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O TEATRO E SUA
HISTÓRIA
O Festival de Teatro de Atenas e suas Convenções.
Tudo começou quando
Pisístrato transferiu o antigo e rústico festival dionisíaco dos
frutos para Atenas criando as Dionisias Urbanas. Outro festival
mais antigo (Lenianas) também começou a incluir tanto concursos
trágicos quanto cômicos.
As Dionisias Urbanas Começavam com vários rituais religiosos
(Procissões cultos ) até entrar na fase mais ligada propriamente
ao teatro e ao concursos.
Dois dias eram reservados para as provas ditirâmbicas, um dia ás
comédias, com cincos dramaturgos na competição; e três dias à
tragédia . Seis dias eram devotados ao grande festival; cinco
após 431 a.C. – com cincos apresentações diárias durante os
últimos três dias – três tragédias e um "drama satírico" fálico
pela manhã uma ou duas comédias à tarde. Três dramaturgos
competiam pelo prêmio de tragédia, cada um com três tragédias e
um drama satírico, sendo que as peças eram mais ou menos
correlatas.
As peças eram cuidadosamente selecionadas por um funcionário
público ou arconte que também escolhia o intérprete principal ou
"protagonista"
Imediatamente antes do concurso, a ordem dos concorrentes era
determinada por sorteio e ao seu término, os vencedores,
julgados por uma comissão também escolhida por sorteio, eram
coroados com guirlandas de hera.
Pesadamente
paramentados, os movimentos dos atores trágicos, eram
necessariamente lentos e seus gestos amplos.
Na verdade, devido as dimensões dos teatros, ao atores eram
escolhidos por suas vozes. Os bons atores eram tão procurados
que logo começaram exigir salários enormes e, quando o talento
dramatúrgico se tornara escasso, a interpretação assumiu
importância ainda maior que o próprio drama.
Tal como os atores,
o coro apresentava-se com variados figurinos e usava máscaras
apropriadas á idade, sexo e personalidade das personagens
representadas. O coro também não cantava durante todo o tempo,
pois algumas vezes usava a fala recitativa e até mesmo coloquial
ao dirigir-se aos atores.
O uso do coro no teatro grego tinha por certo suas desvantagens,
pois ralentava e interrompia as partes dramáticas da peça. Mas
enriquecia as qualidades espetaculares do palco grego o que
levou escritores a comparar a tragédia clássica com a ópera
moderna.
As Primeiras Tragédias e a Arte Dramática de
Ésquilo
As verdadeiras
encenações do teatro ateniense estão irremediavelmente perdidas.
Do trabalho de todos os dramaturgos que ganharam os prêmios
anuais sobreviveram apenas as peças de Ésquilo, Sófocles,
Éuripides e Aristófanes, e mesmo assim por apenas uma fração das
suas obras.
Contudo, no caso de Ésquilo, as tragédias remanescentes estão
bem distribuídas ao longo de toda a carreira e lançam luz
suficiente sobre a evolução de seu estilo e pensamento.
Ésquilo é um mestre do pinturesco. Suas personagens são
criaturas coloridas, muitas delas sobrenaturais, orientais ou
bárbaras, e suas falas são abundantes em metáforas.
Sue progresso na arte deve Ter sido extraordinariamente gradual,
uma vez que as primeiras peças revelam grande preponderância de
intervenções corais e apenas os últimos trabalhos mostram-se bem
aquinhoados em ação dramática.
Seu primeiro trabalho remanescente, As Suplicantes,
provavelmente a primeira peça de uma trilogia, ainda o mostra
lutando com o drama coral.
Há maior interesse quanto ao segundo drama remanescente: Os
Persas, escrito em 472 a. C. trata de um fato prático
contemporâneo, e foi obviamente cunhada para despertar o fervor
patriótico.

Uma Divina Comédia: A Trilogia de Prometeu
O tema do Prometeu
Acorrentado e das peças perdidas que o acompanhavam era Deus em
pessoa. Trabalho inesquecível, transbordante de beleza e
reflexão e transfigurado por essa personalidade supremamente
inspiradora, Prometeu, rebelde contra Deus e amigo do homem. Sua
tragédia é o protótipo de uma longa série de dramas sobre o
liberalismo.
O tema da trilogia parece ser a evolução de Deus em cumprimento
da lei da necessidade. De um tirano jovem e voluntarioso Zeus
converte-se em governante maduro e clemente, tão diverso do Zeus
da Ilíada quanto o Jeová de Isaías.
Tragédia Humana - Édipo e
Agamemnon
Após estabelecer uma
providência moral no universo, só restava a Ésquilo fazer com
que a vontade desta prevalecesse entre os homens. Na primeira
delas, uma tragédia de Édipo, Ésquilo recusou as explicações
pré-fabricadas e foi além da convencional teoria grega da
maldição familiar.
Nos Os Sete Contra Tebas deixa perfeitamente claro que a
hereditariedade é pouco mais que uma predisposição. Os crimes
cometidos pelos descendentes do corrupto Laio são resultado da
ambição, rivalidade e insuficiente predomínio da lei moral
durante a idade legendária.
Ésquilo estava galgando novas intensidades em Os Sete Contra
Tebas ao voltar-se para a tragédia humana e individual. Chegou
ao ápice desta escalada nove anos depois, em sua última e maior
trilogia.
A Oréstia, apresentada em 458 a C. , dois anos antes da morte do
autor, é novamente a tragédia da uma casa real.. Trata mais uma
vez de uma maldição hereditária, que teve início na vago mundo
da lenda. Esta trilogia é formada por: o Agamemnon que será
vítima de Clitemnestra (Sua esposa) que assim vinga a morte
arbitrária da própria filha.
Nas Coéforas, segunda tragédia da trilogia, o filho de Agamemnon,
Orestes encontra-se em curioso dilema: em obediência à primitiva
lei da vendeta deveria matar os assassinos de seu pai mas a
conseqüência deste ato o tornaria um matricida. Depois do
assassínio as Fúrias enlouquecem Orestes.
Em As Coéforas, Ésquilo reduz a lie da vendeta um absurdo, posto
que, seguida logicamente, leva a um ato ainda mais intolerável
do que o assassinato original.
Na parte final da trilogia, As Eumênides, a vendeta é finalmente
anulada.
Após diversos anos, Orestes finalmente expiou seu feito através
do sofrimento e agora está pronto para enfrentar as Fúrias em
julgamento aberto, anta o Areópago. Embora a votação empate este
é quebrado em favor de Orestes quando Atená lança o seu voto
pela absolvição. Significativamente é a deusa da razão que põe
fim à cega e autoperpetuadora lei da retribuição.
Dois anos após a promulgação desse credo, Ésquilo estava morto.
Ésquilo transformara o ritual em drama, trouxera a personalidade
humana para o teatro e incluíra a visão espiritual no drama.
FONTE:
http://liriah.teatro.vilabol.uol.com.br/historia/aorigemeevolucaodoteatro.htm
Época Realista Metade o Século- XIX
Realismo na dramaturgia nacional pode ser
subdividido em dois períodos: o primeiro, de 1855 - quando o
empresário Joaquim Heliodoro monta sua companhia - até 1884 com
a representação de O mandarim, de Artur Azevedo, que consolida o
gênero revista e os dramas de casaca. O segundo período vai de
1884 aos primeiros anos do século XX, quando a opereta e a
revista são os gêneros preferidos do público.
Essa primeira fase não se completa em um
teatro naturalista. À exceção de uma ou outra tentativa, a
literatura dramática não acompanhou o naturalismo pôr conta da
preferência do público pelo "vaudeville", a revista e a paródia.
A renovação do teatro brasileiro, com a
consolidação da comédia como gênero preferido do público,
iniciou-se quando Joaquim Heliodoro Gomes dos Santos montou seu
teatro, o Ginásio Dramático, em 1855. Esse novo espaço tinha
como ensaiador e diretor de cena o francês Emílio Doux que
trouxe as peças mais modernas da França da época.
O realismo importado da França introduziu
a temática social, ou seja, as questões sociais mais relevantes
do momento eram discutidas nos dramas de casaca. Era o teatro da
tese social e da análise psicológica.
Nome de grande importância para o teatro
dessa fase é o do dramaturgo Artur Azevedo (1855-1908). Segundo
J. Galante de Souza ( O Teatro no Brasil, vol.1), Artur Azevedo
"foi mais aplaudido nas suas bambochatas, nas suas revistas,
escritas sem preocupação artística, do que quando escreveu
teatro sério. O seu talento era o da improvisação, fácil,
natural, mas sem fôlego para composições que exigissem
amadurecimento, e para empreendimentos artísticos de larga
envergadura".
Fonte: encena
História do
Teatro no Brasil
O teatro brasileiro surgiu quando Portugal começou a fazer do
Brasil sua colônia (Século XVI). Os Jesuítas, com o intuito de
catequizar os índios, trouxeram não só a nova religião católica,
mas também uma cultura diferente, em que se incluía a literatura
e o teatro. Aliada aos rituais festivos e danças indígenas, a
primeira forma de teatro que os brasileiros conheceram foi a dos
portugueses, que tinha um caráter pedagógico baseado na Bíblia.
Nessa época, o maior responsável pelo ensinamento do teatro, bem
como pela autoria das peças, foi Padre Anchieta.
O teatro realmente nacional só veio se estabilizar em meados do
século XIX, quando o Romantismo teve seu início. Martins Pena
foi um dos responsáveis pôr isso, através de suas comédias de
costumes. Outros nomes de destaque da época foram: o dramaturgo
Artur Azevedo, o ator e empresário teatral João Caetano e, na
literatura, o escritor Machado de Assis.
Fonte: encena

