Walter Navarro
Posiciono-me em frente ao espelho, levanto o pescoço e,
usando os dois indicadores, aperto o caroço até sair alguma
coisa
Eu me sifu, mas não
exerço

Fernando Fiuza
Sabem o que achei de 2008? Um pêlo de três
centímetros. De vez em quando, no meio de uma omelete com
quibe, sinto no pescoço uma protuberância. Aí aumento o
volume da TV pra não perder as idéias sábias e inteligentes
do "Café com o Presidente" e vou pro banheiro, inspirado, já
sabendo o que vai acontecer. Posiciono-me em frente ao
espelho levanto o pescoço e, usando os dois indicadores,
aperto o caroço até sair alguma coisa. Normalmente sai
sangue, para isso já tenho um bom rolo de papel higiênico ao
lado, para a ação profilática que se faz necessária. Vou
apertando o negócio e limpando o excesso de sangue sob as
unhas. Tem que ser rápido porque se o sangue seca, fica
parecendo que você acabou de assassinar alguém. Isso não é
legal porque se a polícia invadir o banheiro, pode te
prender antes das devidas explicações. Aí você continua
apertando.
Quando dói muito, basta pegar um pedaço, uma bolinha de
papel higiênico ou algodão e volta pra frente da televisão
até a hemorragia ser estancada. Quando na TV recomeça a
diarréia do presidente, é chegada a hora de voltar ao
banheiro e continuar a prospecção capilar, agora com um
pouco mais de empenho, engenho e arte. Vou ensinar como é
que se faz porque não sou egoísta. Nunca se sabe quando um
pentelho, perdão, pêlo encravado, vai aparecer na sua testa.
Afinal, as galinhas estão cada vez mais dentuças. Posso não
ter pinça, mas agulha e alfinete lá em casa não faltam. Ah!
Esqueci de falar que prefiro tirar Ohanas das virilhas das
moças porque a vista é mais agradável, mas na falta desse
lazer, há que se cuidar do próprio cou (pescoço em francês).
Pois bem, então, lá vou eu. Tento mais uma vez dar aquela
apertada na base do caroço, mas geralmente, a esta altura do
campeonato o cabelo já foi para as profundezas abissais do
músculo e aí, só mesmo uma boa e caseira cirurgia pra
resolver o problema. Pêlos pescoçais ou virilhais tendem a
entrar até o talo.
É um horror! Amiga minha explicou que se o cabelo não tem
força para perfurar a pele; vai num crescendo pra dentro.
Vai entrando assim ó, como uma broca... Aí é que devemos
intervir com severidade. Bom, com a chama de um isqueiro Bic
ou Zippo desinfeta-se a agulha ou alfinete. Claro, vá saber
por onde andaram as pontas desses interessantes objetos
perfurantes... O cabelo tá lá te furando, torturando, mas
ele não perde por esperar, o tolinho. Desconfio de que sapos
barbudos também padeçam deste mal: pêlos encravados no corpo
todo, alguns até no cerebelo; daí a importância dessa
metáfora. Feito tudo isso, recomendo uma dose de uísque para
aquietar os ânimos. Mas não é bom exagerar, caso contrário
você pode furar o próprio olho e isso não é muito agradável,
pois só te restará um para a apreciação das meninas
serelepes. Vamos lá.
Pegue a agulha ou alfinete e com precisão, enfie, penetre,
meta a ponta cruel bem na base da protuberância, rasgando ou
furando a pele. Às vezes na primeira estocada é possível ver
um pedaço dele e aí fica tudo mais fácil; mais uma fincada
ou apertada de indicadores e verão o resultado. O pêlo
metido a cabelo pula de seu esconderijo e fica lá,
pendurado, escuro e duro pela falta de oxigênio. É a hora do
prazer total. Dá enorme alívio porque quando o trabalho é
bem feito, você nem se fere muito e o cabelo assassino sai
de você como se fosse um alien, se contorcendo, todo
enrolado e enorme... Sim porque ele vai crescendo lá dentro
crente que você não vai perceber. Admire um pouco o trabalho
bem feito porque está na hora de, com a pinça ou com as
pontas do indicador e do polegar, arrancar o canalha de seu
valhacouto. Guardo todos. Estico o bicho, prendo num Durex e
fico olhando, olhando. Às vezes colo o danado, com o Durex,
numa página de um livro qualquer, à guisa de imortaliza-lo.
Meu recorde foi um de seis centímetros que mandei pra uma
namorada ficar com pena de mim.
É o bem de dentro pra fora e de fora pra dentro, como a
aveia Quacker, tão ligados? Por essas e outras é que estou
muito empolgado com o novo prefeito de Cuiabá. Não era bem
este o comentário final... Ah! Por falar em pêlos e cabelos,
fica aqui um sério protesto indignado com gel e brilhantina.
Amigo meu advogado, Dr. R., me contou uma de arrepiar os
cabelos. Lembram do ex-carequinha Marcos "Mensalão" Valério?
Lembram que tá preso? Lembram que ele fez implante pra se
disfarçar? Pois é... Rasparam a cabeça dele na cadeia... Que
absurdo! PS: Sabem quanto custa um implante daqueles? Uma
fábula! Uma pasta cheia de cueca samba-canção cheia de
dólares.(15-12-2008)
A imaginação que Deus me
deu é coisa do Diabo

Sábado ouvi do galináceo Jayme Reis frase
deliciosa: "Só os que desistem conseguem". Aí peguei carona
com outro amigo, Roberto Brant, ensinando o caminho de um
restaurante à linda Ana de Castro que, meio perdida, o
seguia: "Mulher que não sabe o caminho já é meio caminho
andado". Genial também, né? Só discordo da definição.
Aninha, filha do grande Amilcar de Castro, é uma escultura
ambulante; não é só uma mulher44, mas enorme área de lazer,
perfeito parque de diversões. É o que imagino... Só imagino.
Tô mais perdido que calcinha em missa de sétimo dia, quer
dizer, em suruba. Sem inspiração, vivo mendigando frases
alheias: "Ei você aí, me dá uma piada aí...". Quem sou eu
pra chegar perto de Aninha e suas amigas! A última mulher
que penetrei foi a estátua da Liberdade. Mentira, nunca fui
a Nova York. A última mulher que peguei me deu um papelzinho
e acrescentou: "Tá sem os 10%...".
Mentira, nunca fui ao Café Photo de São Paulo. A única coisa
que faço ultimamente é comprar frango. E ver TV. Já
repararam que, em todo filme, na cena de enterro, o padre
fala a mesma coisa? "Ainda que eu andasse pelo vale das
sombras da morte, não temeria mal algum, porque tu estás
comigo. A tua vara e teu cajado me consolam"... É ruim, heim!
Que papo é esse, meu? Vara, cajado consolando na sombra? Tô
fora! Ando tão down que outro dia, conversando com um Prozac,
ele começou a chorar. Corro tão masoquista que hoje à noite
vou pra Blumenau, mas só se chover. E tem aquela ótima do
masoquista que suplica: "Me bate!". E o sádico: "Não!". Só
dói quando eu rio. Aí morri de rir e de dor com o hino e o
bordão daquela propaganda da Embratel: "Empresário
masoquista, resista!". Não cheguei a trocar a banda larga da
Internet pelo telefone e as filas, mas ainda chego lá e vou
pedir: "Isso, bate mais, bate mais forte, Dona Lurdinha!". E
aquele comercial do novo Voyage, com o Sepultura cantando
Bossa Nova? "O coquinho caiu na areia da praia, um dia
levou-o pra dentro do mar...". Melhor, só goteira de esgoto
na cabeça.
Sofrimento maior e melhor, só esperar Godot, esperar e-mail
que não chega; mensagens com um lacônico "oi", telefonemas
mudos ou dizendo que "foi engano", aviso de caixa-postal
cheia, cartão-postal do Robinson Crusoé saudoso. Melhor, só
e-mail com tantas palavras ocas, fora de si, de um suburbano
coração: "C’est fini; c’est fini". Tantas palavras, que eu
conhecia e já não falo mais, jamais. Quantas palavras, que
ela adorava, saíram de cartaz. Nós aprendemos palavras
duras, como dizer perdi, perdi, palavras tontas, nossas
palavras. Quem falou não está mais aqui. Ainda bem que não
estou sozinho neste vale de lágrimas, vejam o que meu amigo
Chico disse pra ex-namorada: "Dei prá maldizer o nosso lar.
