Com produção e atuação de
Gagliasso,Van Gogh é reinventado
"As
mãos que estão ao redor do meu pescoço são minhas". Esta
frase marca o início do último diálogo de Bruno Gagliasso
interpretando Vicent Van Gogh na peça Um Certo Van Gogh,
que estréia em São Paulo nesta sexta-feira. Em meio ao
ensaio, os jornalistas foram chegando à sala do Teatro Folha
na tarde desta quinta-feira e puderam ter uma prévia do
espetáculo produzido pelo ator.
Reproduções dos quadros do pintor holandês, que se matou com
um tiro em 1890, compõem o cenário em que a trama se
desenrola. Além de Gagliasso, os atores Marcelo Valle, Pedro
Garcia Netto e Larissa Bracher atuam na peça que mescla a
história de Van Gogh com a de um artista do século 21,
Timóteo, que se identifica com a vida e obra do pintor
impressionista. Ambos são vividos por Bruno.
"As pessoas vem esperando encontrar uma biografia e
encontram Van Gogh por outro viés, pelo olhar de um jovem.
Isso aproxima a platéia da peça. A transição de um
personagem para o outro (Van Gogh e Timóteo) vai ficando
clara aos poucos na interpretação do Bruno", afirmou o
diretor João Fonseca.
Personagens duplos e triplos
Todos os atores da peça interpretam mais de um personagem.
Além de Paulo, amigo de Timotéo, Marcelo Valle também vive
Gauguin, com quem Van Gogh estabeleceu uma relação de amor e
ódio no século 19.
Já Pedro Garcia Netto é Tito, irmão de Timóteo, e também
vive Theo, irmão do pintor holandês.
A atriz Larissa Bracher interpreta três mulheres na peça:
Juliana, namorada de Tito, Nicole e Yohanna.
Máfia A peça nasceu de uma idéia de Bruno Gagliasso que queria
recriar a vida de Van Gogh no palco. O ator estudava sobre a
vida do pintor e se identificou com sua história e vivência.
A partir daí, Bruno encomendou o texto para Daniela Pereira
de Carvalho e convidou o diretor João Fonseca para produzir
a peça com ele.
Os atores e profissionais foram escolhidos por Bruno, que já
trabalhou com todos, o que facilitou o entrosamento entre
eles em cena.
"Somos todos amigos e convidei pessoas que sabia que poderia
contar para realizar este projeto no qual trabalho há dois
anos. Temos idéia até de montar uma companhia de teatro
chamada Máfia com eles", contou.
Para se inspirar, Bruno Gagliasso chegou a colocar impressos
com as imagens dos quadros de Van Gogh na janela de sua
sala.
"É que eu gosto muito dos quadros dele e como não tinha
cortina no meu apartamento, colei uns papéis com as obras
impressas na janela", disse, arrancando risos dos outros
atores.
A peça estréia nesta sexta-feira e fará sua primeira
temporada fixa, após ter passado por várias cidades do
Brasil.
Um Certo Van Gogh
fica em cartaz até o dia 31 de agosto no Teatro Folha.
Depois, a peça segue para Campinas, interior paulista, e Rio
de Janeiro.
FONTE: Portal
Terra
Brincando
Em Cima
Daquilo
Depois
do sucesso na temporada no Rio de Janeiro, Débora Bloch, que
completa 27 anos de carreira, apresenta no Theatro São Pedro
seu primeiro monólogo: "Brincando Em Cima Daquilo", do casal
de autores italianos Dario Fo e Franca Rame.
"Brincando em Cima Daquilo" revela um mosaico
da mulher contemporânea. "Todas as personagens são mulheres
comuns que, como todas as outras, têm desejos, sonhos,
desilusões, encontros e desencontros. São mães, esposas e
amantes. O espetáculo é formado por três histórias. 'Uma
Mulher Sozinha', que é sobre uma mulher que é trancada em
casa pelo marido, 'Volta ao Lar' que fala sobre uma mulher
que resolve se vingar do marido e acaba no motel com o
colega de escritório e 'Temos todas as mesma estória' que
foi dividida em três partes", explica Débora que, sozinha em
cena, dança funk, samba e canta músicas românticas.
