Luciano Pires
O SEDUTOR
Assim como Alckmin nas eleições
presidenciais de 2006, o melhor momento de McCain foi o
discurso em que reconheceu a derrota nas eleições para
presidente dos Estados Unidos. Vê-lo pedindo que seus
eleitores parassem de vaiar Barak Obama e dizendo que “meu
adversário é agora meu presidente” é um momento histórico.
McCain é água, Obama é vinho. Ou vice-versa. E para entender
o que se passou vou recorrer a trechos de uma entrevista que
o sociólogo e jornalista peruano Rafael Roncagliolo deu ao
jornal argentino La Nación, e que recebi por meio do ex-blog
de Cesar Maia. Vale pena ler a entrevista completa aqui:
http://www.lanacion.com.ar/nota.asp?nota_id=1050621.
Entendo que meu papel, além de minhas reflexões, é trazer
aos leitores idéias de outras pessoas. Então segura:
“Os partidos políticos se converteram em máquinas
eleitorais que só funcionam quando há eleições. Isso é parte
de uma mudança, na qual a relação cara a cara foi
transformada em relações midiáticas. Ao congressista não
interessa a repercussão do que diz no Parlamento. O que
interessa é a repercussão do que diz no espaço midiático.
Isso é uma deterioração da ação do Congresso. Desapareceu a
relação cara a cara com a célula partidária.”
“Os partidos funcionam como garagens, porque apenas se
retira o carro do estacionamento para competir e, depois,
volta-se a guardá-lo..."
“As transformações tecnológicas dos últimos tempos
determinaram que os eleitores não fossem considerados
cidadãos, mas sim consumidores. A diferença é que, quanto
aos cidadãos, é preciso convencê-los e, quanto aos
consumidores, é preciso seduzi-los. Neste cenário, as
ofertas dos políticos deixam de ser propostas e passam a ser
mecanismos publicitários de sedução do eleitor. Isso destrói
o pressuposto básico da democracia.”
“É óbvio que os candidatos não mais têm interesse sobre os
temas a debater. Interessa a eles os aspectos formais do
debate, como a luz, a ordem da exposição, os tempos e a
disposição das câmeras. Ou seja, a vida política passou a
ser controlada por novos especialistas.”
“Hoje, é preciso estar nos meios de comunicação de massa
para existir. Os meios não têm êxito no momento de dizer
quem ganha, mas sim ao estabelecer quais os que estão na
competição. Pode-se dizer que os meios substituíram os
políticos no papel de fixar a agenda. Então, não são mais
dirigentes, voltados para oferecer uma direção aos cidadãos,
mas sim dirigidos, no sentido de que o bom político é o que
melhor interpreta as pesquisas e que faz o que o público
pede.”
“Isso não significa que os meios de comunicação possam fazer
o que quiser com a opinião pública, mas sim que alguns deles
têm um papel desmedido. Os legisladores foram substituídos
por líderes midiáticos em sua influência sobre a opinião
pública.”
Viu só? Legisladores ou lideres midiáticos. Cidadãos ou
consumidores. Quem entendeu a complexidade destes novos
tempos levou a melhor. Enquanto McCain tentava convencer,
Obama seduzia. E o resultado está aí: não me lembro de ter
visto outra liderança com o impacto que Barak Obama está
causando no mundo. Ao menos em termos de percepção. Talvez o
último tenha sido John Kennedy, que também era um sedutor.
Criou-se uma expectativa sem precedentes, os noticiários
parecem anunciar a volta do messias. Barak Obama sabe usar o
tal “espaço midiático” como poucos. Usou a juventude, a
família, a inexperiência e a questão racial com maestria.
Tem gestual, tem repertório, tem voz, tem olhares, tem todos
os trejeitos de grande estrela que sabe como seduzir os
admiradores. E tem uma equipe de profissionais midiáticos
afinadíssima.
Isso é bom. O mundo precisa de líderes carismáticos.
Mas também é perigoso.
Vai que ele acredita que é mesmo o messias... (10-11-2008)
OS POMBOS
Este
ano está sendo uma festa para a mídia, olha só: tivemos o
pai que jogou a menina pela janela, seguido da Olimpíada,
depois as eleições, o seqüestro de Santo André e as eleições
nos EUA. Quando a bola baixa temos o aquecimento global para
ocupar o espaço. As tiragens e a audiência estão garantidas
pela alimentação diária da percepção de que estamos em
risco. Medo. Como agora, com a crise econômica.
Vou adaptar uma
comparação que ouvi anos atrás, olha só: a Praça de São
Marcos em Veneza é um dos mais populares pontos turísticos
do mundo. Pelo significado histórico, pela arquitetura,
pelos monumentos e pelos... pombos . Milhares de pombos que
vivem por lá comendo das mãos dos turistas. De vez em quando
uma criança ou um adulto espírito-de-porco faz "buuuuu!!". E
as pombas saem voando. Como são desconfiadas, quando uma voa
assustada todas as demais seguem numa revoada barulhenta.
E por algum
tempo a praça fica vazia.
Aos
pouquinhos as pombas começam a retornar, ainda amedrontadas
e mais desconfiadas. Até sentir que o perigo passou. Então a
Praça continua em festa.