Pra sujar teu nome, te humilhar e me vingar a qualquer
preço, te adorando pelo avesso, só pra mostrar que ainda sou
teu". Que delícia! Martelada no polegar! Injeção na testa!
Pau no liquidificador! Hummm... Mas podia ser pior: "Eu te
estranhei, me debrucei sobre o teu corpo e duvidei e me
arrastei e te arranhei e me agarrei nos teus cabelos, no teu
peito, teu pijama, nos teus pés, ao pé da cama, sem carinho,
sem coberta, no tapete atrás da porta". Além de descobrir
que a "ex" tá nem aí pra ele, o infeliz ainda percebe que os
cabelos eram peruca, o peito, de silicone, o pijama, do
Ricardão, e o tapete tava cheio de poeira e pêlos. É como
ter as unhas arrancadas por alicate no filme "O Albergue".
Um deleite. Mas tem coisa pior: discutir peça e orçamento de
carro com mecânico. Pedir segunda via em repartição púbica.
Ou então o beijo de Judas, da Mulher-Aranha ou com gosto de
cebola... Melhor só a mão nas costas subindo as escadas, a
punhalada final de Brutus, o bafo quente na nuca, a unha no
calcanhar, um torturante band-aid no guaraná, a vara, o
cajado nas sombras.
Qual a pior tortura? A fila que anda ou a do SUS? O lacônico
"oi" ou a tese final, fatal dentro de uma garrafa nadando no
mar a caminho da nossa Guantánamo de cada dia, a ilha de "Lost"
sem Papillon? Reza a lenda que numa bela tarde de 1472, em
Florença, Leonardo da Vinci deixou seu ateliê e foi à praça
principal comprar frango. Lá chegando, deparou-se com
multidão incontável. Todos querendo frango. Leonardo, baixa
estatura, mas mentalmente da altura dos píncaros, começou a
pular e a gritar, levantando o indicador: "Um frango, eu
quero um frango". Num átimo de segundo, o gênio
renascentista mudou de idéia: "Não, um não, eu quero dois,
dois frangos". PS: Judia de mim, Dona Lurdinha! (08-12-2008)
Pausa para um desejo budista, a todos, em 2009: a dose
mínima necessária de sofrimento, tá?
Tratado
sobre as mulheres que já fumaram Derby

FOTO: Fernando Fiuza
Pra tentar entender uma coisa horrível da
semana passada - não é Santa Catarina - comprei a revista
"Mundo Estranho", sobre mulheres mutantes, como as que têm
espinhos pelo corpo e gostam de chupar cabelo de sabonete. A
revista tem mania de perguntas estranhas: Como surgem as
pintas? As pintas são "bolinhos" de melanócitos. Os
melanócitos produzem a melanina que dá cor à pele. Algumas
viram melanoma, câncer de pele, que é tortão, tem bordas
irregulares, diferente das pintas redondinhas. A coisa
horrível foi pior que ouvir o Marlon Brando pedindo: "Pega a
manteiga". Foi tão horrível que, naquela noite, se eu fosse
visitar o Grand Canyon, ele estaria fechado. Por que os
animais choram sem lágrimas? Fácil: porque só os humanos
choram lágrimas de crocodilo. Qual o líquido mais caro do
mundo? As gotas do veneno da cobra-coral: um mililitro custa
60 mil reais! E cobras também fumam, a mais viciada é a
mamba negra, que vem em pele de cordeiro, mas é mais cruel
que um tomate assassino.
E ainda ri quando a vítima canta Ângela Rô Rô no original:
"Todos acham que ando bebendo demais. Que não largo o
cigarro e dirijo meu carro, correndo, chegando, no mesmo
lugar. Ninguém sabe é que vou passar toda a vida esquecendo
você e a razão porque vivo esses dias banais é porque ando
triste, ando triste demais". E atrás de "Mundo Estranho",
tombei no site Mulheres Fumantes: "Vamos encher esta
comunidade de fotos de mulheres fumantes.... É lindo ver
mulheres fumando...". Achei pitorescos os comentários dos
leitores: Beber é bom... Mas fumar é melhor. Transar então,
nem te conto... Aí pergunto: e mulheres que fumam Derby,
bebem vodca e transam até cair?Dependendo do fumo e da
parceira, há controvérsias... Cigarro tá muito caro, 2.75 a
carteira... E tem umas vadias por aí que não valem nem um
cigarrim de palha... Pausa para um desejo budista, a todos,
em 2009: a dose mínima necessária de sofrimento, tá? Logo
depois leio: cigarro tá caro, por isso só fumo Derby, 1.90.
Para Faith Girl, as melhores coisas da vida são: Sexo. sexo,
sexo, beber e fumar.
E continua: já fumei certos becks que me deram mais prazer
que muitas mulheres! Quem fuma Derby não troca por nada...
Troca sim. É a coisa mais fácil do mundo a fumante de Derby
te trocar... Colega meu namorava uma dona que tinha pavor à
diamba, uma vez ela disse: ou você pára de fumar Marley ou
tá tudo acabado. No outro dia eu e esse truta dividimos uma
soltinha. Nem sei que fim levou a mulher. Já fui trocada por
muita coisa, mas não por cigarro... Sociedade hipócrita!
Encher a cara de cerveja na balada, dirigir bêbado e matar
pessoas pode; fumar maconha é legal, tá na moda, mesmo que
isso mate seus neurônios ou te leve para drogas piores e
incentive o aumento da criminalidade também pode! Agora,
fumante não presta, é mau exemplo. Nem toda mulher que fuma
é piranha. Mas toda piranha fuma. Se as pessoas parassem de
criticar os outros, começassem a olhar suas próprias ações,
tipo fumar na frente dos filhos, talvez o Brasil melhorasse
um pouco.
Ainda tem quem ouse dizer que maconha não mata... Já viu
alguém matar um "viciado" em cigarro pra cobrar dívida?: "Ah
matei ele porque me devia uma carteira de Derby". Quem fuma
Derby mata mesmo e com requintes de crueldade, na frente de
um monte de gente. Li tudo isso e adiantou nada; mas
descobri outra coisa pra fazer a gente esquecer coisas
horríveis que acontecem: supermercado com iPod. É assim,
você coloca umas músicas legais na orelha, pega um carrinho
e manda ver. Vai enchendo o bicho, sem pensar muito no que
tá pegando. Quando o carrinho estiver bem cheio, você faz o
caminho de volta e vai devolvendo tudo. Mas no lugar certo,
senão é sacanagem com os funcionários... Você vai enchendo,
esvaziando o carrinho, e ouvindo Tom Jobim sem parar, com
força, só no sapatinho. Sinatra, Henri Salvador e Chico
Buarque também servem.
The Cure e Coldplay são ótimos pra comprar enlatados. Aí,
quando aparece uma boa música francesa, você corre para a
gôndola de xampus... O que tem de xampu diferente é
impressionante, diversão garantida para várias horas e todo
tipo de cabelo, até para mulheres que já fumaram Derby e têm
complexo de Portnoy por isso até hoje. PS: Acabei pegando um
xampu pra desembaraçar cabelos e desenredar caminhos. Não
deu certo, mas durante um século, por um segundo, esqueci o
inesquecível... (01-12-2008)
Quando as rãs tomam leite
de canudinho...

Não era bem rã o que eu queria escrever, mas esqueci o
sinônimo. Sou alucinado por rãs, pererecas e batráquias em
geral. E o leite é fundamental para o crescimento das mesmas
e lesmas.
De sapo não gosto. As mulheres adoram. Tanto que sapo de
pelúcia é a última moda em casamentos. Além do tradicional
buquê, as noivas jogam sapos que viram príncipes...
Acho mais fácil o contrário, mas quem sou eu pra discutir
com noivas neuróticas? Nos dias que correm é mais fácil um
príncipe virar sapo. E sapo barbudo. E mentiroso. E
ignorante. E presidente...
Mas, chega de Obama. Preferiria o Morgan Freeman. Teríamos
mais ação e humor.
Além do "sapo do amor", a empresa, dona da genial idéia,
oferece mais de 30 opções em "amigos de pelúcia": alce,
panda, cavalo, porco, cachorro, urso, hipopótamo...
Se bem que pra casamento, as noivas querem mesmo é um
elefante. Acham a tromba romântica...