Teatro dos jesuítas - Século XVI
Nos primeiros anos da colonização, os padres da chamada
Companhia de Jesus (Jesuítas), que vieram para o Brasil, tinham
como principal objetivo a catequese dos índios. Eles encontraram
nas tribos brasileiras uma inclinação natural para a música, a
dança e a oratória. Ou seja: tendências positivas para o
desenvolvimento do teatro, que passou a ser usado como
instrumento de "civilização" e de educação religiosa, além de
diversão. O teatro, pelo "fascínio" da imagem representativa,
era muito mais eficaz do que um sermão, pôr exemplo.
As primeiras peças foram, então, escritas pelos Jesuítas, que se
utilizavam de elementos da cultura indígena (a começar pelo
caráter de "sagrado" que o índio já tinha absorvido em sua
cultura), até porque era preciso "tocar" o índio, falando de
coisas que ele conhecia. Misturados a esses elementos, estavam
os dogmas da Igreja Católica, para que o objetivo da Companhia -
a catequese - não se perdesse.
As peças eram escritas em tupi, português ou espanhol (isso se
deu até 1584, quando então "chegou" o latim). Nelas, os
personagens eram santos, demônios, imperadores e, pôr vezes,
representavam apenas simbolismos, como o Amor ou o Temor a Deus.
Com a catequese, o teatro acabou se tornando matéria obrigatória
para os estudantes da área de Humanas, nos colégios da Companhia
de Jesus. No entanto, os personagens femininos eram proibidos
(com exceção das Santas), para se evitar uma certa "empolgação"
nos jovens.

Os atores, nessa época, eram os índios domesticados, os futuros
padres, os brancos e os mamelucos. Todos amadores, que atuavam
de improviso nas peças apresentadas nas Igrejas, nas praças e
nos colégios. No que diz respeito aos autores, o nome de mais
destaque da época é o de Padre Anchieta . É dele a autoria de
Auto de Pregação Universal, escrito entre 1567 e 1570, e
representado em diversos locais do Brasil, pôr vários anos.
Outro auto de Anchieta é Na festa de São Loureço, também
conhecido como Mistério de Jesus. Os autos sacramentais, que
continham caráter dramático, eram preferidos às comédias e
tragédias, porque eram neles que estavam impregnadas as
características da catequese. Eles tinham sempre um fundo
religioso, moral e didático, e eram repletos de personagens
alegóricos. (continua)
A Origem e Evolução
do Teatro
A origem do teatro pode
ser remontada desde as primeiras sociedades primitivas, em que
acreditava-se no uso de danças imitativas como propiciadores de
poderes sobrenaturais que controlavam todos os fatos necessários
à sobrevivência (fertilidade da terra, casa, sucesso nas
batalhas etc), ainda possuindo também caráter de exorcização dos
maus espíritos. Portanto, o teatro em suas origens possuía um
caráter ritualístico.
Com o desenvolvimento do domínio e conhecimento do homem em
relação aos fenômenos naturais, o teatro vai deixando suas
características ritualistas, dando lugar às características mais
educacionais. Ainda num estágio de maior desenvolvimento, o
teatro passou a ser o lugar de representação de lendas
relacionadas aos deuses e heróis.
Na Grécia antiga, os festivais anuais em honra ao deus Dionísio
(Baco, para os latinos) compreendiam, entre seus eventos, a
representação de tragédias e comédias. As primeiras formas
dramáticas na Grécia surgiram neste contexto, inicialmente com
as canções dionisíacas (ditirambos).
A tragédia, em seu estágio seguinte, se realizou com a
representação da primeira tragédia, com Téspis. A introdução de
segundos e terceiros atores nas tragédias veio com Ésquilo e
Sófocles. Surgiu também a peça satírica: o conservador
Aristófanes cria um gênero sem paralelo no teatro moderno, pois
a comédia aristofânica mesclava a paródia mitológica com a
sátira política. Todos os papéis eram representados por homens,
pois não era permitida a participação de mulheres.
Os escritores participavam, muitas vezes, tanto das atuações
como dos ensaios e da idealização das coreografias. O espaço
utilizado para as encenações, em Atenas, era apenas um grande
círculo. Com o passar do tempo, grandes inovações foram sendo
adicionadas ao teatro grego, como a profissionalização, a
estrutura dos espaços cênicos (surgimento do palco elevado) etc.
Os escritores dos textos dramáticos cuidavam de praticamente
todos os estágios das produções.
Nesse mesmo período, os romanos já possuíam seu teatro,
grandemente influenciado pelo teatro grego, do qual tirou todos
os modelos. Nomes importantes do teatro romano foram Plauto e
Terêncio. Roma não possuiu um teatro permanente até o ano de 55
a.C., mas segundo é dito, enormes tendas eram erguidas, com
capacidade para abrigarem cerca de 40.000 espectadores.
Apesar de ter sido totalmente baseado nos moldes gregos, o
teatro romano criou suas próprias inovações, com a pantomima, em
que apenas um ator representava todos os papéis, com a
utilização de máscara para cada personagem interpretado, sendo o
ator acompanhado por músicos e por coro.
Com o advento do Cristianismo, o teatro não encontrou apoio de
patrocinadores, sendo considerado pagão. Desta forma, as
representações teatrais foram totalmente extintas.
O renascimento do teatro se deu, paradoxalmente, através da
própria igreja, na Era Medieval. O renascimento do teatro se
deveu à representação da história da ressurreição de Cristo. A
partir deste momento, o teatro era utilizado como veículo de
propagação de conteúdos bíblicos, tendo sido representados por
membros da igreja (padres e monges). O teatro medieval religioso
entrou em franco declínio a partir de meados do século XVI.
Desde o século XV, trupes teatrais agregavam-se aos domínios de
senhores nobres e reis, constituindo o chamado teatro
elisabetano. Os atores - ainda com a participação exclusiva de
atores homens - eram empregados pela nobreza e por membros da
realeza. O próprio Shakespeare, assim como o ator
original de Otelo e Hamlet, Richard Burbage, eram
empregados pelo Lorde Chamberlain, e mais tarde foram empregados
pelo próprio rei.
Na Espanha, atores profissionais trabalhavam por conta própria,
sendo empresariados pelos chamados autores de comédia.
Anualmente, as companhias realizavam festivais religiosos, e
sobretudo no século XVII, as representações nas cortes
espanholas encontravam-se fortemente influenciadas pelas
encenações italianas. Os nomes mais proeminentes deste período
(a chamada idade de ouro do teatro espanhol) foram Calderon
de La Barca e Lope de Vega.
Foi mais notadamente na Itália que o teatro renascentista rompeu
com as tradições do teatro medieval. Houve uma verdadeira
recriação das estruturas teatrais na Itália, através das
representações do chamado teatro humanista. Os atores italianos
deste, basicamente, eram amadores, embora já no século XVI tenha
havido um intenso processo de profissionalização dos atores, com
o surgimento da chamada "Commedia Dell'Arte", em que alguns
tipos representados provinham da tradição do antigo teatro
romano: eram constantes as figuras do avarento e do fanfarrão.
Devido às muitas viagens que as pequenas companhias de Commedia
Dell'Arte empreendiam por toda a Europa, este gênero teatral
exerceu grande influência sobre o teatro realizado em outras
nações. Um dos aspectos marcantes nesse teatro foi a utilização
de mulheres nas representações, fato que passou a se estender
para os outros países.
No século XVII, o teatro italiano experimentou grandes evoluções
cênicas, muitas das quais já o teatro como atualmente é
estruturado. Muitos mecanismos foram adicionados à
infra-estrutura interna do palco, permitindo a mobilidade de
cenários e, portanto, uma maior versatilidade nas
representações.
Foi a partir do século XVII que as mulheres passaram a fazer
parte das atuações teatrais na Inglaterra a na França. Na
Inglaterra, os papéis femininos eram antes representados por
jovens atores aprendizes. Na França, uma das atrizes que outrora
havia sido integrante do grupo de Molière passou a fazer
parte do elenco das peças de Racine. Therese du Parc,
conhecida depois como La Champmesle, foi a atriz que
primeiro interpretou o papel principal de Fedra, da obra de
Racine, tornando-se então uma das principais atrizes da
chamada "Commedie Française".
No Brasil, o teatro tem sua origem com as representações de
catequização dos índios. As peças eram escritas com intenções
didáticas, procurando sempre encontrar meios de traduzir a
crença cristã para a cultura indígena. Uma origem do teatro no
Brasil se deveu à Companhia de Jesus, ordem que se encarregou da
expansão da crença pelos países colonizados. Os autores do
teatro nesse período foram o Padre José de Anchieta e o
Padre Antônio Vieira. As representações eram realizadas
com grande carga dramática e com alguns efeitos cênicos, para a
maior efetividade da lição de religiosidade que as
representações cênicas procuravam inculcar nas mentes
aborígines. O teatro no Brasil, neste período, estava sob grande
influência do barroco europeu.
Ao cabo do século XVIII, as mudanças na estrutura dramática da
peças foram reflexo de acontecimentos históricos como a
Revolução Industrial e a Revolução Francesa. Surgiram formas
como o melodrama, que atendia aos gosto do grande público.
Muitos teatros surgiram juntamente com esse grande público.
No século XIX as inovações cênicas e infra-estruturais do teatro
tiveram prosseguimento. O teatro Booth de Nova York já utilizava
os recursos do elevador hidráulico. Os recursos de iluminação
também passaram por muitas inovações e experimentações, com o
advento da luz a gás. Em 1881, o Savoy Theatre de Londres foi o
primeiro a utilizar iluminação elétrica.
Os cenários, assim como o figurino, procuravam reproduzir
situações históricas com um realismo bastante apurado. As
sessões teatrais, em que outrora encenavam-se várias peças novas
ou antigas, foram passando a ser utilizadas apenas para a
encenação de uma peça. Todas as inovações pelas quais o teatro
foi passando exigiram o surgimento da figura do diretor, que
trata de todos os estágios artísticos de uma produção.
Ao final do século XIX uma série de autores passaram a assumir
uma postura de criação bastante diversa da de seus predecessores
românticos, visando a arte como veiculo de denúncia da
realidade. Escritores como Henrik Ibsen e Emile Zola
foram partidários dessa nova tendência, cada qual com sua
visão particular.
O teatro do século XX caracteriza-se pelo ecletismo e pela
grande quebra de antigas tradições. O "design" cênico, a direção
teatral, a infra-estrutura e os estilos de interpretação não se
vincularam a um único padrão predominante. Entretanto, pode-se
dizer que as idéias de Bertolt Brecht foram as que mais
influenciaram o teatro moderno. Segundo dizia Brecht , o
ator deve manter-se consciente do fato que esta atuando e que
jamais pode emprestar sua personalidade ao personagem
interpretado. A peça em si, por sua vez, assim como a mensagem
social nela contida, deveria ser o supremo objeto de interesse.
Para tanto, os espectadores deveriam ser constantemente
lembrados que estão vendo uma peça teatral e que, portanto, não
identifiquem os personagens como figuras da vida real, pois
neste caso a emoção do espectador obscureceria seu senso
crítico.
Dado o seu temor no caso dos atores mostrarem-se incapazes de
desempenhar os papéis com tanta imparcialidade, Brecht
utilizou vários recursos que libertariam as encenações de
quaisquer ilusões de realidade que poderiam ser criadas nas
mentes dos espectadores. A cenografia se dirigia a muitos
efeitos não-realísticos, assim como as próprias atividades de
mudança de palco podiam ser vistas pelo público. No teatro
contemporâneo tanto as tradições realistas como as não-realistas
convivem simultaneamente.
http://liriah.teatro.vilabol.uol.com.br/historia/
Santo Agostinho em
defesa do teatro
por Cyro del Nero

