| PERFIL

Marcelo
Borges
MARCELO RAFAEL CORREA BORGES DA FONSECA
nasceu em João Pessoa (PB) no dia 10 de Novembro de 1944,
tendo como pai o então Capitão Ivo Borges da Fonseca Neto e
como mãe Terezinha C. Borges da Fonseca. Como um bom
escorpião, inicia sua vida como um moleque com todas as
características de um verdadeiro menino de rua.
Aos 13 anos sua vida mudou consideravelmente.
Ao entrar em casa a mãe conversava com uma amiga (Jandira
Mesquita) sobre teatro. Jandira, vendo que o assunto chamou
atenção daquele moleque, incentivou sua ida ao Teatro Santa
Rosa, onde Lindaura Pedrosa armava o elenco do Pluft o
Fantasminha.
Ao chegar no teatro encontrou as portas
fechadas. Como sabia que havia chegado atrasado, não teve
dúvida, pulou o muro e saiu em busca do lugar onde os testes
estavam sendo efetuados. Além dos testes ele sentiu que ser
menino facilitaria a escolha da obtenção do papel principal,
uma vez que se tratava do primeiro Pluft masculino do
Brasil.
São vários os personagens vividos por Marcelo
e em cada um deles novas visões lhe permitiram conhecer o
ser humano em sua essência. Com isso o moleque passou a
entender o que era problema social e com o teatro combateu
os primeiros passos da situação política que gerou a
ditadura de 1964. Essa luta se deu inicialmente no colégio
PIO X em 1963 e se estendeu para a Escola de Geologia de
Recife até 1969, onde montou um grupo de estudantes que
levou a música e a poesia de protesto para todo o Nordeste,
com o apoio de Don Elder. Este grupo foi considerado como o
renascer do Teatro Universitário de Pernambuco.
Em 1971 foi convidado para lecionar na
Universidade de Brasília e representar o Departamento de
Geologia na Câmara Federal, único local que permitia falar
sobre a democracia e a liberdade. Em 1976, vai para o Rio de
Janeiro com o intuito de conhecer a Geologia do Brasil
através da CPRM, hoje Serviço Geológico do Brasil. Durante 9
anos percorre de Norte-Sul e Leste-Oeste, encantado com suas
riquezas culturais e minerais, ambas perdidas e depedradas
no sentido social. Ainda na CPRM faz a volta ao mundo,
patrocinada pelo Governo do Canadá, tudo em troca de uma
palestra na Malásia, sobre o mineral Cassiterita.
Nem tudo, entretanto, são flores. Na
constituição de 1988 a mineração sofreu uma queda fatal que,
praticamente, paralisou suas atividades de pesquisas até a
virada do século. A saída se deu pelas ações das empresas
privadas e dos trabalhos ambientais.
Depois de aposentado retorna a João Pessoa e
recebe do Governador do Estado convite para ser Diretor de
Operações da Companhia de Desenvolvimento de Recursos
Mineras da Paraíba, onde hoje permanece .

"Pluft, O
Fantasminha" de Maria Clara Machado, montagem do Teatro do
Estudante da Parqaíba, com direção de Orley Mesquita,
cenário de Elcyr Dias. No elenco Gilson Medeiros, Lindaura
Pedrosa, Gil Santos, Raimundo Nonato, Marcelo Borges,
Pereira Nascimento, Elpídio Navarro e Hugo Caldas.
Vladimir Carvalho
Vladimir Carvalho (Itabaiana,
Paraíba,
31 de janeiro de
1935) é um
cineasta e
documentarista
brasileiro. Freqüentando a
Universidade Federal da Bahia
conheceu
Glauber Rocha e integrou o
chamado movimento do
cinema novo (sendo o seu
irmão mais novo, como costuma dizer).
A mãe, Mazé, é
marcante na sua condição de líder de sua família e pelo
espírito de solidariedade para com os pobres. O pai, Luís
Martins, um homem dos sete instrumentos, vai da atividade em
sua fábrica de móveis Lyon, em Itabaiana, cidade da zona da
mata do estado da Paraíba, ao jornalismo bissexto que
pratica na região do vale do rio Paraíba, próxima à capital
do estado da
Paraíba, e exerce profunda
influência sobre o filho, até sua morte prematura aos 39
anos.
Preocupado com a
educação de Vladimir, o pai o conduz a
Recife, entregando-o aos
cuidados de sua tia Alayde, irmã de Mazé. Ali começa, de
fato, a cursar o primário, longe dos banhos de rio e dos
apelos da feira semanal de Itabaiana, uma verdadeira festa
para o menino. Sente profundamente a ausência dos pais.