Pelúcia é mole mas sobe.
Adoro bichos de pelúcia. Pegam fogo que é uma beleza! E é
ótimo presente. Certos noivos, por exemplo, deveriam ganhar
o alce, afinal, é importante defender a classe e preservar a
espécie.
Como já disse, prefiro as pererecas. São mais reluzentes,
comestíveis e cheirosas. Tanto que, ontem, eu e meus amigos,
Kadu Moliterno e Dado Dolabella, saímos para pegar umas
mulheres, abater umas lebres e dar um tapa na pantera. Um
tapa, um soco, uma chave de braço, um pescoção, um joelhaço
e um pontapé.
Brincadeira, nunca bati em mulher. Nem com tapinha de amor
que não dói. Existem coisas muito mais interessantes a fazer
com elas. Discutir a relação, por exemplo. A coisa que mais
gosto de ouvir das mulheres é quando começam: "Walter, você
não está inteiro na relação...".
Nunca entendi o que querem dizer com isso, mas coisa boa não
deve ser.
Vai ver já pensam em nos esquartejar e colocar cada
pedacinho numa caixinha, no melhor estilo "Encaixotando
Helena", ao contrário. Eu lá tenho cara de Tiradentes?
Isso me lembrou célebre diálogo de filme francês. O cara
querendo dar o fora na mulher, a linda Arletty, e diz: "Você
está me sufocando... Preciso mudar de atmosfera...". E ela:
"E eu lá tenho cara de atmosfera?".
Adoro filme francês. Só tem uma coisa que gosto mais:
perninhas de rã. Porque perereca tem que vir inteira na
relação e na ralação.
Mas eu estava com o Kadu e o Dado abatendo umas batráquias.
Mentira. Na verdade caí na balada irada com meu amigo Fábio
Assunção. Aí perguntei por que ele tinha largado a ótima
novela - não perco um capítulo - "Negócio da China". Ele
disse que recebeu convite irrecusável da Record, pra fazer
outra novela, mais adulta: "Negócio da Colômbia". Ou seria
da Bolívia? Da lata? Sei lá, mas Fábio me garantiu que este
é o verdadeiro negócio da China.
Confesso que não entendi a reflexão. Pra mim, China, Bolívia
e Colômbia, tudo a mesma merda. Ops! Perdão, fezes.
Por falar em fezes, meus amigos gays estão eufóricos com a
chegada de dezembro. Aí perguntei o motivo e eles: "Porque
no Natal todo mundo come nozes...".
Também não entendi, mas fiquei feliz em saber que esses
amigos prefeitos, solteiros e sem filhos curtem o nascimento
do Jesus Cristinho.
Prefiro avelãs.
Deve ser meu lado esquilo. Se bem que nunca vi um esquilo,
quanto mais comendo avelã.
Se as rãs podem tomar leite de canudinho, as nozes podem
comer alces e sapos podem cheirar noivas, por que os
esquilos não poderiam dar um tapa na pantera chinesa?
Gosto de Natal porque todo mundo come avelã.
Peru também. Menos eu. Gosto de avelã e rã. Também gosto de
amigo invisível (oculto). Devido à recessão na Albânia já
comecei a comprar meus presentes: um monte de fitas e discos
rígidos do Protógenes Queiroz...
É rígido, mas sobe.
Tem uns filminhos também... Cada coisa cabeluda... Nada a
ver com a Cláudia Ohana...
Meus favoritos são o do Daniel Dantas dando uma surra de
vara e dólar duro na Susana Vieira e o da Dilma Roussef, de
olho roxo, dirigindo uma frase de caminhão com pneu furado:
"O sucesso não é tudo, tamanho não é documento e dinheiro
não traz felicidade": autor desconhecido, mui provavelmente
pobre e de pinto pequeno.
Eu queria tanto ir à festa de aniversário de 80 anos do
Mickey, mas com essa greve dos pilotos da Air France, perdi
todas minhas aplicações nas ações da Varig.
Bom mesmo é ter dinheiro como jogador de futebol! Viram o
Ronaldo Fenômeno? Comprou o triplex do John Casablancas, no
Rio de Janeiro, por R$ 15 milhões. Por que um triplex? Pra
colocar um travesti em cada andar...
PS: It’s Fryday I’m in love.
Só que hoje é quinta feira.
Eu só queria entender o sentido da vida, o que querem as
mulheres, por que Lula e ZéDirceu ainda estão soltos e as
propagandas das Casas Bahia.
Primeiro vertigem e
paixão, depois vício e intoxicação

Eu só queria entender o sentido da vida, o
que querem as mulheres, por que Lula e ZéDirceu ainda estão
soltos e as propagandas das Casas Bahia.
É muito?
Pensando bem sim. Nem Deus e o Diabo na Terra
do Sol sabem as respostas.
Como se não bastasse, um dia depois desses devaneios, alguém
muito vip pra mim perguntou: "O que você quer Walter?".
Pensei em responder que queria ser trocador
de bateria de relógio nas ruas, mas logo me veio esta: "Eu
queria ser Woody Allen pra querer uma prova da existência de
Deus, como, por exemplo, uma bela conta em meu nome num
banco suíço". Ah! E também uma cobertura no Central Park,
com vista pra Paris.
Por que Deus não fala comigo? Se pelo menos
ele tossisse! Como posso acreditar em Deus se, na semana
passada, prendi a língua na persiana?
Que pergunta mais difícil, né? O que eu
quero... Alguém sabe?
Como diz o Caetano, a gente não sabe o lugar certo onde
colocar o desejo.
Por falar nisso, onde é que eu anotei o telefone novo da
Luana Piovani? Vou pedir pro Dado Dolabella... E adorei
aquela manchete de jornal carioca: "Luana Piovani não tem
Dado mais em casa". Essa frase vale mais que toda a obra do
Saramago; que está sempre com cara de quem comeu a
secretária e não gostou.
Semana passada eu queria ver a Claudia Ohana
desmatada, lembram? Aí eu comprei a "Playboy" e nada. Ela
continua a Abominável Mulher das Selvas ou Konga A Mulher
Gorila...
<CS9.7>Estava faltando página na minha "Playboy". Acho que o
Pedro Cardoso arrancou todas as fotos. Ainda bem que só
compro revista de mulher pelada pra ler as entrevistas! E
pra rimar: não fumo, não bebo, não cheiro, mulheres detesto.
Só minto um pouquinho...
Li n’O Globo que o Pedro Cardoso, pai do movimento contra a
nudez no cinema - Ai que nojo! - vai ser papai novamente.
Essa eu quero ver... Será que ele vai processar o médico por
tirar a calcinha da mulher dele na hora do parto? E se a
filha dele nascer nua?
Outra coisa que eu quero é ler o livro "Deu
no New York Times", do jornalista bêbado e expulso; Larry
Rohter. Por quê? Pra saber por que Lula e Zé Dirceu ainda
não foram presos. Não! Pra descobrir quem matou o Celso
Daniel. Diz que está na página 69...
A entrevista da "Playboy" é com o Daniel
"007" Craig; Bond, James, Bond. Taí outra coisa que quero:
ver, o novo filme do 007, bebendo um dry martini molhadinho.
Também quero saber o que quer dizer o nome do
filme, "Quantum of Solace". Um pouco de consolo? O limbo e a
lama por ter perdido a namorada? Vingança sem tradução? Um
desejo de morte e de dor por ver a namorada morta nos braços
de um outro qualquer? Já sei: blessure narcisique... Quando
a gente não sabe que há um sócio na firma do nosso amor...
Neste exato momento, quero tomar um banho e
não posso. Como é bom poder fazer o que se quer na hora!
Quero uma casa no campo ou me satisfaço num
cafezinho com adoçante e afeto?
Tem gente que quer a juventude de volta. Não
quero os 20 anos do Charles Aznavour porque ele era mais
feio que atualmente. Mas também não quero meus 20 anos. Como
eu era bobo! Sabiam que, com 20 anos eu era tão idiota que
votei no Lula? Lembram do voto vinculado? Só bandido... De
cabo a rabo. Eu era ingênuo e vermelhinho... Estudava na
Unicamp... Tinha um monte de professor exilado, o resto era
da esquerda pacóvia e festiva...
Que vergonha! Mas progredi na carreira
militar. Cheguei a cabo!
Quero escrever um texto sem usar duas vezes a
palavra cabo.