Velarium
Uma das
grandes transformações nos edifícios teatrais herdados da Grécia
foi criada pelos romanos que resolveram cobrir os teatros com um
velarium, para defender o público do sol e da
chuva. E convocaram a Marinha, porque somente marinheiros – nos
mares ou na terra – conheciam técnicas de cobrir grandes espaços
com tecidos e dominar vento e água.
No Coliseu, os
marinheiros distribuíram cordas em rede simétrica sobre o vão do
Teatro, esticando enorme lona; fincaram mastros no perímetro
mais alto do edifício circular; fincaram pequenos postes de
pedra no chão por fora e ao redor de todo o teatro (que ainda
hoje podem ser vistos) e passaram cordas que, partindo dos
ilhoses nas lonas, passavam pelos altos mastros e desciam
inclinadas até os postes do chão onde eram esticadas e fixadas.
Foi uma operação naval, algumas vezes repetida em outros teatros
romanos e até em teatros na África.
Os teatros
romanos fora do continente europeu foram freqüentados por
políticos e intelectuais e inclusive por um santo nascido no
deserto da Numídia, Agostinho, quando bispo da região de Hippo
no século 4 dC. Sabe-se que ele assistia teatro em Cartago sob
um velarium. Agostinho, por ter sido amante do teatro,
foi providencial, pois mais tarde ele fez a defesa da
sobrevivência do teatro.
A história dos
objetos na cenografia
por Cyro del Nero

Os objetos de
cena sempre foram definidos pelo diretor em união com o trabalho
do cenógrafo que então vai definir volumes e cores e, sobretudo
locais onde estes deveriam estar.
Foi
Antoine no século XIX quem recusou objetos pintados e
truques ilusionistas exigindo objetos reais, materiais trazendo
sinais de sua existência anterior, de um passado reconhecível e
táctil.
Efeitos sim,
mas verdadeiros. Antoine nos revelou a teatralidade do real.
Entretanto em grandes escalas isso não é possível. Por exemplo,
as ondas fictícias do rio Reno em encenação de Bayreuth sob a
direção e a cenografia de Wieland Wagner. Foi a luz que fez o
rio mover-se. Nem uma gota do próprio entrou no palco,
naturalmente.

Mas Antoine
foi mais longe. Colocou carne crua pendurada no palco no
espetáculo Os Açougueiros em 1888. Um pouco ingênuo disseram. No
espetáculo moderno que foi A Casa de Chá do Luar de Agosto havia
uma rubrica solicitando um Jeep no palco. Mas o compromisso
dessa teatralidade do real é muito grande.
Muitas vezes é
disfarçada a falta de importância do objeto de cena pintando-o
apenas. Se você o pintar ele não sairá da parede. Mas se você
coloca na parede de um cenário uma vistosa e real espingarda, é
necessário que um ator dê um tiro no segundo ato.

Gesamtkunstwerk:
a ópera de Richard Wagner
por Cyro del Nero

Para Richard
Wagner a ópera é uma
Gesamtkunstwerk: gesamt é reunida, total; kunst é arte e
werk é obra. Uma obra de arte total, onde deve ser restaurada a
unidade perdida da poesia, da música e da dança em um só
espetáculo.
Ele escreve:
E isto deve ser realizado sobre o modelo da tragédia grega.
A obra de arte do futuro deve reencontrar a síntese destruída
pelo cristianismo. Deve ter a valorização do texto que é
masculino, o qual deve então se unir à música, elemento
feminino. Deve-se abandonar a história e buscar o mito, pois só
o mito realiza a transposição da idéia para a emoção, que é a
finalidade da obra de arte. Só o mito pode ser ao mesmo tempo
popular, nacional e universal. Palavras de Richard Wagner.
Daí, Wagner
ter recorrido à mitologia germânica, que já havia sido
redescoberta na literatura depois do romantismo.
Mas onde
Wagner realizou suas idéias foi, realmente, na sua música e no
edifício teatral que mandou construir para ela. Nesse edifício,
o Teatro de Bayreuth, a encenação que fez olhando o futuro da
obra de arte tinha a cenografia de suas obras ainda de costas,
olhando o passado, ainda recorrendo à arqueologia. Ele via o uso
da plástica do teatro como que por um espelho retrovisor, embora
fosse um visionário da música.
As Glórias
por Cyro del Nero

A Bíblia é
extremamente teatral e inspiradora. No período do teatro mais
pagão, no período barroco – um espetáculo mundano, longe de
qualquer referência cristã, tinha que terminar gloriosamente.
Foi o cristianismo quem criou a verticalidade teatral. A
ascensão é o elemento mais glorioso já criado para o final de um
espetáculo. Mesmo que o espetáculo seja sobre os deuses pagãos.
É necessária uma visão celestial, apoteótica, para o resumo
final dos conceitos, das intenções do texto, dos feitos e
efeitos.
Mesmo que o
cenário seja sobre os Babilônios séculos antes de Cristo, devem
subir do limbo posterior do palco, atores e cantores sentados em
nuvens como nas imagens sagradas, fazendo o papel de santos,
profetas e apóstolos encimados pelo próprio Cristo. Mesmo num
contexto pagão da Babilônia. E as cabeças estarão coroadas por
esplendores, como nas pinturas das paredes dos templos cristãos.
Tudo isso encenado e armado em estruturas pantográficas subindo
lentamente num efeito extasiante, reservado para os aplausos,
para os gritos e assobios coroando o Gran-finale. Eram nessa
época as chamadas Glórias.
Nada melhor do
que as glórias que arrancadas das ascensões dos profetas
bíblicos serviam o teatro de qualquer gênero. Cobria-se a glória
pagã, a inteligência pagã, a beleza pagã, os mitos pagãos com o
manto diáfano do cristianismo. Isso era necessário para dar
gigantismo aos espetáculos cantados – porque na época não se
falava com os deuses ou com Deus – cantava-se. Tudo era a
procura da grandiloqüência barroca.
Bibi
por Cyro del Nero