A Praça, os
monumentos, os turistas, os vendedores, os moradores, os
trabalhadores, todos sofrem com as pombas. Mas elas são
necessárias. Dão vida à praça, tornaram-se uma marca
registrada e o que Veneza fez foi aprender a conviver com
elas, com a sujeira, com o barulho, com a impertinência.
De tempos em
tempos algumas medidas devem ser tomadas para controlar a
superpopulação, para evitar que as doenças se espalhem e que
prejuízos sejam causados à praça e às pessoas. É quando
alguns pombos têm que ser abatidos. Mas esse é o preço do
equilíbrio naquele caos.
Muito bem. O
“mercado global” é como a Praça de São Marcos. E os pombos
são como os investidores. São nervosos, fazem montes de
cagadas e precisam de controle ou destroem tudo. E a
qualquer sinal de perigo saem voando.
A praça precisa
dos pombos, tanto quanto o mercado precisa dos investidores.
E os pombos precisam da praça. Sem a praça os pombos perdem.
Sem os pombos, a praça perde.
E na crise,
como pombos, todo mundo está apavorado e recolhido enquanto
os "sanitaristas" aplicam superdoses de remédios e a
esquerda tenta enterrar o capitalismo – o doente que não
morreu.
Sabe o que é
que vai acontecer?
Já-já a crise
de confiança começa a passar. Os pombos voltarão e a muita
gente encontrará oportunidades fantásticas naquele excesso
de remédios. E fortunas serão criadas sobre as que foram
destruídas.
O capitalismo
não morreu, o mercado não morreu. Como a Praça, estão lá à
espera do retorno dos pombos.
Um dia, num
futuro distante, o mar vai tragar Veneza e a Praça de São
Marcos. E as pombas buscarão outra praça. Os “companheiros”
dirão que é culpa do capitalismo, que causou o aquecimento
global que derreteu as calotas polares. E continuarão
pregando a morte do capitalismo e aquela utopia socialista
muito bem definida por um bispo anglicano chamado Mendell
Creighton:
"Socialismo só
será possível quando todos nós fomos perfeitos. Aí ele não
será necessário".
Tem sido assim
desde sempre.
Olha, eu também
quero que todos sejamos perfeitos.
Mas enquanto
somos só pombos vou dar uma voadinha até a Praça pra ver se
acho uns milhozinhos. (03-11-2008)
BÊ COM A BEABÁ
Minha esposa disse: a moça que faz suas unhas
comentou que sempre lê meus artigos numa revista publicada
na região. Que gosta, mas que muitas vezes não entende o que
eu escrevo. E que talvez eu devesse “maneirar” nas idéias,
nas citações, nas construções gramaticais. Fiquei fulo! Acho
que meus escritos já são extremamente simples, meu português
é nada mais que mediano, minhas idéias nunca foram
sofisticadas. Escrevo da forma mais simples possível,
simplória até. Mas estou além do entendimento de uma parcela
importante de leitores.
Preciso consultar um marqueteiro político.
Marqueteiros políticos sabem tratar adultos como crianças.
Ao ver as propagandas políticas você não tem a impressão de
que a qualquer momento o candidato dirá “o titio vai levar
você no cinema”? São textos rasos, num linguajar tosco, que
deixam claro que para os marqueteiros, povo é um agrupamento
de miseráveis ignorantes, analfabetos e incapazes que devem
ser conduzidos da forma mais infantil possível. E nesse
contexto cabe a musiquinha de fundo, o sotaque nordestino
caricato, o português errado, os desenhinhos, os exemplos
dos miseráveis, os sonhos minúsculos... A coisa só esquenta
quando os adversários baixam o nível e começam com os
xingamentos.
- Porrada!
Afinal, qual é o esforço intelectual para perceber que duas
pessoas estão se agredindo? Pouquinho, né? Uma pena.
Nunca me conformei com esse nivelamento por baixo. Sempre
que me dirijo a qualquer pessoa, falando ou escrevendo,
procuro estar um degrau acima do que – imagino - seja sua
capacidade de compreensão. Falo com uma criança de seis anos
como se ela tivesse oito. Um jovem de quinze anos como se
tivesse dezoito. Um estudante secundário como se fosse
universitário. Acredito que assim estimulo a pessoa a subir
um degrau. A evoluir. Já os marqueteiros políticos preferem
mantê-los onde estão. Falar sempre a partir de um degrau
abaixo. Jamais estimular a reflexão. Usam as técnicas
maravilhosas do marketing e da comunicação para manter a
mediocridade. Fazem com que acreditemos no “grande pai”, no
milagroso líder que nos pegará pela mão e nos dará
segurança, comida e abrigo. Se não for assim, não vende.
Essa infantilização não faz bem para a sociedade. Não ajuda
a amadurecer os debates. Não estimula ninguém a crescer.
Liquida com nossa liberdade de escolha. Afinal, “papai e
mamãe é que mandam”...
E com nosso sistema educacional falido e os meios de
comunicação ricos em fórmulas prontas, essa infantilização
colabora para que a mediocridade seja não só mantida, mas
incentivada.
Seja raso. Não sofistique. Ninguém vai entender. Daí o
linguajar infantil, idiota. A apologia à ignorância. E as
conseqüências desdobram-se por todos os segmentos da
sociedade.
Quer um exemplo?