A atriz foi convidada para participar da peça
pelo diretor do espetáculo Otávio Müller durante a gravação
da minissérie JK. "O que me atraiu no projeto foi a
qualidade do texto, as personagens e o que está sendo
contado. Encontrei neste texto um retrato comovente da
condição feminina, independente de classe social, do país,
da época. Um sentimento que é universal, muito bem descrito
com tanta delicadeza, ternura e humor", conta a atriz.
Otávio Müller comemora 20 anos de carreira de
ator e assina, pela primeira vez, a direção de um
espetáculo. "Sou um ator que está diretor. O que me chamou a
atenção neste trabalho foi a possibilidade de abordar um
assunto atual. O texto fala sobre fantasias, sonhos e
paixões do universo feminino, sempre com bastante humor e
emoção, da boca pra fora, sem psicologias e psicologismos",
afirma Otávio, que foi convidado para estrear na função de
diretor teatral pelo produtor Eduardo Barata que divide a
produção com Débora Bloch. "Assisti várias vezes a montagem
feita pela Marília Pêra, na década de 80. Na época, fiquei
impressionado com a atuação da atriz. Comprei os direitos
autorais de 3 espetáculos que a Marília encenou. O
'Brincando...' é um deles", diz Barata, que divide a
produção com Débora Bloch.
O projeto reúne na ficha técnica dois
diretores em funções diferentes da de encenadores: Amir
Haddad, na dramaturgia e Bia Lessa, como cenógrafa
Paulo Szot no musical "South
Pacific"
TEATRO
1
'Oscar do teatro': Para
Paulo Szot, a era das divas terminou
Ainda sob a surpresa
de ter ganhado o mais importante prêmio do teatro americano,
o Tony Awards, o cantor brasileiro Paulo Szot disse que o
prêmio não muda nada na sua vida. "No dia-a-dia, não muda
nada. Vou continuar a fazer os oito shows por semana, mas é
muito bom ter o reconhecimento do público."
A declaração é
provavelmente exagerada, mas se encaixa a perfeição ao que
pensa Szot (pronuncia-se "xót"). Aos 38 anos, ele faz parte
de uma nova geração de cantores de ópera que quer
popularizar sua arte e se aproximar do público.
"A era das divas
terminou. Ainda bem", disse Szot em entrevista à BBC Brasil
duas semanas antes de ser premiado. "Faço parte de uma
geração que quer mudar a imagem do cantor de ópera. O cantor
inatingível aliena o público novo."
Szot afirmou que
ficou muito surpreso com o prêmio. "Não faz parte do
repertório brasileiro sonhar com um prêmio como o Tony
Awards. A Liza Minnelli (que anunciou seu nome) é um ícone
do teatro americano. Foi inacreditável."
Dança
Em 11 anos de
carreira como barítono, interpretando personagens como o
Conde de Almaviva em As Bodas de Fígaro e Escamillo
em Carmen, Szot nunca pensou em participar de um
musical.
Os testes para o
papel principal de South Pacific começaram em Nova
York justamente quando Szot estava em uma produção em
Boston, e ele só participou porque era perto.
"Eu achava que não
tinha nenhuma chance – um brasileiro, sem nenhuma
experiência na Broadway, para o papel de um francês morando
na Polinésia durante a Segunda Guerra Mundial... Mas meu
agente disse que o papel tinha sido escrito para um cantor
de ópera e acabei topando."
Durante os testes,
porém, Szot fez as quatro candidatas ao papel de atriz
principal chorarem quando cantou Some Enchanted Evening
e acabou levando o título. Agora que ganhou o Tony, o
barítono diz que seu cotidiano não deve mudar.
Szot diz estar
curtindo o desafio de cantar em um musical, ter uma relação
mais próxima ao público ("Eles cantam comigo") e poder
aprofundar-se na construção de um personagem.
