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Walter Navarro

Posiciono-me em frente ao espelho, levanto o pescoço e, usando os dois indicadores, aperto o caroço até sair alguma coisa


Eu me sifu, mas não exerço


Fernando Fiuza

Sabem o que achei de 2008? Um pêlo de três centímetros. De vez em quando, no meio de uma omelete com quibe, sinto no pescoço uma protuberância. Aí aumento o volume da TV pra não perder as idéias sábias e inteligentes do "Café com o Presidente" e vou pro banheiro, inspirado, já sabendo o que vai acontecer. Posiciono-me em frente ao espelho levanto o pescoço e, usando os dois indicadores, aperto o caroço até sair alguma coisa. Normalmente sai sangue, para isso já tenho um bom rolo de papel higiênico ao lado, para a ação profilática que se faz necessária. Vou apertando o negócio e limpando o excesso de sangue sob as unhas. Tem que ser rápido porque se o sangue seca, fica parecendo que você acabou de assassinar alguém. Isso não é legal porque se a polícia invadir o banheiro, pode te prender antes das devidas explicações. Aí você continua apertando.

Quando dói muito, basta pegar um pedaço, uma bolinha de papel higiênico ou algodão e volta pra frente da televisão até a hemorragia ser estancada. Quando na TV recomeça a diarréia do presidente, é chegada a hora de voltar ao banheiro e continuar a prospecção capilar, agora com um pouco mais de empenho, engenho e arte. Vou ensinar como é que se faz porque não sou egoísta. Nunca se sabe quando um pentelho, perdão, pêlo encravado, vai aparecer na sua testa. Afinal, as galinhas estão cada vez mais dentuças. Posso não ter pinça, mas agulha e alfinete lá em casa não faltam. Ah! Esqueci de falar que prefiro tirar Ohanas das virilhas das moças porque a vista é mais agradável, mas na falta desse lazer, há que se cuidar do próprio cou (pescoço em francês). Pois bem, então, lá vou eu. Tento mais uma vez dar aquela apertada na base do caroço, mas geralmente, a esta altura do campeonato o cabelo já foi para as profundezas abissais do músculo e aí, só mesmo uma boa e caseira cirurgia pra resolver o problema. Pêlos pescoçais ou virilhais tendem a entrar até o talo.

É um horror! Amiga minha explicou que se o cabelo não tem força para perfurar a pele; vai num crescendo pra dentro. Vai entrando assim ó, como uma broca... Aí é que devemos intervir com severidade. Bom, com a chama de um isqueiro Bic ou Zippo desinfeta-se a agulha ou alfinete. Claro, vá saber por onde andaram as pontas desses interessantes objetos perfurantes... O cabelo tá lá te furando, torturando, mas ele não perde por esperar, o tolinho. Desconfio de que sapos barbudos também padeçam deste mal: pêlos encravados no corpo todo, alguns até no cerebelo; daí a importância dessa metáfora. Feito tudo isso, recomendo uma dose de uísque para aquietar os ânimos. Mas não é bom exagerar, caso contrário você pode furar o próprio olho e isso não é muito agradável, pois só te restará um para a apreciação das meninas serelepes. Vamos lá.

Pegue a agulha ou alfinete e com precisão, enfie, penetre, meta a ponta cruel bem na base da protuberância, rasgando ou furando a pele. Às vezes na primeira estocada é possível ver um pedaço dele e aí fica tudo mais fácil; mais uma fincada ou apertada de indicadores e verão o resultado. O pêlo metido a cabelo pula de seu esconderijo e fica lá, pendurado, escuro e duro pela falta de oxigênio. É a hora do prazer total. Dá enorme alívio porque quando o trabalho é bem feito, você nem se fere muito e o cabelo assassino sai de você como se fosse um alien, se contorcendo, todo enrolado e enorme... Sim porque ele vai crescendo lá dentro crente que você não vai perceber. Admire um pouco o trabalho bem feito porque está na hora de, com a pinça ou com as pontas do indicador e do polegar, arrancar o canalha de seu valhacouto. Guardo todos. Estico o bicho, prendo num Durex e fico olhando, olhando. Às vezes colo o danado, com o Durex, numa página de um livro qualquer, à guisa de imortaliza-lo. Meu recorde foi um de seis centímetros que mandei pra uma namorada ficar com pena de mim.

É o bem de dentro pra fora e de fora pra dentro, como a aveia Quacker, tão ligados? Por essas e outras é que estou muito empolgado com o novo prefeito de Cuiabá. Não era bem este o comentário final... Ah! Por falar em pêlos e cabelos, fica aqui um sério protesto indignado com gel e brilhantina. Amigo meu advogado, Dr. R., me contou uma de arrepiar os cabelos. Lembram do ex-carequinha Marcos "Mensalão" Valério? Lembram que tá preso? Lembram que ele fez implante pra se disfarçar? Pois é... Rasparam a cabeça dele na cadeia... Que absurdo! PS: Sabem quanto custa um implante daqueles? Uma fábula! Uma pasta cheia de cueca samba-canção cheia de dólares.(15-12-2008)

A imaginação que Deus me deu é coisa do Diabo



Sábado ouvi do galináceo Jayme Reis frase deliciosa: "Só os que desistem conseguem". Aí peguei carona com outro amigo, Roberto Brant, ensinando o caminho de um restaurante à linda Ana de Castro que, meio perdida, o seguia: "Mulher que não sabe o caminho já é meio caminho andado". Genial também, né? Só discordo da definição. Aninha, filha do grande Amilcar de Castro, é uma escultura ambulante; não é só uma mulher44, mas enorme área de lazer, perfeito parque de diversões. É o que imagino... Só imagino. Tô mais perdido que calcinha em missa de sétimo dia, quer dizer, em suruba. Sem inspiração, vivo mendigando frases alheias: "Ei você aí, me dá uma piada aí...". Quem sou eu pra chegar perto de Aninha e suas amigas! A última mulher que penetrei foi a estátua da Liberdade. Mentira, nunca fui a Nova York. A última mulher que peguei me deu um papelzinho e acrescentou: "Tá sem os 10%...".

Mentira, nunca fui ao Café Photo de São Paulo. A única coisa que faço ultimamente é comprar frango. E ver TV. Já repararam que, em todo filme, na cena de enterro, o padre fala a mesma coisa? "Ainda que eu andasse pelo vale das sombras da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo. A tua vara e teu cajado me consolam"... É ruim, heim! Que papo é esse, meu? Vara, cajado consolando na sombra? Tô fora! Ando tão down que outro dia, conversando com um Prozac, ele começou a chorar. Corro tão masoquista que hoje à noite vou pra Blumenau, mas só se chover. E tem aquela ótima do masoquista que suplica: "Me bate!". E o sádico: "Não!". Só dói quando eu rio. Aí morri de rir e de dor com o hino e o bordão daquela propaganda da Embratel: "Empresário masoquista, resista!". Não cheguei a trocar a banda larga da Internet pelo telefone e as filas, mas ainda chego lá e vou pedir: "Isso, bate mais, bate mais forte, Dona Lurdinha!". E aquele comercial do novo Voyage, com o Sepultura cantando Bossa Nova? "O coquinho caiu na areia da praia, um dia levou-o pra dentro do mar...". Melhor, só goteira de esgoto na cabeça.

Sofrimento maior e melhor, só esperar Godot, esperar e-mail que não chega; mensagens com um lacônico "oi", telefonemas mudos ou dizendo que "foi engano", aviso de caixa-postal cheia, cartão-postal do Robinson Crusoé saudoso. Melhor, só e-mail com tantas palavras ocas, fora de si, de um suburbano coração: "C’est fini; c’est fini". Tantas palavras, que eu conhecia e já não falo mais, jamais. Quantas palavras, que ela adorava, saíram de cartaz. Nós aprendemos palavras duras, como dizer perdi, perdi, palavras tontas, nossas palavras. Quem falou não está mais aqui. Ainda bem que não estou sozinho neste vale de lágrimas, vejam o que meu amigo Chico disse pra ex-namorada: "Dei prá maldizer o nosso lar. Pra sujar teu nome, te humilhar e me vingar a qualquer preço, te adorando pelo avesso, só pra mostrar que ainda sou teu". Que delícia! Martelada no polegar! Injeção na testa!