Muitas vezes é
cheia de surpresas a convivência com profissionais de teatro que
têm uma visão autorizada e única transformando qualquer texto,
no texto que querem fazer. Bibi Ferreira recebeu um texto
extremamente dramático de um jovem e talentoso autor. A peça se
referia a uma personagem que era um escritor em luta com suas
personagens complexas, ainda não resolvidas e impertinentes.
Durante o espetáculo o destino das personagens seria resolvido
com um final extremamente inteligente.
Na visita ao
apartamento de Bibi o autor desejoso de que ela dirigisse o
drama seriíssimo que ele havia criado e que segundo ele só ela
poderia fazê-lo, ficou nervosamente esperando o veredicto da
diretora. Ela com aqueles olhos cheios de certeza e de uma longa
experiência sobre o que era e o que não era o teatro, carregando
em si o palco e as lutas teatrais como uma longa herança, filha
que era de um grande ator, finalmente olhou-o duramente e lhe
disse:
- Seu texto
não é um drama. É uma comédia e é uma comédia que faremos.
O jovem autor
nunca imaginara aquilo e paralisado sentiu-se entre surpreso,
decepcionado e tonto, sem atinar com o que havia ouvido. Mas
como? Não há sinais do cômico e as personagens são nobres, mais
para a tragédia do que para a comédia. Comédia?
Durante as
duas horas que esteve com a Bibi o autor teve que inverter a
visão de seu texto e conseguiu compreender afinal a visão da
genial atriz e diretora. Ela tinha razão: que maravilhosa
comédia seria esse texto que ele escrevera com tanta
ingenuidade. Era a sua criação teatral de um momento humano
risível, talvez mesmo pela seriedade que as personagens se
davam. Bibi tinha a razão não só de uma real criadora teatral,
mas de um ser humano muito apto para compreender a tragédia ou a
comédia humanas.
E o espetáculo
foi um sucesso.
Konstantin
Stanislavski
e a Gramática da Representação
por Cyro del Nero

Konstantin
Stanislavski – é o autor de uma verdadeira gramática da
representação numa forma que pretende ajudar o ator iniciante e
ser útil ao ator experiente. Considerando o valor da obra desse
Diretor do Teatro de Arte de Moscou, a Enciclopédia Britânica
procurou o notável ator americano e professor de atores – Lee
Strasberg – e pediu a ele que se incumbisse do texto referente
ao teatro. E ele o fez em 1959 e intitulou seu texto
REPRESENTAÇÃO.
Ele que talvez
seja o professor dos sussurros de Marlon Brando e das peraltices
da atuação de James Dean, foi um dos professores fundadores do
Actor´s Studio de Nova York e o principal divulgador das teorias
de Stanislavski.
Segundo
Strasberg o que Stanislavski fez foi revelar que o ator não
deveria subir ao palco para representar, mas para atuar
desempenhando as atividades exigidas do personagem. Como se a
entrada no palco fosse a continuação de circunstâncias
previamente ocorridas. Como se fosse a continuação de uma ação
anterior. A entrada da memória. Que o ator carregasse uma
memória, uma emoção rememorada na tranqüilidade, como dizia o
poeta Woodsworth; como se sua arte viesse de uma interseção
entre a arte e a vida como dizia George Bernard Shaw. Seria a
repetição de emoções reais anteriormente experimentadas.
Stanislavski
foi a Bíblia dos atores do século XX. No século XXI, ele ainda o
é?

Para Stanislavski, Maria Yermolova
representava o ápice da arte de representar
Constantin
Stanislavski (Moscou, 5 de Janeiro de 1863 — Moscou, 7 de Agosto
de 1938) foi um ator russo.
Ator desde os
catorze anos, foi um dos fundadores do Teatro de Arte de Moscou,
criador do Sistema Stanislavski de atuação realista, ainda hoje
básico na arte da representação.
Nascido numa
família rica, sua primeira apresentação ocorreu quando ainda
tinha sete anos. Logo no início de sua carreira (provavelmente
com o intuito de preservar o nome da família, posto que a
atividade do ator não era bem vista), adotou o sobrenome
Stanislavski. Em algumas traduções seu nome é escrito
‘Konstantin Stanislavsky”.
Em 1888,
Stanislavski fundou a Sociedade Literária e Artística do Teatro
de Maly, onde ganhou experiência de palco e atuação. Dez anos
depois, foi co-fundador do Teatro de Arte de Moscou (MKhAT),
junto a Vladimir Nemirovich-Danchenko. Ali foi diretor de Anton
Chekhov, que tornou-se-lhe discípulo. A peça A Gaivota foi das
primeiras apresentações de ambos, ali.
Ali, no Teatro
de Arte, foi que começou a desenvolver o seu famoso “Sistema
Stanislavski”, baseado na tradição realista de Aleksandr
Pushkin. (freqüentemente chamado “método”, isto na verdade é uma
imprecisão técnica, pois o Método foi desenvolvido a partir
daquele).
Teatro e Ironia
por Cyro del Nero

Havia um
diretor teatral belga entre nós.
Maurice Vaneau. Mais
que um diretor, ele foi um animal teatral. Há muito tempo, quase
meio século, ele veio com o teatro belga e aqui ficou para
sempre. Ensinou-nos muita coisa. Ensinou-nos a não levarmos o
teatro a sério. Quanto menos sério mais verdadeiro. Testemunhou
a brincadeira que é e deve ser o teatro e nos lembrou sempre que
o sangue do teatro é a ironia, a sagrada ironia ou mesmo a
ironia da farsa.
A ironia do
destino de Édipo, a ironia de Sócrates nos diálogos de Platão, a
triste ironia da morte dos amantes de Verona. Qualquer ironia. A
ironia é o sal da vida e esse belga entre nós vivia da ironia. A
ironia era a sua vitamina e uma forma de dar conhecimento,
iluminação.
Com seus
gestos adotou a Commedia dell’Arte e encarnou ele mesmo os seus
atores no palco e fora dele. A pantomima como gesto. Arlequino
sempre. Dirigiu óperas e durante a produção de uma delas – O
Barbeiro de Sevilha – sugeriu à produtora alemã que a personagem
do oficial do exército usasse medalhas no peito e… nas costas.
Seria a primeira personagem da história do teatro – talvez – a
usar medalhas nas costas. Ouviu protestos violentos. Ele riu
muito. Ele nos ensinou também a fazer cenários com a produção de
materiais já existentes. E na peça
Casa de Chá do Luar de Agosto
colocou um jeep no palco. Creia ou não, foi o primeiro cenário
brasileiro não construído, mas produzido. Isto nos anos 50.
Maurice Vaneau foi um velho
companheiro afastado do teatro. Se Deus criou alguém para viver
num palco e produzir todo o suor e o ruído da história sagrada
do teatro, criou o Maurice.
Theatrum Sacrum:
a apoteose da alma pela arte Barroca
por Cyro del Nero

Arte barroca mineira de Ataíde –
Igreja de São Francisco de Assis
O Barroco
pretende a alma em apoteose. Apesar de ser o Barroco uma idéia
pré-concebida em um Concílio da Igreja Romana, ele se conserva
como forma ideal para os artistas de sempre, os que acreditam
ter a existência humana apenas uma finalidade: glorificar a
Deus. Barroco é a forma sujeita às curvas que deformam e
exaltam, aspiram e se destinam aos céus.
Ganhamos o
barroco no Brasil através de rabiscos e informações de oitiva
que chegaram até os nossos gênios plásticos que o instituíram em
nossa história da arte. Nosso barroco tem um signo de importação
de idéias aclimatadas, mas com o indisfarçável gênio da terra.
Não observando
mais as regras rígidas do Renascimento, o Barroco passa a
representar os aspectos emocionais e o sentimento religioso. O
Barroco abandona as linhas retas e busca o dinamismo de curvas e
contracurvas, procura a verticalidade ou subidas e volutas e
passa a unir num só conjunto, a arquitetura, a escultura e a
pintura, com um resultado total decorativo. Em resumo, cria o
pictórico em três dimensões. Essa fusão de escultura e pintura
integradas à arquitetura foi chamada de Theatrum Sacrum,
Teatro Sacro.
Simbologias dos
espaços no Teatro Grego
por Cyro del Nero

Representação de como seria um teatro grego
O
teatro grego tinha em sua cena,
três portas. A porta central era o interior do palácio de
Tebas, por exemplo, de onde
saia e entrava o ator representando
Édipo Rei. A porta da direita
de quem estava na platéia era a porta de entrada do
gineceu, ou seja, dos aposentos
femininos. A porta da esquerda do público era a porta por onde
chegavam e partiam os estrangeiros.
Por que isso?
É claro que a porta central era a porta do poder, daquele a quem
pertencia o palácio. Em grego a palavra gineca quer dizer
mulher, portanto o gineceu, a porta da direita, pertencia aos
aposentos de
Jocasta, mãe e esposa de
Édipo.