O cantor diz
acreditar que, mesmo no mundo clássico da ópera, há um
movimento da geração mais nova de cantores para popularizar
o gênero.
Versatilidade
A versatilidade em
obter sucesso em dois tipos completamente diferentes de
performance musical pode ter raízes no fato de que Szot
começou sua carreira dançando.
Aos 18 anos, depois
de se formar em um colégio de freiras em Ribeirão Pires, no
interior de São Paulo, Szot recebeu uma bolsa do governo
polonês para estudar o idioma e acabou tomando aulas de
dança com professores russos que moravam em Cracóvia.
Três anos mais tarde,
machucou o menisco e seu médico disse que "poderia dançar
por mais três anos e nunca mais caminhar, ou deveria parar
imediatamente para poder caminhar até o resto da vida". "Foi
uma decisão traumática", conta o brasileiro.
Foi então que Szot
descobriu que a Companhia Estatal de Canto Slask estava
procurado cantores para o seu coral folclórico.
Szot conhecia todas
as músicas porque quando era pequeno passava o percurso de
Ribeirão Pires a São Paulo cantando com seus pais (Kazimierz,
ou Casimiro na tradução brasileira, e Zdislava, ou Dirce) e
seus quatro irmãos (Lúcia, Janina, Luciano e Jan) no banco
de trás do carro.
Ele cantou duas
músicas no teste e, às 7h do dia seguinte, já estava no trem
a caminho de um castelo em Koszecin, uma cidade pequena no
interior da Polônia, onde o grupo ensaiava.
"Meus pais sempre
deram muita importância para a música", diz o cantor que
começou a estudar piano aos cinco anos e violino aos sete.
Domingo foi aniversário de sua mãe Dirce. "Este Tony é um
presente para ela."
Ópera
Szot trabalhou para a
companhia Slask durante cinco anos e depois, incentivado
pela professora de música Janina Kuszyk-Kuszynska, enveredou
para a ópera. "Ela era brava e não deixava eu me apresentar.
Passei dois anos fazendo vocalizes, a-e-i-o, um verdadeiro
exercício de paciência."
Em dezembro de 1994,
uma amiga de sua mãe recortou um anúncio no jornal sobre o
5º Concurso Internacional de Canto Luciano Pavarotti. Szot
mandou uma fita e acabou sendo um dos finalistas.
Desde sua estréia
profissional em 1997, protagonizando a montagem de O
Barbeiro de Sevilha no Teatro Municipal de São Paulo,
ele já participou de mais de 60 produções. Em 2000, recebeu
o Prêmio Carlos Gomes na categoria Destaque Vocal Masculino.
Szot pretende
participar de South Pacific, no teatro Vivian
Beaumont Theatre do Lincoln Center, até novembro,
interrompendo somente para três apresentações rápidas de
A Viúva Alegre, em Marselha, e Carmen, em
Toulouse, no segundo semestre.
FONTE: BBC
Brasil.com
TEATRO 2
A NOVIÇA
REBELDE
Um dos musicais mais aclamados pelo mundo
ganhou uma adaptação nacional. A Noviça Rebelde brasileira
mistura tecnologia e lirismo para atrair o público.
Para receber a noviça mais
famosa do mundo, casa cheia e lembrança de várias gerações.
“Eu sei que ela cantava bem, que ela estudava em uma escola
de freiras”, contou uma menina. “Eu sei tudo, do início ao
fim”, destacou uma mulher.
“É um musical romântico. E também tem um lado histórico, a
sensação do nazismo, mas principalmente a música, o que
ficou marcado foi a música”, comentou o escritor Luis
Fernando Veríssimo
Desta vez, as melodias famosas,
que a gente vive cantarolando sem querer ganharam versões em
português. “A canção mais complicada nesse espetáculo é The
Sound of Music que é a canção que abre, que é a canção
título. Porque é uma expressão praticamente intraduzível,
essa canção deu muito trabalho”, revelou o diretor Cláudio
Botelho.
Com
a experiência de 15 musicais, a atriz Kiara Sasso adorou.