Acabo de ver as primeiras imagens de Lindemberg, o rapaz que
seqüestrou as duas meninas e assassinou uma delas. Logo
depois de ser preso ele contou o que fez. Dizendo que “ama
ela” e queria ela ao seu lado. Mas o que mais chamou a
atenção foi quando ele disse que recebeu um papel que seu
advogado conseguiu junto ao Ministério Público. O documento
garantia que ele poderia se entregar, pois sua integridade
física estaria preservada. E ele diz: recebi um papel, mas
não entendi nada... “Num intindi nada”... Aquele documento,
redigido por advogados, não foi escrito para ser lido por
ignorantes. E por isso não foi entendido. Fico imaginando:
se o documento tivesse sido escrito por um marqueteiro
político, Lindemberg teria entendido. E talvez a Eloá
estivesse viva. Não é assustador? Precisar da infantilização
para ser compreendido?
Esse processo de emburrecimento generalizado é nosso
castigo, nossa cruz.
A verdadeira miséria do Brasil é a intelectual. (27-10-2008)
Inseridos no
Contexto
Nos
anos setenta um músico baiano de voz rouca fez sucesso no
Brasil. Era Paulo Diniz, cujo maior sucesso foi “Quero
voltar pra Bahia”. Mas havia outra música no lado B do
compacto, “Ponha um arco-íris na sua moringa”:
“Ponha
um arco-íris na sua moringa ai ai ai
É
lúcido é válido inserido no contexto ai ai ai”
Aquele
“inserido no contexto” fazia parte do repertório do tablóide
“O Pasquim”, que gozava os intelectuais que tentavam
traduzir as correntes de pensamento filosófico pós-1968
utilizando termos complicados. Era só abrir o jornal pra ver
um cartum onde o sujeito perguntava para a boazuda: “posso
inserir no seu contexto?”.
Contexto é o “pano de fundo” de um evento, que determina
como o evento é interpretado. Usando um exemplo de que gosto
muito: a frase “só sei que nada sei”, que Sócrates formulou
para mostrar que sábio é aquele que tem consciência de sua
ignorância, muda completamente de significado quando
colocada noutro contexto. Na boca de Lula, por exemplo.
O
tempo passou, o Pasquim passou, Paulo Diniz sumiu, mas nunca
foi tão importante observar o contexto antes de formular uma
opinião.
Não
escapei da onda. Escrevo à luz do recente escândalo da
campanha de Marta Suplicy à prefeitura de São Paulo, quando
a vida pessoal de seu oponente, Gilberto Kassab, passou a
ser questionada na propaganda petista.
Mas,
afinal, que mal há em perguntar se o sujeito é casado e tem
filhos? Nenhum. Isso cansa de acontecer com todo mundo. Em
entrevistas de emprego, na hora de fazer um crediário, ao
abrir conta em banco, numa conversa informal... Saber se a
pessoa é casada e tem filhos ajuda a ter uma idéia de quem a
pessoa é. Mas essa informação jamais define o caráter da
pessoa. No entanto essas cândidas perguntas, quando
inseridas no contexto da campanha eleitoral, deixam de ser
cândidas.
A
propaganda de Marta afirma que Kassab tem um passado
misterioso envolvendo gente desonesta que causou prejuízos à
cidade e ao eleitor. Portanto saber de onde ele veio e com
quem ele anda revelaria suas (más) intenções.
Nesse
contexto, perguntar se ele é casado e tem filhos
transforma-se em juízo de valor: além de andar com gente
suspeita, não é casado e não tem filhos. Portanto não é
confiável. E – horror – talvez seja... gay!
Muitos
simpatizantes tentam eximir a candidata dessa grossura
eleitoral usando o clássico petista 1: “ela não sabia”.
Outros usam o clássico petista 2: “mas a direita usou o
mesmo método antes”. Outros usam o clássico petista 3: o da
vitimização. Ninguém foi tão alvo de preconceitos como Marta
Suplicy. Portanto ela tem o direito de revidar. Falta só o
clássico 4: “foi um tucano infiltrado.”
Que
tal entender o contexto recorrendo aos intelectuais do PT?
João
Santana, o marqueteiro de Lula, questionado sobre a
desonestidade de usar na campanha para a reeleição em 2006
uma mentira, no caso a idéia de que as privatizações tinham
sido um mau negócio para o Brasil, saiu-se com esta:
“Eu
trabalho com o imaginário da população. Em uma campanha, nós
trabalhamos com produções simbólicas. Não considero que
exista aí desonestidade, pois o tema foi, pelo menos,
discutido.”
Marco
Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência da
República para assuntos internacionais, quando perguntado se
não era constrangedor ver Lula ao lado de mensaleiros disse:
“Constrangedor é não ter votos”.
Pra
esses caras, botar um arco-íris na moringa do Kassab é
lúcido, é válido e inserido no contexto. Seja lá qual for o
contexto.
E quer
saber?
Até
que está saindo barato pro Kassab.(20-10-2008)
O JOGO
Pediram-me para comentar a crise global que
começou com os tais “subprimes” nos EUA. Fico apreensivo,
não sou economista e provavelmente falaria besteiras. Mas aí
me lembro daquelas famosas duas regras da economia: 1. Para
cada economista existe outro igual dizendo exatamente o
contrário. 2. Ambos podem estar errados...