Conforta-o, entretanto, a vida na metrópole pernambucana,
onde descobre um mundo inteiramente diferente da sua
Itabaiana, na Paraíba. Assiste ali, entre tantos
acontecimentos e lugares grandiosos e diferentes de sua
cidadezinha de interior, com grande emoção, a chegada dos
pracinhas (Força
Expedicionária Brasileira na
Segunda Guerra Mundial) de
volta da
Itália e o navio que os
transporta aproximar-se do porto tocando os hinos e canções
patrióticas.
Em 1949 volta à
Paraíba, sempre morando com a tia Alayde, que vai viver em
João Pessoa. Neste ano,
nasceu seu irmão,
Walter Carvalho, que não
tem tempo de conhecer verdadeiramente o "velho" Lula, que
morre antes dele completar um ano. Hoje, Vladimir considera
Walter como a cópia fiel do mestre Lula, não só fisicamente,
mas na habilidade com equipamentos e na genialidade como se
conduz no ofício cinematográfico.
Terminado o ginásio,
em 1954, onde foi aluno de geografia de
Linduarte Noronha, que
ainda não era cineasta, ingressa no curso clássico. Fazia um
programa de rádio, Luzes do Cinema, em 1959, em João Pessoa,
e colaborou na imprensa local como crítico iniciante
(ganhando o apelido de Vladimir Vorochenko por conta da
mania de filmes russos-soviéticos), quando Linduarte Noronha
o convidou para escrever o roteiro de
Aruanda, do qual seria,
depois, também assistente de direção, com João Ramiro Mello,
um amigo para sempre.
A
obra
Depois de um
desentendimento com
Linduarte Noronha a
respeito do documentário Aruanda, Vladimir e João Ramiro
realizam o documentário Romeiros da Guia. Em seguida vai
para
Salvador terminar o curso
de filosofia na Univeridade da Bahia. Entre seus colegas de
curso incluem-se
Caetano Veloso, que ainda
era desconhecido do grande público, e
Carlos Nelson Coutinho.
Além destes intelectuais, conhece também
Glauber Rocha, que estava
preparando Deus e o Diabo na Terra do Sol. Passa as noites
na boemia artística, sempre na companhia destes amigos, como
Caetano,
Torquato Neto (Gilberto
Gil trabalhava e não podia acompanhar),
Orlando Senna e
Álvaro Guimarães,
teatrólogo e cineasta que lançou
Maria Bethânia em Salvador,
bem antes do show Opinião, e
Manoel Araújo, gravurista
que posteriormente dirigiu a
Pinacoteca do Estado, em
São Paulo. Foi em Salvador
que Vladimir entrou para as fileiras da militância
político-cultural no
CPC, Centro Popular de
Cultura (entidade vinculada à
UNE, União Nacional dos
Estudantes), da Bahia.
De Salvador, Vladimir
recebe o convite de
Eduardo Coutinho para ser
seu assistente no filme Cabra Marcado para Morrer.
Paralelamente a este envolvimento no Cabra Marcado para
Morrer, Vladimir foi com Eduardo Coutinho visitar as
filmagens de Os Fuzis, do cineasta
Rui Guerra, no interior.
Cabra marcado para morrer
Em 1964, ano do Golpe
de Estado que instalou a
ditadura militar no país,
Vladimir e Coutinho foram surpreendidos em plena filmagem do
documentário Cabra Marcado para Morrer, no engenho Galiléia,
em
Pernambuco. Após saberem
sobre o golpe, a fuga e a entrada na clandestinidade são
inevitáveis, porque sabiam que seriam presos pela ditadura;
já que estavam filmando um tema explosivo, o das
Ligas Camponesas. A pressão
política e a repressão que se seguiram foram enormes.
Portanto, Vladimir foi encarregado de proteger dona
Elisabete Teixeira, viúva de João Pedro, durante a
debandada. Maria do Socorro, sua noiva, com quem se casaria
dois anos depois, foi procurá-lo no engenho Galiléia (com
medo do que poderiam fazer ao noivo após o golpe) e foi
levada presa para o Recife. Depois de constatada sua
"inocência" (porque ela não estava participando diretamente
das filmagens, nem tinha ligações políticas oficiais com a
esquerda), foi solta. Foi ela quem ajudou Vladimir a
provicenciar um disfarce para dona Elisabete: oxigenaram
seus cabelos, vestiram-na com um chitão colorido,
pintaram-lhe os lábios e os rostos e deram-lhe uns óculos
escuros. Com isto, eles conseguiram ultrapassar as barreiras
policiais sem serem vistos. Vladimir coloca dona Elisabete à
salvo em um bairro suburbano do Recife, junto a uma família
de um antigo companheiro de Joâo Pedro. A partir daí,
Vladimir entra decididamente na clandestinidade,para se
proteger da prisão política, ocultando-se em um sítio nas
proximidades da cidade de
Campina Grande, na Paraíba.
