|
|
 |
Elpídio Navarro
"Zé
Bolinho"
Uma das pessoas importantes que passaram pelo Theatro Santa
Roza, foi o maquinista (denominação dada aos
operários do palco) Zé Bolinho. Seu nome de batismo - José
Xavier da Silva - lembrava Tiradentes. Mas ele, ao
contrário, não era mártir nenhum. Era uma figura que não
sabia negar nada a ninguém, mas também era um tanto esperto.
Das histórias de Zé Bolinho, conheci muitas e estive
presente em algumas delas.
Sua fidelidade ao time do Botafogo da cidade de João Pessoa
e ao bloco carnavalesco Índios Africanos, do bairro da
Torre, era à toda prova. Gastava o dinheiro que
pudesse com essas suas paixões.
Num das vezes que estava eu diretor do Theatro Santa Roza,
chegou-me a notícias que dos nossos espanadores só restavam
os cabos. A plumagem, de pavão, de todos, havia
desaparecido. As fofocas atribuíam a responsabilidade ao
nosso Zé, que a teria usado nas fantasias dos "caboclinhos".
A acusação espalhou-se tanto que me senti na obrigação de
chamá-lo para esclarecimentos. Então ele foi taxativo: "Seu
Erpídio, os africanos só usam penas de galça..."
Mandei providenciar a aquisição de outros espanadores.
Ele adorava época de eleição. Era quando conseguia construir
uma casinha lá pros lados de Cruz das Armas, bairro onde
residia. Prometia votos a vários políticos em troca de
tijolos, cimento, telhas, madeiras e todo o necessário à
construção de mais uma das suas fontes de renda: os aluguéis
de seus casebres construídos por conta das suas promessas
eleitorais. A gente nunca sabia em quem ele iria votar ou
havia votado. Sempre afirmava: "o voto é secreto"!

Viajou muitas vezes com os nossos grupos de teatro, como
responsável pela cenotécnica. Numa dessas viagens, sob
minha direção, fomos a um festival de teatro em Ponta Grossa
- Paraná. O espetáculo que levamos ("Cordel", de Orlando
Senna) tinha como cenário enormes bandeirolas que deveriam
descer do urdimento à cada início de cena. O palco do
auditório no qual deveríamos nos apresentar tinha o teto
baixo, não podendo assim esconder as tais bandeirolas.
Sabedor antecipadamente do problema, o nosso cenógrafo,
Breno Mattos, impedido de viajar conosco,
preparou um mecanismo que prendia enrolada a bandeira,
soltando-a quando fosse acionado. Mas lá, quando nos foi
liberado o palco para que montássemos nosso cenário,
constatamos que não estava funcionando o tal mecanismo
criado por Breno. Já tarde da noite, após várias tentativas,
Zé Bolinho prometeu: "pode ir dormir, seu Erpídio.
Deixe comigo que eu resolvo tudo... " O espetáculo seria
apresentado na manhã do dia seguinte. Ele nem chegou a
dormir no hotel, o que me deixou mais apreensivo. Chegando
ao teatro fui logo abordado por ele dizendo-me: "pode ficar
tranqüilo, ta tudo em ordem". E estava mesmo pois a função
aconteceu corretamente, na hora certa. Enquanto eu descia da
cabine de controle de iluminação e tentava chegar ao palco,
um tanto assediado pelas pessoas da platéia, Zé Bolinho já
desmanchara tudo que ele havia feito e encaixotava nosso
cenário. Perguntei por que e ele respondeu que não
podia deixar os outros aprenderem o seu segredo.
Posteriormente me contou: "Fiz um U!" Armou três pedaços de
sarrafo formando a letra U. Prendeu a bandeirola enrolada
com o tal U, como se fosse um grampo, preso a uma corda, que
puxado fazia acontecer seu aparecimento. Simplesmente um U.
Mas pediu segredo para o seu invento...