Poxa, então posso dar meus pitacos! Olha só.
Luca Bartolomeo de Pacioli foi um monge franciscano e
matemático italiano considerado o pai da contabilidade
moderna. Em 1494 publicou um livro que ficou famoso, a
“Summa de Arithmetica, Geometria proportioni et propornaliti”.
Um capítulo desse livro definiu o que veio a ser a
contabilidade de dupla entrada: entra um tanto, sai outro
tanto e a diferença é o que vai dizer se o negócio vai bem
ou mal. Esse método ficou famoso, mas tem uma limitação: é
baseado em interações, na troca de bens ou serviços por
dinheiro ou por outros bens ou serviços.
Quando a internet surgiu com força total, o mundo mergulhou
de cabeça em transações bilionárias que prescindiam de
produtos e serviços. As transações eram baseadas em idéias,
em algo que poderia valer no futuro. Assistimos coisas
malucas, como uma companhia aérea cujas centenas de aviões
valiam menos que o software criado para gerenciar as
emissões de passagens. Uma idéia na cabeça valia mais que um
produto na mão.
E o mundo enlouqueceu, pois o modelo de Luca Pacioli não
contemplava a transação de nada com coisa nenhuma. E quando
se percebeu que aquelas idéias não tinham lastro a bolha
explodiu. E ninguém entendeu...
Outro exemplo: uns trinta anos atrás o Japão era o tigre
asiático, crescendo como ninguém, tornando-se a segunda
maior economia do mundo e mostrando uma exuberância
econômica de fazer inveja. No auge dos meus vinte e poucos
anos eu não entendia o milagre japonês.
- Eles não têm terras. Não têm matérias-primas. Não têm
água. É impossível sustentar essa posição sem ter base, sem
ter raízes, sem ter extensão territorial.
E ao longo dos anos oitenta o Japão foi definhando e para
mim o que aconteceu foi simples: o Japão só tinha promessas.
Desenvolveu capacidade tecnológica e criatividade para
trabalhar sobre as matérias- primas de outros países. A
falta de raízes, de base, de lastro, logo esgotou o modelo
japonês, que interrompeu aquela exuberância para entrar num
processo infinito de quase estagnação. Ainda são poderosos e
ricos, mas não podem ir mais adiante. O Japão não tem
lastro.
A bolha da internet, aquele Japão e a atual crise dos
subprimes dos EUA têm muito em comum: são complexos
processos de interações econômicas baseados em percepções.
Em riquezas virtuais. Em algo que não existe. São, portanto,
insustentáveis.
Estamos assistindo um jogo no qual todos os jogadores
blefam. Na hora de mostrar as cartas, a casa cai. E quem
arriscou mais, perde mais. Ou ganha mais.
E no meio desse tiroteio só tenho certeza de uma coisa. O
capitalismo curará suas feridas e sairá ainda mais forte.
O que verdadeiramente me apavora é a tentativa de explicar a
crise econômica pelas lentes da ideologia. Isso é papo de
jogador que não sabe perder. (13-10-2008)
CONFIANDO
Você
confia no governo brasileiro, seja ele do PT, PSDB, DEM,
PMDB, PSOL, PP, PV ou qualquer outro partido ou coalizão?
Carlos
Drummond de Andrade um dia escreveu que, “a confiança é um
ato de fé, e esta dispensa o raciocínio”.
Outro
dia fui almoçar no Clube Kolpinghaus, na Rua Barão do
Triunfo, em São Paulo. Lá encontrei uma banca onde dezenas
de livros usados estavam expostos, à venda. Num cantinho
havia uma caixa de papelão. Você pega os livros que quiser e
deixa o dinheiro na caixa, aberta. Não tem ninguém pra
conferir ou vigiar. A turma confia nos compradores.
Nos
EUA nunca entendi aquelas caixas automáticas que vendem
jornais. Você coloca uma moedinha e abre a tampa. Pega seu
jornal e vai embora. Mas se quiser pegar mais de um, pega.
Não tem ninguém para conferir, eles confiam nos compradores.
E
acabo de voltar da Finlândia. Lá conheci uma sociedade onde
tudo parece funcionar. Ruas limpas, tudo no lugar certo. O
check in e despacho de bagagens no aeroporto é
impressionante. O avião estaciona no terminal
pré-determinado. O ônibus está no lugar certo na hora certa.
Todo mundo tranqüilo, confiando nas outras pessoas e nos
processos.
Após a
Segunda Guerra os finlandeses, pressionados entre a Europa e
a União Soviética, escolheram o caminho do consenso, do
equilíbrio. Desde então foram governados por coalizões entre
partidos de todos os espectros políticos: da esquerda à
direita. Não há a disposição constante dos partidos de
oposição de plantar mentiras ou distorcer verdades tentando
quebrar a confiança no partido da posição. E vice-versa. E
se você examinar o mercado finlandês verá governo,
empresários, industriais, sindicatos e organizações civis
conversando civilizadamente para buscar entendimento.
A
Finlândia é uma sociedade baseada na confiança. Uma pesquisa
recente (Eurobarometer) apontou que 61% dos finlandeses
confiam no governo contra 32% da média européia.