Que mais? Deixa-me ver... Quero saúde pra dar
e vender. Principalmente a um amigo meu que anda bem
precisado... Dar, vender e emprestar. Não, não se empresta
saúde a ninguém. Nem mulher, passarinho e livro.
Quero voltar no tempo ou pro futuro.
Também quero que se f... Se eu quiser falar
com Deus tem que ser por telefone e a cobrar.
Tô com fixação e mania de Deus, hoje, né? É porque, ontem,
ouvi uma ótima do maestro Radamés Gnatalli: "Deus inventou o
chope e o Diabo inventou o uísque".
Gente, mas que maldita mania de você, cabo,
Deus, Diabo e Woody Allen:
"Não apenas Deus não existe; como tente encontrar um
encanador num fim de semana".
Eu quero mamar. Tudo o que quero é voltar ao
útero, qualquer útero. Menos o da Cláudia Ohana porque não
manejo bem o facão.
Eu quero ver Cuba lançar!
E Michelle e Barack Obama na Casa Branca? Ela
passou os dedos nos móveis pra medir a poeira e ele quis
conhecer o Salão Oval pra brincar de Monica Lewinsky com o
Bush.
PS: O Novo Testamento gravado por Cid Moreira
é de fazer Deus perder a fé...
Correntista não, minha conta
bancária tá mais é pra água parada, de corrente só tenho as
dívidas!
A avó do Obama, a tia do Obama e a Claudia da
Ohana

Fernando Fiusa
Aí o Lobo Mau ameaçou Chapeuzinho Vermelho: "Vou comer uma
coisa sua que ninguém nunca provou...". E a Chapeuzinho
devassa: "Só se for o cesto...". Chega de fábulas infantis!
Isso aqui é uma coluna séria! Acho que Lewis Hamilton, o
Obama do Asfalto, é meio solteiro e sem filhos... Deixar
aquela namorada gostosa, no meio de mecânicos tarados,
passar quase duas horas sentado, na frente de um monte de
homens suados e querendo entrar... Sei não... Por falar
nisso, e a tia do Obama? Ainda tá presa como clandestina? Eu
achando que o Bush só prendia mexicano e brasileiro...
Queniano também é gente! E se antes da eleição a família do
Obama já estava invadindo os EUA, imaginem agora, só vai
sobrar hiena no Quênia... Por falar no monstro Bush, que
injustiça! Ninguém lembra suas boas ações. Quantos perus ele
perdoou e salvou da morte no Dia de Ação de Graças! E a
suruba do Itaú com o Unibanco...? Sou correntista deste
último... Correntista, não, minha conta tá mais é pra água
parada, de corrente só tenho as dívidas! Tô ferrado! Reunião
de banqueiro é igual café da manhã entre Hitler, Stálin e
Drácula... Aposto que o Roberto Setúbal, o Pedro Moreira
Salles e o Zé Transilvânia já bolam novas taxas mirando
minha jugular... Ainda bem que temos Lula.
Tenho certeza de que até 2010 ele vai mandar todos os
banqueiros praquele lugar, como prometeu há 10 mil anos.
Queria devanear sobre a nova "Playboy" com Claudia Ohana,
mas até o fechamento desta edição, a revista ainda não
estava nas bancas. O máximo que vi foi um e-mail de
degustação, perdão, divulgação. Nele, um texto do
atormentado cineasta Ruy Guerra, homenageando a ex-mulher, e
uma foto da Claudia, sem mostrar a Ohana. Está sentada,
segurando um periquito na gaiola que, em minha singela
opinião deveria ser uma periquita careca... Aliás, vou
mandar esta coluna para o amigo esquisitão e editor da
"Playboy", Edson Aran do Nascimento, com meus mais severos
protestos. Não é o Ruy Guerra - ex-marido porque deve ter
cansado de comprar gilete e cera de depilação em vão - quem
deveria escrever sobre a nova versão capilar e pilosa de
Claudia, afinal, Ruy é do tempo em que a Tônia Carrero
jogava no Andaraí e Claudia era a maior defensora das matas,
bosques, florestas, selvas e da zona do agrião, onde não
existe pecado, no lado debaixo do Equador, ao sul do seu
corpo... Na primeira sessão de fotos para a famosa revista
masculina, Claudia, como Vera Fischer, ostentava um carpete
que ia de lá até o umbigo.
Nem Rondon e os Irmãos Vilas-Boas seriam capazes de
penetrar... Agora, especula-se até na Bolsa de Nova York que
o buraco é mais embaixo e liso. Claudinha teria se "mudernizado"
e desmatado tudo. Viva o aquecimento global! Assim, o autor
da homenagem à bela e quarentona Ohana, na "Playboy" deveria
ser assinada pelo supergovernador Blairo Maggi, expert em
moto serra e deserto... Plantemos soja e... Mandioca na
Claudia Ohana! E tem mais. A "Playboy" bem que podia
convidar a Sarah Palin e a mulher do Obama, Michelle, para
um ensaio nu e pelado... A namorada do Hamilton também. Da
mulher do McCain só quero as cervejas; mas não podemos
esquecer a tia clandestina do Obama. Esta triste situação só
pode ser vingança e praga do primo do Barack Hussein Obama,
o Saddam, que foi preso pelos norte-americanos num buraco
iraquiano.
Tenho até o título da "Playboy": "No esconderijo com a
Titia". Imaginem a tia do Obama, suja, maltrapilha, faminta
e psicótica, escondida na garagem do sobrinho, em Honolulu,
Havaí... As roupas rasgadas de correr da polícia, de pular
cerca e muro, deixando entrever suas curvas de savana... E
os policiais, de cassetete na mão, pistola na cintura; que a
descobrem em andrajos; podiam ser o Bush e o McCain... O
texto seria do Bill Clinton oferecendo à tia clandestina uma
vaga de estagiária em sua fundação e um vestido de teflon...
As fotos, em P&B, denunciando o drama de uma refugiada
africana na América? Do Sebastião Salgado, evidentemente.
Melhor parar aqui porque estou ficando excitado com a tia do
Obama e não devemos rir da desgraça alheia. Afinal, um dia
posso ser clandestino, no Quênia...
PS: Sinto muito, mas Obama não é o primeiro presidente
negro, é o primeiro presidente mulato... Chega não é?
Voltemos à vida como ela é. (10-11-2008)
Ainda não cansei de escrever aqui que caras e nomes dizem
muito sobre seus respectivos donos.
Os sobrinhos do
Kassab e os amigos dos sobrinhos

FERNANDO FIUZA
Chega de São Paulo, Paes, Belo Horizonte,
Cuiabá e Macapá. Falemos de eleições de verdade. Vou votar
no John McCain. Onde já se viu presidente norte-americano
chamado Barack Hussein Obama? Nem no Quênia, capital do
Haiti, no primeiro Havaí à esquerda, fundos. Nome de
presidente norte-americano é Lincoln, Roosevelt, Nixon,
Reagan, Bush, Clinton. Até Kennedy que é irlandês como
McCain é escocês. Até meu "Word", que é burro para caramba,
reconhece esses nomes. Agora, vá escrever Barack Hussein
Obama e Mahmoud Ahmadinejad pra ver com quantos paus se faz
uma forca... Ainda não cansei de escrever aqui que caras e
nomes dizem muito sobre seus respectivos donos. Por exemplo,
o Hugo Chávez e o Evo Morales não têm cara de cueca suja?
Claro que têm. E o Obama? Parece um ascaris lumbricoides, um
treponema pálido. E ainda por cima é Jr... Querem mais? O
cara nasceu dia 4 de agosto de 1961. Não pode ser presidente
dos EUA. Presidente lá tem que nascer dia 4 de julho e de
1962, ano da invasão da Baía dos Porcos (Pigs).
E onde ele nasceu? Honolulu, Havaí. Havaí é lugar de Elvis
Presley e de engenheiro gaúcho, pô. Fala sério! Agora
passemos ao mais importante, o nome dele. É lá que mora o
perigo. Barack tem nada a ver com Baccarat, tá mais pra
Barraca, é ou não é? E Barraca só me lembra programa de
índio, índio brasileiro, óbvio. Sim porque nos EUA, índio é
Manhattan, aqui é Pataxó, Tupinambá, Tapuia, Tamoio, Caeté,
Cinta-Larga, Anhagabaú, Galerias Pajé, apito, espelhinho,
miçanga e churrasquinho de Sardinha, Bispo Sardinha. Ô
gentinha! Barack. Barraca: chutar o pau da barraca... Quer
coisa mais feia que isso? Barraca parece barraco: armar o
barraco é coisa de Regina Casé, de Sebastião Salgado.