Pau no liquidificador! Hummm... Mas podia ser pior: "Eu te estranhei, me debrucei sobre o teu corpo e duvidei e me arrastei e te arranhei e me agarrei nos teus cabelos, no teu peito, teu pijama, nos teus pés, ao pé da cama, sem carinho, sem coberta, no tapete atrás da porta". Além de descobrir que a "ex" tá nem aí pra ele, o infeliz ainda percebe que os cabelos eram peruca, o peito, de silicone, o pijama, do Ricardão, e o tapete tava cheio de poeira e pêlos. É como ter as unhas arrancadas por alicate no filme "O Albergue". Um deleite. Mas tem coisa pior: discutir peça e orçamento de carro com mecânico. Pedir segunda via em repartição púbica. Ou então o beijo de Judas, da Mulher-Aranha ou com gosto de cebola... Melhor só a mão nas costas subindo as escadas, a punhalada final de Brutus, o bafo quente na nuca, a unha no calcanhar, um torturante band-aid no guaraná, a vara, o cajado nas sombras.

Qual a pior tortura? A fila que anda ou a do SUS? O lacônico "oi" ou a tese final, fatal dentro de uma garrafa nadando no mar a caminho da nossa Guantánamo de cada dia, a ilha de "Lost" sem Papillon? Reza a lenda que numa bela tarde de 1472, em Florença, Leonardo da Vinci deixou seu ateliê e foi à praça principal comprar frango. Lá chegando, deparou-se com multidão incontável. Todos querendo frango. Leonardo, baixa estatura, mas mentalmente da altura dos píncaros, começou a pular e a gritar, levantando o indicador: "Um frango, eu quero um frango". Num átimo de segundo, o gênio renascentista mudou de idéia: "Não, um não, eu quero dois, dois frangos". PS: Judia de mim, Dona Lurdinha! (08-12-2008)

 

Pausa para um desejo budista, a todos, em 2009: a dose mínima necessária de sofrimento, tá?

 Tratado sobre as mulheres que já fumaram Derby



FOTO: Fernando Fiuza

Pra tentar entender uma coisa horrível da semana passada - não é Santa Catarina - comprei a revista "Mundo Estranho", sobre mulheres mutantes, como as que têm espinhos pelo corpo e gostam de chupar cabelo de sabonete. A revista tem mania de perguntas estranhas: Como surgem as pintas? As pintas são "bolinhos" de melanócitos. Os melanócitos produzem a melanina que dá cor à pele. Algumas viram melanoma, câncer de pele, que é tortão, tem bordas irregulares, diferente das pintas redondinhas. A coisa horrível foi pior que ouvir o Marlon Brando pedindo: "Pega a manteiga". Foi tão horrível que, naquela noite, se eu fosse visitar o Grand Canyon, ele estaria fechado. Por que os animais choram sem lágrimas? Fácil: porque só os humanos choram lágrimas de crocodilo. Qual o líquido mais caro do mundo? As gotas do veneno da cobra-coral: um mililitro custa 60 mil reais! E cobras também fumam, a mais viciada é a mamba negra, que vem em pele de cordeiro, mas é mais cruel que um tomate assassino.

E ainda ri quando a vítima canta Ângela Rô Rô no original: "Todos acham que ando bebendo demais. Que não largo o cigarro e dirijo meu carro, correndo, chegando, no mesmo lugar. Ninguém sabe é que vou passar toda a vida esquecendo você e a razão porque vivo esses dias banais é porque ando triste, ando triste demais". E atrás de "Mundo Estranho", tombei no site Mulheres Fumantes: "Vamos encher esta comunidade de fotos de mulheres fumantes.... É lindo ver mulheres fumando...". Achei pitorescos os comentários dos leitores: Beber é bom... Mas fumar é melhor. Transar então, nem te conto... Aí pergunto: e mulheres que fumam Derby, bebem vodca e transam até cair?Dependendo do fumo e da parceira, há controvérsias... Cigarro tá muito caro, 2.75 a carteira... E tem umas vadias por aí que não valem nem um cigarrim de palha... Pausa para um desejo budista, a todos, em 2009: a dose mínima necessária de sofrimento, tá? Logo depois leio: cigarro tá caro, por isso só fumo Derby, 1.90. Para Faith Girl, as melhores coisas da vida são: Sexo. sexo, sexo, beber e fumar.

E continua: já fumei certos becks que me deram mais prazer que muitas mulheres! Quem fuma Derby não troca por nada... Troca sim. É a coisa mais fácil do mundo a fumante de Derby te trocar... Colega meu namorava uma dona que tinha pavor à diamba, uma vez ela disse: ou você pára de fumar Marley ou tá tudo acabado. No outro dia eu e esse truta dividimos uma soltinha. Nem sei que fim levou a mulher. Já fui trocada por muita coisa, mas não por cigarro... Sociedade hipócrita! Encher a cara de cerveja na balada, dirigir bêbado e matar pessoas pode; fumar maconha é legal, tá na moda, mesmo que isso mate seus neurônios ou te leve para drogas piores e incentive o aumento da criminalidade também pode! Agora, fumante não presta, é mau exemplo. Nem toda mulher que fuma é piranha. Mas toda piranha fuma. Se as pessoas parassem de criticar os outros, começassem a olhar suas próprias ações, tipo fumar na frente dos filhos, talvez o Brasil melhorasse um pouco.

Ainda tem quem ouse dizer que maconha não mata... Já viu alguém matar um "viciado" em cigarro pra cobrar dívida?: "Ah matei ele porque me devia uma carteira de Derby". Quem fuma Derby mata mesmo e com requintes de crueldade, na frente de um monte de gente. Li tudo isso e adiantou nada; mas descobri outra coisa pra fazer a gente esquecer coisas horríveis que acontecem: supermercado com iPod. É assim, você coloca umas músicas legais na orelha, pega um carrinho e manda ver. Vai enchendo o bicho, sem pensar muito no que tá pegando. Quando o carrinho estiver bem cheio, você faz o caminho de volta e vai devolvendo tudo. Mas no lugar certo, senão é sacanagem com os funcionários... Você vai enchendo, esvaziando o carrinho, e ouvindo Tom Jobim sem parar, com força, só no sapatinho. Sinatra, Henri Salvador e Chico Buarque também servem.

The Cure e Coldplay são ótimos pra comprar enlatados. Aí, quando aparece uma boa música francesa, você corre para a gôndola de xampus... O que tem de xampu diferente é impressionante, diversão garantida para várias horas e todo tipo de cabelo, até para mulheres que já fumaram Derby e têm complexo de Portnoy por isso até hoje. PS: Acabei pegando um xampu pra desembaraçar cabelos e desenredar caminhos. Não deu certo, mas durante um século, por um segundo, esqueci o inesquecível... (01-12-2008)

 

Quando as rãs tomam leite de canudinho...

Não era bem rã o que eu queria escrever, mas esqueci o sinônimo. Sou alucinado por rãs, pererecas e batráquias em geral. E o leite é fundamental para o crescimento das mesmas e lesmas.

De sapo não gosto. As mulheres adoram. Tanto que sapo de pelúcia é a última moda em casamentos. Além do tradicional buquê, as noivas jogam sapos que viram príncipes...
Acho mais fácil o contrário, mas quem sou eu pra discutir com noivas neuróticas? Nos dias que correm é mais fácil um príncipe virar sapo. E sapo barbudo. E mentiroso. E ignorante. E presidente...

Mas, chega de Obama. Preferiria o Morgan Freeman. Teríamos mais ação e humor.
Além do "sapo do amor", a empresa, dona da genial idéia, oferece mais de 30 opções em "amigos de pelúcia": alce, panda, cavalo, porco, cachorro, urso, hipopótamo...
Se bem que pra casamento, as noivas querem mesmo é um elefante. Acham a tromba romântica...

Pelúcia é mole mas sobe.

