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O QUE É A
ÓPERA DULCINÉIA E TRANCOSO
W.
J. Solha - Libreto
Quando Eli-Eri me pediu que criasse um
libreto para o que seria a primeira ópera
armorial, que seria composta por ele,
vieram-me alguns dados básicos à
mente:cultura nordestina mais a ibérica –
principalmente d´Espanha e Portugal -,
acrescentadas de Ariano Suassuna e de seu
ídolo Miguel de Cervantes Saavedra, além
de Dom Quixote, Sancho Pança e Dulcinéia
del Toboso – personagens do espanhol; a
que se juntou um nome bem lusitano:
Gonçalo Fernandes Trancoso – o primeiro
contista da nossa língua, que nos deixou,
de seu distante século XVI, o livro
“Contos & Histórias de Proveito &
Exemplo”, em que a tônica era o excesso de
fantasia, coisa que gerou, aqui no
Nordeste, a expressão “história de
Trancoso” para qualquer conversa muito
fantasista que se ouve. Depois disso me
acudiram a lembrança do circo – outra
paixão de Ariano - e sua inconclusa e
lapidar narrativa sobre a Pedra do Reino.
Daí que liberei a imaginação, e lá vem o
dono do circo anunciando à multidão de
sertanejos o grande espetáculo em que se
inclui o exército que já vem chegando para
destruir o megálito, a fim de exterminar o
fanatismo dos que acham que um banho de
sangue tirará o encantamento da Pedra, que
se abrirá para a catedral que tem dentro
dela, e para el-Rei Dom Sebastião, o
soberano luso que desapareceu na Batalha
de Alcácer-Quibir e reaparecerá dentro
dela, para eliminar toda a miséria da
região. E lá vem o principal astro do
grupo, Trancoso no papel de Dom Pixote, e
lá vem mais São Chupança , pra matar o
povo de rir. E lá vêm os profetas Ariano e
Cervantes que – em duetos em português e
castelhano – anunciarão tudo que
acontecerá dali por diante. E lá vem o
maior de todos os vilões, A Morte.
Está armada a cena.
Sempre que crio algo para o palco,
centralizo tudo em duas cenas grandiosas e
irmãs: e isso acontece pela primeira vez,
na ópera, quando Trancoso, vestido com a
lataria quixotesca, vai pôr na cabeça a
clássica bacia de barbeiro que lhe serve
de elmo e, por engano, põe o chapéu de
Virgulino. É quando se ouve um grande
estupor, a Pedra do Reino escancara suas
gigantescas portas e, dentro dela, vemos a
catedral – obra entre Gaudí e Brennand - e
de seus vitrais sair um coro de anjos e a
própria Compadecida, que envolverá
Trancoso e o conclamará a enfrentar o
exército em nome dela, liderando o povo,
ganhando, em troca, o sonhado amor de sua
vida: Dulcinéia.
O resto é surpresa.

Eli-Eri fala sobre a ópera DULCINÉIA E
TRANCOSO
A ópera Dulcinéia e Trancoso é um projeto
patrocinado pelo FUNCULTURA, o FIC de
Pernambuco. Foi uma encomenda realizada
pela pianista Ana Lúcia Altino e o Maestro
Rafael Garcia – respectivamente, a
diretora geral e o diretor artístico do
Festival Internacional Virtuosi, realizado
há 12 anos seguidos na cidade do Recife,
no mês de dezembro. O projeto envolve 7
cantores líricos brasileiros, de renome
internacional, que virão a Recife
especialmente para o evento. A ópera
integra ainda um coral, um corpo de balé e
uma orquestra, que serão regidos pelo
Maestro Rafael Garcia.
A encomenda da música veio com uma
indicação específica: escrever a primeira
ópera armorial. Acredito que o convite
resultou de outra encomenda que recebi em
2007 – de escrever um concerto duplo para
viola, violoncelo e orquestra, em
homenagem aos 80 anos de Ariano Suassuna.
Na época, compus a peça “Armorialis”, que
foi estreada no Festival Virtuosi e
terminou fazendo um grande sucesso.
Em termos musicais, o projeto não deixou
de ser um desafio, pois me propus permear
a estética armorial, mas sem tomar
proveito dos muitos clichês já existentes.
Um grande problema de concepção foi usar
essa estética num contexto em que cantores
líricos são os protagonistas. O resultado,
se minhas soluções acertaram ou não, será
conhecido quando da estréia da obra. Para
minha sorte, a genialidade de Solha
produziu um libreto que, em si, já propõe
de forma extremamente satisfatória, no
plano da dramaturgia, as soluções para os
problemas artísticos imbuídos na encomenda
da obra.