Barraca é coisa de acampamento, camping. Coisa de ficar sem
chuveiro, coisa de pernilongo, marmita, ovo frito, torresmo
à milanesa, pelo amor de Deus! Quer fazer de mim um inimigo
figadal, basta me convocar pra acampar... E que tal
acampamento com fogueira, vinho Pompéia - o dos últimos dias
- cachaça, amendoim torrado e chato tocando Legião ao
violão? Pior só "Andanças" com aquela mala da Beth Carvalho,
"Vi tanta areia andei, da lua cheia eu sei, uma saudade
imensa...". E quando ela canta: "Olha a lua mansa a se
derramar", vem o corinho de chatos e completa: "me leva
amor" e depois, "por onde for quero ser seu par": peço
eutanásia, juro, sem anestesia!
E Hussein? Hussein é até legal, me lembra o rei Hussein da
Jordânia, mas aí vem o Saddam e estraga tudo. Só tenho medo
de duas coisas nesta vida: móveis antigos (franceses e
ingleses) e do Saddam Hussein. Quando ele aparecia na TV,
com aquele bigodão, levantando a espada, eu corria pra
debaixo da cama e pensava com meus butões, melhor, botões:
quem tem Curdo tem medo. E Obama? Como se não bastasse o
lado Hussein, o cara ainda tem nome de bin Laden! Só pode
ser brincadeira. Imaginem alguém gritando "Obama" em Nova
York... Até provarem que é o presidente e não o Osama, o
resto da cidade caiu. Obama ainda me lembra cama, mucama,
lama, oba-oba, Ibama, Brahma, fama, dama e Osama... Até que
fazer um oba-oba com uma dama ou mucama, na cama, na lama,
tomando umas Brahmas, pra levar a fama de Osama destruidor
de lares deve ser legal; mas todo dia enjoa...
Chama o Ibama! Sério, cês tão me entendendo? Obama
presidente parece o Sarkozy antes de virar presidente da
Carla Bruni, num debate na televisão: "Se eu for eleito, a
Turquia nunca fará parte da Comunidade Européia. Como é que
eu vou explicar, na escola, a uma criança francesa, que um
país fazendo fronteira com o Irã é parte da Europa?". Isso
sem falar no Iraque, Síria, Armênia e no supracitado e
dolorido Curdistão. O último nome do Obama é Jr... Na hora
penso no Fábio Jr. E não se fala mais nisso. E olha que ele
nem pode cantar "Pai Herói" porque o pai dele era comunista,
abandonou o lar e o voltou pro Quênia... E na Nigéria o povo
come morcego... Vivo! Onde já se viu comunista ter filho!
Comunista corta a garganta do filho com casco de Brahma,
olha aí a rima de novo... Obama pra mim não passa de um Lula
dublado, com tecla SAP. E concordo com o Reinaldo Azevedo.
Se o Obama for mesmo assassinado, ele pode se candidatar a
papa ou secretário-geral da ONU pra criar o governo mundial.
Ou mudar-se para o Brasil e disputar a condição de maior
milagreiro do Ocidente ou a presidência da Fundação Cacique
Cobra Coral com o Lula. PS: Brincadeira; adoro o Obama, vou
até colocar o nome dele no meu hamster.(03-11-2008)
Garota Eloá, crise econômica e impossibilidade de opinar
sobre as eleições em Belo Horizonte me deram crise de
insônia
Coloquem seus assentos e acentos na posição vertical, please

Sinceramente, esta menina seqüestrada e morta, Eloá, não
tinha cara de... Digamos... Mulher que tem nome de mulher do
Jânio Quadros? Dona Eloá, mulher discreta que fazia os
próprios vestidos e os das filhas... Garota Eloá, crise
econômica e impossibilidade de opinar sobre as eleições em
Belo Horizonte me deram crise de insônia. Fui procurar ajuda
médica. Mesmo solteiro, sem filhos e apreciador de rúcula,
gostaria de votar em São Paulo, no Rio ou Nova York (Dá-lhe
McCain!). Mas, toda vez que tenho insônia, não consigo
dormir e deliro. Insônia me tira o sono. Com insônia eu nem
sonho! O médico monstro recusou-me remédios. Aleguei que
estava sofrendo e ele me mandou rever o filme "Clube da
Luta" pra ver sofrimento de verdade. Depois de "Bambi" e
"Beleza Americana", "Clube da Luta" é o filme mais
inteligente e perigoso que existe. Nele, o atormentado
personagem de Edward Norton é o típico escravo do consumismo
instintivo caseiro. Trabalha muito e à noite, sozinho, até
sentado na privada devora catálogos e, por telefone,
encomenda as coisas mais esdrúxulas como capa para o "sumiê"
amarelo ou cúpula de abajur cor de carne feita de papel
biodegradável... A rotina de Hércules e Cíclope provoca-lhe
terrível insônia.
Pra ver o que é bom pra tosse, o médico recomenda-lhe a
Igreja Metodista onde, toda noite, reúnem-se grupos de
desesperados. Festival de tragédias e suplícios... O cara
vai à primeira reunião, às terças, do Grupo de Suporte para
Homens Sofrendo de Câncer Testicular; cai na real, consegue
dormir, mas fica viciado na lama alheia. Aí procura outros
grupos, usando cada vez um nome falso: Cornelius, Rupert ou
Travis... Cornelius vai aos Alcoólicos Anônimos. Rupert
visita os Sobreviventes de Incesto. Travis prefere o Grupo
de Renais Crônicos. Tudo para abrir os chakras do coração...
E vício é vício. O dependente ainda traça as reuniões
bimestrais dos Parasitas do Sangue, dos Criminosos Comuns,
dos Anêmicos, dos Solteiros sem Filhos, da Demência, da
Rúcula, dos Procurados pela Polícia de Alagoas e do Melanoma.
Terapias essas mais baratas que psiquiatra ou cinema. "E
ainda tem café de graça nos intervalos". Saquei enfim a
metáfora do meu médico. "Clube da Luta" é um antídoto, uma
profecia sobre a crise das bolsas. Tanto que um dos grupos é
o dos Devedores Anônimos... Assim, na falta de um bom suco
de perclorato de amônia oxalato, fui procurar minha turma.
Escolhi o Rio de Janeiro pela proximidade; pra ser mais
anônimo e fazer apologia do Gabeira. No Eduardo Paes jamais
votaria. Se ainda fosse a Juliana Paes... São Paulo? Nem
pensar! Imaginem se a Marta Suplicy espalha que sou
solteiro, sem filhos e amo sanduíche de rúcula com queijo
Minas Padrão e lombinho canadense bem fininho... Eu teria
que procurar ajuda no grupo "Argentinos Anônimos que à Noite
Fazem Nela Aquilo que a Candidata quer Fazer nos Paulistanos
durante 24 horas"... Decidido, comprei "O Globo" e, de cara,
achei maravilhosos programas para sofrer ao vivo: shows da
banda Sorriso Maroto e Fagner, no Canecão. Pra quem não
sabe, Sorriso Maroto canta aqueles versos "que vontade de
matar todo panda que não transa pra salvar a própria
espécie". Já o saudoso Fagner é autor do clássico "Sou
cearense porque vou te vender o sabonete que fizer com as
banhas da tua lipoaspiração e abrir as válvulas dos
petroleiros para sujar aquelas praias francesas que nunca
vou conhecer". Mas o ápice de meu tratamento intensivo e
carioca estava por vir e ver: o "I Encontro Brasileiro de
Pessoas que Gaguejam", discutindo o preconceito contra os
gagos.