1 - Édipo
Rei e a Esfinge, de Gustave Moreau -
2 - Representação de um gineceu. vaso “um tear no gineceu do
século 500 /550 aC.
Há teorias
sobre esta simbologia da direita e da esquerda.
Vitório Gassman o ator
italiano, diz que o par e o ímpar são influentes na
representação teatral como também à esquerda e a direita do
palco. Há na maioria dos quadros da
Renascença à esquerda do
retratado a maior distância da paisagem e os planos mais
próximos estão à direita.
Existem os
historiadores que relacionam a proximidade da direita e a
distância da esquerda, a nossa mão direita que nos traz as
coisas para a nossa proximidade e a mão esquerda, que as perde.
Há também a possibilidade de que os gregos apenas representavam
no
Teatro de Dioniso em Atenas, na
porta da esquerda, a saída e entrada de estrangeiros porque
daquele lado estava o porto do Pirreu, chegada e saída de
estrangeiros na cidade.
Entretanto
sabemos que há uma instintiva proximidade de todas as coisas à
nossa direita e uma distância maior de todas as coisas que estão
à nossa esquerda.

Planta
arquitetônica representando o teatro de Dioniso
O Teatro nasceu das
religiões ou as religiões nasceram do Teatro?
por Cyro del Nero

Jean Louis Barrault
foi um célebre ator francês conhecido no Brasil através do
cinema. Foi o
mímico Baptiste no filme
Boulevard do Crime.

Dirigiu
durante anos a Commedie Française do Teatro Nacional da França.
Ele esteve com a Commedie em São Paulo em 1954, apresentando
Cristóvão Colombo de Paul Claudel e O Processo de Franz Kafka em
uma adaptação de André Gide.
Em sua
autobiografia, Barrault nos conta de sua amizade com
Antonin Artaud esse gênio profético do teatro, já em seus
últimos anos – diariamente drogado porque estava enfermo e não
estava enfermo, por estar drogado. Quem hoje se droga para ter o
gênio de Artaud comete um contra-senso.
Entre o que
Barrault ouviu de Artaud há testemunhos terríveis. Artaud
declarou:
- A tragédia
no palco já não me basta. Vou transportá-la para minha vida.
Muitas vezes pediu que Barrault, um genial mímico, o imitasse. E
vendo a imitação que o ator fazia dele, gritava:
- Roubaram
minha personalidade, Roubaram minha personalidade.
E escapava
correndo. Barrault se perguntava se o havia ofendido e chegava à
conclusão de que Artaud se havia passado para o outro lado.
Havia saído de seu próprio círculo, mas consciente disso. Artaud
se havia convertido e abandonando a si mesmo, mas conservava uma
fantástica lucidez.
Dizia: Para
curar-me do juízo que faço dos outros, disponho de toda a
distância que me separa de mim mesmo. Artaud morreu sentado na
beira de sua cama como se continuasse vivo. Morto, conservava-se
sentado, como se não quisesse abandonar a vida.
Foi ele quem
nos esclareceu a respeito da relação entre o Teatro e as
religiões. Ao contrário do que sempre se acreditou, Artaud nos
revelou que o Teatro não nasceu das religiões, mas que as
religiões nasceram do Teatro.
Sobre Antonin Artaud

Antoine Marie
Joseph Artaud, conhecido como Antonin Artaud (Marselha, 4 de
setembro de 1896 — Ivry-sur-Seine, Paris em 4 de março de 1948)
foi um poeta, ator, escritor, dramaturgo, roteirista e diretor
de teatro francês de aspirações anarquistas.
Ligado
fortemente ao surrealismo, foi expulso do movimento por ser
contrário a filiação ao partido comunista. Sua obra O Teatro e
seu Duplo é um dos principais escritos sobre a arte do teatro no
século XX, referência de grandes diretores como Peter Brook,
Jerzy Grotowsky e Eugenio Barba. Seus restos mortais se
encontram no Cimetiere de Marseille, França.
Para Artaud, o
teatro é o lugar privilegiado de uma germinação de formas que
refazem o ato criador, formas capazes de dirigir ou derivar
forças.
Em 1935 Artaud
conclui o “Teatro e seu Duplo” (Le Théâtre et son Double), um
dos livros mais influentes do teatro deste século. Na sua obra
ele expõe o grito, a respiração e o corpo do homem como lugar
primordial do ato teatral, denuncia o teatro digestivo e rejeita
a supremacia da palavra. Esse era o Teatro da Crueldade de
Artaud, onde não haveria nenhuma distância entre ator e platéia,
todos seriam atores e todos fariam parte do processo, ao mesmo
tempo.
O teatro de Louis
Jouvet
por Cyro del Nero

É sempre
Louis Jouvet, diretor teatral mais sábio que erudito e
excelente ator do teatro francês, quem nos revela o teatro. São
inúmeros seus ditos transformados em citações constantes pelos
homens do palco.
É dele a
afirmação de que os homens do palco são servos da imaginação do
poeta e prestam o serviço mais nobre ao teatro ao qual servem
com humildade. E os espectadores seguem com docilidade o poeta
dramático ao império desconhecido do teatro que não tem nada de
comum com o mundo sensível que nos cerca.
Ele diz:
“Durante vinte
e cinco anos, eu comi do tambor e bebi do címbalo como diziam os
iniciados em Eleusis. Eu passei por todos esses lugares de
prova, onde a reunião faz um Teatro. Ator, espectador,
maquinista, figurinista, aderecista, pintor, ensaiador e
iluminador, eu assumi todos os papéis: eu conheço todos os
trabalhos bizarros, insensatos, perniciosos e embriagadores da
cena e da sala. Eu experimentei o charme de suas feitiçarias e
de seus sortilégios: eu os preferi a esses que a vida cotidiana
oferece com sua gravidade dissimulada”.
A ousadia de Wieland
Wagner
por Cyro del Nero

Wieland Wagner
era neto do compositor Richard Wagner e após a Segunda Guerra
Mundial conseguiu autorização das tropas de ocupação na
Alemanha, para reabrir o Festival de Bayreuth e encenar
novamente as óperas de seu avô. Foi uma longa luta de cerca de
oito anos para a reabertura de Bayreuth que tinha sido durante o
período nazista, um santuário do nacional socialismo que
identificava sua doutrina com a mitologia germânica transformada
em espetáculo pelas óperas de Wagner.
Afinal
conseguiu e como encenador Wieland herdou também as teorias
plásticas e de iluminação do suíço Adolphe Appia. Encenador,
coreógrafo, diretor, cenógrafo, figurinista, Wieland só não se
aventurou como regente de orquestra.
Seus espaços
uniam as concepções de Appia quanto à tridimensionalidade
cenográfica, a iluminação e uma visão da arquitetura do período
românico, onde o menos é mais – que está coberto de emoção
religiosa. E isso servia a dois envolvidos com Wieland: a música
de seu avô Richard Wagner e a plasticidade dos projetos
cenográficos de Adolphe Appia.