“Eu acho que a gente está falando português lindamente em
Salzburg, e se eles falam inglês em Salzburg, eles também
podem falar português”, destacou a protagonista.
Mas para deixar o Rio de Janeiro com cara de Áustria, não
basta mudar o sotaque. No palco, o trabalho não pára. O
Desafio é grande, a cada instante a protagonista aparece em
um lugar diferente. No início do espetáculo, ela canto no
alto das colinas e logo depois surge em um convento. E é aí
que entra em cena a tecnologia.
São 11 cenários, mais de 300
refletores e 80 técnicos. Isso sem falar no 15 músicos e 44
atores. Todos cantores. Ou melhor, quase todos. “De repente
eu me vi no meio dessas feras todas tendo que cantar na
frente deles, são todos professores de voz. Aí eu fiquei
nervoso. Agora eu já não fico mais, porque eu já passei por
isso. Mas ali eu fiquei muito nervoso”, contou o ator Herson
Capri.
A estréia de Herson Capri coincide com a reestréia do Teatro
Casa Grande, um dos mais tradicionais do Rio, que abriu as
portas pela primeira vez, na quinta-feira (22/05), depois de
uma grande reforma. Só quem, não estreou foi o público, que
conhece a noviça rebelde de longa data, nos palcos, nos
cinemas e continua fã.
O espetáculo A Noviça Rebelde
estreou no Rio de Janeiro, inaugurando o espaço cultural
multiuso Oi Casa Grande. A versão brasileira, com direção de
Charles Möeller, é protagonizada por Herson Capri como
Capitão Georg Von Trapp e Kiara Sasso como Maria Reiner.
Inspirada no musical da Broadway de 1959, a montagem é
baseada no livro autobiográfico de Maria Rainer, que conta a
história da família von Trapp.
Ficha Técnica
Adaptação: Cláudio Botelho
Direção: Charles Möeller
Elenco: Herson Capri, Kiara Sasso, Fernando Eiras, Ada
Chaseliov, Dudu Sandroni, Solange Badim, Mirna Rubim, Ricca
Barros, Vera do Canto e Mello, Bruno Miguel, Cássio Pandolfi,
entre outros
Fotos: Robert Schwenck
Duração: 185 minutos
Classificação: 5 anos
(FONTE -
Pesquisa Google e Portal Globo)
PARA LEMBRAR
OUTRAS ENCENAÇÕES
TEATRO 3
"Torturas de um
Coração"
ou
em
boca fechada não entra mosca
O
grupo carioca Sarça de Horeb apresenta o maior sucesso de
sua trajetória de vinte anos de existência, o premiadíssimo
Torturas de um Coração do paraibano
Ariano Suassuna,
com direção do cearense Almir Telles. Esta peça para
mamulengos tem no lugar dos bonecos, atores de carne e osso
correspondendo aos movimentos da manipulação. Nestes anos
ela já foi premiada dezoito vezes e assistida por mais de
100.000 pessoas de todo Brasil. Originalmente criado para
ser encenado por bonecos, na montagem de Almir Telles os
bonecos são atores de verdade. O grupo interpreta o universo
da cultura popular através de personagens típicos do teatro
mamulengo nordestino que, como na Commedia Dell'Arte, são
sempre recorrentes: o esperto negrinho Benedito, o valentão
Vicentão, o meganha Cabo Setenta e o gostosão Afonso
Cabeleira vivem em pé de guerra disputando a bela Marieta, a
mulher mais cobiçada da cidade. Fútil, Marieta, no entanto,
só quer se casar com um homem ilustre. Montado pelo grupo
pela primeira vez em 1991, o enredo é uma síntese
bem-humorada de alguns códigos da nossa sociedade: a vaidade
social, o medo da solidão, a ganância, o preconceito, a
covardia que se reveste de falsa valentia, a esperteza
vencendo a força, enfim "o homem e suas paixões".
Estreou no dia 20
de maio próximo passado, no Teatro do Leblon - Sala Tônia
Carrero.