Ops! "Pessoas que gaguejam", dizer gagos é politicamente
incorreto, ensina Mônica Britto, coordenadora do curso de
fonoaudiologia da Universidade Veiga de Almeida, porque
Verga do Almeida também não é correto. Outra discussão
capital foi a condenação da nova reforma ortográfica que
acabou com o hífen na língua portuguesa... Afinal, gago sem
hífen fica mudo e analfabeto... Ah! Fiz questão de abrir o
encontro, com coro local, entoando "Gago Apaixonado" de Noel
Rosa, no original. Foi um sussu-cece-sso! Minha próxima
investida será no Congresso Internacional dos Fanhos de
Língua Plesa, com discurso de Lula e Felipe Massa. PS: Estou
melhor, merci. Descobri que nasci num hospício, durmo apenas
uma hora por noite, continuo solteiro, sem filhos e acho o
Kassab uma rúcula, melhor, uma graça! (27-10-2008)
Aniversário também é aula de economia; provando que a
indústria da música vai péssima, pela primeira vez não
ganhei um só CD
Bicho de
pelúcia, broche de ametista e calcinha da florista

Meu ano novo de 9 de outubro começou com Chico Buarque no
iPod porque, como em Paris, tudo começa num bistrô; tudo em
minha vida começa com Chico. Ou com vodca...
Tudo escorreu bem. Até trabalhei pro dia seguinte ser
feriado. E ainda arrumei tarde pra cortar as melenas.
Máquina 4 porque o verão tá na esquina. Vou economizar o
xampu francês, o pente Flamengo, o fusca, o violão e a nega
chamada Tereza.
Tomei banho e um táxi para estrelas de um bar deveras
sugestivo: "Vinicius", homenagem ao Moraes, filho do 19 de
outubro.
Lá confirmei suspeita atroz: muita gente gosta de mim.
Convidados explicam o aniversariante: adoráveis canalhas e
lindas fãs. Abraços, beijos, carinhos e risadas sem ter fim.
Eu não sabia que minha noite seria mais bonita que as do
Robinson Crusoé; mesmo porque o Sexta-Feira não dormiu
pelado ao meu lado.
Como livros e CDs na mesma estante, tinha gente lá nada a
ver com outras. Mas todos com Sukita e comigo. Cada um, uma
história legal. Cada uma, um tempo do meu tempo.
Como meus guris e gurias; as prendas que ganhei também
explicam muito.
No lugar do litro de aguardente tão amarga de tragar;
presentes pra me encabular: tanta garrafa, de vinho e de
uísque, que haja goela pra enfiar. Inclusive uma, vazia, mas
cheia de tinta e arte por fora. Das duas, uma; ou sou
notório alcoólatra ou tão achando que bebo pouco. A gente
ganha o que precisa, o que gosta, né? Prefiro a imagem de
abstêmio; afinal, "pescoço em francês" de bêbado não tem
dono...
Pra rimar, ganhei taças de vinho de alguém que não conhece
minha preferência por umbigos femininos que transbordam e
escorrem...
E mais: lindo anel, meias, muitas camisas, uma calça e um
par de sapatos; pra minha curiosidade: ando mal vestido ou o
povo quer reforçar minha nata elegância?
Prefiro endossar a segunda opção porque um dia todos
entenderão que minhas calças, camisas, tênis velhos e sujos
de tinta são puro estilo. Duvidam? Coloquem uma de minhas
camisetas Hering no George Clooney e, dia seguinte, elas
serão tendência na semana de moda de Paris.
Com uma das camisas veio amostra única e grátis de um tal
Vivanza (genérico do Viagra), 10mg, uso adulto e oral;
claro, duvido que uma criança use isso e em outro
orifício... Hilário! O gozador que me enfiou esta inútil
caixinha esqueceu-se de que minha vida é dura em todos os
sentidos.
Sou "facim", desses que só dizem sim, por uma coisa à toa,
uma noitada boa; um cinema, um botequim.
Mesmo assim, papei coisas legais, como um DVD com a
pré-história do pornô, desde 1915. Presente recorrente,
sempre ganho coisas pornográficas. Assumo o lado tarado.
Todavia senti falta daquela bolsa já com tudo dentro: chave,
caderneta, terço e patuá; lenço e penca de documentos pra
finalmente eu me identificar. Em compensação ganhei um
chaveiro pra me levar pra casa.
Nada de pulseira, celular, cimento, prataria, relógio, pneu,
cueca cheia de dólares e gravador. Não tenho amigos
petistas.
E os perfumes? Estarei fedendo em vida? Não creio. Prefiro
dar vivas ao centenário e libriano Cartola, cantando que as
rosas não falam, mas exalam o perfume que roubam.
Aniversário também é aula de economia; provando que a
indústria da música vai péssima, pela primeira vez não
ganhei um só CD.
Minha turma tem renda, por isso aceito uma prenda, qualquer
coisa assim, como uma Teresinha falsa, um sonho de valsa, um
corte de cetim, uma manta de carne.
Meus comparsas dizem que é difícil me dar discos "porque já
tenho tudo". Que exagero! Só tenho os bons. Mesma coisa para
livros. Só porque uso óculos, a galera acha que sou um
compulsivo das letras. Mas me dei bem neste literal
capítulo; entre uma biografia do pica-grossa Chet Baker e
contos de Raymond Chandler, brindaram-me com a "Revista do
Lalau - Uma seleção de raridades, textos dispersos e
inéditos de Sérgio Porto, o homem que inventou Stanislaw
Ponte Preta e o país do Febeapá". Melhor, só a dedicatória:
"Ao grande e fiel amigo, um pouco do nosso Lalau, figura que
marcou sua boa época, assim como você está marcando a
nossa".
Que elogio! Se eu não fosse tão canalha, choraria. Mas ri
meu riso sacana porque infelizmente, nossa época não é tão
boa quanto a do Lalau. A nossa, brasileira e mais Febeapá do
que nunca, é a da delicadeza perdida, com exceção de um
aniversário como este, cheio de amigos como estes, as
verdadeiras prendas.
PS: Meu aniversário terminou com Chico Buarque porque tudo
em Paris termina num bistrô e tudo em minha vida termina com
Chico. (20-10-2008)
A música foi generosa com este dia. Além de Lennon, temos o
maconheiro Peter Tosh, o raso Taiguara, o “The Who” John
Entwistle (who?), a anoréxica P.J. Harvey e Sharon Osbourne
Que belo estranho dia
para se ter alergia à alegria

Pra começar, a piada do milênio: "O que é
verde e vai para o Oeste? Os Picles Solitários...".
Falta de assunto? Não.
São uns babacas estes cronistas atormentados pela página em
branco; falta de inspiração e assunto que vira tema do texto
deles.
Frescura. Nunca me falta do que falar. Falar mal. Adoro
falar mal dos outros, principalmente dos amigos. Eu poderia
escrever todo dia. Vou acabar criando um destes blogs que
ninguém lê.
O mundo é pródigo em bizarrices; fonte inesgotável para os
labirintos doentios da mente de um escriba. O Brasil é um
paraíso! Por exemplo, estas eleições estão um prato cheio.
De merda, mas cheio.
Como eu dizia; este 2008, além da fartura de fatos, tive a
sorte de esta coluna ser publicada em datas vênias.
Entre outros; o Dia dos Namorados caiu numa quinta-feira, o
aniversário do Chico Buarque também, assim como o 11 de
Setembro e de sinistra memória.
Hoje é 9 de outubro e se quisermos viajar nele, basta a
internet, seu Google ou Wikipédia. Querem ver quantas coisas
cruciais e interessantes aconteceram num 9 de outubro?
Leif Ericson desembarca na Vinlândia. Foi o primeiro europeu
conhecido a pisar no Canadá. Seu pai, Erik O Vermelho,
desembarcou na Groenlândia em 982. Que maravilha! Em 1075,
Dmitar Zvonimir é coroado rei da Croácia. Um néctar de
informação! Em 1446, o alfabeto Hangui foi criado na Coréia.
Vou me matricular num curso de Hangui, amanhã mesmo, ao
meio-dia.
E os ilustres filhos deste hoje de outubro tempo e espaço
afora?
Jesus nasceu dia 9, mas foi registrado por Judas...
Temos os franceses Camille Saint-Saëns (compositor) em 1835
e o capitão Alfred "Papillon" Dreyfus, em 1859. O quê? Não
conhecem? Pacóvios! Tem mais, calma aí!
Que tal Mário de Andrade (1893)? Mário (que Mário?) também
escreveu "Macunaíma", mas deste eu não gosto porque me
lembra aquele mala sem graça do Grande Otelo berrando.
Ah! Este outro enrustido e grande pintor; adoro: Ismael Nery
(1900), nosso primeiro Salvador Dali.