Wieland foi
juntamente com o compositor Gustav Mahler regente de orquestra
em Viena, um dos dois maiores encenadores de óperas na primeira
metade do século XX. É célebre sua montagem considerada uma obra
prima realizada não em Bayreuth, mas sim em Berlim. E não era
uma ópera de Wagner, mas uma Aida de Giuseppe Verdi.
Homenagem a Paulo
Autran
por Cyro del Nero

Paulo Autran
é para sempre um deus que dormiu lá em casa. E ele foi muitos
outros personagens. Deu-nos tantos outros personagens, tantas
dores e tanto riso. Nós o vimos representar e através da piedade
e do medo sua representação nos purificou.
Quando descia
a cortina no final do espetáculo estávamos com emoções purgadas
porque ele havia dito durante duas horas que ele era quem ele
não era. E encarnando alguém que podia ser um de nós na platéia,
nos fazia vivenciar aquilo que temíamos ou queríamos para nós.
Os gregos
chamavam o ator de hipócrita, aquele que responde como se fosse
realmente personagem imaginada pelo autor. O ator nos libera
porque diz o que tememos. Na personagem da tragédia ele é um ser
superior àquilo que são os homens. Sem culpa ele perde a medida
e os deuses o castigam primeiro com a loucura e depois – em
geral – com a morte.
E na comédia
ele é um ser mais simples do que somos e o desenlace da ação
teatral é feliz e nos provoca o riso. Portanto toda essa
existência do ator no palco é dedicada à representação de uma
vida verdadeira e exemplar para que meçamos nossas dimensões, o
nosso possível, a tragédia ou a comédia de nossas vidas.
A primeira
atuação teatral profissional de Paulo Autran foi em Um deus
dormiu lá em casa. Hoje, com a liberdade que sua carreira lhe
deu ele pode com um sorriso assumir o Avarento de Moliére. A
maturidade é a melhor liberdade e no Avarento ele pode
manifestá-la. É preciso ir ver esse deus que dormiu lá em casa
em sua gentil, autorizada maturidade no exercício dessa
atividade divina que é o teatro, porque foi o teatro que gerou a
religião.
A ação do ator
é a realização da vida verdadeira. Ir ver Paulo Autran será
contemplar um horizonte percorrido por poucos e realizado com
graça e cultura.

Fotomontagem
sobre arquivo: Iza Calbo
A Voz
por Cyro del Nero

Você pode ter
um instrumento musical favorito e seu amigo pode preferir um
outro, mas a verdade é que seja qual for o instrumento, ele será
sempre um pedaço de madeira ou de metal que soa a partir do
exemplo da voz humana. Alguns se parecem mais com a voz humana e
o instrumento apontado como o mais semelhante é o violoncelo.
Mas todos eles reproduzem o grito ou o sussurro, a amargura ou a
doçura da voz humana.
A voz é
misteriosa e tanto é assim que você notará cantores referindo-se
a sua voz não dizendo a minha voz. Eles dizem a voz. Estou com a
voz hoje, ou a voz não está soando bem, etc. Há um
distanciamento entre cantor e a sua voz, como se ela fosse uma
outra existência dentro dele. Você cumprimenta um cantor sobre a
sua belíssima voz e ele quase se desculpa dizendo: é um dom de
Deus. Como se a voz não fosse dele.
Quando menino
já havia alguém que descobrira que havia uma voz que a ele
pertencia e que era um atributo especial.De onde vem a voz? É o
ar que vem dos pulmões que se movimenta através das cordas
vocais e sai pela boca? E como é que só isso possa encher de
sons musicais um teatro de 4.000 lugares, como o Metropolitan
Ópera House de Nova York, cobrindo com seu som a própria
orquestra completa e chegando até aquele público emocionado da
última fileira? É. É um dom de Deus.

Maria Callas: cantora
lírica de ascendência grega, considerada a maior celebridade da
Ópera no século XX e a maior soprano de
todos os tempos.
O Teatro como o
exercício da existência
por Cyro del Nero

O teatro é
feito de uma pessoa que representa uma segunda pessoa que é
olhada da platéia por uma terceira pessoa: essas três pessoas
são: o ator, a personagem e o público.
O ator tem a
capacidade de imaginar como essa terceira pessoa na platéia, o
público, reagiria enquanto ele representasse. Para tanto ele
projeta mentalmente sua personagem e com ela, a si mesmo.
Essas
introjeções e projeções simultâneas nos lembram Thomas Mann
dizendo que existe uma afinidade natural entre arte e a
patologia. O próprio Salvador Dali dizia que ele e um louco eram
iguais, com a diferença de que ele não era louco.
Uma das armas
do ator, a primeira antes do espetáculo, é o espelho que permite
que o ator e sua personagem vejam a imagem que será vista pelo
público. Diante de um espelho ele sabe o efeito que causará. É
um jogo profundamente humano e nós estamos sempre assim diante
do espelho examinando que efeito nossa persona causará aos
outros.
Representamos
nos vestindo, nos penteando, nos maquiando, sorrindo e falando
para o espelho e depois saímos à rua para o público do grande
teatro do mundo. O teatro além de ser uma explicação das
relações é também o exercício da existência.

A exatidão e a
inabalável certeza bachiana
por Cyro del Nero

Considerando o
aspecto matemático da obra de Johann Sebastian Bach e seu poder
lírico e transcendental, a Paixão segundo São Mateus não parece
ser a obra que mais facilmente inspiraria uma revolução criativa
(cênica, sobretudo) como a que atingiu o encenador Gordon Craig,
que foi quem criou os cenários e dirigiu o espetáculo.
Se, por
exemplo, pudermos imaginar um trabalho criativo com a Arte da
Fuga ou a Oferenda Musical, o que resultaria como conseqüência
das informações advindas destas obras tão complexas da teoria
musical?
Uma iluminação
conceitual veio para Craig da Paixão Segundo São Mateus, obra
dramática, o quinto evangelho, e vinda de um outro mundo para
nos entregar vibrações numa língua sensorial, mas intraduzível.
E, nesta obra, a exatidão e a inabalável certeza bachiana, o
domínio absoluto sobre o caos como nunca se havia ouvido na
história da música, as vozes e os instrumentos bem temperados, o
uso soberano das 24 tonalidades, o uso dos tons maiores e,
sobretudo os menores usados para endossar a tendência luterana
pietista de ser fiel à palavra sagrada.
Que
maravilhoso teatro a ser desvendado existe em Bach!!!
A oratória como
conseqüência do amor dos gregos pela palavra
por Cyro del Nero

Não podemos
imaginar como era isso, mas os gregos não conseguiam ler sem
dizer as palavras. Só liam em voz alta. A escrita era para ser
compartilhada. E os autores liam suas obras para o público.
Historiadores faziam isso nos degraus dos templos. Ir ouvir era
um programa ateniense.
A palavra
escrita não tinha marcas de pontuação regular e não havia
títulos. Havia o que se chamou de escrita do arado andando da
esquerda para a direita e voltando da direita para a esquerda.
Muitas vezes não havia espaço entre as palavras.
As cópias de
textos eram raras e inacessíveis. Não havendo livrarias, a
circulação de textos não era pública, mas pessoal. Os gregos
preferiam falar e ouvir. Sua arquitetura pública era a de um
povo que gostava de conversar: em grandes teatros ao ar livre ou
espaços cobertos para a música. Ou ainda, espaços com uma
fileira de colunas estruturais, as, onde os filósofos apoiados
nas colunas liam e discutiam. Quem filosofava nas stoas era
chamado de estóico. Para cada grego que lia uma tragédia havia
milhares que a haviam assistido no teatro, colaborado ou atuado
nela porque os jogos dramáticos envolviam grande parte da
população de Atenas.

Heródoto o
historiador lia publicamente seus textos. Platão dizia que as
palavras escritas não podiam ser imediatamente questionadas e,
portanto as idéias ficavam impedidas de serem corrigidas ou
refinadas. E pior ainda: enfraqueciam na memória. Sócrates nunca
escreveu uma só palavra e o texto de Platão tem a forma de
diálogo, de conversação, de tudo o que ele mesmo ouviu de
Sócrates.
A oratória era
uma alta forma cultural e a última conseqüência do amor dos
gregos pela palavra. Foi devido à oralidade do povo grego que o
Teatro grego floresceu.

O rito das
celebrações no universo teatral
por Cyro del Nero

A duração da
existência foi sempre dividida entre ritos e celebrações. Por
exemplo, os ritos que exorcizam a morte, esse acontecimento
indesejado, mas compreendido como início de uma nova existência.
Ou as quatro estações que são recebidas com rituais de Primavera
– nascimento e floração, Verão – alegria, Outono – crepúsculo e
Inverno – morte.
Celebrações
são criadas pelo homem e há sempre aquela da espera da volta do
sol após o Inverno. Em cima da festa pagã milenar do solstício,
comemorando a volta do sol no hemisfério norte, em dezembro, a
Igreja cristã colocou a celebração do nascimento de Jesus
Cristo, substituindo a festa pagã que já existia nessa data.
O ciclo de
vida, paixão e morte de Jesus Cristo, resultou na missa
católica, sem que hoje nos lembremos de seus primitivos e
totêmicos símbolos. Estando eles comendo, tomou Jesus o pão e,
tendo dado graças, partiu-o e deu aos seus discípulos, dizendo:
Tomai e comei! Este é o meu corpo. Tomando o cálice, rendeu
graças e o ofereceu dizendo: Bebei dele todos porque este é o
meu sangue.
As celebrações
teriam gerado as origens do teatro? O teatro deu forma às
celebrações?
Quando o homem
teve que explicar o mistério da vida, inventou o teatro como
única linguagem decifradora.
Rito pagão – Magick Circle /
Sir Waterhouse
por Cyro del Nero