Mas
entre outras várias histórias de Zé Bolinho a mais antiga
delas, das que participei,, foi logo nos meus
primeiros momentos de atividade teatral.
O Teatro do Estudante da Paraíba estava
encenando a peça Fim de Jornada, cujo entrecho dramático
acontecia durante a primeira grande guerra mundial, tendo
como personagens soldados ingleses. A direção era de Walter
Oliveira e tínhamos como instrutor militar a figura
simpática do General Edson Ramalho, na ocasião Comandante da
Polícia Militar do Estado da Paraíba. Mas a colaboração
decisiva dele não se resumiu apenas às informações de
comportamentos dos militares da época, mas, também, à cessão
de armas, fardas e equipamentos para compor o espetáculo.
Por conta disso tudo nós fizemos uma apresentação para o
pessoal da Polícia Militar, com o caráter de homenagem e
agradecimento, que redundou na mais desastrada das nossas
apresentações daquele espetáculo teatral.
O cenário era uma casamata, espécie de
esconderijo subterrâneo camuflado no solo com pedras e
arbustos, que escondiam a sua entrada e uma metralhadora
antiaérea. A visão do espectador era de um cenário com dois
planos: no piso do palco estava a casamata, onde acontecia a
maior parte da encenação; num plano elevado, o solo do campo
de batalha onde aconteciam cenas de ataques aéreos e revides
pela metralhadora. O meu irmão Ednaldo Navarro
interpretava uma sentinela que passava quase
todo o decorrer do espetáculo no plano elevado, só descendo
ao esconderijo na última cena para informar ao nosso
comandante, papel desempenhado por Valdez Silva, que eu
havia sido metralhado e morto num ataque de um avião alemão
que continuava bombardeando lá em cima.
Ao final do espetáculo a casamata era
destruída e caía o teto através de um truque feito com
dobradiças que eram destravadas. Para dar a impressão de
fogo, fumaça e poeira, espalhávamos em cima do teto pó de
serra com talco comum, iluminação vermelha e focos amarelos
intermitentes para dar uma idéia de explosões, claro que
junto com os efeitos sonoros. Começamos a achar que a fumaça
resultante do pó de serra com talco, que aparecia com a
queda do teto da casamata, estava fraca, não convencia
muito. Conversamos com José Xavier da Silva, o famoso Zé
Bolinho, nosso maquinista, tentando uma solução para o
problema e ele foi taxativo: “Deixe comigo que eu resolvo!”
A metralhadora estava
sempre apontando para um lado, porque quando era detonada
expelia as cápsulas das balas de festim para detrás do palco
e, por isso, nós tínhamos muito cuidado para não mudá-la de
posição.
Assim chegamos à cena
final de Fim de Jornada naquele dia especial, com teatro
lotado de soldados, cabos, sargentos, tenentes, capitães, só
gente fardada. Eu fazia o papel de um sargento, espécie de
ordenança do comandante, que recebia ordem para ir até lá em
cima, no plano elevado, verificar como estava a situação e,
ao chegar, era metralhado. Acontece que nesse dia uma tábua
do piso do plano superior cedeu juntamente com uma das
minhas pernas, que ficou presa e aparecendo na parte de
baixo do cenário. Veio a rajada de balas e eu tive que cair
morto fora do local marcado. Ao cair, bati na metralhadora
que mudou de posição exatamente para o lado contrário. O
sentinela desceu para avisar ao comandante e ao subir de
volta, antes de também ser morto, passa correndo e pisa na
minha mão calçando aquele famoso coturno militar. Ah, dor
miserável! Foi quando aconteceu um incrível diálogo entre
nós, naturalmente sem ser ouvido pelo público:
-
Quando terminar o espetáculo vou lhe lascar, seu merda!
- Eu tive culpa, tive?!...
- Quero saber disso não,
seu filho da puta!
-
Oxente! E a minha mãe não é a mesma tua?!...
Mas a mambembada não ficou
só nisso. Valdez sobe correndo e na posição em que ficara a
metralhadora após o meu tropeço, puxa o gatilho. De onde eu
estava podia visualizar os militares nos camarotes do
Theatro Santa Roza, com as cadeiras na cabeça, para
livrarem-se das cápsulas de bala que voavam para cima deles.
Então veio o desastre maior: o
teto da casamata
arreia e provoca uma enorme nuvem de poeira para cima da
platéia, que começa a tossir desenfreadamente. Zé Bolinho
havia colocado uma porrada de cimento misturado com o pó de
serra e o talco. Comentário de um soldado ao sair do Teatro:
- Foi a peça mais realista
que eu já vi! (21-07-2008)
|
Elpídio
Navarro é professor universitário, dramaturgo e
diretor teatral, além de editor do
www.eltheatro.com
ARTIGOS ANTERIORES CLIQUE
AQUI |
|
|
FRASE
DA SEMANA:

"Senso de humor é o sentimento que faz você rir daquilo que
o deixaria louco de raiva se acontecesse com você."
(Barão de Itararé)
|
|

Notícias de Jornais

A VIDA COMO ELA E - Augusto Boal: método que
procura inspiração em fatos reais
Augusto Boal é o homem de teatro brasileiro
cujo nome tem maior circulação no cenário internacional. Ele
é o criador do Teatro do Oprimido, um método que procura nos
fatos reais os ingredientes para sua arte. Em Campina
Grande, será realizado a partir desta segunda-feira, um
curso de formação de “Multiplicadores do Teatro do
Oprimido”.
A ação é patrocinada pelo Ministério da Cultura. O curso,
que tem duração de 40 horas, será ministrado gratuitamente
no Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca). Mais
informações podem ser obtidas com Cláudio Rocha: (81)
4104-0282, 9668-0041 e 8835-1020
No final do curso, que será na sexta-feira, haverá uma
apresentação com os participantes. Será encenado espetáculo
composto a partir dos princípios do Teatro - Fórum, uma das
técnicas utilizadas pelo Teatro do Oprimido, baseado em
fatos reais nos quais personagens oprimidos e opressores
entram em conflito. Após a apresentação, o público é instado
a intervir na ação dramática.
O programa que será ministrado em Campina Grande é o maior
programa de formação do Teatro do Oprimido. Está sendo
desenvolvido, simultaneamente, em oito pólos no Brasil, com
grupos de dezesseis Estados, e dois pólos na África,
Moçambique e Guiné-Bissau, com grupos de quinze províncias.
O curso forma multiplicadores que são, na verdade,
facilitadores do Teatro do Oprimido, um artista com função
pedagógica que auxilia as pessoas a se conhecerem melhor e a
expressarem suas idéias.
Por: ASTIER BASÍLIO
- Jornal da Paraíba
|
'Como nasce um cabra da
peste' no Santa Roza
As peças teatrais 'Como nasce um cabra
da peste' e 'Pinóquio' encenadas pela trupe Agitada
Gang serão apresentadas no Teatro Santa Roza durante
os finais de semana durante o mês de julho.
De acordo com informações do Grupo, as
sessões da peça 'Pinóquio' acontecem até o dia 3 de
agosto, durante os sábados e domingos, sempre a partir
das 17h.
Já 'Como nasce um cabra da peste', as
sessões serão até 27 de julho, às sextas, sábados e
domingos sempre às 20h.
Mais informações com os telefones 8843
1790 e 3043 6316.
Luciana
Rodrigues
|