Voltando à França, temos outro chato, mas cultuado cineasta,
Jacques Tati (1907), dono de filmes desbotados e mudos. Pior
só Chaplin filmando Guimarães Rosa.
Pausa para reflexão. Vejam que tem nada a ver uma pessoa com
outra nascida no mesmo dia. Isso é besteira.
Em 9 de outubro de 1940 nasceu John Lennon. Não era boiola,
francês, cineasta; não falava Hangui, nem foi rei da
Croácia; apenas um vulgar Beatle.
Ah! Sean, o lindo filho de John & Yoko também é de 9 de
outubro, mas não se casou com a mãe, nem foi assassinado.
Por enquanto...
A música foi generosa com este dia. Além de Lennon, temos o
maconheiro Peter Tosh, o raso Taiguara, o "The Who" John
Entwistle (who?), a anoréxica P.J. Harvey e Sharon Osbourne,
mulher do Ozzi, pode?
Atores? Tony "Monk" Shalhoub e Guilherme del Toro.
E a tenista, melhor, golpista, não, golfista sueca, Annika
Sörenstam?
Mas 9 de outubro não é só alegria. Ele também matou ícones
como o papa Pio XII; o pica-grossa escritor francês André
Maurois; Che Guevara; Oskar Schindler (que gostava de fazer
listas e elevadores); meu ídolo belga, Jacques Brël (autor
da linda, desesperada e humilhante "Ne me Quittes Pas"); o
saudoso presidente Médici; João Cabral de Melo Neto, Roberto
Campos e meu guru, Clóvis Bornay.
PS: Ah! Dia 9 de outubro de 1962, enquanto Uganda, aquela
encruzilhada do progresso, tornava-se República; nasci;
Walter Ego, em Barbacena. É; este 9 de outubro é de quinta.
Quinta-feira...(13-10-2008)
Parei de brincar senhor juiz, porque ninguém mais me tira
pra dançar um tango argentino com cítara, zabumba e a
orquestra de Manuel Bandeira
Ensaio
sobre o colírio ou coelhos velhos custam a morrer

"Escrito nas Estrelas" é filme bacana sobre
encontros e desencontros amorosos, com o final feliz que só
acontece no cinema. É pra ver com a namorada. Pra ver se ela
se toca... Ou pra tocar a namorada... Socar não, por favor!
Enquanto o casal não entrega seu destino ao destino, a
mocinha gostosa, Sara (Kate Beckinsale), pergunta ao herói,
Jonathan (John Cusack), qual seu filme favorito. Era
"Rebeldia Indomável" (1967), com Paul Newman...
Coincidências são como o Brasil, não existem, mas, revi
"Escrito...", no dia em que Paul foi pedalar nas estrelas
assoviando "Raindrops and a Piano Keep Falling on my Head".
Outra?
Este texto, antes das estrelas e de Paul, era sobre meu
filme favorito...
"Casablanca" (1942). Quando eu acreditava que Papai Noel
amava suas renas, sem malícia. Mas, por causa daquela vagaba
da Ilsa (não, o nome não é um anagrama...) parei de brincar
senhor juiz, porque ninguém mais me tira pra dançar um tango
argentino com cítara, zabumba e a orquestra de Manuel
Bandeira.
Ilsa (Ingrid Bergman) dá pro Rick (Humphrey Bogart) enquanto
o corno do marido, Victor Lazlo (Paul Henreid), estava na
guerra matando nazistas de vida fácil. Desconfio que Ilsa
tenha dado, emprestado e vendido até pro Sam, o pianista.
Reza a lenda que, quando Ilsa pede: "Toque, Sam, toque pelos
bons velhos tempos", não é bem o clássico "As Time Goes By"
- música que enterneceria até Osama bin Laden - o que ela
queria... Ilsa era insaciável. Pra mim, transou também com o
(Ugarte) Peter Lorre que vivia de porre, o capitão Renault
(Claude Rains), que trocava vistos de saída do Marrocos pro
Iêmen por hímens complacentes, e com todos os figurantes. No
final feliz, Ilsa volta pro marido, vai pros EUA e Rick vira
gay no meio da bruma. O que é um desperdício porque bonita e
deliciosa mesmo era a tão esnobada namoradinha do Rick,
Yvonne (Madeleine LeBeau).
Hoje, com a crise nas bolsas, minha película predileta não é
"Rambo V", juro. Estou mais pra "Alfie, o Sedutor". Não, não
é porque sou a cara do Jude Law. Nem pela canção-carapuça "Old
Rabitts Die Hard". Ou seria "Old Habits Die Hard" (Pau que
nasce torto vira bengala), com Mick Jagger? Sei lá, é tudo
tão estranho...
O buraco é mais embaixo...
Alfie era mesmo um sedutor (mulherengo, galinha, canalha!).
Comia todas e depois sumia na bruma, sem virar gay. Pelo
contrário, continuou abatendo todas as mulheres do Martinho
da Vila, chifrou o melhor amigo, quase fica broxa e acaba
como azeitona na empada da piada de português. Santa
comparação, Batman!
O importante para Alfie é C.P.B. (cara, peitos e bunda). E
também o terno Gucci, camisa rosa e sapatos Prada. Perfume
sempre abaixo do pescoço e no "Big Ben porque nunca se sabe
como vai terminar o dia". O terreno de Alfie é Nova York
porque lá estão as mulheres mais lindas do mundo, "cada uma
única, especial, como flocos de neve". E que pletora de
beleza e diversidade! "Como o homem pode querer ficar com
uma só?", defende-se Alfie, adotando a filosofia de vida
européia: "Minhas prioridades são vinhos e mulheres. Mas
mulheres e mulheres são a melhor opção...". E a nota mais
alta que ele dava às perfeitas era "A".
A posição sexual favorita de Alfie era a do presidente John
Kennedy: o mínimo de esforço e o máximo de prazer... Entre
outras, Alfie leva pra cama, banco das limusines que
dirigia, mesa de bilhar ou banheira sua semifixa (quase
namorada) Julie "sem sal, boazinha" (Marisa Tomei), Liz
"panela velha é que faz comida boa, devassa" (Susan Sarandon)
e o monumento louro e suculento, Nikki (Sienna Miller).
E é falando dela, pensando sobre ela, que entendemos a
verdadeira filosofia de vida e morte de Alfie. A cena é
perfeita. A doidona Nikki, vestindo apenas minúscula
calcinha e fumando, esquarteja um pepino com uma machadinha,
na cozinha. Alfie, frente à maravilhosa cena, lembra de um
passeio a um museu de Londres, quando se apaixonou por uma
escultura de Afrodite, perfeita, mas que de perto
mostrava-se danificada pelo tempo. E é aí que ele confessa à
platéia do filme: "Você sabe que tem problemas (de
relacionamento), quando uma imagem dessas não o prende".
Traduzindo para bom javanês, até caviar de beluga, com
champanhe, todo dia enjoa... Tem dia que a noite tá mais é
pra sardinha ou mortadela Sadia...
E assim caminhou a promiscuidade do Don Juan Alfie, sempre
fugindo de compromissos, esperando a mulher perfeita.
PS: E assim terminou Alfie, na bruma, sozinho, sem nada.
Estava escrito nas estrelas. (06-10-2008)
Pior só as homicidas: homem de dia, Cida de noite. Perguntem
pro Bush. Não, melhor perguntar essa pro Ronaldo Fenômeno...
Da arte de abater aves de
pequeno porte em pleno vôo

Tenho dois amigos Juarez Machado. Um é o
famoso pintor. O outro é autor do imortal texto infantil, "A
Vaquinha Lésbica e o Coelhinho Pederasta"; emérito e egrégio
caçador de aves de pequeno porte. Não, pintos não, mas as
franguinhas que pululam saltitantes. O cara é PhD na arte
das penosas, coelhinhas incautas, lebres serelepes e
ratazanas em pele de cabra.
No Brasil não sei, mas aqui em Belo Horizonte, o abate é
esporte nacional. A temporada começa em janeiro e vai até
dezembro.
E em todos os lugares: fila de banco, ferro velho,
manifestações de professores contra o Bush, consultórios e
até na Feira do Bebê e da Gestante. As bebês a gente perdoa,
mas as gestantes de até um mês... Só no sapatinho: "Mamãe eu
quero mamar...".
Não tem perdão. A moda está nos supermercados chiques. Na
seção de vinhos finos, na de queijos grossos, na de nabos
importados, na dos pepinos grossos ou finos.