A música é uma
extensão da palavra. Um dia saberemos o que quer dizer cada
palavra pronunciada pelos sons. Haverá então um código tradutor.
Será criada uma máquina que traduza a música em palavras,
criando uma nova língua, a qual, por sua altura incorpórea,
deixará perplexos os poetas. Por agora, apenas sentimos as
palavras da música. Para alguns ela é apenas som, para outros
ela é significante. Quem compôs, disse, escreveu, foi movido
pelo desejo de palavras que eram fantasmas da emoção traduzidos
em propósito pronunciável apenas em gestos sonoros.
A música é uma
escrita simbólica cuja recepção é tão pessoal que a faz
compreensível apenas através do espírito de quem ouve e de quem
a traduz para si mesmo de maneira intransmissível. A música é um
pronunciamento através de diversos ritmos cardíacos que não
poderíamos descobrir – até ouvi-la.
Música faz
dançar o corpo, traz uma redundância rítmica para atender
aspirações e distribui tempos diversos para a respiração e cada
um deles atende a procura de uma solução espiritual específica.
A música é uma
explicação surpreendente, inesperada, faz a arqueologia daquilo
que só ela pode descobrir em nós. A verdade é que tememos que
ela se transforme em palavras a não ser que queiramos um
vocabulário que com suas chamas nos cale e consuma. A música é
uma comoção cuja grandeza conseguimos ainda suportar.
As transformações no
teatro brasileiro
por Cyro del Nero

As
transformações na construção de um espetáculo teatral brasileiro
foram inúmeras a partir do Teatro do Estudante de Paschoal
Carlos Magno e depois do Teatro Brasileiro de Comédia. A seguir
vieram o Oficina e o Teatro de Arena.
Para quem
participou das reuniões de mesa para definição do espetáculo,
foi possível assistir os processos mais díspares. Até que em
certo momento da história teatral brasileira, adentrou as
reuniões o esquema da criação coletiva.
O Teatro é um
mistério e muitos elementos podem determinar seu sucesso ou seu
fracasso. Um dos mais ativos agentes dos resultados positivos ou
negativos é a família teatral. A composição, a energia, a
simbiose criativa, a afetividade e, sobretudo, a ética do elenco
que é a família teatral. Mas a grande experiência funcional do
teatro é ter-se um diretor com uma idéia clara e bem composta,
complexa e com propósito amadurecido e entusiasta.

Teatro Oficina
Algo extraordinário eram os
primeiros encontros do elenco com seu diretor ao redor de uma
mesa para ouvir pela primeira vez sobre o que fariam com o
texto. Alguns diretores chegavam com a certeza do que se devia
fazer e essa certeza chegava já em sua maturidade. Não havia nem
sombra da possibilidade do diretor perguntar: o que vocês acham?
Flávio Rangel abria caminho
como a proa de um navio no oceano das dúvidas. José Celso chega
com a conversão à sua alucinação e a profetiza. Mas gloriosa era
a experiência de ouvir na primeira reunião os sonhos de
Ziembinsky. Ele trazia no bolso o registro da gênese das
personagens de Charles Dickens e conhecia o passado de cada uma
dessas personagens pelo menos há quatro gerações. E os atores
ficavam procurando onde diabo Ziembinsky havia tirado toda
aquela genealogia. Onde tudo aquilo estaria escrito? Ele havia
tirado de si mesmo e da sua vivência dos textos teatrais.
Evolução Teatral:
dos mosteiros alemãos e conquistas territoriais ao futuro
renascentista da Mandrágora de Maquiavel
por Cyro del Nero

No momento da
construção do primeiro mosteiro, os primeiros santos estavam
sendo canonizados e uma solitária e culta monja alemã –
Hroswitha de Gandersheim – escrevia uma peça teatral litúrgica e
reinventava a dramaturgia a partir de Sêneca*.
Enquanto isso,
a ordem beneditina encenava pelas ruas da Europa católica o
Drama do Cristo Rei. As farsas teatrais haviam surgido na virada
do século X e Constantinopla era ainda a cidade mais importante
do mundo, comercialmente e culturalmente, na qual eram
conservadas duas culturas para o futuro, a grega e a romana, até
que a capital do Bizâncio em uma terça feira chamada terça-feira
negra em 29 de Maio de 1453 é tomada pelos Otomanos.
São fundadas
na época as universidades de Córdoba e do Cairo e é iniciada a
construção da Catedral de São Marcos, em Veneza, para onde são
levados os cavalos do Hipódromo de Constantinopla.
Começa a ser
concebido um sistema de notação musical que será desenvolvido
por Guido D’Arezzo e no final desse século se verá o
aperfeiçoamento da pólvora pelos chineses. E o teatro renasce,
atravessa as ruas e os currais da idade média e será iluminado
por um futuro próximo, renascentista. Chegarão os dias quando se
ouvirão os versos da Mandrágora de Maquiavel.
*Lúcio
Aneu Séneca (português europeu) ou Sêneca (português brasileiro)
(em latim: Lucius Annaeus Seneca; Corduba, Hispânia, 4 a.C. —
Roma, 65 d.C.) foi um dos mais célebres escritores e
intelectuais do Império Romano. Conhecido também como Séneca (ou
Sêneca), o Moço, o Filósofo, ou ainda, o Jovem, sua obra
literária e filosófica, tida como modelo do pensador estóico
durante o Renascimento, inspirou o desenvolvimento da tragédia
na dramaturgia européia renascentista.
Os primeiros camarins da história
e a criação da Cenografia
por Cyro del Nero

Bosques Gregos
No início, em
600 antes de Cristo, os atores iam trocar de indumentária no
próprio bosque além do palco, atrás das árvores. Fato que
distraia a atenção do público. Decidiu-se então construir uma
tenda que seria o primeiro camarim da história. Tenda em grego é
‘skene’. Mas a porta desta ‘skene’ sendo no centro dela
continuava a roubar a atenção do público.
O público
continuava a tentar ver o que acontecia dentro da tenda enquanto
o ator se vestia. Alguém sugeriu algo lógico: virar a tenda ao
contrário de tal forma que a porta da mesma ficasse na parte
posterior, invisível, portanto. O público ganhou com isso a
visão de uma parede lisa no fundo da ação dos atores.
Segundo
Aristóteles, Sófocles sugeriu que se pintasse nessa parede
branca da tenda uma referência ao local da ação do espetáculo.
Que se pintasse nela a cidade de Tebas, por exemplo, para a
realização de sua tragédia, Édipo rei. Dois dos primeiros
pintores dos Concursos Dramáticos de Atenas foram Phormis de
Siracusa e Agatarcus. Um deles pintou a cidade e para isso usou
no centro da parede da ‘Skene’ um ponto de fuga, um ponto no
infinito, do qual puxou as linhas para representar em
perspectiva a cidade de Tebas.
Qual não foi a
surpresa de filósofos matemáticos como Demócrito e Anaxágoras,
quando reconheceram a invenção da perspectiva no Teatro de
Dioniso. Além do grafismo na ‘skene’, ou seja, a skenegraphein,
ou Skenographia, foi criada a Cenografia, como a chamamos hoje.
Mas também foi criação do teatro no século V aC., a perspectiva.

Pintura que representa a
socialização nos bosques gregos: os atores gregos
utilizam os bosques como locais de troca de indumentária.
A Um Morto na Índia
por Cyro del Nero


É muito
interessante que quanto mais pensamos nele mais forte se torna a
notícia de que ele morreu na Índia. Tendo ele nascido na
Paraíba. Ou então nos lembramos também de outro fato. Tomás
Santa Rosa estava no lugar certo no momento certo quando chega
da Polônia esse inventor do Teatro Brasileiro que foi Zbigniew
Ziembinsky.
Juntos
conseguiram dar uma forma inédita ao palco brasileiro. O
paraibano era um pintor e abandonara um emprego no Banco do
Brasil para viver a extrema felicidade que é viver com menos e
mais consigo mesmo. Tinha um só paletó que ele mesmo lavava no
seu quintal. Segundo testemunhas amigas era um paletó facilmente
reconhecível e inesquecível, listrado. Estava começando.
E chegou o dia
do Vestido de Noiva. Vestido de Noiva (foto que ilustra este
artigo) foi um espetáculo criado por Nelson Rodrigues e
realizado com a direção do mestre polonês. E cenários de Santa
Rosa. O genial trio criou o novo teatro.
Nelson fez a
revolução literária mais profunda do teatro brasileiro. Zimba
trazia do teatro polonês tudo o que não sabíamos – o que era
muita coisa. Foi o primeiro iluminador teatral do Brasil e gerou
alguns iluminadores geniais como Sandro Pollonio e Flávio
Rangel. Tirou o teatro do chão do palco criando dimensões
verticais onde as personagens eram diversas dependendo da altura
da qual diziam seus textos.
Santa Rosa da
Paraiba estava lá para desenhar e construir os cenários. Foi o
primeiro nome na galeria de cenógrafos modernos do Brasil.
Depois disso fez Orfeu e Eurídice, de Gluck, O Guarany, de
Carlos Gomes e dedicou-se quase exclusivamente à ópera. Mas o
Vestido de Noiva foi o batismo teatral de muitas gerações que
passaram a integrar a família teatral.
Um dia o
cenógrafo Tomás Santa Rosa decidiu ir à Índia e teve sua viagem
paga pelo Diário Carioca. Infelizmente em conseqüência de um
enfarte, morreu em Bombaim. Carlos Drummond de Andrade dedicou a
ele um poema em 1956. Chamava-se – A um morto na Índia.
Bob
Wilson e seu teatro de “visões”
por Cyro del Nero