Para
confiar no governo ou em qualquer entidade pública ou
privada temos que confiar em seus processos, na
transparência das transações, na lei tratando todos por
igual, no combate à corrupção. Mas brasileiros não confiam
em processos, confiam, quando muito, em pessoas. Precisam de
um líder virtuoso ao qual atribuir poderes e direitos. Ao
qual confiar esperança. Um líder que os conduza para o
paraíso, o que é muito perigoso – pois, “confiança é um ato
de fé, e esta dispensa o raciocínio”.
A fé
dispensa raciocínio... Fico imaginando se aqueles
finlandeses não raciocinam e concluo que - diferente dos
brasileiros – raciocinam tanto que confiam primeiro nos
processos. Sabem que a sociedade finlandesa está apoiada num
conjunto sólido de leis que serão cumpridas, seja lá quem
for o governante. E essa confiança é disseminada por toda a
sociedade.
Na
Finlândia, ladrões, assassinos, corruptores, pedófilos e
outros indivíduos com desvios de comportamento são
considerados foras-da-lei. E punidos. Sem discussões
socio-político-ideológicas em torno da culpa da
elite-burguesa-capitalista-sobre-o-bandido-pobre-preto-oprimido.
Mas
será que os finlandeses são perfeitos? Será que lá não
existem indivíduos que tentam se desviar dos processos,
tentam dar uns “jeitinhos”? Claro que existem. E lá – como
aqui - quem tiver mais dinheiro mais facilidade terá para
procurar se desviar dos processos.
Mas
essas pessoas não são tratadas como regra. São exceção.
Nas
sociedades suportadas pela cultura da confiança não existem
dúvidas sobre as leis e os processos criados para que elas
sejam cumpridas.
Quem
confia nas leis não precisa quebrá-las. (06-10-2008)
A INTIMAÇÃO
Fui
intimado. Tenho que ir à delegacia prestar contas num
processo no qual fui envolvido pelo jogador Zé Roberto,
ex-Santos e ex-Seleção Brasileira de Futebol. O Zé Roberto
sentiu-se ofendido pela divulgação de uma carta bem pouco
elogiosa ao Brasil, que ele teria escrito quando voltou para
a Europa. Zé Roberto nunca escreveu a tal carta, que
circulou pela internet em 2007 e foi polêmica. Muita gente –
acreditando na autoria do jogador – deu-lhe razão enquanto
outros o criticaram fortemente. Tão fortemente que o jogador
decidiu processar quem divulgou a carta falsa. Recolheram o
que foi publicado na internet e eu entrei no rolo, pois
assino tudo que escrevo. Em meu artigo “Absurdos Possíveis”
reproduzi parte da tal carta:
"(...) Por muitos anos vivi com minha família na Alemanha e
me identifiquei completamente com o país.(...). Minhas
filhas mal falam português e são totalmente fluentes em
alemão. (...) Todo o tempo que estivemos no Brasil, ainda
que livres fisicamente, éramos reféns psicológicos.
(...)Assistir o noticiário televisivo alimentava ainda mais
nossos medos. Por sorte, minhas filhas não entendem muito
bem português. Se entendessem, descobririam um país em que o
crime está por todos os lados: está nas escolas, está nas
faculdades, está no Judiciário, está no Congresso e está até
mesmo na família do presidente. (...) Me ponho no lugar
delas e penso como deve ter sido desagradável esta estadia
no Brasil.(...) Hoje, a felicidade de minha família tem como
pré-requisito afastá-la do Brasil. Por isto que, ainda que
com tristeza, faço o melhor para elas. Aos meus fãs, muito
obrigado. Ao Brasil, boa sorte."
E após
reproduzir o texto da tal carta, eu escrevi:
“Forte, né? Zé Roberto descreve o lado negro do Brasil.
(...)Mas tem um detalhe. Essa carta é falsa. Zé Roberto
desmentiu oficialmente. Alguém escreveu, colocou seu nome e
lançou na internet, como vem acontecendo com centenas de
outros textos.”
Escrevi no artigo, com todas as letras, que a carta era
falsa. Portanto trabalhei a favor do Zé Roberto. Mas os
advogados não leram meu artigo. Ou, se leram, não
entenderam. Que absurdo...
Perderei horas preciosas visitando uma delegacia para
explicar o que já está explicado, além de ter que pagar o
advogado, é claro. Esse é apenas mais um prejuízo provocado
pela burrice que assola o Brasil.
Mas ao
rever essa história uma coisa me chamou a atenção. Naquele
artigo – citando fatos absurdos que ganhariam credibilidade
instantânea - eu afirmava:
“... no Circo Brasil do novo milênio nenhum absurdo é tão
absurdo que não possa ser possível. A situação está tão
confusa que já não sabemos mais o que é verdade e o que é
mentira. E assim, atitudes absurdas que algum tempo atrás
eram absolutamente impossíveis, por imorais, não éticas,
desumanas, burras ou preconceituosas, passam a ser – ao
menos no imaginário das pessoas – possíveis.”
Pois
depois daquele artigo tivemos os mensaleiros no STF; o Renan
sendo salvo pelo Congresso; aquele horror da morte da
Isabela Nardoni; o Ronaldo e os travecos; o escândalo do
Paulinho da Força; Dantas preso, Dantas solto; o pai e a
madrasta esquartejando as crianças; Exército a serviço de
políticos no Rio; Lula III; os índios atacando com facões; o
padre voador; a demarcação das terras na Raposa Serra do
Sol; a seleção do Dunga; Corinthians na série B; os
arapongas no Planalto...