Supermercados caros são perfeitos para "empurrar" mulheres
do alheio...
Mas meu forte são as "carnes de segunda". Tenho um fraco
pelas barangas que moram em "comunidade" e ficam felizes com
qualquer coisa: um corte de cetim, um sonho de valsa, um
Kinder Ovo.
Semana passada, peguei uma que nunca tinha visto latinha de
Coca-Cola. Ensinei-a a abrir o artefato por trás... Ela até
chorou...
O sacolão é indicado para traçar domésticas, mães solteiras,
divorciadas e estudantes que gostam de uma boa sopa de
entulho durante o lusco-fusco...
Posiciono-me na zona do agrião, ao lado das leguminosas e
capricho: "O preço da acelga está uma beleza... Os tomates
estão pela hora da morte... Estes brócolis vão muito bem com
manjuba...". Não tem erro e ainda deixo que elas guardem as
compras na geladeira enquanto mostro com quantos paus se faz
uma salada de picão com palmito cru.
A área dos comestíveis é tiro e queda.
Todavia não devemos desprezar outros abatedouros. Afinal, o
que importa é enriquecer o currículo! Perguntem pro Bush...
Amadores paqueram em bares, festinhas e durante a Quaresma.
Prefiro locais mais exóticos.
Não aconselho casamentos e batizados, a não ser que a vítima
seja a noiva ou a mamãe emocionada. Desde que o noivo e o
pai estejam distribuindo charutos de duplo sentido. Tais
eventos têm muitas solteiras que só pensam naquilo:
casamento. Você dá bom dia e elas já estão mandando os
convites pra gráfica. Um horror!
Há exceções. Se a batráquia valer a pena, prometa noivado,
casamento ou até mesmo uma máquina de lavar pratos. Uma vez
consumado o ato, o colóquio amoroso, invente uma história e
suma. Ontem mesmo, depois de me lambuzar e saciar-me, disse
que ia comprar cigarros poloneses pra levar minha capivara
ao dentista, em Manaus e até agora não voltei. Há que ser
criativo. Perguntem pro Bush...
Adoro velórios!
Todas de preto, maquiagem borrada, frágeis, sensibilizadas,
pensativas sobre o sentido da vida, principalmente a viúva a
quem abordo assim: "Se casar de novo perde o pecúlio...".
Velório é bom de madrugada, quando as vítimas estão
sonolentas e com frio. Basta chegar por trás, dar "aquele
abraço", oferecer café com adoçante, cachecol e soltar: "Não
posso dizer que te amo aqui para não atrapalhar as
investigações que chegaram até o hospital, mas não
resistiram aos ferimentos da população ribeirinha gritando
palavras de ordem". Infalível!
E se você fica até o final, os familiares do falecido
oferecem sopinha, caldos, empadinhas, sequilhos e
queijadinhas. Daí a importância de ter um estoque de
camisinhas à mão. Nada melhor que uma rapidinha atrás da
lanchonete entre gerânios e rosas murchas. Sempre pega bem,
depois, na hora do cigarrinho, declarar: "Cassandra, você é
de matar...".
No cemitério, como personagens de Nelson Rodrigues, não.
Geralmente as mulheres que flanam entre as tumbas são
suicidas potenciais ou psicopatas exponenciais. Pior só as
homicidas: homem de dia, Cida de noite. Perguntem pro Bush.
Não, melhor perguntar essa pro Ronaldo Fenômeno...
Missas são perfeitas também porque, como diz um padre amigo
meu, "ajoelhou tem que chupar; perdão, rezar". Basta
convidar: "E aí baby? Vamos lá em casa falar sobre o pregão
e o índice Dow Jones?".
Bom, pena que a coluna chegou ao fim. A lista de locais para
o abate de tolinhas é grande.
Deixo com vocês, até a próxima, uma ótima e última dica:
lavanderias 24 horas... Mulher nenhuma resiste ao pedido:
"Me empresta o amaciante pra deixar minha cueca fofinha e
perfumada com carinho?".
PS: Esta coluna contém mais de 4.700 substâncias tóxicas.
Ela é mais bonita que a Notre Dame de Paris. Ela é mais
jolie que a Angelina dançando uma mélodie de Satie. Minha
pit bull de batom
Até a caixa
postal dela anda cheia... de mim

Ah a falta que ela me faz!
Depois dela as outras são as outras. O horror! O horror! O
que não tem governo nem nunca terá: a obrigação da
felicidade. E ela. Aquela que passava fome ao meu lado e
achava bonito não ter o que comer.
Mas é proibido sofrer, diz a bula que eu li. Temos de
"funcionar", rir, gozar, ser belos, magros, chiques, tesudos;
com muito Prozac, Rivotril e Viagra, caso contrário a gente
vira pílulas de soylent green.
A infelicidade é a alegria obrigatória dos nossos carnavais
pra tudo se acabar na quinta-feira, menos na Bahia, claro.
Tristeza não tem fim. Felicidade da publicidade de margarina
também não.
Enquanto houver champanhe, caviar para todos e tarja preta
pro resto, há esperança.
Cadê meu Audi, pô? E o Ipod, pó? Quem mexeu no meu camembert?
Que Armani comeu meu Artani?
Artani que rima com ma Carla Bruni, ma came, ma toxique, mon
anagramme mais mortal que l’héroïne afghane mais perigosa
que la blanche colombienne.
Apesar de tudo, jantei bem, fui ao teatro e progredi na
carreira militar. Cheguei a cabo! Meu nome, Mr. Been There,
aos poucos, foi crescendo, até os píncaros da glória. Meus
amores juravam-me amor eterno, mas acabavam fugindo com
outros, deixando-me na lama. Uma noite, quando eu cantava a
"Tosca", uma jovem atirou-me uma gérbera e tornou-se minha
legítima esposa. Um dia, quando eu cantava "Lá Vem a Cobra
Grande", de Gastão Formenti; ela fugiu com outro. Não pude
mais cantar.
Ela foi substituída pela depressão. Ninguém mais é Álvares
de Azevedo, é deprimido. Algumas palavras são mandadas pro
esquecimento sem terem feito nada de errado. Saem de moda.
Em alguns momentos pintou a inevitável encruzilhada: pular
de cabeça no trabalho e deixar-se engolir por ele, com
tristeza, ou encarar o trabalho como apenas isso. É duro
optar, porque aí matamos alguma coisa muito importante.
Então estamos sempre entre as duas escolhas. Mas assim
aprendemos que ela pode ser manejada. Não deve ser ignorada,
dopada, mas também não é bom romantizá-la, nem encorajá-la.
Ela precisa de muito pouco alimento pra crescer, mas de um
grande trabalho interno pra ser superada.
Mais tarde, lembrei-me que ela, contudo, me havia deixado um
pedacinho de seu eu: minha filha; a pequenina boneca de
carne que eu tinha o dever de criar. Fez-se moça, bonita...
Voltei a cantar. Todavia, Deus levou minha filhinha
atropelada por um caminhão de ervilhas. Aí fui caindo,
caindo, passando dos teatros de alta categoria para os de
mais baixa. Até que acabei por levar uma vaia cantando em
pleno picadeiro de um circo. Me chamaram até de Cingapura de
churrascaria! Nunca mais fui nada. Nada, não! Hoje, porque
bebo a fim de esquecer a minha desventura, chamam-me ébrio.
Ébrio...
Por que a gente continua não sabendo o lugar certo onde
colocar o desejo traidor? Cadê o "Elogio Dela", de Eric G.
Wilson?
Tá provado que morar na filosofia só é possível em alemão e
que a felicidade só existe nos filmes do Capra.
Quero beber e cheirar as "Cartas da Islândia", de Auden,
todo dia. Chega de "Cartas Chilenas".
Por que nos escondemos atrás de sorrisos tensos e do bom
humor programado? Pra disfarçar o medo que temos de móveis
antigos?
Ela me cola desde os tempos de escola. Ela é mais bonita que
a Notre Dame de Paris Ela é mais jolie que a Angelina
dançando uma mélodie de Satie.
Ela era meu pré-sal com açúcar e com afeto. Minha vereadora,
minha personal Amy Winehouse, minha pit bull de batom, meu
bóson que acelerava minhas partículas até eu fazer big bang
nos lençóis. Era meu grampo, minha Madonna mandona, minha
formação |