Com uma identidade falsa, passa a se chamar José Pereira dos
Santos. Foi no sítio, no interior da Paraíba, que Vladimir
ficou conhecido como Zé dos Santos, em virtude das
esculturas de santos de madeira que ele passou a esculpir,
desenvolvendo sua vocação artística e herança artesanal
paterna (desde então, ele nunca parou de esculpir).
No
Rio de Janeiro
Passados os primeiros
sobressaltos advindos com o golpe de 1964, Vladimir pôde
sair da clandestinidade e viajar para o
Rio de Janeiro, onde foi
apresentado por Eduardo Coutinho a
Arnaldo Jabor. Como diretor
assistente de Jabor, Vladimir participou das filmagens de
Rio Capital do Cinema e Opinião Pública. Aprende com o Jabor
a forma descontraída de filmar, desmistificando o
endeusamento do ofício de cineasta que havia na época.
Estabelece-se, então, no Rio de Janeiro, trabalhando como
repórter no Diário de Notícias. Neste ofício de repórter,
ele fica conhecendo todos os meandros da cidade do Rio de
Janeiro. Freqüentou também o bar da Líder, onde se
encontravam periodicamente todos cineastas. Apesar disto,
ele não perde os vínculos com o Nordeste, voltando para lá
para filmar.
Como repórter,
Vladimir cobriu as famosas passeatas contra a ditadura, a
dos cem mil, inclusive, e entrevistou os líderes estudantis
do movimento. Ele próprio, junto com a esposa Maria do
Socorro, forma um grupo de passeata com Luís Carlos Lacerda
de Freitas, o Bigode, Norma Bloom e Arduíno Colasanti.
Em 1969, Vladimir
apresentou o seu curta metragem A Bolandeira no Festival de
Cinema de Brasília, ganhando um dos prêmios. Foi por isto
que ele reencontra Fernando Duarte, companheiro das
filmagens do Cabra Marcado para Morrer; que o convida para
ficar em Brasília a fim de realizar o projeto do núcleo de
produção de documentários do
Centro Oeste na
UnB. Ele aceitou o desafio
e ficou, sem saber que seria uma estadia permanente; porque
o convite inicial foi para permanecer na cidade apenas dois
meses. Vladimir, sem ter planejado inicialmente isto, adota
então a cidade como sua e por ela também é adotado,
tornando-se professor de cinema na UnB e importante líder
intelectual local. A partir de Brasília, ele pôde dar
prosseguimento ao seu trabalho enquanto documentarista
preocupado com as questões sociais. Realizou vários de seus
curtas e longas metragens, ganhando inúmeros prêmios, entre
eles, a Margarida de Prata, da
CNBB (Conferência Nacional
dos Bispos Brasileiros). Com isto, seu prestígio enquanto
cineasta documentarista cresce visivelmente.
Em
Brasília
Em 1971, seu longa
metragem O País de São Saruê foi retirado bruscamente do
Festival de Cinema de Brasília pela censura federal. Em
sinal de protesto contra tal fato, a comissão de seleção do
festival se demite. Houve uma grande celeuma, porque o
filme, depois de ter sido selecionado, foi vetado e
apreendido pela censura. As autoridades presentes ao
festival são vaiadas. "São Saruê" permanecerá apreendido e
impedido de ser exibido durante toda a década de 1970.
Apesar disto, o filme recebe convites até do
Festival de Cannes, sem
poder ser apresentado fora do país (porque havia uma única
cópia em película do filme).
Após o triste e
autoritário episódio da censura e apreensão do filme O País
de São Saruê, Vladimir continuou suas atividades, lecionando
na
UnB e filmando outros
filmes, mesmo com parcos recursos. Além disso, ele fundou,
em Brasília, a Associação Brasileira de Documentaristas
seção DF, da qual será, posteriormente, presidente. A
associação realizou o primeiro Festival do Filme
Brasiliense.
Em 1979, com o
processo político chamado de Abertura, pela ditadura
militar, o filme O País de São Saruê é liberado do "cárcere"
onde se encontrava e é recebido calorosamente pela crítica e
pelo Festival de Brasília, ganhando o prêmio especial do
júri.