Adoro bichos de pelúcia. Pegam fogo que é uma beleza! E é ótimo presente. Certos noivos, por exemplo, deveriam ganhar o alce, afinal, é importante defender a classe e preservar a espécie.
Como já disse, prefiro as pererecas. São mais reluzentes, comestíveis e cheirosas. Tanto que, ontem, eu e meus amigos, Kadu Moliterno e Dado Dolabella, saímos para pegar umas mulheres, abater umas lebres e dar um tapa na pantera. Um tapa, um soco, uma chave de braço, um pescoção, um joelhaço e um pontapé.

Brincadeira, nunca bati em mulher. Nem com tapinha de amor que não dói. Existem coisas muito mais interessantes a fazer com elas. Discutir a relação, por exemplo. A coisa que mais gosto de ouvir das mulheres é quando começam: "Walter, você não está inteiro na relação...".

Nunca entendi o que querem dizer com isso, mas coisa boa não deve ser.

Vai ver já pensam em nos esquartejar e colocar cada pedacinho numa caixinha, no melhor estilo "Encaixotando Helena", ao contrário. Eu lá tenho cara de Tiradentes?

Isso me lembrou célebre diálogo de filme francês. O cara querendo dar o fora na mulher, a linda Arletty, e diz: "Você está me sufocando... Preciso mudar de atmosfera...". E ela: "E eu lá tenho cara de atmosfera?".

Adoro filme francês. Só tem uma coisa que gosto mais: perninhas de rã. Porque perereca tem que vir inteira na relação e na ralação.

Mas eu estava com o Kadu e o Dado abatendo umas batráquias. Mentira. Na verdade caí na balada irada com meu amigo Fábio Assunção. Aí perguntei por que ele tinha largado a ótima novela - não perco um capítulo - "Negócio da China". Ele disse que recebeu convite irrecusável da Record, pra fazer outra novela, mais adulta: "Negócio da Colômbia". Ou seria da Bolívia? Da lata? Sei lá, mas Fábio me garantiu que este é o verdadeiro negócio da China.

Confesso que não entendi a reflexão. Pra mim, China, Bolívia e Colômbia, tudo a mesma merda. Ops! Perdão, fezes.

Por falar em fezes, meus amigos gays estão eufóricos com a chegada de dezembro. Aí perguntei o motivo e eles: "Porque no Natal todo mundo come nozes...".
Também não entendi, mas fiquei feliz em saber que esses amigos prefeitos, solteiros e sem filhos curtem o nascimento do Jesus Cristinho.

Prefiro avelãs.

Deve ser meu lado esquilo. Se bem que nunca vi um esquilo, quanto mais comendo avelã.
Se as rãs podem tomar leite de canudinho, as nozes podem comer alces e sapos podem cheirar noivas, por que os esquilos não poderiam dar um tapa na pantera chinesa?

Gosto de Natal porque todo mundo come avelã.

Peru também. Menos eu. Gosto de avelã e rã. Também gosto de amigo invisível (oculto). Devido à recessão na Albânia já comecei a comprar meus presentes: um monte de fitas e discos rígidos do Protógenes Queiroz...

É rígido, mas sobe.

Tem uns filminhos também... Cada coisa cabeluda... Nada a ver com a Cláudia Ohana...
Meus favoritos são o do Daniel Dantas dando uma surra de vara e dólar duro na Susana Vieira e o da Dilma Roussef, de olho roxo, dirigindo uma frase de caminhão com pneu furado: "O sucesso não é tudo, tamanho não é documento e dinheiro não traz felicidade": autor desconhecido, mui provavelmente pobre e de pinto pequeno.

Eu queria tanto ir à festa de aniversário de 80 anos do Mickey, mas com essa greve dos pilotos da Air France, perdi todas minhas aplicações nas ações da Varig.

Bom mesmo é ter dinheiro como jogador de futebol! Viram o Ronaldo Fenômeno? Comprou o triplex do John Casablancas, no Rio de Janeiro, por R$ 15 milhões. Por que um triplex? Pra colocar um travesti em cada andar...

PS: It’s Fryday I’m in love. Só que hoje é quinta feira.

 

Eu só queria entender o sentido da vida, o que querem as mulheres, por que Lula e ZéDirceu ainda estão soltos e as propagandas das Casas Bahia.

Primeiro vertigem e paixão, depois vício e intoxicação

Eu só queria entender o sentido da vida, o que querem as mulheres, por que Lula e ZéDirceu ainda estão soltos e as propagandas das Casas Bahia.

É muito?

Pensando bem sim. Nem Deus e o Diabo na Terra do Sol sabem as respostas.
Como se não bastasse, um dia depois desses devaneios, alguém muito vip pra mim perguntou: "O que você quer Walter?".

Pensei em responder que queria ser trocador de bateria de relógio nas ruas, mas logo me veio esta: "Eu queria ser Woody Allen pra querer uma prova da existência de Deus, como, por exemplo, uma bela conta em meu nome num banco suíço". Ah! E também uma cobertura no Central Park, com vista pra Paris.

Por que Deus não fala comigo? Se pelo menos ele tossisse! Como posso acreditar em Deus se, na semana passada, prendi a língua na persiana?

Que pergunta mais difícil, né? O que eu quero... Alguém sabe?
Como diz o Caetano, a gente não sabe o lugar certo onde colocar o desejo.
Por falar nisso, onde é que eu anotei o telefone novo da Luana Piovani? Vou pedir pro Dado Dolabella... E adorei aquela manchete de jornal carioca: "Luana Piovani não tem Dado mais em casa". Essa frase vale mais que toda a obra do Saramago; que está sempre com cara de quem comeu a secretária e não gostou.

Semana passada eu queria ver a Claudia Ohana desmatada, lembram? Aí eu comprei a "Playboy" e nada. Ela continua a Abominável Mulher das Selvas ou Konga A Mulher Gorila...
<CS9.7>Estava faltando página na minha "Playboy". Acho que o Pedro Cardoso arrancou todas as fotos. Ainda bem que só compro revista de mulher pelada pra ler as entrevistas! E pra rimar: não fumo, não bebo, não cheiro, mulheres detesto. Só minto um pouquinho...


Li n’O Globo que o Pedro Cardoso, pai do movimento contra a nudez no cinema - Ai que nojo! - vai ser papai novamente. Essa eu quero ver... Será que ele vai processar o médico por tirar a calcinha da mulher dele na hora do parto? E se a filha dele nascer nua?

Outra coisa que eu quero é ler o livro "Deu no New York Times", do jornalista bêbado e expulso; Larry Rohter. Por quê? Pra saber por que Lula e Zé Dirceu ainda não foram presos. Não! Pra descobrir quem matou o Celso Daniel. Diz que está na página 69...

A entrevista da "Playboy" é com o Daniel "007" Craig; Bond, James, Bond. Taí outra coisa que quero: ver, o novo filme do 007, bebendo um dry martini molhadinho.

Também quero saber o que quer dizer o nome do filme, "Quantum of Solace". Um pouco de consolo? O limbo e a lama por ter perdido a namorada? Vingança sem tradução? Um desejo de morte e de dor por ver a namorada morta nos braços de um outro qualquer? Já sei: blessure narcisique... Quando a gente não sabe que há um sócio na firma do nosso amor...

Neste exato momento, quero tomar um banho e não posso. Como é bom poder fazer o que se quer na hora!

Quero uma casa no campo ou me satisfaço num cafezinho com adoçante e afeto?

Tem gente que quer a juventude de volta. Não quero os 20 anos do Charles Aznavour porque ele era mais feio que atualmente. Mas também não quero meus 20 anos. Como eu era bobo! Sabiam que, com 20 anos eu era tão idiota que votei no Lula? Lembram do voto vinculado? Só bandido... De cabo a rabo. Eu era ingênuo e vermelhinho... Estudava na Unicamp... Tinha um monte de professor exilado, o resto era da esquerda pacóvia e festiva...

Que vergonha! Mas progredi na carreira militar. Cheguei a cabo!

Quero escrever um texto sem usar duas vezes a palavra cabo.