No
Circo Brasil do novo milênio nenhum absurdo é tão absurdo a
ponto de não ser possível. (29-09-2008)
DESEMPREGO QUALIFICADO
Socorro! Minha casa está em reforma! O
pedreiro estraga a porta, o marceneiro estraga o gesso, o
gesseiro estraga a pintura, o pintor estraga o piso, o
ladrilheiro estraga a parede... Contratei uma empresa para
não ter dor-de-cabeça com os pedreiros e agora tenho
dor-de-cabeça com os donos da empresa.
Como é difícil encontrar bons profissionais! Por isso fico
cismado com a questão do desemprego em nosso país. Afinal,
faltam empregos ou faltam profissionais?
Em 2007 tínhamos no Brasil 98,6 milhões de pessoas inseridas
no mercado de trabalho. E, desse total, 8 milhões
desocupadas. Oito milhões de desempregados e não consigo um
pedreiro que preste!
Aí leio num artigo : “A falta de mão-de-obra é hoje um dos
principais gargalos do setor da construção civil no Brasil.
Segundo pesquisa da Escola Politécnica da USP, isso custará
ao setor R$ 5,1 bilhões, valor estimado para a geração de
vagas em cursos de capacitação e para certificação de
trabalhadores. A pesquisa levantou que precisamos
multiplicar por mais de 13 vezes a oferta para atender a
demanda."
Logo em seguida encontro a pesquisa “Falta de Talentos”,
realizada pela Manpower, uma das grandes empresas globais na
área de Recursos Humanos. A pesquisa aconteceu em 2006 em 23
países, envolvendo 33 mil empregadores. O objetivo era
determinar o impacto que a ausência de candidatos
qualificados está causando no mercado de trabalho.
Os resultados revelaram que 40% dos empregadores têm
dificuldades para ocupar posições, por falta de talentos em
seus mercados.
A Manpower diz que “em dez anos veremos muitos negócios
fracassarem por não saberem planejar com antecipação a
maneira como encarar a escassez de talentos.”
Então dois amigos, excelentes profissionais, dizem que essa
conversa de falta de talentos é papo-furado, que eles têm
todas as qualificações mas estão desempregados há meses.
Quando se candidatam a uma vaga, invariavelmente recebem a
informação de que estão superqualificados. E que estão acima
da idade desejada para o cargo.
Será que estamos medindo direito o desemprego, hein? Que
perguntas são feitas para definir se o sujeito é um
desempregado? Será que alguém pergunta sobre a razão de ele
estar desempregado? Ou isso não é importante?
Pois faço um desafio. Em vez de medir a quantidade, que tal
medir a qualidade do desemprego? Sim, senhor, qualidade: que
emprego está sendo oferecido e não consegue candidatos à
altura?
Não será surpresa descobrir que não existe um “desemprego no
Brasil”. Existem vários. Qualificados. Aqui sobram vagas,
pois faltam talentos, e ali sobram talentos, pois faltam
vagas. E simplesmente somar, dividir por dois e anunciar que
o desemprego no Brasil é “xis” não leva a qualquer conclusão
prática!
Mas a surpresa – ou não – acontecerá quando começarmos a
questionar quem está fazendo o recrutamento e a seleção nas
empresas. Veremos que a maioria é gente limitada a seguir
“scripts” e buscar o impossível: um jovem recém-formado com
“pelo menos três anos de experiência profissional”...
Desemprego qualificado : só assim entenderemos o problema.
Mas muita gente vai se incomodar ao descobrir que o combate
ao desemprego no Brasil não é apenas uma questão de
qualificar os candidatos. Tem que qualificar os empregadores
também.
Alguém conhece um pedreiro bom por aí? (22-09-2008)
Pinguinho de Gente
Outro
dia escrevi sobre brasileiros talentosos que surgem do nada
para brilhar internacionalmente. Uma de minhas amigas,
Magdalena Cuevas – a Madá - falou-me de um garoto que ficava
no centro da cidade de São Paulo tocando flauta: “Minha mãe
e eu no início dos anos 80 morávamos no centro de São Paulo
e sempre fazíamos passeios à noite pelas ruas centrais, pela
7 de Abril, Mappin, Mesbla, e lá estava o pai viúvo com os
filhos. O pequeno Charles era o que mais se destacava com
uma flautinha de plástico, tocando Tico-Tico no Fubá,
Brasileirinho e outros chorinhos. Com o tempo a flauta foi
melhorando. Já nos anos 1986 e 1987, quando já estava casada
e continuava morando no centro, meu marido me acompanhava e
ficávamos assistindo aos shows deles pelas ruas. Daí Charles
já tinha uma flauta transversal e profissional”.
Charles da Flauta,
o menino prodígio.

Quando
a Madá contou essa história, lembrei-me de ter visto o
garoto e seus irmãos lá pelos calçadões do centro. Fiquei
impressionado com o talento do menino, tentando imaginar de
onde vinha aquela facilidade mágica de tocar um instrumento
tão difícil. O menino maravilhou muita gente, como Altamiro
Carrilho, Arthur Moreira Lima e Paulo Moura. Charles da
Flauta chegou a gravar um disco chamado “Pinguinho de
Gente”. Logo em seguida o maestro Julio Medaglia conseguiu
uma bolsa de estudos para o garoto estudar com o primeiro
flautista da Orquestra Filarmônica de Berlim, na Alemanha.
