Alfredo José da Silva nasceu em 19 de maio de
1929, no Rio de Janeiro, e iniciou os estudos de piano ainda
criança. Na adolescência, se interessou pelo jazz, pelo cinema e
pelas músicas de Cole Porter e George Gershwin. Seu apelido foi
dado por uma amiga americana.
No início da década de 50, Alf formou seu primeiro grupo musical
no Instituto Brasil-Estados Unidos. Logo depois, uniu-se a Dick
Farney e Nora Ney apresentando-se na noite carioca e nas rádios.
Dessa época são as composições "Estamos sós", "O que é amar",
"Podem falar" e "Escuta", que apareceram no disco de Mary
Gonçalves "Convite ao romance", de 1952, e ajudaram a lançar a
carreira de Alf.
Em 1955, lançou "Rapaz de bem" e "O tempo e o vento" em um
compacto que foi considerado o primeiro disco da bossa. "Chega
de saudade", de João Gilberto, só apareceria três anos depois.
Segundo o escritor Ruy Castro, Alf é "o verdadeiro pai da bossa
nova".Tom Jobim, outro pioneiro da bossa, costumava chamá-lo de
"Genialf".
Na segunda metade da década de 1950, Alf mudou-se para São
Paulo, dividindo as noites com nomes como o grupo Tamba Trio, de
Sérgio Mendes, Luís Carlos Vinhas e Sylvia Telles. Em 1967,
apresentou a música "Eu e a brisa", uma de suas mais conhecidas,
no III Festival da Música Popular Brasileira em 1967, da TV
Record.
Uma das
últimas aparições de destaque do pianista aconteceu na exposição
“Bossa na Oca”, em São Paulo, em 2008. Na mostra que homenageava
os 50 anos do estilo musical que projetou o Brasil mundialmente,
Alf teve um encontro virtual com nomes como Tom Jobim, Frank
Sinatra, Ella Fitzgerald e Stan Getz. O artista tocava piano com
as projeções dos colegas, já mortos, para um filme que foi
exibido ao longo do evento.
“Ele ficou muito emocionado quando viu o resultado, os olhos
encheram d´água”, conta o curador da exposição, Marcello Dantas.
“Ele falava pouquinho, em decorrência de um derrame que havia
sofrido pouco tempo antes. Mas o semblante dizia tudo, não era
preciso palavras”.
O artista estava internado no Hospital Estadual
Mário Covas, onde passava por tratamento contra um câncer na
próstata.
“Johnny era uma pessoa muito
serena e espiritualizada. Estava encarando a doença com
otimismo, nunca se desesperou”, conta o empresário.
Para o curador, Alf, que morreu nesta quinta-feira (05-03-10)
sem deixar parentes e vivendo em um asilo na Grande São
Paulo, foi desvalorizado pela memória do país. “É o caso
clássico do artista que não teve o reconhecimento a altura de
seu talento. E Alf foi um gênio, teve participação na história
da nossa música”.