Que mais? Deixa-me ver... Quero saúde pra dar e vender. Principalmente a um amigo meu que anda bem precisado... Dar, vender e emprestar. Não, não se empresta saúde a ninguém. Nem mulher, passarinho e livro.

Quero voltar no tempo ou pro futuro.

Também quero que se f... Se eu quiser falar com Deus tem que ser por telefone e a cobrar.
Tô com fixação e mania de Deus, hoje, né? É porque, ontem, ouvi uma ótima do maestro Radamés Gnatalli: "Deus inventou o chope e o Diabo inventou o uísque".

Gente, mas que maldita mania de você, cabo, Deus, Diabo e Woody Allen:
"Não apenas Deus não existe; como tente encontrar um encanador num fim de semana".

Eu quero mamar. Tudo o que quero é voltar ao útero, qualquer útero. Menos o da Cláudia Ohana porque não manejo bem o facão.

Eu quero ver Cuba lançar!

E Michelle e Barack Obama na Casa Branca? Ela passou os dedos nos móveis pra medir a poeira e ele quis conhecer o Salão Oval pra brincar de Monica Lewinsky com o Bush.

PS: O Novo Testamento gravado por Cid Moreira é de fazer Deus perder a fé...

 

 

Correntista não, minha conta bancária tá mais é pra água parada, de corrente só tenho as dívidas!

A avó do Obama, a tia do Obama e a Claudia da Ohana


Fernando Fiusa

Aí o Lobo Mau ameaçou Chapeuzinho Vermelho: "Vou comer uma coisa sua que ninguém nunca provou...". E a Chapeuzinho devassa: "Só se for o cesto...". Chega de fábulas infantis! Isso aqui é uma coluna séria! Acho que Lewis Hamilton, o Obama do Asfalto, é meio solteiro e sem filhos... Deixar aquela namorada gostosa, no meio de mecânicos tarados, passar quase duas horas sentado, na frente de um monte de homens suados e querendo entrar... Sei não... Por falar nisso, e a tia do Obama? Ainda tá presa como clandestina? Eu achando que o Bush só prendia mexicano e brasileiro... Queniano também é gente! E se antes da eleição a família do Obama já estava invadindo os EUA, imaginem agora, só vai sobrar hiena no Quênia... Por falar no monstro Bush, que injustiça! Ninguém lembra suas boas ações. Quantos perus ele perdoou e salvou da morte no Dia de Ação de Graças! E a suruba do Itaú com o Unibanco...? Sou correntista deste último... Correntista, não, minha conta tá mais é pra água parada, de corrente só tenho as dívidas! Tô ferrado! Reunião de banqueiro é igual café da manhã entre Hitler, Stálin e Drácula... Aposto que o Roberto Setúbal, o Pedro Moreira Salles e o Zé Transilvânia já bolam novas taxas mirando minha jugular... Ainda bem que temos Lula.

Tenho certeza de que até 2010 ele vai mandar todos os banqueiros praquele lugar, como prometeu há 10 mil anos. Queria devanear sobre a nova "Playboy" com Claudia Ohana, mas até o fechamento desta edição, a revista ainda não estava nas bancas. O máximo que vi foi um e-mail de degustação, perdão, divulgação. Nele, um texto do atormentado cineasta Ruy Guerra, homenageando a ex-mulher, e uma foto da Claudia, sem mostrar a Ohana. Está sentada, segurando um periquito na gaiola que, em minha singela opinião deveria ser uma periquita careca... Aliás, vou mandar esta coluna para o amigo esquisitão e editor da "Playboy", Edson Aran do Nascimento, com meus mais severos protestos. Não é o Ruy Guerra - ex-marido porque deve ter cansado de comprar gilete e cera de depilação em vão - quem deveria escrever sobre a nova versão capilar e pilosa de Claudia, afinal, Ruy é do tempo em que a Tônia Carrero jogava no Andaraí e Claudia era a maior defensora das matas, bosques, florestas, selvas e da zona do agrião, onde não existe pecado, no lado debaixo do Equador, ao sul do seu corpo... Na primeira sessão de fotos para a famosa revista masculina, Claudia, como Vera Fischer, ostentava um carpete que ia de lá até o umbigo.

Nem Rondon e os Irmãos Vilas-Boas seriam capazes de penetrar... Agora, especula-se até na Bolsa de Nova York que o buraco é mais embaixo e liso. Claudinha teria se "mudernizado" e desmatado tudo. Viva o aquecimento global! Assim, o autor da homenagem à bela e quarentona Ohana, na "Playboy" deveria ser assinada pelo supergovernador Blairo Maggi, expert em moto serra e deserto... Plantemos soja e... Mandioca na Claudia Ohana! E tem mais. A "Playboy" bem que podia convidar a Sarah Palin e a mulher do Obama, Michelle, para um ensaio nu e pelado... A namorada do Hamilton também. Da mulher do McCain só quero as cervejas; mas não podemos esquecer a tia clandestina do Obama. Esta triste situação só pode ser vingança e praga do primo do Barack Hussein Obama, o Saddam, que foi preso pelos norte-americanos num buraco iraquiano.

Tenho até o título da "Playboy": "No esconderijo com a Titia". Imaginem a tia do Obama, suja, maltrapilha, faminta e psicótica, escondida na garagem do sobrinho, em Honolulu, Havaí... As roupas rasgadas de correr da polícia, de pular cerca e muro, deixando entrever suas curvas de savana... E os policiais, de cassetete na mão, pistola na cintura; que a descobrem em andrajos; podiam ser o Bush e o McCain... O texto seria do Bill Clinton oferecendo à tia clandestina uma vaga de estagiária em sua fundação e um vestido de teflon... As fotos, em P&B, denunciando o drama de uma refugiada africana na América? Do Sebastião Salgado, evidentemente. Melhor parar aqui porque estou ficando excitado com a tia do Obama e não devemos rir da desgraça alheia. Afinal, um dia posso ser clandestino, no Quênia...

PS: Sinto muito, mas Obama não é o primeiro presidente negro, é o primeiro presidente mulato... Chega não é? Voltemos à vida como ela é. (10-11-2008)

 

Ainda não cansei de escrever aqui que caras e nomes dizem muito sobre seus respectivos donos.

Os sobrinhos do Kassab e os amigos dos sobrinhos


FERNANDO FIUZA

Chega de São Paulo, Paes, Belo Horizonte, Cuiabá e Macapá. Falemos de eleições de verdade. Vou votar no John McCain. Onde já se viu presidente norte-americano chamado Barack Hussein Obama? Nem no Quênia, capital do Haiti, no primeiro Havaí à esquerda, fundos. Nome de presidente norte-americano é Lincoln, Roosevelt, Nixon, Reagan, Bush, Clinton. Até Kennedy que é irlandês como McCain é escocês. Até meu "Word", que é burro para caramba, reconhece esses nomes. Agora, vá escrever Barack Hussein Obama e Mahmoud Ahmadinejad pra ver com quantos paus se faz uma forca... Ainda não cansei de escrever aqui que caras e nomes dizem muito sobre seus respectivos donos. Por exemplo, o Hugo Chávez e o Evo Morales não têm cara de cueca suja? Claro que têm. E o Obama? Parece um ascaris lumbricoides, um treponema pálido. E ainda por cima é Jr... Querem mais? O cara nasceu dia 4 de agosto de 1961. Não pode ser presidente dos EUA. Presidente lá tem que nascer dia 4 de julho e de 1962, ano da invasão da Baía dos Porcos (Pigs).