Charles poderia tornar-se um dos maiores flautistas do
mundo! E Madá perguntava onde andaria agora o Charles da
Flauta.
Alguns
dias depois recebo um e-mail tristonho da Madá, acompanhado
de um artigo de Gilberto Dimenstein, que descreve o que
aconteceu com o pequeno Charles da Flauta.
Charles Pereira Gonçalves, aos 34 anos, foi encontrado
vivendo debaixo do Minhocão em São Paulo. Viciado em crack,
esquelético, miserável e tuberculoso. Sem perspectivas, sem
brilho nos olhos... E sem tocar sua flauta mágica.
Julio
Medaglia escreve para o Dimenstein: “Fiquei arrasado ao
saber das novas sobre o Charles da flauta. Que lástima!
Estava tudo encaminhado. O flautista da Filarmônica de
Berlim, meu amigo, ia dar aulas de graça para ele – já que
ouvia seu disco de chorinhos dia e noite –, o Manoel
Francisco da BMF (hoje Bienal) ia dar uma passagem e o
Nassif, que o descobriu, havia conseguido uma bolsa para
hospedagem e alimentação em Berlim, se não me engano pela
Philips. Quando ele estava prestes a embarcar, aconteceu uma
pequena ruptura nessa cadeia que iria salvá-lo e nos dar um
grande artista. Parece que o pai o trouxe de volta ao
tráfico ou algo assim, e na época perdemos – eu pelo menos –
contato. Numa apresentação minha com orquestra cheguei a
fazer um arranjo de um chorinho para ele tocar como solista,
mas ele não compareceu.”
Charles tenta explicar, na verdade buscando uma desculpa:
“As pessoas pensavam que eu estava fora do Brasil e pararam
de me procurar... Desanimado, comecei a não ir mais para a
escola e a usar drogas. Experimentei crack e me perdi".”
Escrevo estas linhas ouvindo o delicioso disco de Charles da
Flauta. De repente, numa das faixas entra a voz de Charles
dizendo “Agora me lembrei. Eu quero tocar uma música sobre a
minha cidade de São Paulo: “Ronda”. Vamo lá pessoal?”
Que
porrada! Aquela voz de menino de 14 anos carregava os sonhos
ilimitados que toda criança tem. E que ele estava
transformando em realidade! Para vinte e cinco anos depois
dar em... Nada.
É... A
gente acha que basta ter talento, sorte, amigos e
oportunidades para se dar bem na vida, não é? Charles da
Flauta prova que não.
Sem a
base familiar para nos disciplinar e iluminar o caminho –
talento, sorte, amigos e oportunidades são apenas detalhes.
Charles foi retirado das ruas, apareceu no Fantástico e está
tentando reencontrar seu caminho. A luta agora é entre
Charles da Flauta e Charles Pereira Gonçalves.
Tomara
que o Pinguinho de Gente vença. (15-09-2008)
O TESTÍCULO DA MÃE
Seu
pai e sua mãe têm dois testículos. Ambos de seu pai,
evidentemente, já que sua mãe – se for daquelas mães
tradicionais – deve ter nenhum. No entanto, estatisticamente
posso fazer o seguinte enunciado:
- Seus
pais têm, em média, um testículo cada um.
Imaginou a cena? Seu pai e sua mãe, cada um com um
testículo? Parece absurdo, não é? Mas estatisticamente está
correto. O erro então é de quem? Da estatística? Do
estatístico? Ou da interpretação que costumamos fazer das
estatísticas?
Nos
períodos eleitorais as estatísticas ganham as páginas dos
jornais e revistas e as ondas das rádios e das televisões.
Principalmente através de pesquisas, instrumentos
fundamentais para os marqueteiros que empacotam muitos dos
punguistas candidatos.
Nas
mãos de quem sabe usar, estatísticas são armas. Nas mãos de
quem não sabe interpretá-las, são armadilhas. E nas mãos de
quem sabe manipulá-las, instrumentos de poder.
O
IBGE, por exemplo, anunciou algum tempo atrás o resultado de
uma grande pesquisa sobre o perfil da população brasileira,
revelando que somos um país que caminha para a maioria de
negros. Mas quando verificamos as bases da pesquisa,
descobrimos que, para efeito de classificação estatística,
qualquer pessoa que não seja branca, é negra. Um negro
casa-se com uma branca. Têm um filho mulato que, para efeito
da pesquisa, é considerado... negro. O resultado estatístico
é corretíssimo. Mas a artimanha da classificação em brancos
e negros é questionável. Até mesmo moralmente. O filho do
casal deveria ser considerado branco? Claro que não. Nem
negro. Mas quem categorizou as – digamos – “etnias” não
considerou os mulatos. Ou é branco, ou é negro. E o
resultado da estatística está aí, sendo utilizado para
propor políticas públicas, definir orçamentos, alimentar
Ongs e as tais cotas raciais.