André Vidal - Trancoso
André Vidal
nasceu em Fortaleza-CE. No Brasil atuou como solista em óperas,
oratórios e repertório sinfônico-coral, sob a regência de
Henrique Morelenbaum, Emílio de César, Gerald Kegelmann, Elena
Herrera, Osman Gioia e Márcio Spartaco Landi.
Em 1996 foi agraciado com uma bolsa de estudos da Royal Academy
of Music, em Londres, onde cursou pós-graduação em canto,
especializando-se em Música de Câmara e Música Antiga, tendo
sido também bolsista do programa APARTES da CAPES durante o
curso. Em Londres atuou regularmente como solista em oratórios,
com destaque para as apresentações da Paixão Segundo São João e
do Oratório de Natal de Bach, do Messias de Handel, da Pequena
Missa Solene de Rossini e do Requiem de Mozart em Londres e
outras cidades do Reino Unido.
Integrou a companhia Antahkarana Opera – com a qual participou
da primeira montagem da ópera Poro, Rè dell’Indie de Handel na
época moderna em Londres – e o elenco da London Royal Schools
Opera, com a qual interpretou o papel de Duca Ottavio na ópera
Don Giovanni, de Giuseppe Gazzaniga, em 1998.
Seu repertório operístico abrange papéis de Mozart, Handel,
Rossini, Donizetti e Bellini, e no campo da música
sinfônico-coral, já interpretou obras de Beethoven, Mozart, Orff,
Schubert, Monteverdi, Handel, Bach e Rossini, entre outros.
Foi premiado em terceiro lugar no II Concurso Internacional de
Canto Bidu Sayão, em 2001, e obteve o segundo lugar no Helen
Eames Prize para intérpretes de música barroca, em 1998 em
Londres.

Gabriella Pace – Dulcinéia
GABRIELLA PACE, soprano, Iniciou seus estudos
musicais e de canto com seu pai, o tenor e violista Héctor Pace.
Como bolsista da Vitae, estudou com Leilah Farah e Pier Miranda
Ferraro (Itália). Atualmente estuda sob a orientação de Ricardo
Ballestero. Foi Musetta, em
La Bohème;
Micaela, em
Carmen;
Susanna, em
Le Nozze di Figaro;
Ceci, em O
Guarany; Pamina,
na Flauta
Mágica;
entre outras.
Participou das Temporadas 2000 e 2004 da OSESP, cantando sob a
regência dos Maestros Michael Tabachnik e John Neschling. Foi
agraciada com o Prêmio Carlos Gomes de Música Erudita.
Participou da primeira montagem
brasileira do Anel do Nibelungo de Wagner.Gravou o Requiem
Hebraico e a Nona Sinfonia de Beethoven com a OSESP. Em 2008
apresentou-se em Bogotá. Foi Musetta em La Bohème, no Rio, sob a
regência dos maestros Minczuk e Silvio Viegas.
Rafael Garcia -
Regente
Chileno
de nascimento, mas brasileiro de coração, Rafael Garcia é o
criador, diretor artístico e regente do festival VIRTUOSI.
Casado com a pianista pernambucana Ana Lúcia Altino, Rafael
apaixonou-se pelo Brasil, aos 18 anos, quando assistiu, no
Chile, à Seleção Brasileira de Futebol, sob o comando do grande
jogador Mané Garrincha. A paixão pelo Brasil o fez recusar
ofertas de trabalho em orquestras da Suécia, da Alemanha e de
outros países da Europa para se radicar no Recife. A partir de
então, passou a desempenhar inúmeras funções como violinista,
professor, diretor artístico, regente, criador e coordenador de
projetos culturais significativos para o desenvolvimento da
música na região. Ao longo dos anos, conquistou relevantes
oportunidades, como o cargo de spalla da Orquestra Sinfônica de
São Paulo, com o maestro Eleazar de Carvalho; a implantação do
movimento musical na Paraíba; a estréia na América do Sul da
Sinfonia dos Dois Mundos, com texto de Dom Helder Câmara; a
criação da Filarmônica de Pernambuco, sob a regência do maestro
Isaac Karabtchewsky; a posição de professor do New England
Conservatory e a criação do Lexington Music Festival em Boston;
membro fundador e spalla da Orquestra Filarmônica
Norte/Nordeste; criação e reativação da Orquestra Jovem de
Pernambuco, entre outras, e, finalmente o VIRTUOSI, o maior
projeto de todos, marca registrada de qualidade e excelência
artística.
Luiz Carlos Vasconcelos - Direção Artística

Estreou como ator de cinema interpretando o
cangaceiro Lampião em “Baile perfumado”, de Lírio Ferreira e Paulo
Caldas recebendo o prêmio de melhor Ator Coadjuvante da Associação
de Críticos de Arte de São Paulo. Papel de destaque no cinema em
“Eu, tu, eles”, de Andrucha Waddington, recebeu o prêmio de melhor
ator de cinema da APCA. Participou do longa “Carandiru” de Hector
Babenco, fez participação especial na novela “Senhora do Destino”
e atuou na série de TV “A Pedra do Reino”. Em 2009 ganha o prêmio
de Melhor Ator do Festival do Rio de Janeiro com o filme “O Sol do
Meio Dia” de Eliane Café.
O teatro e principalmente o circo sempre
foram as grandes paixões de Vasconcelos, que, apesar de ser
formado em Letras, estudou artes cênicas na
Dinamarca
para depois incorporar-se ao grupo teatral
Intrépida Trupe.
Em
1978, está
em
João Pessoa,
e cria o pesonagem que iria acompanhá-lo pela vida afora, o
palhaço Xuxu, um palhaço cidadão, nas palavras de seu
criador, por ser uma presença constante nas comunidades carentes.
Mesmo quando está trabalhando em outros projetos, como filmes e
séries de televisão, Vasconcelos sempre arruma hora e lugar para
se apresentar vestido e maquiado como Xuxu.
Ainda em 1978, junto com outros
artistas, fundou em João Pessoa a Escola
Piolim,
nome dado em homenagem a um velho palhaço paraibano. O complexo,
além de ser sede de seu grupo teatral, desenvolve um trabalho de
educação popular.
A estréia -Theatro Santa Isabel - Recife-PE

Próxima sexta-feira - 18 de dezembro
11:00h e 21:00h
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