E onde ele nasceu? Honolulu, Havaí. Havaí é lugar de Elvis Presley e de engenheiro gaúcho, pô. Fala sério! Agora passemos ao mais importante, o nome dele. É lá que mora o perigo. Barack tem nada a ver com Baccarat, tá mais pra Barraca, é ou não é? E Barraca só me lembra programa de índio, índio brasileiro, óbvio. Sim porque nos EUA, índio é Manhattan, aqui é Pataxó, Tupinambá, Tapuia, Tamoio, Caeté, Cinta-Larga, Anhagabaú, Galerias Pajé, apito, espelhinho, miçanga e churrasquinho de Sardinha, Bispo Sardinha. Ô gentinha! Barack. Barraca: chutar o pau da barraca... Quer coisa mais feia que isso? Barraca parece barraco: armar o barraco é coisa de Regina Casé, de Sebastião Salgado. Barraca é coisa de acampamento, camping. Coisa de ficar sem chuveiro, coisa de pernilongo, marmita, ovo frito, torresmo à milanesa, pelo amor de Deus! Quer fazer de mim um inimigo figadal, basta me convocar pra acampar... E que tal acampamento com fogueira, vinho Pompéia - o dos últimos dias - cachaça, amendoim torrado e chato tocando Legião ao violão? Pior só "Andanças" com aquela mala da Beth Carvalho, "Vi tanta areia andei, da lua cheia eu sei, uma saudade imensa...". E quando ela canta: "Olha a lua mansa a se derramar", vem o corinho de chatos e completa: "me leva amor" e depois, "por onde for quero ser seu par": peço eutanásia, juro, sem anestesia!

E Hussein? Hussein é até legal, me lembra o rei Hussein da Jordânia, mas aí vem o Saddam e estraga tudo. Só tenho medo de duas coisas nesta vida: móveis antigos (franceses e ingleses) e do Saddam Hussein. Quando ele aparecia na TV, com aquele bigodão, levantando a espada, eu corria pra debaixo da cama e pensava com meus butões, melhor, botões: quem tem Curdo tem medo. E Obama? Como se não bastasse o lado Hussein, o cara ainda tem nome de bin Laden! Só pode ser brincadeira. Imaginem alguém gritando "Obama" em Nova York... Até provarem que é o presidente e não o Osama, o resto da cidade caiu. Obama ainda me lembra cama, mucama, lama, oba-oba, Ibama, Brahma, fama, dama e Osama... Até que fazer um oba-oba com uma dama ou mucama, na cama, na lama, tomando umas Brahmas, pra levar a fama de Osama destruidor de lares deve ser legal; mas todo dia enjoa...

Chama o Ibama! Sério, cês tão me entendendo? Obama presidente parece o Sarkozy antes de virar presidente da Carla Bruni, num debate na televisão: "Se eu for eleito, a Turquia nunca fará parte da Comunidade Européia. Como é que eu vou explicar, na escola, a uma criança francesa, que um país fazendo fronteira com o Irã é parte da Europa?". Isso sem falar no Iraque, Síria, Armênia e no supracitado e dolorido Curdistão. O último nome do Obama é Jr... Na hora penso no Fábio Jr. E não se fala mais nisso. E olha que ele nem pode cantar "Pai Herói" porque o pai dele era comunista, abandonou o lar e o voltou pro Quênia... E na Nigéria o povo come morcego... Vivo! Onde já se viu comunista ter filho! Comunista corta a garganta do filho com casco de Brahma, olha aí a rima de novo... Obama pra mim não passa de um Lula dublado, com tecla SAP. E concordo com o Reinaldo Azevedo. Se o Obama for mesmo assassinado, ele pode se candidatar a papa ou secretário-geral da ONU pra criar o governo mundial. Ou mudar-se para o Brasil e disputar a condição de maior milagreiro do Ocidente ou a presidência da Fundação Cacique Cobra Coral com o Lula. PS: Brincadeira; adoro o Obama, vou até colocar o nome dele no meu hamster.(03-11-2008)

 

Garota Eloá, crise econômica e impossibilidade de opinar sobre as eleições em Belo Horizonte me deram crise de insônia

Coloquem seus assentos e acentos na posição vertical, please



Sinceramente, esta menina seqüestrada e morta, Eloá, não tinha cara de... Digamos... Mulher que tem nome de mulher do Jânio Quadros? Dona Eloá, mulher discreta que fazia os próprios vestidos e os das filhas... Garota Eloá, crise econômica e impossibilidade de opinar sobre as eleições em Belo Horizonte me deram crise de insônia. Fui procurar ajuda médica. Mesmo solteiro, sem filhos e apreciador de rúcula, gostaria de votar em São Paulo, no Rio ou Nova York (Dá-lhe McCain!). Mas, toda vez que tenho insônia, não consigo dormir e deliro. Insônia me tira o sono. Com insônia eu nem sonho! O médico monstro recusou-me remédios. Aleguei que estava sofrendo e ele me mandou rever o filme "Clube da Luta" pra ver sofrimento de verdade. Depois de "Bambi" e "Beleza Americana", "Clube da Luta" é o filme mais inteligente e perigoso que existe. Nele, o atormentado personagem de Edward Norton é o típico escravo do consumismo instintivo caseiro. Trabalha muito e à noite, sozinho, até sentado na privada devora catálogos e, por telefone, encomenda as coisas mais esdrúxulas como capa para o "sumiê" amarelo ou cúpula de abajur cor de carne feita de papel biodegradável... A rotina de Hércules e Cíclope provoca-lhe terrível insônia.

Pra ver o que é bom pra tosse, o médico recomenda-lhe a Igreja Metodista onde, toda noite, reúnem-se grupos de desesperados. Festival de tragédias e suplícios... O cara vai à primeira reunião, às terças, do Grupo de Suporte para Homens Sofrendo de Câncer Testicular; cai na real, consegue dormir, mas fica viciado na lama alheia. Aí procura outros grupos, usando cada vez um nome falso: Cornelius, Rupert ou Travis... Cornelius vai aos Alcoólicos Anônimos. Rupert visita os Sobreviventes de Incesto. Travis prefere o Grupo de Renais Crônicos. Tudo para abrir os chakras do coração... E vício é vício. O dependente ainda traça as reuniões bimestrais dos Parasitas do Sangue, dos Criminosos Comuns, dos Anêmicos, dos Solteiros sem Filhos, da Demência, da Rúcula, dos Procurados pela Polícia de Alagoas e do Melanoma. Terapias essas mais baratas que psiquiatra ou cinema. "E ainda tem café de graça nos intervalos". Saquei enfim a metáfora do meu médico. "Clube da Luta" é um antídoto, uma profecia sobre a crise das bolsas. Tanto que um dos grupos é o dos Devedores Anônimos... Assim, na falta de um bom suco de perclorato de amônia oxalato, fui procurar minha turma.

Escolhi o Rio de Janeiro pela proximidade; pra ser mais anônimo e fazer apologia do Gabeira. No Eduardo Paes jamais votaria. Se ainda fosse a Juliana Paes... São Paulo? Nem pensar! Imaginem se a Marta Suplicy espalha que sou solteiro, sem filhos e amo sanduíche de rúcula com queijo Minas Padrão e lombinho canadense bem fininho... Eu teria que procurar ajuda no grupo "Argentinos Anônimos que à Noite Fazem Nela Aquilo que a Candidata quer Fazer nos Paulistanos durante 24 horas"... Decidido, comprei "O Globo" e, de cara, achei maravilhosos programas para sofrer ao vivo: shows da banda Sorriso Maroto e Fagner, no Canecão. Pra quem não sabe, Sorriso Maroto canta aqueles versos "que vontade de matar todo panda que não transa pra salvar a própria espécie". Já o saudoso Fagner é autor do clássico "Sou cearense porque vou te vender o sabonete que fizer com as banhas da tua lipoaspiração e abrir as válvulas dos petroleiros para sujar aquelas praias francesas que nunca vou conhecer". Mas o ápice de meu tratamento intensivo e carioca estava por vir e ver: o "I Encontro Brasileiro de Pessoas que Gaguejam", discutindo o preconceito contra os gagos.