Outra
pesquisa recente apontou que o Brasil é um país onde a
maioria das pessoas é de classe média. Basta olhar a
classificação utilizada para determinar “classe média” para
entender os objetivos da pesquisa. Você acredita
sinceramente que uma pessoa que ganhe um salário de mil e
seiscentos reais é “classe média”? Para a pesquisa, é. E
tome manchetes...
Em
minhas palestras utilizo vários exemplos de como as
estatísticas e os números absolutos são usadas para
manipular a opinião pública. Um que gosto muito, pelo
didatismo, capturei numa edição da Gazeta Mercantil de 30 de
abril de 1999. O texto dizia assim: “O Indicador do Nível de
Atividade da indústria paulista caiu 5,7% em março, em
comparação ao mesmo período de 1998. Em relação a fevereiro,
o crescimento foi de 2,67%.” Analisando o texto pela
comparação março de 1999 com março de 1998, o título seria
“Nível de atividade da indústria cai 5,7%”. Se a comparação
fosse feita entre março de 1999 e fevereiro de 1999 o título
seria “Nível de atividade da indústria sobe 2,67%.”. Qual
título você acha que foi publicado? Claro que o “cai 5,7%”,
não é? Título correto, representando uma verdade absoluta!
Mas que ganha outro significado quando analisamos as
tendências. Caiu? Caiu. Mas está subindo.
É
impossível analisar uma estatística sem conhecer o contexto.
É impossível contar alguma coisa sem defini-la, sem
categorizá-la, sem traduzi-la para indicadores que possam
ser medidos. E quem define e categoriza as coisas? Quem
definiu que mulato é negro? Quem definiu que mil e
seiscentos reais é padrão para classe média? E essa
categorização foi feita com que objetivos?
Prestem atenção, meus amigos! Quem define e categoriza o que
será medido pode manipular qualquer resultado estatístico.
Pode
até colocar um testículo na sua mãe. (08-09-2009)
A FÁBRICA DE IDIOTAS
Escola Sem Partido. Tomei contato com essa organização
recentemente. O site deles é o escolasempartido.org .
Cheguei até eles depois que soube da polêmica causada quando
denunciaram a contaminação político-ideológica das escolas
brasileiras em todos os níveis, ao comentar o conteúdo de
alguns livros e cartilhas de uma grande rede de ensino.
Esse problema – a contaminação político-ideológica nas
escolas – é antigo. Os estudantes sempre foram solo fértil
para as pregações ideológicas. São mentes jovens, dispostas
a mudar o mundo, ávidas por modelos e por heróis. Num
ambiente assim, os “tchê-guevarismos” fazem sucesso e a
garotada têm a cabeça feita por “educadores” que se dizem
revolucionários e trabalham para formar jovens que servirão
de instrumentos para projetos de poder. E as escolas
transformam-se em fábricas de idiotas.
Alguns desses “professores” transformaram-se em ídolos da
garotada, que não percebe que está sendo doutrinada. Cabe a
cada um de nós reagir – como pais, como estudantes, como
contribuintes. Por isso convido você a conhecer o trabalho
da Escola Sem Partido, reproduzindo aqui as dicas que eles
publicaram para perceber quando um professor está tentando
doutrinar ideologicamente os alunos. Você, ou seus filhos,
podem estar sendo vítimas quando o professor:
• se desvia,
freqüentemente, da matéria-objeto da disciplina para
assuntos relacionados ao noticiário político ou
internacional;
• adota ou indica livros, publicações e autores
identificados com determinada corrente ideológica;
• impõe a leitura de textos que mostram apenas um dos lados
de questões controvertidas;
• exibe aos alunos obras de arte de conteúdo
político-ideológico, submetendo-as à discussão em sala de
aula, sem fornecer os instrumentos necessários à
descompactação da mensagem veiculada e sem dar tempo aos
alunos para refletir sobre o seu conteúdo;
• ridiculariza gratuitamente ou desqualifica crenças
religiosas ou convicções políticas;
• ridiculariza, desqualifica ou difama personalidades
históricas, políticas ou religiosas;
• pressiona os alunos a expressar determinados pontos de
vista em seus trabalhos;
• alicia alunos para participar de manifestações, atos
públicos, passeatas, etc.;
• permite que a convicção política ou religiosa dos alunos
interfira positiva ou negativamente em suas notas;
• encaminha o debate de qualquer assunto controvertido para
conclusões que necessariamente favoreçam os pontos de vista
de determinada corrente de pensamento;
• não só não esconde, como divulga e faz propaganda de suas
preferências e antipatias políticas e ideológicas;
• omite ou minimiza fatos desabonadores da corrente
político-ideológida de sua preferência;
• transmite aos alunos a impressão de que o mundo da
política se divide entre os “do bem” e os “do mal”;
• não admite a mera possibilidade de que o “outro lado”
possa ter alguma razão;
• promove uma atmosfera de intimidação em sala de aula, não
permitindo ou desencorajando a manifestação de pontos de
vista discordantes dos seus;
• não impede que tal atmosfera seja criada pela ação de
outros alunos;
• utiliza-se da função para propagar idéias e juízos de
valor incompatíveis com os sentimentos morais e religiosos
dos alunos, constrangendo-os por não partilharem das mesmas
idéias e juízos.
E então? Você já
percebeu um comportamento assim? Então vá lá:
www.escolasempartido.org. É seu passaporte para escapar
das fábricas de idiotas. (01-09-2008)
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