Na década de 1980,
Vladimir filma seus longas O Homem de Areia e O Evangelho
Segundo Teotônio. "Teotônio" ganha a Margarida de Prata e "O
Homem de Areia", o prêmio do
Concine (Conselho Nacional
de Cinema). Em 1986, Vladimir reativou suas filmagens sobre
um tema que lhe foi muito caro: a realidade dos operários
que construíram Brasília, os chamados candangos.
Conterrâneos Velhos de Guerra traz de volta o obscuro
episódio de uma chacina de operários ocorrida num
acampamento de uma das empreiteiras responsáveis pela
construção de
Brasília.
A Cinemateca Uruguaia
o homenageou com uma retrospectiva completa de sua obra e,
por isto, Vladimir foi ao
Uruguai participar das
homenagens e dos debates.
Em 1990, Conterrâneos
Velhos de Guerra surpreende o Festival de Brasília e sai
consagrado com muitos prêmios, inclusive o de melhor filme
em sua categoria. Como sua primeira apresentação no festival
foi em 16mm, o filme, transformado para 35mm, foi
reapresentado no encerramento do Festival de Brasília de
1992, com a presença do ministro
Antonio Houaiss. Ainda em
1992, Vladimir viaja para a
Europa, porque foi
convidado para ser jurado no Festival Cinéma du Réel, na
França, onde Conterrâneos
Velhos de Guerra é convidado hour-concours.
Em 1994, Vladimir cria
a Fundação Cinememória, mudando-se para uma casa na avenida
W3 sul, em Brasília, para onde leva todo o seu acervo. A
inauguração da Fundação Cinememória dá-se durante o Festival
de Brasília, com o apoio de Luíza Dornas, então Secretária
de Cultura. O cineasta italiano
Bernardo Bertolucci é um
dos assinantes do livro de presença e saúda a iniciativa de
Vladimir propondo "entrar para o Cinema Novo brasileiro".
Em 1998, a Câmara
Distrial (o Legislativo do
Distrito Federal, um misto
de Câmara de Vereadores e Assembléia Legislativa Estadual;
por causa da condição de Distrito Federal da capital da
república), confere-lhe o título de cidadão honorário de
Brasília, pelos serviços
prestados à cultura e por sua dedicação à comunidade
brasiliense. Ainda neste ano, Vladimir dá início à produção
de seu longa metragem Barra 68, outro projeto que lhe era
muito caro desde que chegou a Brasília. O filme conta as
agressões que a Universidade de Brasília sofreu com a
ditadura militar e a dura repressão que se seguiu.
Barra 68 é o filme que
inaugura o Festival de Brasília de 2002. Com o prêmio que
recebeu pelo filme, Vladimir constrói um pequeno auditório
noa Fundação Cinememória.
Em 2004, por decreto
do governo do DF, Vladimir é nomeado embaixador cultural da
cidade, junto com outras personalidades.
Em 2005, Vladimir
começa a filmagem do longa metragem O Engenho de Zé Lins,
sobre o escritor paraibano
José Lins do Rego.Em 2000
Vladimir é convidado para presidir a Fundação Astrojildo
Pereira , entidade criada com o objetivo de divulgar e
incentivar a cultura brasileira, além de preservar a
história dos militantes comunistas brasileiros
Fimografia
-
Romeiros da Guia - 1962
-
A
Bolandeira - 1967
-
Vestibular 70 - 1970
-
O
País de São Saruê - 1971
-
Incelência para um Trem de Ferro - 1972
-
O
Espírito Criador do Povo Brasileiro - 1973
-
O
Itinerário de Niemeyer - 1973
-
Vila
Boa de Goyaz - 1974
-
Quilombo - 1975
-
Mutirão - 1975
-
A
Pedra da Riqueza - 1976
-
Pankararu do Brejo dos Padres - 1977
-
Brasília Segundo Feldman - 1979
-
O
Homem de Areia - 1982
-
O
Evangelho Segundo Teotônio - 1984
-
Perseghini - 1984
-
No
Galope da Viola - 1990
-
A
Paisagem Natural - 1991
-
Conterrâneos Velhos de Guerra - 1991
-
Negros de Cedro - 1998
-
Barra
68 - 2000
-
O
Engenho de José Lins do Rego - 2006
No Teatro

No teatro Vladimir Carvalho participou
como ator num espetáculo de teatro amador "A REBELIÃO DOS
ABANDONADOS", de Vanildo Brito, apresentado no Theatro Santa
Roza (1960), pelo grupo Teatro Popular de Arte. Na foto
Ednaldo do Egípto, Wilson Maux, Pereira Nascimento e
Vladimir Carvalho, último à direita.
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