Ops! "Pessoas que gaguejam", dizer gagos é politicamente incorreto, ensina Mônica Britto, coordenadora do curso de fonoaudiologia da Universidade Veiga de Almeida, porque Verga do Almeida também não é correto. Outra discussão capital foi a condenação da nova reforma ortográfica que acabou com o hífen na língua portuguesa... Afinal, gago sem hífen fica mudo e analfabeto... Ah! Fiz questão de abrir o encontro, com coro local, entoando "Gago Apaixonado" de Noel Rosa, no original. Foi um sussu-cece-sso! Minha próxima investida será no Congresso Internacional dos Fanhos de Língua Plesa, com discurso de Lula e Felipe Massa. PS: Estou melhor, merci. Descobri que nasci num hospício, durmo apenas uma hora por noite, continuo solteiro, sem filhos e acho o Kassab uma rúcula, melhor, uma graça! (27-10-2008)

 

Aniversário também é aula de economia; provando que a indústria da música vai péssima, pela primeira vez não ganhei um só CD

Bicho de pelúcia, broche de ametista e calcinha da florista





Meu ano novo de 9 de outubro começou com Chico Buarque no iPod porque, como em Paris, tudo começa num bistrô; tudo em minha vida começa com Chico. Ou com vodca...
Tudo escorreu bem. Até trabalhei pro dia seguinte ser feriado. E ainda arrumei tarde pra cortar as melenas. Máquina 4 porque o verão tá na esquina. Vou economizar o xampu francês, o pente Flamengo, o fusca, o violão e a nega chamada Tereza.

Tomei banho e um táxi para estrelas de um bar deveras sugestivo: "Vinicius", homenagem ao Moraes, filho do 19 de outubro.

Lá confirmei suspeita atroz: muita gente gosta de mim.

Convidados explicam o aniversariante: adoráveis canalhas e lindas fãs. Abraços, beijos, carinhos e risadas sem ter fim. Eu não sabia que minha noite seria mais bonita que as do Robinson Crusoé; mesmo porque o Sexta-Feira não dormiu pelado ao meu lado.

Como livros e CDs na mesma estante, tinha gente lá nada a ver com outras. Mas todos com Sukita e comigo. Cada um, uma história legal. Cada uma, um tempo do meu tempo.
Como meus guris e gurias; as prendas que ganhei também explicam muito.

No lugar do litro de aguardente tão amarga de tragar; presentes pra me encabular: tanta garrafa, de vinho e de uísque, que haja goela pra enfiar. Inclusive uma, vazia, mas cheia de tinta e arte por fora. Das duas, uma; ou sou notório alcoólatra ou tão achando que bebo pouco. A gente ganha o que precisa, o que gosta, né? Prefiro a imagem de abstêmio; afinal, "pescoço em francês" de bêbado não tem dono...

Pra rimar, ganhei taças de vinho de alguém que não conhece minha preferência por umbigos femininos que transbordam e escorrem...

E mais: lindo anel, meias, muitas camisas, uma calça e um par de sapatos; pra minha curiosidade: ando mal vestido ou o povo quer reforçar minha nata elegância?

Prefiro endossar a segunda opção porque um dia todos entenderão que minhas calças, camisas, tênis velhos e sujos de tinta são puro estilo. Duvidam? Coloquem uma de minhas camisetas Hering no George Clooney e, dia seguinte, elas serão tendência na semana de moda de Paris.
Com uma das camisas veio amostra única e grátis de um tal Vivanza (genérico do Viagra), 10mg, uso adulto e oral; claro, duvido que uma criança use isso e em outro orifício... Hilário! O gozador que me enfiou esta inútil caixinha esqueceu-se de que minha vida é dura em todos os sentidos.

Sou "facim", desses que só dizem sim, por uma coisa à toa, uma noitada boa; um cinema, um botequim.

Mesmo assim, papei coisas legais, como um DVD com a pré-história do pornô, desde 1915. Presente recorrente, sempre ganho coisas pornográficas. Assumo o lado tarado. Todavia senti falta daquela bolsa já com tudo dentro: chave, caderneta, terço e patuá; lenço e penca de documentos pra finalmente eu me identificar. Em compensação ganhei um chaveiro pra me levar pra casa.

Nada de pulseira, celular, cimento, prataria, relógio, pneu, cueca cheia de dólares e gravador. Não tenho amigos petistas.

E os perfumes? Estarei fedendo em vida? Não creio. Prefiro dar vivas ao centenário e libriano Cartola, cantando que as rosas não falam, mas exalam o perfume que roubam.
Aniversário também é aula de economia; provando que a indústria da música vai péssima, pela primeira vez não ganhei um só CD.

Minha turma tem renda, por isso aceito uma prenda, qualquer coisa assim, como uma Teresinha falsa, um sonho de valsa, um corte de cetim, uma manta de carne.

Meus comparsas dizem que é difícil me dar discos "porque já tenho tudo". Que exagero! Só tenho os bons. Mesma coisa para livros. Só porque uso óculos, a galera acha que sou um compulsivo das letras. Mas me dei bem neste literal capítulo; entre uma biografia do pica-grossa Chet Baker e contos de Raymond Chandler, brindaram-me com a "Revista do Lalau - Uma seleção de raridades, textos dispersos e inéditos de Sérgio Porto, o homem que inventou Stanislaw Ponte Preta e o país do Febeapá". Melhor, só a dedicatória: "Ao grande e fiel amigo, um pouco do nosso Lalau, figura que marcou sua boa época, assim como você está marcando a nossa".

Que elogio! Se eu não fosse tão canalha, choraria. Mas ri meu riso sacana porque infelizmente, nossa época não é tão boa quanto a do Lalau. A nossa, brasileira e mais Febeapá do que nunca, é a da delicadeza perdida, com exceção de um aniversário como este, cheio de amigos como estes, as verdadeiras prendas.

PS: Meu aniversário terminou com Chico Buarque porque tudo em Paris termina num bistrô e tudo em minha vida termina com Chico. (20-10-2008)

 

A música foi generosa com este dia. Além de Lennon, temos o maconheiro Peter Tosh, o raso Taiguara, o “The Who” John Entwistle (who?), a anoréxica P.J. Harvey e Sharon Osbourne

Que belo estranho dia para se ter alergia à alegria

Pra começar, a piada do milênio: "O que é verde e vai para o Oeste? Os Picles Solitários...".
Falta de assunto? Não.

São uns babacas estes cronistas atormentados pela página em branco; falta de inspiração e assunto que vira tema do texto deles.

Frescura. Nunca me falta do que falar. Falar mal. Adoro falar mal dos outros, principalmente dos amigos. Eu poderia escrever todo dia. Vou acabar criando um destes blogs que ninguém lê.

O mundo é pródigo em bizarrices; fonte inesgotável para os labirintos doentios da mente de um escriba. O Brasil é um paraíso! Por exemplo, estas eleições estão um prato cheio. De merda, mas cheio.

Como eu dizia; este 2008, além da fartura de fatos, tive a sorte de esta coluna ser publicada em datas vênias.

Entre outros; o Dia dos Namorados caiu numa quinta-feira, o aniversário do Chico Buarque também, assim como o 11 de Setembro e de sinistra memória.

Hoje é 9 de outubro e se quisermos viajar nele, basta a internet, seu Google ou Wikipédia. Querem ver quantas coisas cruciais e interessantes aconteceram num 9 de outubro?

Leif Ericson desembarca na Vinlândia. Foi o primeiro europeu conhecido a pisar no Canadá. Seu pai, Erik O Vermelho, desembarcou na Groenlândia em 982. Que maravilha! Em 1075, Dmitar Zvonimir é coroado rei da Croácia. Um néctar de informação! Em 1446, o alfabeto Hangui foi criado na Coréia. Vou me matricular num curso de Hangui, amanhã mesmo, ao meio-dia.

E os ilustres filhos deste hoje de outubro tempo e espaço afora?

Jesus nasceu dia 9, mas foi registrado por Judas...

Temos os franceses Camille Saint-Saëns (compositor) em 1835 e o capitão Alfred "Papillon" Dreyfus, em 1859. O quê? Não conhecem? Pacóvios! Tem mais, calma aí!

Que tal Mário de Andrade (1893)? Mário (que Mário?) também escreveu "Macunaíma", mas deste eu não gosto porque me lembra aquele mala sem graça do Grande Otelo berrando.
Ah! Este outro enrustido e grande pintor; adoro: Ismael Nery (1900), nosso primeiro Salvador Dali.

Voltando à França, temos outro chato, mas cultuado cineasta, Jacques Tati (1907), dono de filmes desbotados e mudos. Pior só Chaplin filmando Guimarães Rosa.

