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Walter Navarro
Nesta roça, não sei, mas aqui na
China só se fala nos 50 anos da Bossa Nova. Já me
confundiram 32 vezes com o Tom Jobim e uma com o Fábio Jr.
Nunca
confie num rabino católico nu e de cócoras

PEQUIM
(perto de Maracangalha) - Que imbecil disse que esta
Olimpíada duraria duas semanas? Estou aqui há um mês e ela
não acaba. Pelos ao contrário, a cada dia tenho mais
mentiras a contar.
Uma coisa é certa, quero que o Michael Phelps e o César
Cielo se danem. Meus ídolos estão no cavalismo e na luta
greco-boiola.
No hipismo, genial! Ao lado de nomes completamente idiotas e
pederastas, só mesmo um brasileiro poderia nomear seu eqüino
de Chupa Chup. Só não quero imaginar o que este cavaleiro
faz com seu cavalo, na baia, depois da meia-noite, pra botar
um nome deste no animal. Já vi vários filminhos de sexo
entre cavalos e mulheres (éguas bípedes e mamíferas), que o
decoro parlamentar não me deixa contar aqui.
Na luta greco-romana que não ousa dizer seu nome entre
iguais, minha medalha de couro vai para o sueco Ara
Abrahamian que jogou fora sua medalha de bronze. Fez muito
bem. Eu não teria nem subido ao pódio. Medalha de bronze é
coisa de brasileiro, gentinha de pouco estudo. Alguém lembra
de quem ganhou bronze em peteca, nas Olimpíadas da Lapônia,
em 1895?
"O importante é competir" é coisa de brasileiro pobre que
gosta de viajar de graça, dar vexame e chorar lágrimas de
jacaré porque crocodilo é Lacoste.
O rebelde tá certo, mesmo porque sueco pra mim é o Björn
Borg. Abravanel, perdão, Abrahamian é armênio, perto da
Chechênia, depois da Ossétia do Sul. Bronze é a Pequim que
pariu!
E sabem onde os chineses devem enfiar a vara perdida da
minha Fabiana Mürer? No Sedex...
Pequim...
Nunca na história deste país o Brasil tomou tanto Apracur no
meio do Olympikus!
E o Cielo estava dopado, claro...
Nesta roça, não sei, mas aqui na China só se fala nos 50
anos da Bossa Nova. Já me confundiram 32 vezes com o Tom
Jobim e uma com o Fábio Jr.
E vem cá, dá pra parar de falar na "batida do violão do João
Gilberto"? Fala da dedada do Carlos Lyra na Kate! Por falar
nisso, uma vez o Vinicius rebocou uma vadia pro hotel e
ofereceu: "Querida, um uisquinho?". E ela: "Dois dedos...".
E o poetinha taradão: "Sim, claro, mas antes, aceita um
uísque?".
Ah! Aprendi uma piada ótima provando que a Mongólia é o
Portugal do Brasil: "Sabem como reconhecer um mongol numa
orgia? É o único que transa com a própria mulher..."
Mas aqui em Pequim nem tudo são espinhos de flores. Por
exemplo, ontem pratiquei conjunção carnal e um pouco de
colóquio amoroso com aquela deusa russa Elena Isinbaeva! My
God! Juro não mais fazer trocadilhos infames usando salto
com vara, mas... Que balalaika ela tem!
Acabou com minha perestroika! A praça dela é vermelhinha...
E eu imitando cossaco depois da guerra... O Putin deveria
fazer venenos pra matar dissidentes em Londres e armas
químicas com os hormônios dela. Eu ia até pra Moscou,
brincar de Dr. Jivago com a Isinbaeva carequinha da Elena;
beber vodca nacional, mas perdi o tesão.
Ofereci a ela um saquinho de pipocas imperiais de primavera
e sabem o que ela respondeu? "Niet (não) obrigado, isso me
faz peidar"... Pode?
Saí correndo certo de que trocar de mulher é trocar de
problema fedorento e voltei à labuta, mas não por muito
tempo...
Dei um vexame na sala de imprensa do vôlei de praia...
Aquelas jogadoras são tão gostosas que no meu mastro
reluzente dava pra pendurar 54 bandeiras da China, 27 dos
EUA e uma do Azerbaijão.
Voltei agachado pro hotel e fui direto fazer uma coisa
inominável. Não posso dar detalhes, apenas uma dica. Lembram
daquele filme do Woody Allen, "Igual a Tudo na Vida", quando
ele está convencendo um amigo judeu a comprar armas para se
proteger? O argumento dele foi irrefutável: "Imagine se você
está se masturbando na cama e a Gestapo invade sua casa...".
Aqui em Pequim tá todo mundo me perguntando se o Dorival
Caymmi não era meio...
Digamos... Como é que escrevo isso sem ser babaca e machão
(um pleonasmo por texto pode...)... Vocês não acham que o
Dorival era meio... Com aquela camisa listrada de marinheiro
de Querelle... Aqueles olhinhos virados... Aquele
biquinho... Ele não era meio... Deixa pra lá...
E aquele abraço coletivo da seleção brasileira masculina de
vôlei depois de cada ponto marcado? Vocês não acham que
aquilo é meio... Digamos... Um pouco Dorival? Será que
depois veneram serpentes na Vila Olímpica? Que Meda!
E olha que Caymmi foi minha primeira influência. Musical, é
claro.
Bom, lá vou eu botar meus ovos nas cadeiras do Ninho do
Pássaro.
PS: Segundo técnicos da Nasa, Dorival Caymmi deve demorar
uns 40 anos pra chegar ao céu. Ainda bem que o céu pode
esperar. (25-08-2008)
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Walter Navarro é
colunista do Jornal O TEMPO de Belo Horizonte - MG wnavarro@uol.com.br
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