Peer Gyant 1. Direção de Bob Wilson
Poeta
plástico, cenográfico (gráfico - que pratica o teatro com todos
os elementos visuais criados por ele mesmo e mais os seus
elementos sonoros). É um teatro feito de “visões” que
transcorrem lentamente, com propostas insólitas, belas e
poéticas. Tais visões desafiam nosso tempo interior e nos
conduzem quase por uma hipnose à reflexão conduzida por
Bob Wilson em espetáculos de
horas.
Filho de uma
família conservadora da Igreja Batista americana, a lembrança de
sua mãe é a de uma mulher sentada, ereta e de difícil
aproximação. Quando a mãe soube que o professor havia perguntado
a toda a classe de seu filho o que eles queriam ser quando
crescessem, e que Bob havia respondido que seria o rei da
Espanha, e que então, o professor havia comentado que esse
menino teria problemas. A mãe de Bob Wilson comentou
simplesmente sem sair de sua cadeira: “Eu não acho isso”.

O autismo do menino e a demora
até que começasse a falar o levou aos dezesseis anos ao encontro
de uma instrutora de dança, Miss Byrd Hoffman, que tinha setenta
anos. “Ela me dizia sobre a energia de meu corpo, sobre relaxar,
deixar fluir minha energia. Ela tocava piano e eu movia meu
corpo. Ela não me olhava. Nunca me ensinou uma técnica, nunca me
indicou um caminho, uma maneira de chegar lá. Foi mais no
sentido de que eu descobrisse por mim mesmo. O seu exemplo foi
importante para mim anos depois, quando eu desenvolvi meu
trabalho como artista”.
O sucesso não é uma ciência…
O Teatro é um mistério!
por Cyro del Nero

Há espetáculos bons e
maus. O Teatro é tudo menos o tédio, dizia Jean Louis Barrault.
Mas mesmo que um espetáculo seja dinâmico, dramático, comovente
e em ritmo correto superando o desconforto possível de uma
platéia, um espetáculo pode fracassar. O sucesso não é uma
ciência. O Teatro é um mistério.
Julian Beck disse que o
Teatro é um cavalo de pau com o qual podemos invadir a cidade.
Mas muitas vezes esse cavalo de pau pode ser desmascarado. Há um
livro de
Gogol cujo título é Almas Mortas. Gogol se referia aos
camponeses já falecidos que eram considerados vivos pelo dono de
uma propriedade rural para receber benefícios do governo. As
Almas Mortas.

Adaptado o livro para o
Teatro, Almas Mortas se mostrou ser um dos títulos de espetáculo
mais negativo já existente. Ninguém quer ver um espetáculo sobre
almas mortas. E Flávio Rangel encenou esse Gogol no Tbc, Teatro
Brasileiro de Comédia de Franco Zampari nos anos 60. Na primeira
noite já se revelou ser um fracasso à vista. E reunia um
excelente elenco tendo tido dois meses de ensaio. Mas a reação
do público foi negativa a olhos vistos. No dia seguinte o amigo
Antunes Filho foi ver o espetáculo do colega Flávio. No camarim
após o espetáculo Antunes foi cumprimentar o Flávio e este fez a
pergunta fatal:
- Antunes, o que você
achou?
Antunes, velho
companheiro, pôs um dedo na boca, pensou um pouco, e disse:
- Você tem que mudar
alguma coisa.
Flávio mais ansioso
ainda perguntou:
- O que, por exemplo?
Antunes agora parecendo
angustiado olhou fixamente o chão e depois de refletir uns
segundos disse, corajosamente, desabafando:
- Tudo, Flávio.
O espetáculo Almas
Mortas foi cancelado depois de alguns dias de representação por
falta de público.
Máscaras:
as relíquias do teatro grego
por Cyro del Nero

O carro de
Thespis, cheio de máscaras, é uma convenção lendária confirmada
pela existência de mármores atenienses onde se lê seu nome. E
há notícia de que nas suas primeiras apresentações dos concursos
dramáticos, onde compunha e cantava ditirambos, ele disfarçou
seu rosto com um pó, provavelmente um talco proveniente de
chumbo ou gesso, depois pendurou flores nos cabelos e mais tarde
passou a usar máscaras de linho que ele criava.
Choirilos, o ator, foi quem
agregou algo às máscaras que impressionou o público - não
sabemos o que - e Phrinicus criou as máscaras femininas. Após
essas alterações, o poeta trágico Ésquilo,
usou as primeiras máscaras coloridas e outras aterrorizantes.
A majestade do
edifício teatral grego, as obras monumentais que nos restaram
dos poetas trágicos, o sofrimento expresso na “máscara de
Agamemnom” do Museu do Pirreu, a ferocidade das máscaras da
Comédia, as ilustrações gloriosas do Teatro nos vasos durante
alguns séculos, são o retrato que ficou de tudo isso que
chamamos Teatro Grego.
O que não
sabemos é um território imenso: não sabemos dos textos de mais
de 150 poetas trágicos; não sabemos detalhes da arte do Ator, da
coreografia, da chironomia, da música; gostaríamos de saber
muito mais do Coro; nada sabemos da pintura e gostaríamos de
saber muito mais da qualidade plástica da Cenografia.
Entretanto, o
que ainda conhecemos do espetáculo da tragédia, foi chamado por
Nietzsche de “a mais elevada arte de dizer sim à vida”.

Máscaras gregas retratadas em
mármore
O
batismo
de Gordon Graig
em Moscou
por Cyro del Nero

Foi
Isadora Duncan quem recomendou um homem do teatro que ela amava,
a Stanislavsky, Diretor do Teatro de Arte de Moscou.
Gordon Craig,
o ator inglês, filho de uma atriz, Ellen Terry.
Ele
havia representado sete vezes na Inglaterra, o
Hamlet de Shakespeare.
Com tal recomendação, não pelo que já havia realizado, mas pela
credibilidade que gozava Isadora Duncan junto a Stanilavsky, o
jovem Craig foi convidado para ir à Rússia, iniciando lá a
fundação de uma nova modalidade de teatro através de sua obra
plástica.
Era
contemporâneo de Adolphe Appia e dividiu com este as teorias
sobre a plasticidade tridimensional necessárias para as
representações do teatro e da ópera. Criou cenários e
indumentária teatral. Sua cenografia ainda era experimental e
apesar de não ter sido realizada a contento gerou um grande
sucesso de crítica e uma repercussão mundial.

Última cena de Hamlet, de Craig
Apresentando
Craig ao elenco do Teatro de Arte de Moscou, como um grande
especialista em Shakespeare, Stanilavsky lhe perguntou:
- Mr. Craig o
senhor tem a palavra. O que é Hamlet?
O pedido inesperado pareceu a
Craig um absurdo, pois definir Hamlet não é passível de um
improviso. Entretanto Craig não podia devolver a palavra.
Foi o batismo de Gordon Craig
em Moscou.
*****
A
Comédia
por Cyro del Nero

O que
aconteceu foi isto: uma parelha de bois girava um longo tronco
que na outra ponta tinha uma grande pedra que girava sobre outra
pedra. E as duas pedras, trituravam sementes que se
transformavam em farinha. Essa era a eira dos bois. O percurso
circular dos bois criava um solo circular endurecido onde sob o
sol também eram secados os cereais. Mas em dias de festa
tiravam-se os bois e tiravam-se as pedras e se ganhava um
terreiro circular onde se podia dançar comemorando o início do
plantio ou da colheita.
Os gregos
deram o nome a esse piso circular de orquestra, que quer dizer -
local onde se dança. E a festa chamava-se festa do Komos. Era
uma festa muito alegre celebrando a fertilidade da terra e como
símbolo da fertilidade havia um grande falo esculpido exibido
como um totem. Foi o primeiro adereço de cena.
Era uma festa
dedicada à alegria, por serem aqueles os melhores momentos do
ano. E um dos participantes revelava possuir talento para a
farsa, para o histriônico, para a palhaçada e servia de
espetáculo. Até que alguém resolveu escrever um texto para ser
cantado e mais tarde um outro participante criou um texto com
diálogos cômicos. Desta festa do Komos nasceu a palavra Comédia.
Antes da tragédia, havia sido criada por camponeses da Grécia, a
Comédia.
(Foto:
http://academic.brooklyn.cuny.edu/classics/hansen/dionfest.htm) |