Pausa para reflexão. Vejam que tem nada a ver uma pessoa com outra nascida no mesmo dia. Isso é besteira.

Em 9 de outubro de 1940 nasceu John Lennon. Não era boiola, francês, cineasta; não falava Hangui, nem foi rei da Croácia; apenas um vulgar Beatle.

Ah! Sean, o lindo filho de John & Yoko também é de 9 de outubro, mas não se casou com a mãe, nem foi assassinado. Por enquanto...

A música foi generosa com este dia. Além de Lennon, temos o maconheiro Peter Tosh, o raso Taiguara, o "The Who" John Entwistle (who?), a anoréxica P.J. Harvey e Sharon Osbourne, mulher do Ozzi, pode?

Atores? Tony "Monk" Shalhoub e Guilherme del Toro.

E a tenista, melhor, golpista, não, golfista sueca, Annika Sörenstam?

Mas 9 de outubro não é só alegria. Ele também matou ícones como o papa Pio XII; o pica-grossa escritor francês André Maurois; Che Guevara; Oskar Schindler (que gostava de fazer listas e elevadores); meu ídolo belga, Jacques Brël (autor da linda, desesperada e humilhante "Ne me Quittes Pas"); o saudoso presidente Médici; João Cabral de Melo Neto, Roberto Campos e meu guru, Clóvis Bornay.

PS: Ah! Dia 9 de outubro de 1962, enquanto Uganda, aquela encruzilhada do progresso, tornava-se República; nasci; Walter Ego, em Barbacena. É; este 9 de outubro é de quinta.

Quinta-feira...(13-10-2008)

 

Parei de brincar senhor juiz, porque ninguém mais me tira pra dançar um tango argentino com cítara, zabumba e a orquestra de Manuel Bandeira

Ensaio sobre o colírio ou coelhos velhos custam a morrer


"Escrito nas Estrelas" é filme bacana sobre encontros e desencontros amorosos, com o final feliz que só acontece no cinema. É pra ver com a namorada. Pra ver se ela se toca... Ou pra tocar a namorada... Socar não, por favor!

Enquanto o casal não entrega seu destino ao destino, a mocinha gostosa, Sara (Kate Beckinsale), pergunta ao herói, Jonathan (John Cusack), qual seu filme favorito. Era "Rebeldia Indomável" (1967), com Paul Newman...

Coincidências são como o Brasil, não existem, mas, revi "Escrito...", no dia em que Paul foi pedalar nas estrelas assoviando "Raindrops and a Piano Keep Falling on my Head".
Outra?

Este texto, antes das estrelas e de Paul, era sobre meu filme favorito...
"Casablanca" (1942). Quando eu acreditava que Papai Noel amava suas renas, sem malícia. Mas, por causa daquela vagaba da Ilsa (não, o nome não é um anagrama...) parei de brincar senhor juiz, porque ninguém mais me tira pra dançar um tango argentino com cítara, zabumba e a orquestra de Manuel Bandeira.

Ilsa (Ingrid Bergman) dá pro Rick (Humphrey Bogart) enquanto o corno do marido, Victor Lazlo (Paul Henreid), estava na guerra matando nazistas de vida fácil. Desconfio que Ilsa tenha dado, emprestado e vendido até pro Sam, o pianista. Reza a lenda que, quando Ilsa pede: "Toque, Sam, toque pelos bons velhos tempos", não é bem o clássico "As Time Goes By" - música que enterneceria até Osama bin Laden - o que ela queria... Ilsa era insaciável. Pra mim, transou também com o (Ugarte) Peter Lorre que vivia de porre, o capitão Renault (Claude Rains), que trocava vistos de saída do Marrocos pro Iêmen por hímens complacentes, e com todos os figurantes. No final feliz, Ilsa volta pro marido, vai pros EUA e Rick vira gay no meio da bruma. O que é um desperdício porque bonita e deliciosa mesmo era a tão esnobada namoradinha do Rick, Yvonne (Madeleine LeBeau).

Hoje, com a crise nas bolsas, minha película predileta não é "Rambo V", juro. Estou mais pra "Alfie, o Sedutor". Não, não é porque sou a cara do Jude Law. Nem pela canção-carapuça "Old Rabitts Die Hard". Ou seria "Old Habits Die Hard" (Pau que nasce torto vira bengala), com Mick Jagger? Sei lá, é tudo tão estranho...

O buraco é mais embaixo...

Alfie era mesmo um sedutor (mulherengo, galinha, canalha!). Comia todas e depois sumia na bruma, sem virar gay. Pelo contrário, continuou abatendo todas as mulheres do Martinho da Vila, chifrou o melhor amigo, quase fica broxa e acaba como azeitona na empada da piada de português. Santa comparação, Batman!

O importante para Alfie é C.P.B. (cara, peitos e bunda). E também o terno Gucci, camisa rosa e sapatos Prada. Perfume sempre abaixo do pescoço e no "Big Ben porque nunca se sabe como vai terminar o dia". O terreno de Alfie é Nova York porque lá estão as mulheres mais lindas do mundo, "cada uma única, especial, como flocos de neve". E que pletora de beleza e diversidade! "Como o homem pode querer ficar com uma só?", defende-se Alfie, adotando a filosofia de vida européia: "Minhas prioridades são vinhos e mulheres. Mas mulheres e mulheres são a melhor opção...". E a nota mais alta que ele dava às perfeitas era "A".

A posição sexual favorita de Alfie era a do presidente John Kennedy: o mínimo de esforço e o máximo de prazer... Entre outras, Alfie leva pra cama, banco das limusines que dirigia, mesa de bilhar ou banheira sua semifixa (quase namorada) Julie "sem sal, boazinha" (Marisa Tomei), Liz "panela velha é que faz comida boa, devassa" (Susan Sarandon) e o monumento louro e suculento, Nikki (Sienna Miller).

E é falando dela, pensando sobre ela, que entendemos a verdadeira filosofia de vida e morte de Alfie. A cena é perfeita. A doidona Nikki, vestindo apenas minúscula calcinha e fumando, esquarteja um pepino com uma machadinha, na cozinha. Alfie, frente à maravilhosa cena, lembra de um passeio a um museu de Londres, quando se apaixonou por uma escultura de Afrodite, perfeita, mas que de perto mostrava-se danificada pelo tempo. E é aí que ele confessa à platéia do filme: "Você sabe que tem problemas (de relacionamento), quando uma imagem dessas não o prende". Traduzindo para bom javanês, até caviar de beluga, com champanhe, todo dia enjoa... Tem dia que a noite tá mais é pra sardinha ou mortadela Sadia...

E assim caminhou a promiscuidade do Don Juan Alfie, sempre fugindo de compromissos, esperando a mulher perfeita.

PS: E assim terminou Alfie, na bruma, sozinho, sem nada. Estava escrito nas estrelas. (06-10-2008)

 

 

Pior só as homicidas: homem de dia, Cida de noite. Perguntem pro Bush. Não, melhor perguntar essa pro Ronaldo Fenômeno...

Da arte de abater aves de pequeno porte em pleno vôo


Tenho dois amigos Juarez Machado. Um é o famoso pintor. O outro é autor do imortal texto infantil, "A Vaquinha Lésbica e o Coelhinho Pederasta"; emérito e egrégio caçador de aves de pequeno porte. Não, pintos não, mas as franguinhas que pululam saltitantes. O cara é PhD na arte das penosas, coelhinhas incautas, lebres serelepes e ratazanas em pele de cabra.

No Brasil não sei, mas aqui em Belo Horizonte, o abate é esporte nacional. A temporada começa em janeiro e vai até dezembro.

E em todos os lugares: fila de banco, ferro velho, manifestações de professores contra o Bush, consultórios e até na Feira do Bebê e da Gestante. As bebês a gente perdoa, mas as gestantes de até um mês... Só no sapatinho: "Mamãe eu quero mamar...".

Não tem perdão. A moda está nos supermercados chiques. Na seção de vinhos finos, na de queijos grossos, na de nabos importados, na dos pepinos grossos ou finos.
Supermercados caros são perfeitos para "empurrar" mulheres do alheio...

