A
"Companhia Delas" e o Teatro do Estudante da Paraíba
por Elpídio Navarro
A
Companhia Delas
"A Cia. Delas de Teatro foi criada por
um grupo de atrizes em 2001, numa tarde de verão e
quarta-feira, entre uma aula e outra, no Teatro Escola Célia
Helena, em São Paulo. De lá pra cá, desenvolveram estudos e
pesquisa teatrais; se reuniram para falar da vida alheia
(com freqüência); e, nas horas vagas, cultivaram peças e um
canteiro cheio de personagens. A companhia tem um repertório
diversificado (encenações para os públicos adulto e
infantil) e conta com espetáculos premiados como Quase de
Verdade, inspirado na obra de Clarice Lispector, dirigido
por Ulisses Cohn, e Burundanga, de Luis Alberto de Abreu,
levado à cena por Nelson Baskerville. Do drama à comédia, de
farsas a tragédias,
a Cia. Delas se interessa por tudo o que está vivo, se mexe
e pode acontecer num palco."
Vendo na
televisão (Programa do Jô) uma entrevista dessas sete jovens atrizes, foi
como estivesse revendo um filme: meus primeiros tempos no
Teatro do Estudante da Paraíba - início dos anos
50.
Tudo se
fazia para conseguir meios para a montagem dos nossos
espetáculos: concursos de rainhas (os votos eram vendidos);
campanha das garrafas (conseguia-se um transporte e de rua
em rua e de casa em casa íamos pedindo garrafas vazias para
vender às fábricas de bebidas); no comércio arrecadávamos
brindes diversos e se fazia uma rifa ou um bingo;
promovíamos vesperais dançantes; vendia-se
espaços publicitários nos programas dos espetáculos e ainda
pedíamos doações de tecidos, madeiras, pregos etc. Algumas
doações um tanto diferentes como roupas usadas, moveis
precisados de consertos e até um cabrito e uma saca de
açúcar. Tudo valia, tudo se transformava em dinheiro ou em
material cênico.
Essas
belas jovens talvez hoje não precisem mais desses
sacrifícios todos para encenar um espetáculo. Já se
profissionalizaram e são uma Companhia considerada pelo
público e pela crítica de São Paulo. Mas no começo vendiam
bolo e animavam festas para conseguir meios para a montagem
dos seus espetáculos.
(Fotos:
Programa do Jô)
Diário de São Paulo
27/02/2002
_Montagem da Cia. Delas de
Teatro põe mundo de cabeça para baixo
Crônicas e romance serviram de inspiração para a peça
Apesar de ter buscado o título num apanhado de crônicas de
Clarice Lipsector escrita para um jornal, A Descoberta do
Mundo resgata, na verdade, a história do livro A Paixão
Segundo GH, de 1964. A protagonista, uma mulher solitária de
classe média alta, vê-se subitamente sozinha em seu
apartamento após a demissão de sua empregada. Num momento de
frenezi, revezado com instantes de profunda sensatez, ela
parte de uma arrumação geral da casa a um mergulho em sua
própria consciência e uma reorganização de sua própria vida.
“O texto mostra como pensamos que nossa vida está construída
sobre alicerces sólidos. Mas sempre há um momento em que
esse mundo começa a desabar”, explica o diretor Marco
Antonio Rodrigues. Para dar maior veracidade a esse fato, o
cenário foi criado por Ulisses Cohn é o de uma casa de
cabeça para baixo – uma alusão à desordem psicológica vivida
por GH, aquela mesma a que Lea se propôs a revirar.
Outra faceta criada por Rodrigues para recriar o universo da
escritora foi a utilização de elementos do teatro misturados
a cenas de dança contemporânea. “Por se tratar de uma obra
muito intimista a te mesmo confessional, há momentos que são
facilmente expressos pela imagem e pelo corpo muito mais do
que por palavras”.O desenvolvimento da linguagem gestual
ficou a cargo da coreógrafa Joana Mattei, que realizou um
trabalho intenso comas atrizes que pouco tinham de
bailarinas.
No palco, as sete atrizes da companhia revezam-se na
interpretação de GH, ou melhor, a encarnam simultaneamente –
a abordagem contrária à montagem de Naum Alves de Souza, na
qual os mesmos atores fazem diversos personagens. Pode-se
dizer, no entanto, que essas duas visões distintas chegam a
um mesmo ponto: o de que os pensamentos das protagonistas
não refletem senão os sentimentos de todas as mulheres,
apoiados na sensibilidade da própria autora. Todas elas são
Clarice, independentemente do modo como são mostradas no
papel ou no palco.
(do site
http://www.ciadelas.com.br/)
Quase
de Verdade
Quase de Verdade (2001 a 2004). Peça infantil inspirada nos
livros A Mulher Que Matou os Peixes, A Vida Íntima de Laura
e Quase de Verdade, que Clarice Lispector escreveu para
crianças. Sem sono, a menina Clarice relata em seu diário as
histórias de sua vida, encontrando nisso uma forma de
brincar sem que a mãe perceba que está acordada. Dirigido e
concebido em parceria com o diretor, ator e artista plástico
Ulisses Cohn, ficou em cartaz no Museu de Arte Moderna de
São Paulo (MAM-SP), nos SESCs Vila Mariana, São Carlos,
Araraquara e São Caetano, no Teatro da Cultura Inglesa e no
CEU Jambeiro. Foi apresentado ainda em ONGs, instituições e
nos festivais de Americana, Pindamonhangaba, Ilha Comprida e
Florianópolis. Venceu os prêmios APCA de Melhor Espetáculo
Adaptado (2001) e PANAMCO de Revelação para a Cia. Delas de
Teatro (2001), além de ter sido premiado no X Festival
Nacional de Teatro de Florianópolis (Melhor Conjunto de
Atrizes e Melhor Atriz Coadjuvante para Thaís Medeiros), no
XXVII Festival Nacional de Teatro de Pindamonhangaba (Melhor
Conjunto de Atrizes) e no VIII Festival de Teatro de
Americana (nas categorias Espetáculo Infantil, Conjunto de
Atrizes, Direção, Cenografia, Iluminação e Figurino).
(do site
http://www.ciadelas.com.br/)
Cena de "O Pagador de
Promessas" pelo Teatro do Estudante da Paraíba
Já na
década de 60 o Teatro do Estudante da Paraíba aventurou-se
às grandes montagens, como "Festim Diabólico" de Patrick
Hamilton; "O Pagador de Promessas" de Dias Gomes; "Fim
de Jornada" de R. C. Sheriff e "João Gabriel Borkman" de
Ibsen. Mesmo continuando um grupo estritamente amador,
obteve outras formas de renda e financiamento, já não
precisando mais de garrafas vazias.
A Cia.
Delas também já encenau os espetáculos "As Meninas
de Nelson"; "Burundanga" e Cabine do Destino". As meninas,no
momento, fazem temporada com o espetáculo "A Invenção de
Loren" no Teatro Fábrica, Rua da Consolação, 1623 - São
Paulo. Para contatos com a Cia. Delas, o endereço eletrônico
é
ciadelas@ciadelas.com.br
Dar
parabéns a esse grupo de jovens atrizes pela abnegação com
que se entregaram à arte teatral é o que faço, ao mesmo
tempo que desejo à sua Companhia um constante sucesso.
Abaixo a entrevista das atrizes da Cia. Delas no Programa do
Jô.