque constitui a autoridade pela via da representação
social e a outra porque assegura os recursos para serem
aplicados na melhoria da vida de todos. Pelo menos é o que
deveria ser feito com o dinheiro público.
Essa história – histórica – ‘de que sempre foi assim
e que assim sempre será’ pode e deve mudar. Pois o
Estado de Direito só existe quando o direito de TODOS está
garantido na prática e não apenas na letra da lei. Tem que
está presente na vida e no dia a dia do cidadão. De todos
nós. Tem que existir de verdade como direito. No Brasil de
hoje parece até que a gente só tem obrigações. E esse papel
de figurante e pagador de contas é muito pouco pro povo
daqui. E ai meu coração não se conforma. (07-07-2008)
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Ivaldo Gomes é
Professor, com formação em Educação Física.
Especialista em Educação Popular pelo PPGE-UFPB - Militante no campo da
educação, meio ambiente e cultura.
ivaldogomes@jpa.neoline.com.br
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