Mas meu forte são as "carnes de segunda". Tenho um fraco pelas barangas que moram em "comunidade" e ficam felizes com qualquer coisa: um corte de cetim, um sonho de valsa, um Kinder Ovo.

Semana passada, peguei uma que nunca tinha visto latinha de Coca-Cola. Ensinei-a a abrir o artefato por trás... Ela até chorou...

O sacolão é indicado para traçar domésticas, mães solteiras, divorciadas e estudantes que gostam de uma boa sopa de entulho durante o lusco-fusco...

Posiciono-me na zona do agrião, ao lado das leguminosas e capricho: "O preço da acelga está uma beleza... Os tomates estão pela hora da morte... Estes brócolis vão muito bem com manjuba...". Não tem erro e ainda deixo que elas guardem as compras na geladeira enquanto mostro com quantos paus se faz uma salada de picão com palmito cru.

A área dos comestíveis é tiro e queda.

Todavia não devemos desprezar outros abatedouros. Afinal, o que importa é enriquecer o currículo! Perguntem pro Bush...

Amadores paqueram em bares, festinhas e durante a Quaresma. Prefiro locais mais exóticos.
Não aconselho casamentos e batizados, a não ser que a vítima seja a noiva ou a mamãe emocionada. Desde que o noivo e o pai estejam distribuindo charutos de duplo sentido. Tais eventos têm muitas solteiras que só pensam naquilo: casamento. Você dá bom dia e elas já estão mandando os convites pra gráfica. Um horror!

Há exceções. Se a batráquia valer a pena, prometa noivado, casamento ou até mesmo uma máquina de lavar pratos. Uma vez consumado o ato, o colóquio amoroso, invente uma história e suma. Ontem mesmo, depois de me lambuzar e saciar-me, disse que ia comprar cigarros poloneses pra levar minha capivara ao dentista, em Manaus e até agora não voltei. Há que ser criativo. Perguntem pro Bush...

Adoro velórios!

Todas de preto, maquiagem borrada, frágeis, sensibilizadas, pensativas sobre o sentido da vida, principalmente a viúva a quem abordo assim: "Se casar de novo perde o pecúlio...".

Velório é bom de madrugada, quando as vítimas estão sonolentas e com frio. Basta chegar por trás, dar "aquele abraço", oferecer café com adoçante, cachecol e soltar: "Não posso dizer que te amo aqui para não atrapalhar as investigações que chegaram até o hospital, mas não resistiram aos ferimentos da população ribeirinha gritando palavras de ordem". Infalível!

E se você fica até o final, os familiares do falecido oferecem sopinha, caldos, empadinhas, sequilhos e queijadinhas. Daí a importância de ter um estoque de camisinhas à mão. Nada melhor que uma rapidinha atrás da lanchonete entre gerânios e rosas murchas. Sempre pega bem, depois, na hora do cigarrinho, declarar: "Cassandra, você é de matar...".

No cemitério, como personagens de Nelson Rodrigues, não. Geralmente as mulheres que flanam entre as tumbas são suicidas potenciais ou psicopatas exponenciais. Pior só as homicidas: homem de dia, Cida de noite. Perguntem pro Bush. Não, melhor perguntar essa pro Ronaldo Fenômeno...

Missas são perfeitas também porque, como diz um padre amigo meu, "ajoelhou tem que chupar; perdão, rezar". Basta convidar: "E aí baby? Vamos lá em casa falar sobre o pregão e o índice Dow Jones?".

Bom, pena que a coluna chegou ao fim. A lista de locais para o abate de tolinhas é grande.
Deixo com vocês, até a próxima, uma ótima e última dica: lavanderias 24 horas... Mulher nenhuma resiste ao pedido: "Me empresta o amaciante pra deixar minha cueca fofinha e perfumada com carinho?".

PS: Esta coluna contém mais de 4.700 substâncias tóxicas.

 

Ela é mais bonita que a Notre Dame de Paris. Ela é mais jolie que a Angelina dançando uma mélodie de Satie. Minha pit bull de batom

Até a caixa postal dela anda cheia... de mim


Ah a falta que ela me faz!

Depois dela as outras são as outras. O horror! O horror! O que não tem governo nem nunca terá: a obrigação da felicidade. E ela. Aquela que passava fome ao meu lado e achava bonito não ter o que comer.

Mas é proibido sofrer, diz a bula que eu li. Temos de "funcionar", rir, gozar, ser belos, magros, chiques, tesudos; com muito Prozac, Rivotril e Viagra, caso contrário a gente vira pílulas de soylent green.

A infelicidade é a alegria obrigatória dos nossos carnavais pra tudo se acabar na quinta-feira, menos na Bahia, claro.

Tristeza não tem fim. Felicidade da publicidade de margarina também não.
Enquanto houver champanhe, caviar para todos e tarja preta pro resto, há esperança.
Cadê meu Audi, pô? E o Ipod, pó? Quem mexeu no meu camembert? Que Armani comeu meu Artani?

Artani que rima com ma Carla Bruni, ma came, ma toxique, mon anagramme mais mortal que l’héroïne afghane mais perigosa que la blanche colombienne.

Apesar de tudo, jantei bem, fui ao teatro e progredi na carreira militar. Cheguei a cabo! Meu nome, Mr. Been There, aos poucos, foi crescendo, até os píncaros da glória. Meus amores juravam-me amor eterno, mas acabavam fugindo com outros, deixando-me na lama. Uma noite, quando eu cantava a "Tosca", uma jovem atirou-me uma gérbera e tornou-se minha legítima esposa. Um dia, quando eu cantava "Lá Vem a Cobra Grande", de Gastão Formenti; ela fugiu com outro. Não pude mais cantar.

Ela foi substituída pela depressão. Ninguém mais é Álvares de Azevedo, é deprimido. Algumas palavras são mandadas pro esquecimento sem terem feito nada de errado. Saem de moda. Em alguns momentos pintou a inevitável encruzilhada: pular de cabeça no trabalho e deixar-se engolir por ele, com tristeza, ou encarar o trabalho como apenas isso. É duro optar, porque aí matamos alguma coisa muito importante. Então estamos sempre entre as duas escolhas. Mas assim aprendemos que ela pode ser manejada. Não deve ser ignorada, dopada, mas também não é bom romantizá-la, nem encorajá-la. Ela precisa de muito pouco alimento pra crescer, mas de um grande trabalho interno pra ser superada.

Mais tarde, lembrei-me que ela, contudo, me havia deixado um pedacinho de seu eu: minha filha; a pequenina boneca de carne que eu tinha o dever de criar. Fez-se moça, bonita... Voltei a cantar. Todavia, Deus levou minha filhinha atropelada por um caminhão de ervilhas. Aí fui caindo, caindo, passando dos teatros de alta categoria para os de mais baixa. Até que acabei por levar uma vaia cantando em pleno picadeiro de um circo. Me chamaram até de Cingapura de churrascaria! Nunca mais fui nada. Nada, não! Hoje, porque bebo a fim de esquecer a minha desventura, chamam-me ébrio. Ébrio...

Por que a gente continua não sabendo o lugar certo onde colocar o desejo traidor? Cadê o "Elogio Dela", de Eric G. Wilson?

Tá provado que morar na filosofia só é possível em alemão e que a felicidade só existe nos filmes do Capra.

Quero beber e cheirar as "Cartas da Islândia", de Auden, todo dia. Chega de "Cartas Chilenas".
Por que nos escondemos atrás de sorrisos tensos e do bom humor programado? Pra disfarçar o medo que temos de móveis antigos?

Ela me cola desde os tempos de escola. Ela é mais bonita que a Notre Dame de Paris Ela é mais jolie que a Angelina dançando uma mélodie de Satie.

Ela era meu pré-sal com açúcar e com afeto. Minha vereadora, minha personal Amy Winehouse, minha pit bull de batom, meu bóson que acelerava minhas partículas até eu fazer big bang nos lençóis. Era meu grampo, minha Madonna mandona, minha formação