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Otávio Sintônio Pinto

ASFORA NA GLOBO



O Caso Raynundo Asfora será analisado hoje, às 22h30, no programa Linha Direta, da Globo. Transmitido para todo o Brasil, o programa dirigido pelo jornalista Hélio Costa vai ao ar, na paraíba, através da afiliada TV Cabo Branco, canal 7. O interesse de Costa pelo Caso Asfora pode ter ampla repercussão, pois, além da audiência de seu programa, o jornalista atinge um público muito especial: ele é deputado federal por Minas Gerais, e a morte misteriosa do vice-governador e ex-deputado federal é uma interrogação para seus antigos colegas de parlamento. Recentemene, estive na Câmara Federal, em Brasília, e vi que era grande a expectativa dos deputados sobre o enforque de Costa no Caso Asfora.

O próprio Costa me revelou sua convicção de que Asfora foi assassinado. Conversamos, na Câmara, poucos dias após a gravação do programa. Apesar de ter sido procurado pela produção da Globo para prestar meu depoimento, não foi possível contato com a equipe. Nas duas vezes que a reportagem da Globo esteve na Paraíba, eu me encontrava no Rio de Janeiro e em Brasília. Mas ainda passei, por telefone, os resultados de minhas investigações à produção do programa.

A equipe de Linha Direta ouviu todos os pesquisadores que estudaram o Caso Asfora, desde Domingos Tochetto, no Rio grande do Sul, a Armando Samico, em Pernambuco, e Antônio Toscano, na Paraíba. Ninguém foi omitido. Apenas alguns dos suicidistas, como os legistas da Unicamp. São Paulo, se recusaram, estranhamente, a depor. Mesmo os que tentaram, por diversas vezes, obstacular as investigações (como o governador Ronaldo Cunha Lima), não foram poupados pela reportagem — que não se intimidou diante da arrogância, da chantagem e da truculência.

Foram muitas as tentativas de intimidação para que o trabalho da Globo não se realizasse, como são muitas as tentativas para que o inquérito cobre a morte de Asfora não tenha continuidade. O jornalista Anco Márcio, primeiro a levantar, na Imprensa, suspeitas sobre a farsa de suicídio de Asfora, foi novamente ameaçado.

Apesar de tudo, o programa está concluso e vai ao ar, apresentando alguns fatos novos sobre a tragédia. Outros fatos, ainda confidenciais, serão liberados oportunamente. O Instituto de Polícia Técnica da Bahia, solicitado pela Justiça da Paraíba, prepara laudo sobre o assunto. Um detalhe: o processo, remetido pela Justiça da paraíba ao instituto baiano, levou quatro meses para chegar ao destinatário. E, a rigor, não chegou: o destinatário foi quem mandou fazer busca nos Correios para poder receber a documentação, via Sedex, depois que a irmã de Asfora, minha amiga Myriam, foi pessoalmente a Salvador para tentar descobrir o paradeiro da correspondência.
O mesmo aconteceu com uma indústria de armamentos bélicos, também solicitada pela Justiça da Paraíba a emitir parecer técnico. O lóbe montado pelos suicidistas, temerosos que a verdade sobre a morte de Asfora seja revelada, é poderoso — o que demonstra o nível de influência e coação do complô ainda oculto, mas que será desmascarado.

Além da Globo, outros veículos e comunicação, de vários estados brasileiros, já pautaram pesquisa de reportagem sobre o Caso Asfora. O prestígio de peritos que atestam o assassinato do tribuno brasileiro, como é o caso de Domingos Tochetto — consultor da Indústria de Armamentos Rossi, consultor da revista magnum (especializada em armas e munições), e perito do Instituto de Criminalística do Rio Grande do Sul — tem despertado a atenção da imprensa nacional e da comunidade legista brasileira. Outro perito de renome internacional, e que não aceita a farsa suicidista, é o professor Armando Samico, fundador do Instituto de Criminalística de Pernambuco e respeitado até pela Scotland Yard.

Os que investiram seu tempo e sua segurança para desmascarar o crime contra Asfora começam a ver a vitória de seus esforços, como o intimerato Geraldo Beltrão, físico e criminalista. Mas vamos ao Linha Direta, logo mais na Globo. Depois, há outros informes.
(10-6-1990.)

(Do Livro "A morte do vice-governador")

 

Otávio Augusto SITÔNIO PINTO

Nascimento: 1945, em Princesa, Sertão da Paraíba, Nordeste, Brasil. Comunista. Escritor. Jornalista.
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