Peça de Alarico estréia em
agosto em São Paulo
"A
Cara do Povo do Jeito que ela é", de Alarico Correia
Neto sobre vida e obra de Paulo Pontes, estréia no dia
15 de agosto próximo no Teatro São Caetano, de São
Paulo, sob direção de Regina Papini, do Núcleo
Abaetetuba Produções.
A obra de Alarico, paraibano, teatrólogo e jornalista -
mesmas qualidades de Paulo Pontes - resume de forma
alegre, musical, com pequenas trechos de entrevistas,
peças e programas de rádio, a trajetória pessoal e
profissional do autor de "Gota d'água", em parceria com
Chico Buarque de Holanda.
"A
Cara do P0vo..." traz em sua primeira parte a visão de
Paulo Pontes da realidade sócio-cultural brasileira,
algo que o próprio Paulo sintetizou certa vez ao dizer
que " é importante o jeito, a linguagem e o cheiro do
povo nos palcos para que não se esqueça de que ele
existe e é, afinal de contas, o grande derrotado".
Paulo Pontes dizia também que "já que não é possível
colocar o drama do povo em toda sua conseqüência, que se
coloque, pelo menos, a cara do povo do jeito que ela é”.
Alarico seguiu à risca a orientação e criou a obra que
chamou a atenção dos componentes do Abaetetuba.
"A
Cara do Povo..." ficará terá sessões nas sextas, sábados
e domingos. No elenco,
Aidê do
Amaral, Alessandra Cavagna, Denise Padilha, Cláudio
Agullò, João Bosco Cunha, José Negreiros e Sarah Caldas.
Mais: Direção
Cênica Musical, Maestro Marco Antonio Rodrigues; Cenário
e Iluminação, Beato Ten Prenafeta; Coreografia, Renato
Vasconcelos; Figurinos, Érica Cristina Leme; Assistentes
de produção, Sandro Santos e Elize Guedes; Assistente de
Direção, Adilson Azevedo.
|
História de Arrepiar !
Para você, que
acredita em histórias do outro mundo, leia com bastante
atenção!
Numa
noite escura e de temporal, estava uma escultural loira de
nome Paty à beira de uma estrada secundária mal iluminada,
pedindo carona. Nenhum carro passava, e a tempestade estava
tão furiosa, que ela não conseguia ver dois palmos à frente
do nariz !
Subitamente, Paty viu um carro aproximar-se
dela e parar.
Radiante, saltou de imediato
para dentro do carro, fechando a porta, e se deparou com o
fato de não haver ninguém no banco do motorista!
O carro reiniciou
então a marcha, lentamente... Paty olha para a estrada e
vê uma curva aproximar-se, e o carro indo para ela,
perigosamente !
Aterrorizada, e ainda
mal refeita do choque de se encontrar num carro fantasma,
começa a rezar fervorosamente para que a sua vida seja
poupada! E, é nesse instante, quando a curva se
encontra a apenas uns poucos metros do carro, que uma mão
surge da janela do carro e... move o volante !
Paralisada de terror e medo,
continua a observar as constantes aparições da mão, antes
de cada curva do caminho!
Até que, reunindo as escassas forças que
ainda possuía, salta do carro se ralando toda e sai em
disparada desesperada para a cidade mais próxima.
Cansada, encharcada e em estado de choque,
entra num café onde emborca de imediato dois drinques: um
Martini e um Bloody Mary, relatando debilmente o que lhe
havia acontecido, perante o olhar estarrecido dos outros
clientes!
Logo depois, dois homens entram no mesmo
café, absolutamente encharcados, e, ao ver Patty,
exclamam um para o outro:
“ Olha lá !... A loira retardada que
entrou no nosso carro, quando nós estávamos empurrando ! "
(PANO RÁPIDO)
(História
contada por Edival Varandas)
|
| HUMOR
Na publicidade

Só não
parece...
Colaboração de Irineu Pinheiro |
|
Numa coisa a
gente não muda nunca:
Leila
Barros continua sendo a nossa MUSA

Linda
em qualquer tempo |
|
 |
|