TEATRO:

 

Domingo

Domingo, 15 de janeiro de 2012

 

Morre, aos 75 anos, o diretor teatral Fernando Peixoto

Morreu neste domingo (15) em São Paulo, aos 75 anos, o diretor de teatro Fernando Peixoto, conhecido por sua ligação com o Teatro Oficina. O corpo está sendo velado no cemitério Vila Mariana e será cremado nesta segunda-feira (16), às 11h, no crematório Vila Alpina.

Fernando Amaral dos Guimarães Peixoto (Porto Alegre, 19 de maio 1937  - São Paulo, 15 de janeiro de 2012) , tradutor e diretor teatral, ligado ao Teatro Oficina de São Paulo, até 1968. Autor de várias obras vinculadas às concepções brechtianas, tendo sido membro do comitê central do Partido Comunista do Brasil.

Inicia carreira como ator em Porto Alegre, em 1953, mudando-se para São Paulo em 1963, com a atriz Ítala Nandi, quando ambos se ligam ao Teatro Oficina. Também atuou no Teatro de Arena, no final dos anos 60.

Fernando Peixoto foi autor de ensaios, textos teóricos, tradutor, professor e dirigente de coleções nas editoras Paz e Terra e Hucitec, marca um dos raros casos de simultaneidade na produção artística e teórica.

Como jornalista, no jornal Correio do Povo, de Porto Alegre, entre 1957 e 1959, escreveu sobre teatro, cinema e cultura. Atividade que continuará em alguns importantes órgãos da imprensa de resistência nas décadas de 70 e 80, como Opinião; Movimento; Revista Civilização Brasileira; A Voz da Unidade; Argumento; Debate & Crítica, etc.

Traduz os livros O Teatro e Sua Realidade, de Bernard Dort, em 1977, e Berliner Ensemble: Um Trabalho Teatral em Defesa da Paz, em 1985; além de muitos textos dramáticos, como Pequenos Burgueses, Vassa Geleznova, Um Mês no Campo, D. Juan, Mortos Sem Sepultura, Tupac Amaru, Na Selva das Cidades, sendo um dos organizadores da edição do Teatro Completo de Brecht no Brasil, para a qual traduz diversas peças.

O Ministro da Cultura Interino Vitor Ortiz, em nota oficial, de 15 de janeiro de 2012, afirma: “O Brasil acaba de perder um dos seus maiores pensadores de teatro. As reflexões de Fernando Peixoto sobre o teatro internacional e sua contribuição ao teatro brasileiro na segunda metade do século 20 foram fundamentais”

Como diretor, assinou montagens como Calabar, de Ruy Guerra e Chico Buarque, Frank V de Durrenmatt, Tambores da Noite de Brecht, Don Juan de Molière. Foi também diretor de ópera e foi o diretor dos shows pela anistia, realizados como protesto nos tempos da ditatura militar, com a participação de Chico Buarque, Milton Nascimento, Quinteto Violado e outros grandes artistas nacionais. Como ator, participou de várias montagens no Teatro Oficina, se destacando em Galileu Galilei de Bertolt Brecht (personagem Andréa Sarti, discípulo do personagem principal), Rei da Vela de Oswald de Andrade e Pequenos Burgueses (Máximo Gorki) in Patriota e Ramos, Revista Fênix.

Atuou em diversas películas, entre as quais Bebel, Garota Propaganda, de Maurice Capovilla, em 1967, Gamal - o Delírio do Sexo, de João Batista de Andrade, em 1969; Fogo Morto, de Marcos Farias, e O Predileto, de Roberto Palmari, ambos em 1975; A Queda, de Ruy Guerra, em 1976; Doramundo, de João Batista de Andrade, em 1977; O Homem do Pau-Brasil, de Joaquim Pedro de Andrade, e Eles não Usam Black-tie, de Leon Hirszman, ambos de 1980; assim como O Beijo da Mulher-Aranha, de Hector Babenco, em 1984, e Faca de Dois Gumes, de Murilo Salles, em 1988.


Filmagens de "fogo Morto" nas ruas da cidade de Areia-PB

NA PARAÍBA fez cinema, dirigiu a montagem teatral de "Coiteiros" de Altimar Pimentel, proferiu palestras e deu cursos nos Festivais de Arte de Areia, na década de 1970.

PS: Tive a grande satisfação de privar da sua amizade aqui em João Pessoa em várias oportunidades e, em São Paulo, como seu aluno de pós-graduação na USP. Para mim, uma perda difícil de ser aceita, pois tínhamos as mesmas idade e ideias , o que torna ainda mais dolorida essa realidade. (Elpídio Navarro)